94 thoughts on “Destino do fado”

  1. Se tivermos em consideração que o fado está enraizado em apenas 2 cidades (Lisboa e Coimbra) assim como a sua origem, não me parece que se possa dizer que é a canção nacional.
    Encontramos uma grande diversidade de canções a nível regional.

    Diria mais que o fado (de Lisboa) é a canção portuguesa com mais visibilidade internacional (e até nacional).

  2. Não, não faz sentido para mim, especialmente quando: “…O FADUNCHO CHORADINHO DE TABERNAS E SALÕES, SEMEIA SÓ DESALENTO, MISTICISMO E ILUSÕES…” (no dizer do José Mário Branco). Se encarado como um tipo de música com “poema dentro”, considero que tem algum interesse, mas se na perpectiva que na frase citada e que era (é) comum em alguns dos seus intérpretes, penso que se enquadra num certo regionalismo que nos remete para um certo acabrunhamento.
    Claro que se falarmos de “fado” no sentido de “destino” e que uma certa “casta” lhe quer atribuir e que quer fazer crer que o País se revê nela, pelos interessses costumeiros, pior está o “barco”. Levar-nos-á muito longe na discussão, que não é local para abordar.

  3. Faz todo o sentido, por dois motivos bem poderosos:

    1º) O Fado é cantado e, sobretudo, SENTIDO de igual forma por todos os portugueses, independentemente de onde residam, ou da respectiva “sub-cultura” regional natal – só quem não conhece bem e por dentro o nosso Povo é que pensa que só se canta e se SENTE o Fado em Lisboa, no Ribatejo, ou em Coimbra (onde ele terá de facto tido as suas origens, ou mais forte enraizamento popular, mas de onde extravasou, abundantemente, a partir do surgimento do Cinema, do Disco e, acima de tudo, da Rádio);

    2º) Porque, analisando bem a diversidade da música popular portuguesa, não existe nenhum outro tipo de Canção que seja tão popular e, efectivamente, de índole NACIONAL como é o Fado…

  4. Não, claro. Isso faz tanto sentido como dizer que o Benfica é o clube de futebol nacional. E note-se que tanto há apreciadores de fado por esse país fora, como há benfiquistas em todos os cantos.
    Eu, pessoalmente, já não posso com o género “foi por vontade de deus, pobre de mim, ai ai ai..” Ver adolescentes a cantar coisas destas, então, é hilariante.

  5. É como dizer que o pastel de nata é o bolo nacional (ou que a pizza é o prato nacional da Itália). Claro que sim. Há só por aí alguns excentricos, com défice de sentimento, que não gostam. Une a malta e é bom para o comércio externo. Basta uma campanha bem conduzida e uma rede eficiente de distribuição.

  6. O Fado foi, durante muito tempo, a canção nacional, no sentido em que todos a reconheciam como tal, e como tal foi promovida. Foi também, no espaço internacional, a sonoridade que identificava imediatamente o país – não estou a ver que fossemos conhecidos por mais nenhuma.
    A questão é saber se, neste momento, o “é”. Se internacionalmente parece-me que continua a ser – como o provam Madredeus e a Mariza, embora me pareça (e não sou nada especialista) que será mais numa perspectiva “étnica” e cultural do que propriamente musical – já no espaço nacional essa afirmação não pode ser feita já com essa certeza.
    As mentalidades evoluíram muito nos últimos 30 anos, as escolhas musicais diversificaram-se e pulverizaram-se para novas sonoridades, novas experiências, enquanto o fado, embora com novos talentos, manteve-se mais ou menos estático. É tratado por muitos como uma coisa sagrada, inamovível, com horror à mudança e a novas propostas, a novos olhares. Nesse aspecto, parece-me que se arrisca a transformar-se numa peça de museu, ouvida mais por obrigação cultural do que por prazer, inserida num contexto de “identificação cultural/nacional”. Mais como canção “oficial” do que canção viva e pujante.

  7. Atão não? Culturalmente é a expressão musical que melhor nos identifica. Queriam o rock n´roll não?;) ou…o acid/jazz, ou espera aí…a ópera..ou um bolero ou uma rumba …o samba…ou a morna (Linda!!) que tem um grau suspeito de consaguinidade com o fado…
    Nós musicalmente e culturalmente somos o fado, basta abrir uma qualquer televisão em horario nobre ou ver qualquer 1ª pagina ou caixa de comentarios de um qualquer blog.
    Apesar dos esforços do grande Adolfo Luxuria Canibal…Há muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespiravel.:))

  8. Nacional só a “pimba”.
    Por um lado, esse lamento de putas tristes espalhou-se pelo país com o cinema do Estado Novo, mas não vingou: é ver quantas cidades capitais de distrito sustentam casas de fados.

    Por outro lado, e se bem te entendi, é a verdadeira canção de Lisboa. Está na hora de o Governo se instalar noutro lado qualquer.

  9. Pá, é simples: se o gajo de trás-os-montes tivesse comprado a tal estação de rádio nos anos trinta, estávamos agora a dizer que a música nacional era o som da gaita de foles; como, de certeza, foi um pintas da mouraria, ou arredores, que investiu, os portugueses passaram a gemer fado. Um aparelho de radiofonia numa taberna, mailuns copos de carrascão, fazem milagres pelo sintimento dos portugueses.

  10. acho que não. quiseram foi impingi-la como canção nacional para que as pessoas interiorizassem os tristes fados de cada época como fadados pelo destino. e não se insurgissem. é tipo socialização no choradinho.

  11. Val,

    Que remédio, goste-se ou não. Por Exemplo: enquanto este sítio, que é Portugal, for mal frequentado por gente do calibre do jornaleiro Ribeiro Ferreira, homúnculo pateta e exemplar máximo do tuga manhoso, cheio de vícios na forma de pensar, tendencioso como um cão a farejar a perna do dono, tipo de gentinha menor, desrespeitosa, aldrabona, calina, obtusa, fátua, pusilâmine e mesquinha, enquanto tiver espaço num qualquer pocilga matinal, o fado, há-de continuar a ser a canção deste país.

  12. Entendo que o fado traduz conceitos culturais específicos de formação mais ou menos regional, cujo enquadramento deve ter em conta uma certa dimensão territorial, na qual incluo a Andaluzia.

    Em matéria de reconhecimento internacional, o fado está para Portugal como o flamengo está para Espanha, e é sem dúvida a canção nacional.

    Já que o tema o propicia, não posso deixar de lamentar o abandono que se regista noutras áreas importantes em matéria de culturalidade do povo português. Um dia para dizermos aos nossos filhos o que é o fandango, por exemplo, temos de lhes mostrar um filme num qualquer museu etnográfico.

  13. Nem mais Carmencita, olé! Tambem me parece (embora não teime) que o fado tem raízes árabes…não é por acaso que a Severa é na Mouraria:)

    Edie, embora a Amália seja um monumento e responsavel pela expansão do fado canção por esse mundo fora, de quem eu gostava era da Hermínia Silva, punha o “Pacheco” na ordem.:))

  14. Na margem direita do Douro tal como na Galiza a música “folk” é de influência Celta. Há inclusivamente uma gaita de foles mirandesa (um dos sub-tipos). Noutras regiões temos outras influências, como é o caso do adufe, entre outros.
    O fado foi promovido a canção nacional pelo Estado Novo
    (FFF). Mas dizer que o fado é a canção nacional é como dizer que o jazz, os blues ou o country são cada uma delas a música nacional dos EUA.

  15. Primo: sabes que estás a falar de político e, por isso, é óbvio que essa afirmação faz ou produz sentido. O “Que remédio, goste-se ou não” do PG acaba, por isso, por ser extremamente pertinente. O Fado é uma instituição e o seu estatuto um gesto político. Quem diz que o Fado não é a canção nacional está apenas a confirmar-lhe o estatuto que, não por acaso, até possui argumentos culturais, históricos e musicológicos que o legitimam. Pessoalmente, enquanto emigrante, sou hiper-sensível ao Fado: ao longo da minha infância ele foi, a par gastronomia, um dos raros referentes de portugalidade omnipresentes no número 26 da Rue du Cerf da cidade francesa de Mulhouse.

  16. O fado é a canção nacional no sentido de nos identificar cultural e musicalmente, como o samba (e não as canções sertanejas) identifica o Brasil…é universal.Agora, não é a única.
    Os EUA são um melting pot recente e as varias correntes musicais refletem ainda esse mosaico, a raiz negra, a europeia, etc…no entanto não mentirei se associar o Rock n’roll como o genero musical genuinamente americano e que sintetiza um pouco as dois troncos culturais.

  17. Ibn Erriq,

    O Estado Novo promovia uma certa ideia de portugalidade. Não era só o fado que era promovido. Eram promovidos também as várias danças e cantares regionais.

    O fado teve a sorte de, a certa altura, ser cantado por Amália Rodrigues, que pela voz, conseguiu transpor estas fronteiras, à época fechadas para tudo.

    Um dos erros do 25 de Abril (todas as revoluções têm os seus erros), foi tentar eliminar a culturalidade do povo português, rotulando de ultrapassado e com ligações fortes ao antigo regime tudo o que fazia parte integrante da identidade cultural portuguesa, no qual o fado se insere.

    De certa forma, penso que o fado foi recuperado porque no exterior o reclamaram. Hoje existe uma explosão de artistas neste tipo de canção, algo para o qual não podemos ficar
    indiferentes,naturalmente.

    Contudo, lamento que outras formas culturais de cariz popular sejam tão maltratadas, e há tantas… Recordo os cantares alentejanos, o corridinho algarvio, o vira…

  18. O fado é a alma do povo português e não estou a ser antiquada. É uma constatação. Os portugueses são fadistas. Andem eles na prancha de surf ou no fundo duma taberna.

  19. Muito curioso é o facto de eu ter comprado em Londres um CD com música do Tadjequistão com muitas músicas cantadas em quadras que se chama «falak». Basta fechar o olhos e parece que estamos a ouvir Lucilia do Carmo ou Maria Teresa de Noronha…

  20. JPC, tio, eu, ao fim de três meses na Suiça, até me vinha uma lagriminha ao olho se visse um tuga a cuspir para o chão… anda aqui uma grande confusão com a “identidade”. Para mim, a identidade portuguesa é a lingua e a história comum. De resto, faz falta um estudo sério sobre a identidade construída e o papel do Estado Novo no assunto, incluíndo o vira do Minho, o corridinho, etc. Sei que foi uma máquina poderosa de produção de identidades, tanto que passados tantos anos, ainda nos faz sonhar com identidades nacionais ao som da guitarra ou da concertina, entre outras coisas. No campo do folclore, não somos caso único. Os escoceses ainda agora estão a engolir o facto de os kilts e o tartan serem basicamente invenções, com fins politicos e comerciais, de gente que nem sequer era escocesa, na segunda metade do século XVIII. A Grã-Bretanha, é até um caso curioso de produção artificial de folclore, para reforçar a sua identidade nacional. Os santos, os bardos, as sagas, etc.

  21. Comentários muito bons, pessoal. Estou grato e a aprender.

    Lancei a questão porque consumo fado com abundância, fruindo vozes e letras com intenso prazer, mas encontro muitas pessoas que não ligam ao género, e que até o detestam por razões de antipatia psicológica ou ideológica.

    Mas… será possível existir um falante de língua portuguesa que não ame o “Gaivota”, escrito pelo Alexandre O’Neill, junto ao Tejo, numa plúmbea tarde de solar inspiração?

  22. Não, de todo, o fado não é nosso, é de quem o sentir. Há muito que ultrapassou as nossas fronteiras. Tenho uma recolha de fadistas estrangeiros a cantar fado, onde se contam: uma holandesa, uma croata, uma romena, uma húngara, uma catalã, uma mexicana, seis japoneses (um homem e cinco mulheres) e asseguro-vos que há estrangeiros que cantam o fado com muito mais alma do que muitos portugueses.

  23. Não; e o mesmo já foi demonstrado por Fernando Lopes Graça… O fado é local, resume-se a duas cidades, Lisboa e Coimbra, e alimentando-se do fundo islâmico destas duas cidades, a que, no caso de Lisboa, se acresce a diáspora do Império.

    Mas percebe-se os meandros políticos que o promoveram a expressão musical nacional… suportados na força cultural das duas cidades politicamente mais importantes (Coimbra foi a primeira capital de Portugal).

  24. Por belo que seja o poema, sem Alain Oulman não haveria o “Gaivota” que ouvias na voz da Amália e que ouves agora, com outro fatinho, na de Sónia Tavares. Se lembrei o músico foi porque os “puristas” do fado nunca gostaram dele e sempre negaram que as canções que compunha para Amália fossem fados.

  25. Para quem continua a tentar desenvolver uma certa ideia marginalização do fado pelo facto de o mesmo ter sido promovido pelo estado, eu direi que o futebol também teve uma promoção grande, à época, nem por isso as pessoas o rejeitam.

    Devo confessar que faço parte duma geração que cresceu sem ouvir fado e todos os registos que existiam eram depreciativos. Quando por iniciativa própria procurei tomar conhecimento com esta musica e canção, fiquei fã incondicional.

    Bem, Pedro, a identidade é sempre uma construção que pode ou não ser forçada. Eu estou de acordo contigo em vários aspectos, nomeadamente quando afirmas que faz falta um estudo mais profundo. Não posso estar de acordo quando resumes a identidade de um povo à língua e à história. Convém não nos esquecermos que na base da identidade está a cultura de um povo e a língua faz parte dessa cultura.

  26. Klatuu o embuçado

    Não é por ser do Mississipi que o blues é menos americano. Não é por ser de New Orleans (e depois Chicago) que o jazz é menos americano. Não é por ter nascido na Baía que o samba não é brasieleiro. And so on…

  27. KLATUU O EMBUÇADO: onde raio é que Fernando Lopes-Graça “demonstrou” tudo isso que abusivamente referiste, não quererás esclarecer-nos? Não podias simplesmente manifestar e assumir a tua opinião, deixando esse ilustre Compositor português em paz?

    Nik, conheces assim tão bem o Minho todo, carago? Ibn Errik, não consegues distinguir entre música folclórica e Canção, que é o que estamos aqui a discutir?

    E, já agora, quem disse que o nosso Fado apenas admite o modo “estado de espírito triste”? Benvindos ao início do «Fado do Barnabé» (compasso quaternário e acordes da viola entre parêntesis): (Lá m) FALECEU NO HOSPI- (Sol M) – TAL UM AMIGO BESTI- (Fá M) -AL: ERA O ZÉ, ARRUMAVA (Mi M) CARROS… (Ré m) E SÓ DEIXA, NESTE (Lá m) MUNDO, UMA VIÚVA NO DA- (Si M) -FUNDO E UM (Mi M) MAÇO DE CI- (Lá m) -GARROS!” (in «Um Mundo Catita», dos Irmãos homónimos, que contém várias outras pérolas fadísticas plenas de humor…). Já para não falar do “Fado da Adivinha” («Tanto faz curto ou comprido, como mais fino ou mais grosso: é um órgão muito querido por não ter espinha nem osso…”).

    E também, como diz acima o “jojoratazana”, o Fado de Intervenção, de que me lembro pelo menos, assim de repente, do «Fado de Alcoentre», do Fernando Tordo («Que merda!”), sobre a fuga de 89 “pides” dessa mesma cadeia, em 75…

  28. Lembrei-me do Fado Maravilhas do Raul Solnado

    Fui domingo a Cacilhas
    Mais o Chico Maravilhas
    Comer uma caldeirada.
    A gente não nada em taco
    Mas vai dando pró tabaco
    E para regar a salada.

    É porque isto é mesmo assim
    A gente morre e o pilim
    Não vai prá cova ca gente.
    E antes gastá-lo no tacho
    Do que na farmácia, eu acho
    Isto é que é principalmente… ai…

    Terminada a refeição
    Ao entrar na embarcação
    Começou a grande espiga.
    Um mangas abriu o bico
    Pôs-se a mandar vir com o Chico
    E o Chico arriou a giga.

    Eu para acalmar a tormenta
    Inda disse oh Chico auguenta
    Mas o mangas insistiii u.
    E o Chico sem intenção
    Deu-lhe um ligeiro encontrão
    E atirou com o tipo ao rio… ai…

    O sócio do outro meco
    Quis-se armar em malandreco
    A gente já tava quentes.
    Veio para mim desnorteado
    Eu dei-lhe com penteado
    E pu-lo a cuspir os dentes.

    (…)

    Não tenho vida para isto
    E de futuro desisto
    De me meter noutra alhaaa da.
    Nunca mais vou a Cacilhas
    Mais o Chico Maravilhas
    Comer uma caldeiraaa da!

  29. E o restinho (…) era:

    «O sócio do outro meco
    Quis-se armar em malandreco
    A gente já tava quentes.
    Veio para mim desnorteado
    Desmanchei-lhe o penteado
    E pu-lo a cuspir os dentes.

    Veio-me outro com uma ideia,
    Desarrumei-lhe a plateia
    Mais o trôpego do focinho.
    E o Chico, pelo seu lado,
    Só para não ficar calado,
    Arrumou quatro sózinho, ai!…

    Fez-se grande confusão,
    Juntou-se toda a embarcação,
    Eu mais o Chico no centro.
    Naquela calamidade,
    Apareceu a autoridade
    E meteu-nos todos “dentro”!

    Não tenho vida para isto
    E é por isso que eu desisto
    De me meter noutra alhaaa da:
    Nunca mais vou a Cacilhas
    Mais o Chico Maravilhas
    Comer uma caldeiraaa da!»

  30. Carmen, para estabelecer uma “coisa nacional”, que identifique um país (é disso que estamos a falar), prefiro, à cautela, uma coisa mais naturalmente sedimentada em todo o território, como a lingua, por exemplo. Depois, é claro há várias coisas próprias só de um país, só nossas: o fado é uma delas, assim como os pastéis de bacalhau. O fado nasceu nas tabernas de um bairro de Lisboa. Só foi tornada “canção nacional” com intuitos turísticos (é como as gitanas a bater castanholas nos cartazes turísticos espanhóis..). A designação “fado de Coimbra” é polémica; há quem lhe prefira “canção de coimbra”, e a verdade é que tanto as temáticas como as sonoridades são diferentes. O folclore rural é mais complexo: as coreografias, o vestuário, etc, como nasceu e quando? Eu não gosto de fado; gosto de fados, alguns; tenho é dúvida de que sejam mesmo “fado”: o Gaivota, e outras coisas escritas pelo Mourão Ferreira e pelo O’Neill e musicadas pelo Oulman. Isso é fado? Depois, com uns copos e um chouriço assado numa taberna castiça, marcha tudo: não ouço a Hermínia Silva numa aparelhagem em casa, mas acho que teria sido bem divertido num ambiente desses.
    O fado é tipicamente português, mas não é a canção nacional; assim como o blues é tipicamente americano, mas está longe de ser a “canção nacional” americana.

  31. O Fado é Portugal, como é o Rancho das florinhas de Silva Escura, como é o “Pimba” (Zé Cabra incluído…), como são os rappers do guetto, as bandas de garagem, os Dj´s de trance psicadélico e o eterno festival eurovisão da canção…
    No fundo tudo é Portugal…
    O fado tem grande projecção, agora com Mariza, antes com Amália, com os projectos Deolinda e Gift tornou-se comercial… Mas é tão nacional como qualquer outro estilo Made in Portugal!!!
    Simbolismos por simbolismos fica “O bacalhau quer alho” do pequenito Saul… É bem representativo de Portugal!

  32. Boa Marco!!
    Ah! Fadista!:))
    Carmen este “fado” do Solnado era mais uma brincadeira, tipo fado de revista.
    Edie, a Hermínia era daquelas pessoas maiores do que a vida.Herminia é Lisboa da cabeça aos pés, era a alegria do povo, solar.Aquiem vez do Pacheco é o Armando.

    Pedro, o fado é a canção nacional por excelência. quanto ao facto de ter nascido em Lisboa não o torna menos nacional, tem que se nascer em algum lado. Nem tem que haver unanimidade em torno disso.O blues vem dos cânticos ritmados dos campos de trabalho de algodão(e outros) e de certa forma é o precursor de grande parte da musica actual,jazz, rock, rockn´roll, pop e por aí fora, agora não peças a um redneck do Texas para ele compreender ou aceitar isso. Existem coisas que não dependem da nossa opinião.
    Já agora mira aqui um link para a pagina 2 e vê que a Ercilia Costa já fazia digressões a França em 1937….

  33. Não percebi bem, k. Queres dizer que o blues é a “canção nacional” dos Estados Unidos? É que é isso que está em causa. E o country, como fica? De resto, ninguém discute que o blues deu origem a outros géneros musicais. Mas olha que um redneck teria de “compreender e aceitar” a classificação de qualquer coisa como “ a coisa nacional”. Não é coisa que se decrete em decisão do Congresso Americano (ou na assembleia da república); é mesmo coisa para ser compreendido e aceite e assimilado, seja por um redneck, seja por um yuppie de wall street.
    E ainda não entendi porque é que o fado será a “canção nacional”. A sério que não. É aquela coisa de expressar a alma do povo português, é isso? Lá está: se isso estiver interiorizado pela malta, incluíndo os nossos rednecks, de norte a sul, já não digo mais nada. Mas quando se chega ao ponto de ter de perguntar se o fado é “canção nacional”, é sinal de que a classificação não está ainda lá muito bem cimentada.

    Quanto à Ercília Costa, eu até tenho em casa gravações mais antigas. Saiu uma vez uma colecção de cd numa revista, coisas bem catitas, muito antigas.

  34. Não , não estou a dizer que o blues é a musica nacional dos Estados Unidos (mas poderia bem sê-lo),o que eu estou a dizer é que não é necessário nenhum unanimismo para uma musica ou genero musical ter importância ou simbolismo, tão só.

  35. k, mas não se discute aqui a importância do blues ou do fado. O que estamos a discutir é o sentido de um genero musical ser considerado “a canção nacional”. Que o blues é música nacional e património histórico dos EU, é claro que sim. Isso não é do domínio da opinião, é do domínio da história e dos factos. O que estamos a discutir é se o blues ou o fado, são “as” musicas nacionais. Continuemos nos EU: o country até tem mais adeptos e diz mais ao que se convencionou chamar a américa profunda, o midwest, aquele que estabelece o padrão para o que é “americanamente” genuino (não sou eu que o digo, são os americanos). E se alguma música houvesse que os americanos aceitassem como “a” tal, seriam mais as marchas do Philip Sousa ;) (que até é metade “nosso”).

    Tenho uma ideia: que tal organizar-se uma petição nacional para o parlamento reconhecer oficialmente o fado como “a canção nacional”? ;)

  36. Marco Alberto Alves

    Num raio de um livro que não lêste e em toda uma obra crítica que não conheces…

    «A Música Portuguesa e os seus problemas», Vol. VIII, pp. 249-254 (mas há mais), Ed. Cosmos, Lisboa, 1973.

    «De ordem propriamente artística, e mesmo no plano da música popular (que se não deve confundir com música folclórica, como está assente), não lhe reconheço qualquer interesse [ao fado].» p. 250

    Como se vê, fui mais moderado que o autor… mas, de qualquer modo, sempre disponível para esclarecer o povo fadista…

    Nas páginas 253-254 o autor trata, exactamente de responder à questão aqui feita…

    «O conceito de «canção nacional por excelência» já é falso a respeito de qualquer povo ou nação. Quanto mais o não é a respeito de um povo, o povo português, que possui um folclore poético-musical tão rico e tão autêntico, que, infelizmente, até os próprios portugueses tendem a subestimar em benefício de uma canção incaracterística e bastarda, qual é o fado!»

    edie

    Não é de facto… e?
    A questão colocada foi: Faz sentido dizer que o fado é a canção nacional?

    Não se perguntou se era Português… Isso todos sabemos.
    Tsst… tsst… Sempre a tempo de aulas nocturnas na escola mais próxima…

  37. Klatuu o Embuçado,

    disseste que “O fado é local, resume-se a duas cidades, Lisboa e Coimbra”, o que eu digo é que não se resume a tal coisa, amplia-se ao país e por isso é nacional.

    Boas aulas!

  38. O Fado é a cançao nacional? Depende do estado de espírito. Na labuta rural havía lugar a canticos conjuntos das lavradeiras, talvez os ranchos sejam a cançao nacional.

  39. Pedro, segundo creio estamos a discutir o que quisermos discutir, mas a premissa foi o facto de ter sentido chamar ao fado a canção nacional ou não e não o sentido de haver ou não uma canção nacional. faz uma diferença.
    Ainda quanto ao blues.O Midwest são estados que foram maioritariamente colonizados por colonos europeus do Norte (maioritariamente eslavos segundo julgo) e são tão genuinamente americanos como um negro descendente de escravos do Louisiana. O country é tão genuinamente americano como o blues, mais, o country sofreu a influência do blues . Tu estas a ver a América como um western, muito wasp. A verdadeira revolução musical americana/mundial deu-se no surgimento da grande musica negra. O que falta (hoje menos) é o reconhecimento, e foi a ele que eu me referi quando disse que um redneck do Texas talvez nunca reconheça esse facto mas tal não influi no mérito.
    Quanto ao fado, eu não tenho duvidas que é a canção nacional, pois não há mais nenhuma e dá-se até o caso de os maiores poetas portugueses terem emprestado os seus melhores poemas a este genero musical.E isso não é por acaso. Como o Val assinalou acima, ouvir Gaivota pelo Carlos do Carmo, não é só um bom poema com um bom interprete…aquilo não resultava em mais genero musical nenhum.

  40. Ó k, estás a repetir-te. E eu tenho de me repetir também: Eu já sei que o blues e o western são genuinos e sei que o blues é muito importante e tal. Mas, já agora: o country, ou o western, são wasp? Boa, essa. Meu, wasp é o jazz e o rock’n’roll, música dos grandes meios urbanos, por definição. Mas ninguém lá reconhece qualquer género como “a canção nacional” ou “a música nacional”. Não se dá lá a nenhum género musical qualquer precedência. Então, mas não estamos a discutir a pergunta do valupi? Que o blues é importante, assim como o fado é importante, está assente, pá. Mas o fado é “a canção de Lisboa”, não “a canção nacional” (o “fado de coimbra”, ou “canção de coimbra”, como alguns preferem, é outra coisa completamente diferente). O que acontece é que a maior parte da malta de todo o país até gosta da canção de Lisboa. Entendes isto? Eu posso ser de freixo de espada a cinta e gostar muito da Gaivota ou da casa da mariquinhas. Tu já atentaste bem nas temáticas do fado, nas letras, no clima…? Diz-me lá. Ring a bell? É uma música tipicamente urbana, e urbana tipicamente lisboeta, salvo aquela variação do Ribatejo, os cavalos e tal, tipica dos senhoritos fidalgotes rurais que as gostavam de cantar nos seus salões de Lisboa.
    “A canção nacional”, é aquela que começa assim, “heróis do mar, nobre povo, la la la”. Sorry.

  41. Pedro, não sabes o que é wasp, pois não? depois confundes tudo. o que têm as temáticas a ver com o facto de poder ser ou não uma canção nacional? mas mesmo assim ouves de tudo Pedro Homem de Mello, David-Mourão Ferreira, O’Neill, Ary dos Santos até o Manuel Alegre…acho que a tua grelha de análise é muito redutora, para não dizer pior.
    Essa de confundires o hino com “canção nacional , então…;)))

  42. K, read my lips: o fado é “uma canção nacional”, no sentido de ser uma canção portuguesa, e só neste sentido. Porque… Lisboa é Portugal. O vira do minho é uma música nacional, porque o minho é português, assim como o adufe é um instrumento nacional, porque a beira baixa é portuguesa. Mas nem o fado nem o vira são “a canção nacional”, nem o adufe é o instrumento nacional. Got it agora? Mas porquê, porquê, não entendi, dizes tu. Ora, exactamente por causa das temáticas. O país é diverso. Um compositor da mouraria tem uma certa mania de não se interessar por escrever canções sobre a ceifa do trigo, né? Assim como os cantes alentejanos, dificilmente falam de gaivotas, do céu de Lisboa, de manjericos nas sacadas, ou de ciumes e de canalhas, ou de angústias existenciais, certo? Ou tu não admites “personalidade” própria, cultural, social, etc, a esses géneros? O país não é uma massa informe, pá.

    A verdade é que ainda não entendi porque dizes que o fado é “a canção nacional”. É por muita gente gostar de ouvir fado?
    Sobre os wasp: Working class whites in the U.S. are generally not referred to as “WASPs”, even if they are Protestants of Anglo-Saxon descent”
    daqui
    http://en.wikipedia.org/wiki/White_Anglo-Saxon_Protestant
    Vai lá perguntar a um americano se o country, ou o bluegrass, são tipicamente wasp, vai lá. É óbvio que muitos wasp gostarão de country, assim como gostarão de blues, ou de música esquimó.
    Mas não te distraias. Podemos, se quiseres, discutir as classificações socio-culturais, etc, dos EU, mas explica-me lá primeiro bem essa de o fado ser “a canção nacional”.

    E não sou eu que confundo o hino com a canção nacional. Está na constituição, que queres que eu faça?

  43. Nada. Ficamos por aqui… Olha gosto muito de Kant alentejano, especialmente aquela passagem “…à sombra de uma azinheira que já não sabia a idade…”

  44. Ok, de nada, sempre às ordens. Mas estou perfeitamente disponível para aceitar que o Benfica é o clube nacional, sem problema nenhum.

  45. Contributo de KLATUU O EMBUÇADO:

    Em Lopes-Graça, Fernando, «A Música Portuguesa e os seus problemas», Vol. VIII, pp. 249-254 (mas há mais), Ed. Cosmos, Lisboa, 1973:

    «De ordem propriamente artística, e mesmo no plano da música popular (que se não deve confundir com música folclórica, como está assente), não lhe reconheço qualquer interesse [ao fado]» (p. 250).

    Quem aprendeu a ler fica assim sabendo que Fernando Lopes-Graça não reconhecia ao Fado qualquer valor artístico-musical. O que, contudo, não me parece suficiente para afirmar, de uma forma autoritária e definitiva, que isso “demonstre” que o Fado não é, ou não possa ser considerada, a Canção nacional.

    Mas o mais intrigante é tentar perceber por que é que este omnisciente comentador, que sabe à partida aquilo que os outros conhecem ou não conhecem e o que leram ou não leram, sem os conhecer de lado nenhum, se digna descer cá abaixo e vir à fala com os mortais comuns! Diz ele que sabe pensar. Pena é que, pelos vistos, não tenha ainda aprendido a ler…

    Ora atente-se em mais esta: segundo ele, “Nas páginas 253-254 o Autor [F. L.-G.]trata, exactamente, de responder à questão aqui feita:

    «O conceito de “canção nacional por excelência” já é falso a respeito de qualquer povo ou nação. Quanto mais o não é a respeito de um povo, o povo português, que possui um folclore poético-musical tão rico e tão autêntico, que, infelizmente, até os próprios portugueses tendem a subestimar, em benefício de uma canção incaracterística e bastarda, qual é o fado!»”.

    Parece-me claro (mas isso sou eu que “não conheço a obra crítica” de F. Lopes-Graça…), que o Autor se limita aqui a negar o próprio conceito de “canção nacional”, nunca a “responder à questão aqui feita”, precisamente porque, para Lopes-Graça, essa questão não faz qualquer sentido.

    E eu até posso concordar com ele neste ponto. O conceito de “canção nacional” é algo demasiado complexo e de utilidade discutível para um erudito da Música, de acordo. Mas eu não sou um erudito (embora aprecie bastante a vastíssima obra do grande Compositor que foi Lopes-Graça), pelo menos em Música, e por isso respondi à tal questão no âmbito do “senso comum”, que é onde me parece que ela foi colocada.

    E não me sinto nada obrigado a ter o gosto de Lopes-Graça ou o de ninguém, era o que mais me faltava agora! Não gosta do Fado? Paciência. Para ele não tem valor artístico? Lamento, mas discordo profundamente. Há muito mais riqueza artística na Música Popular portuguesa? Se ele o diz, quem sou eu para o contestar… Há pois que saber distinguir os planos em que se intervém na produção, na comunicação e no debate de ideias. Isto é basilar, sobretudo para quem se reclame de “saber pensar”…

  46. Parece-me que a opinião do Lopes-graça é acima de tudo ideologica. E o facto de não reconhecer ao fado qualquer valor não interessa para a questão.

  47. O «demonstre» terás tu que encontrar: compra os volumes todos e dedica-te à leitura… quiçá até ficarás culto…

    E, de facto, é a essa questão que responde… trata-se de uma entrevista, e é EXACTAMENTE essa a pergunta que lhe é feita (lê o livrito, poupas-te…).

    Não interessa para a questão, claro que não… Siga o fado!

    P. S. BLOGUE PARA MAIORES DE 35 ANOS.
    Obrigado, desde já, seria uma gentileza…

  48. … E quanto ao fado… digam-me lá amigos blogueiros: com tanto patriotismo, porque será que nunca vemos um cantador de fado a concorrer às Presidenciais? Será que, por vezes, afinal, o vinho até é bom conselheiro?

    Ou:

    como uma vez me disse um enorme professor meu, perante a minha convicção perplexa de que os estúpidos nunca se aperceberiam de que o são… me respondeu, que sim, que se apercebem, daí o seu afã em quererem parecer inteligentes…

  49. LOL…continuas ao lado…na geração e na assumpção de que os apatetamentos são de geração – não são, nem de classe, nem de raça…Mas já deu para ver o teu leque mental de catalogador básico e desatento…

  50. Klatuu,

    hoje temos lição de inglês…Olha bem para o meu nome, Kaluu…

    Depois desta lição, debateremos o que te faz comichão nos homens que usam o cabelo em pé…

  51. Marco Alberto Alves, a arrogância é fodida!

    Porque razão não pode o folclore ser também sob a forma de canção, cantares alentejanos, cantares da beira interior, trás-os-montes, etc? Não podem as canções de trabalho por exemplo os cantares da segada (acredito que não sabias os que isto é mas deixa lá, não te amofines, que para além da arrogância, também a ignorância é fodida) não pode ser folclore? Não sabes? Pois olha, para mim estas canções são tão nacionais como o fado de Coimbra ou mesmo o de Lisboa, como menos expressão é verdade, contudo, como a mesma importância.
    Mas se não partilhares desta ideia então é porque não é assim e tu certamente estás certo e eu errado. Olha que se lixe, vai com os cantares de segada, esta fica para a tua erudição desvendar.

    Ah, deves também dizer aos caramelos que escreveram este artigo da wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Música_folclórica) para trocarem os termo canção por musica folclórica. Enfim! Senão altera tu mesmo.

  52. Bacocos porquê? Porque assim tu o decidiste? Olha, olha a falar de argumentos de autoridade, depois cataloga os outros, bem visto!

    Eu terei sido inventado, tu terás nascido da ponta de corno do diabo, vê lá se descobres mais este regionalismo bacoco. Pior que um regionalista bacoco só mesmo um urbano saloio metido a erudito.

  53. Eu não me estava a referir a ti Henriques, não te ponhas em bicos de pés nem te vitimizes. Tu és só um postal ainda não és um Saraiva.:))

  54. Eh pá és mesmo bom. Vitimizar-me? E seria vitima de quêm de ti? Por quem te tomas? Não passas de um pobre diabo.
    O que tu achas que eu sou ou não sou tem a relevância de uma pulga no campo de batalha!

  55. Klatuu,

    argumentos fadistas esgostaste-os tu há muitos comentários atrás…e recomendo- te alguma terapia (não ocupacional), porque me parece grave que me andes a confundir com a tua maezinha.LOL

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