Desce e sobe

Tirando os especialistas, mesmo que autodidactas, e os que detém informação privilegiada, mesmo que adquirida livremente, o resto da população está destinada a enlouquecer se gastar emoções com o que se passa na economia. Pura e simplesmente, a complexidade do fenómeno, para quem está a olhar para o palácio, torna inútil ter a mínima pretensão acerca do que os acontecimentos significam.

O exemplo mais simples é o da bolsa. A bolsa sobe e desce, precisamente o que é suposto que aconteça: subir e descer por ciclos e devido a factores aleatórios. Descer é mau? Os catastrofistas da actualidade reagem como os hipocondríacos, vêem nas descidas o prenúncio do fim da civilização ocidental. Porquê? Porque estão apavorados e querem consolo, uns, porque qualquer pretexto serve para acirrar a irracionalidade das massas, outros. Se acalmassem, tomariam como ideia lunática esse cenário em que os países preferissem o caos ou não fossem capazes de se organizar em modelos de subsistência e crescimento. É que sempre assim aconteceu, apesar de horrendas catástrofes, e com crescente sucesso. Que mariquice é esta com o Euro?…

Quando a bolsa cai, pode ser altura para comprar. Ou para esperar que desça ainda mais, de modo a pagar ainda menos e aumentar o lucro futuro. Quem fala da bolsa, fala da lógica de qualquer outro investimento, onde as conjunturas negativas podem ser propícias se aproveitadas com coragem. Se o plano for o de manter o capitalismo, o sistema inventa formas de crescer – por isso afasta o caos e alimenta a liberdade.

Como ensinava Heraclito, o caminho por onde se desce é o caminho por onde se sobe.

14 thoughts on “Desce e sobe”

  1. “Como ensinava Heraclito, o caminho por onde se desce é o caminho por onde se sobe. onde se sobe.”

    Ah pois é bebé! Mas o seu inverso também é verdade.

    Sabes qual é a diferença? Para subir é preciso energia mas para descer não.

    Sabes bem que no final, na bolsa não ganham todos.

    E como ensina o povo, mais sabedor que Heraclito: tudo que sobe, desde.

  2. Bom dia Val,
    E ainda não perceberam, esses catastofistas, que nesses dias de descida há sempre quem compre.
    Pudera ! Só se fossem nabos.
    Cumprimentos

  3. O problema não está no capitalismo ou na bolsa, no sobe e desce…

    É muito mais simples: Portugal i.é, o Estado e os Privados, gastam mais do que arrecadam. Daí a dívida. E como não dão sinal de se conter (grandes obras = grandes dívidas mas = grandes amigalhaços para o partido no poder), quem empresta pede mais juros porque há mais riscos envolvidos.

    O risco é Portugal entrar na BANCARROTA… Daí a comoção… Entendido?

  4. o pessoal de wall street e da city tentaram dar cabo disto com o sub-prime e outras merdas mas não conseguiram porque os estados meteram dinheiro com força nos bancos e depois na economia para aliviar a consequente depressão económica. agora o mesmo pessoal está de volta para dizer que os défices e as dívidas públicas estão muito elevadas. claro está, não se importam minimamente com o facto de terem sido eles os causadores desse aumento das dívidas e dos défices.
    oh, lúcido, portugal é mesmo importante: consegue abanar todo o sistema financeiro mundial. vá, lê lá mais umas coisas…

  5. # Assis,

    Caro amigo, a crise de 1997 (na longínqua Ásia) começou numa pequena economia local, a Tailândia. O que não impediu um efeito de contágio que abanou as economias vizinhas (Indonésia, Malásia, Filipinas) mas também economias desenvolvidas (Singapura) e muito maior (Coreia do Sul). O efeito fez-se sentir no Japão, na China e até nas economias ocidentais.

    Como diz uma amiga minha não é o tamanho que conta ;) mas é as interligações das economias. Para isso é utilizado um conceito económico muito obscuro que pouca gente conhece, a GLOBALIZAÇÃO…

    Por isso, sim pequeno Portugal pode abanar a economia mundial. E sim , o governo português é mesmo mau…

  6. não é nada disso, lúcido. obviamente que há um problema de dívidas públicas e défices, mas isso é válido para todo o mundo ocidental. a escolha da grécia (e de portugal e da espanha) para alvos é só a tentativa de ganhar algum com os mais fracos, para além de preconceitos dos financeiros anglo-saxónicos. é ver os défices monstruosos (portugal é um satinho) e o aumento da dívida pública para diferentes países desde os usa à uk, passando pela irlanda (esta tem um bad bank com 80 mil milhões de activos tóxicos, e não vai levar o défice a 3% nem em 2014!). se a especulação levasse os juros cobrados aos us ou à uk para 10% eram capazes mas era de rebentar com a economia ocidental de uma vez por todas e isso o pessoal de wall street e da city não arrisca.
    quanto ao governo, ele é que paga pelo desvario dos governos anteriores e teve o azar de estar em funções na grande depressão. quanto aos factos ( e não à retórica balofa) foi o único (!) governo em democracia que fez consolidação das contas públicas.

  7. Algumas notas:

    1. O ´complot´ anglo-saxónico é utilizado vezes sem conta para explicar o comportamento dos mercados. ´Não enfrentamos mercados anónimos mas sim mercados com rosto anglo-saxónico, judeu etc´. Esta conversa tem um sabor neo-nacionalista.

    2. É verdade que os números da dívida dos USA ou UK não são tão diferente dos números de Portugal (Grécia está muito acima mas quem sabe, e Espanha tanto quanto sei está por enquanto abaixo).

    3. No entanto para perceber a dinâmica de uma dívida é preciso ter em conta o crescimento esperado dos países. Isto é, o rácio Dívida/PIB diminui se o PIB crescer mais do que a Dívida. E é aí que Portugal e Espanha são muito frágeis. Portugal não tem crescimento há 10 anos. Estamos em estagnação. E Espanha depois do Boom da construção terá que fazer uma conversão da sua economia o que levará 10 anos pelo menos, principalmente com o ritmo de reformas do governo Zapateiro… Quanto à Grécia…

    4. Daí a reacção dos mercados.

    5. Mas o governo e a pesada herança… O governo teve condições excepcional de governação a partir de 2005 (vários anos sem eleição, um país rendido às reformas inevitáveis, oposição de direita atordoada, oposição de esquerda sem credibilidade económica etc) Resultado? Crescimento nulo, desemprego altíssimo, exportações sem dinamismo, dívida externa explosiva, dívida do Estado e dos privados sempre a aumentar etc etc etc… E a Grande Depressão veio apenas sublinhar as nossas fragilidades, a nossa incapacidade de nos reformar, o nosso apego ao deus-Estado…

    6. Uma análise desapaixonada dos últimos 6 meses demonstraria com facilidade que o governo esteve muito mais preocupado com os casamentos homossexuais do que com a crise grega que já era visível para todos desde Dezembro 2009. Do ponto de vista da táctica política foi brilhante, mas depois não se queixam da reacção dos mercados…

  8. oh lúcido, o ponto 5 não sei se é resultado de desonestidade intelectual ou se revela mesmo má fé. então há uma grande recessão mundial e o lúcido para provar que o governo é incompetente dá os nº correspondentes aos anos da recessão (2008/2009). é a mesma coisa que dizer que os alemães (ou quaisquer outros à escolha) são uns incompetentes porque deixaram, em 2009, o pib cair 5%, deixaram disparar o défice acima dos 3% e deixaram disparar a dívida pública. por favor, um pouco menos de sectarismo!
    e depois aquela estafada “das condições excepcionais de governação”: em que é que as condições de governação a partir de 2005 foram mais excepcionais que por exemplo nos 3 anos antes? também havia governo de maioria absoluta, não houve eleições, os portugueses estavam receptivos às reformas (onde nada foi feito, excepto o congelamento dos salários da fp), blah, blah…
    vá lá lúcido,faça o favor de se concentrar em 2007, antes da grande recessão: crescimento de 1,9% (maior da década), exportações a crescerem 2 dígitos, défice inferior aos 3%, dívida pouco acima dos 65% e em decréscimo, reforma da segurança social já feita, despesa pública a diminuir pela 1ª vez em democracia. Nestes 3 anos (2005, 2006, 2007) tivémos o governo menos despesista dos últimos 30 anos como o demonstrou (com nºs e não com conversa balofa) ricardo reis no jornal i; isso obviamente também implicou menor investimento público sacrificando por exemplo o crescimento de 2007 que seria certamente superior a 2%, se o governo tem acompanhado o investimento do sector privado.
    imagine, lúcido, que esta grande recessão mundial tinha aparecido em 2004 ou 2005. quem teria sido o bobo da festa, lúcido? ai não teria sido a grécia não….

  9. # Assis

    Noto com algum contentamento que os outros pontos foram tacitamente aceites. Mas adiante e vejamos o ponto 5.

    A economia passa por ciclos económicos que são muito conhecido (7 anos de vacas gordas, 7 anos de vacas magras). Depois de uma desaceleração acentuada nos primeiros anos da década e de um tratamento de choque do governo Barroso a economia conheceu um ´rebound´.

    Porquê?

    Primeiro o ciclo económico nacional estava na mó de cima (um pouco). Segundo como bem apontaste as exportações iam bem (a economia mundial estava em franca expansão e comprava tudo o que se produzia). Terceiro, as regras do PEC foram massajadas pela França de Chirac e a Alemanha de Schroeder (que estavam a desrespeitar a regra de 3%, daí a ´flexibilização´ da regra e os problemas actuais). O que permetiu um tempo de ajuste para a economia portuguesa. O plano já não era de respeitar ´cegamente´ os 3% de deficit já (como tinha sido imposto por Bruxelas) mas ter três anos para lá chegar.

    Olhando só para 2007. O que foi conseguido foi notável? 1,9% de crescimento é bom? Melhor do que nada mas muito pouco porque:

    1. a economia mundial crescia acima dos 5%
    2. a economia europeia crescia acima de 1,9%
    3. para diminuir o desemprego e criar verdadeiros empregos (não empregos à custa do contribuinte no Estado por exemplo) é preciso justamente um crescimento acima de 2%
    4. o equilíbrio das contas foi feito a custa da subida dos impostos. Quando o ciclo económico nacional e mundial virou abruptamente em 2007 caíram as entradas de dinheiro. E nenhuma consolidação tinha sido feito do lado das despesas (Portugal continuou a ser despesista). Daí o deficit ressurgir… Daí o espectro da bancarrota nacional…

    Assis podes ficar contente com um crescimento de 1,9%. É o teu direito. Eu acredito que Portugal pode e deve fazer melhor para impedir o flagelo da pobreza, do desemprego e da emigração.

  10. (os outros pontos também não concordo mas o ponto 5 era, e é, chocante)
    “…um tratamento de choque do governo Barroso…” que tratamento? que choque? nem uma (1!) reforma implementou! não percebo. desenvolve….
    os pontos 1 e 2 são válidos também para o tempo do governo barroso. por exemplo em 2003 tivémos uma recessão de 0.9% enquanto os nossos vizinhos espanhóis cresciam a 4%.
    o ponto 3 é la palisse.
    no ponto 4 voltamos à desonestidade: que impostos subiram? 2% no iva (tal como já tinha sido feito no governo barroso) que posteriormente foi reduzido de 1%. e a diminuição da despesa do estado em 2007! que outro governo fez isto? digo novamente que até 2007 o governo sócrates foi o menos despesista tal como o ricardo reis demonstrou. espero que não me venhas outra vez com essa retórica balofa do frasquilho sobre a falta de consolidação do lado da despesa porque, além de ser falso como se vê, o próprio frasquilho quando esteve no governo não consolidou nada!
    “E nenhuma consolidação tinha sido feito do lado das despesas (Portugal continuou a ser despesista). Daí o deficit ressurgir”. então devemos concluir que todos os países eram despesistas pois os seus défices dispararam (alemanha, frança, uk, ….). por favor nada disto tem sentido: os argumentos que usas são argumentos da política politiqueira que caiem logo quando se olha para o espaço europeu e mundial. faz o seguinte: numa folha excel coloca o diferencial entre os valores das contas (défices, crescimento,etc) de portugal e a média da zona euro para a última década e depois falamos.
    obviamente que 1,9% de crescimento não é muito mas sempre é melhor que recessões de 0,9% ou crescimentos nulos (para além disso esse crescimento era um crescimento sustentado que comparava com 1,2% do ano anterior). de qualquer forma um crescimento de 4% não ocorre de um ano para o outro, só na cabeça das pessoas que acreditam em milagres.

  11. A vós mentes iluminadas deixo uma pergunta.

    O que acontece se na próxima semana a Republica de Portugal não conseguir os 5 mil milhões que necessita?

    A ti valupi, que devias lavar as cabeças dos dedos com lixívia, pergunto-te. O que dizes aqueles que há um ano previam o estado a que chegamos mas que pode ainda piorar e que chamavas pessimistas e coisas piores? Talvez um pouco de vergonha não te ficasse mal e agora te viesses retratar e pedir-lhes desculpa.

    Bom pedir desculpa talvez seja forte de mais, pois acredito piamente que não tenhas a humildades necessária para tão nobre acto.

    E já agora o que dizes aqueles que tu chamavas de optimistas e visionários? Sim, agora que ponderam abandonar algumas da obras?

    Eram o pessimistas visionários? Ou seriam somente esses optimistas desenfreados tacanhos e sem capacidade de ler os sinais?

    Será por causa desses optimistas que estamos neste estado?

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