Dois dos melhores momentos do meu ano, como espectador

Slater Fanning JohnJohn - last wave
Slater Fanning mother

Foi na última onda da bateria. Batia-se contra Mick Fanning e John John Florence. Quem a ganhasse passava aos quartos-de-final do Pipe Masters, no Havai, a última prova do campeonato do mundo. Os que perdessem passariam para a 5º ronda. Slater já não concorria para o título, mas queria ganhar com igual ou superior gana. A 10 segundos do final dos 30 minutos ainda não tinha apanhado esta onda. E depois montou-a, saltou por ela abaixo, fez um tubo gigante e saiu levantado, mãos nas costas e a cabeça inclinada para baixo. Uma inspiração a merecer 12 ou mesmo 15 pontos, sendo que o máximo possível são 10. E à qual o júri concedeu 8.3 quando teria precisado de 9.1 para ganhar. Foi roubado. Mais uma vez. Anda a ser roubado desde que preferiu não ter um grande patrocinador da gigantesca indústria do surf. Em Setembro, na Califórnia, também contra Mick Fanning, fez uma manobra que merecia 20. Deram-lhe 4.17, e o escândalo foi tão grande que até chegou à imprensa genérica internacional, no que deve ter sido uma estreia mundial atribuir-se importância jornalística de primeira página a uma acrobacia marada numa onda.

Slater fará 44 anos daqui a um mês e tal. Podia ser pai de dois terços ou mais dos profissionais com quem compete num desporto de alto desgaste e risco físico. Acabou este ano na 9ª posição, mas nos anteriores tem sido sempre um candidato ao título até à última prova.

Dia seguinte. Slater contra Mick Fanning nos quartos-de-final. 24 horas antes, Fanning recebeu a notícia da morte de um dos seus irmãos, falecido durante o sono. Em 1998, outro irmão dele tinha morrido num acidente de automóvel. Mick, o surfista que encheu os ecrãs globais em Agosto por ter sido atacado por um tubarão durante uma final na África do Sul, decidiu manter-se em prova, na qual poderia vir a ganhar o seu 4º título mundial.

Nesta imagem vemos Slater e Elizabeth Osborne, mãe de Mick. Foi ter com ela prestes a iniciar a prova contra um dos seus filhos, minutos antes de ir tentar derrotá-lo. E choraram abraçados, aquela mulher de coração rasgado e aquele homem de coração nas mãos.

Foi a onda mais funda e mais linda deste campeonato do mundo de surf. Ou de todos.

3 thoughts on “Dois dos melhores momentos do meu ano, como espectador”

  1. !ai! e como desenho eu aqui um grande coração rendilhado e a rosa fúcsia pintado só para ti? deixo então ondas salgadas dos meus olhos que se fazem molhadas aos molhos. e um beijo cheiinho de admiração. :-)

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