Discussões de primeira necessidade

Faz sentido: se o PSD vai negociar, é para obter uma qualquer vitória. E faz sentido: se o Governo pretende cumprir com os seus compromissos europeus, não pode admitir qualquer derrota. Negociar nestas condições, onde a austeridade já proposta penaliza sempre o Governo e o PS, só se justifica com um milagre no lado da receita. Catroga não o tinha na manga – talvez porque essa solução seja impossível, talvez porque o estado caótico da direcção do PSD tenha levado a novo desvario, agora para dar razão aos que pediram a abstenção sem negociação. [Luís Novaes Tito, meu colega de Companhia, fez um retrato muito melhor do que o meu]

António Costa, nesta Quadratura e ao minuto 39/40, defende um modelo que resolva o problema da governabilidade precária causada pela extrema dificuldade em obter alianças parlamentares à esquerda ou por eventuais vazios à direita. A solução é, simultaneamente, conservadora e ousada, e tão mais ousada quanto conservadora e vice-versa: garantir condições de viabilização de Governos minoritários através de um pacto de aprovação do Programa e Orçamento pelo maior partido da oposição, o que calhar em cada eleição. É uma sugestão que dá para alimentar discussões de primeira necessidade.

5 thoughts on “Discussões de primeira necessidade”

  1. desculpa lá , mas a austeridade penaliza o povinho , os membros do Governo e os boys continuam na maior , mesmo se não ganharem mais eleições . o pecúlio já lá canta na offshore.
    sobre o resto não me pronuncio , dado não ter qualquer interesse prá minha vidinha : as moscas mudam…

  2. Tirando o mapa da corrupção, noticio o pessoal do Aspirina B de que irão dormir 1 horita a mais durante o fim-de-semana.
    Então? Ninguém me agradece?

  3. Não sei quem é o tipo, mas excelente artigo:

    “Se dúvidas existiam, estão desfeitas: a zona de conforto do primeiro-ministro é a zona de guerra. Onde não há espaço para meninos do coro.

    O que José Sócrates desejava, aconteceu: rebentou o dique que separava o mar voraz da política do território árido dos números. E a política inundou o debate técnico, transformando-o num ruído imperceptível e num zero absoluto.

    Eis, pois, o primeiro-ministro no seu aquário preferido: o da política pura e dura, que se exerce com nervos de aço, maxilares tensos e murros na mesa. Se dúvidas existiam, estão desfeitas: a zona de conforto do primeiro-ministro é a zona de guerra. Onde não há espaço para meninos do coro. Há sete dias escrevi nesta coluna um texto intitulado: “José Sócrates não tem nada contra o leite achocolatado. Só não gosta que lhe imponham condições.” E julgo que aí reside o pecado capital do PSD: a ingenuidade de que este primeiro-ministro poderia negociar. Não pode e não quer, porque a cedência – um dos pilares de qualquer negociação – não está no seu código genético. O raciocínio de Sócrates é linear e próprio do campo de batalha: ceder às condições impostas pelo PSD representaria a entronização de Passos Coelho como o defensor da classe média, de todos os contribuintes e da transparência. A esmola era demasiada e entrámos, assim, na dimensão mais conflituante da política que, sem aviso prévio, infiltrou o mundo mais conceptual da economia. O que veremos a partir de agora é do domínio da batalha naval: alguns tiros no porta-aviões, outros na água e barcos ao fundo. Talvez acabemos por ter um Orçamento que todos, com excepção do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, consideram mau. Talvez continuemos a ter um primeiro-ministro em colisão com o mundo. E um ministro das Finanças que, depois de um ano de 2010 de absoluto descontrolo das contas públicas, promete agora ser o último guardião do objectivo orçamental. Talvez haja quem ainda acredite neles.”

    http://economico.sapo.pt/noticias/se-duvidas-existiam-estao-desfeitas-a-zona-de-conforto-do-primeiroministro-e-a-zona-de-guerra-onde-nao-ha-espaco-para-meninos-do-coro_102858.html

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