Deixem-no andar por aí

Santana tem muito melhor campanha do que António Costa. Os cartazes são particularmente eficazes, tudo neles estando certo do ponto de vista das técnicas de comunicação, por um lado, e da demagogia, pelo outro. Também ganha na oratória e no descaramento, como é sua imagem de marca.

A campanha do PS para Lisboa é algo que reproduz a parte de trás de um acidente automóvel. Para se avaliar rapidamente a confusão estratégica daquela equipa, basta assinalar que existem 5 assinaturas possíveis:

Unir Lisboa
As pessoas são o [coração] de Lisboa
Uma cidade das pessoas
Uma equipa que faz bem
Uma questão de confiança

Este caos na comunicação, e a irrelevância das mensagens escolhidas, é comum em grupos cuja autoridade não está bem hierarquizada e os âmbitos de trabalho não estão bem definidos. Aposto meio jantar em como toda a minha gente alvitrou e quis participar com a sua frase bem esgalhada, pois o apelo a brincar aos publicitários é tão irresistível como o de sermos treinadores de bancada. Já agora, a parolice do coração terá vindo da Roseta? Se não veio, poderia ter vindo; pelo que aproveito para me rebolar no preconceito sexista.

Depois de ouvir António Costa várias vezes, e de ler o material de campanha, confesso que não faço ideia de qual seja a sua ideia para a cidade. Provavelmente, não tem nenhuma, sendo demasiado realista para esses lirismos. Mas devia ter tido, podia ter feito uma campanha onde o coração não fosse apenas de papel. Vai ter o meu voto, mas só porque Santana merece continuar andando por aí. Por aí longe.

17 thoughts on “Deixem-no andar por aí”

  1. Tens toda a razão.
    E a insistência nas bicicletas também já enjoa…
    O cabrão do flopes acabou com a Feira Popular! Será que os lisboetas já esqueceram esse golpe profundo na alma alfacinha? Ainda não ouvi ninguém referir essa punhalada, cambada de frouxos…

  2. senhora ferrugenta:

    «Nós nunca nos apresentámos para influenciar a governação socialista, nós apresentámo-nos com um programa oposto, completamente diferente do PS»,

    em primeiro lugar duvido muito que o programa seja oposto e completamente diferente,

    em segundo lugar o mandato que o povo português vos concedeu foi exactamente e apenas influenciar a governação, pois que perderam as eleições.

    ponha-se no seu lugar.

  3. Acabei de ouvir Manuela, a Verdadeira. Durante muitos minutos (sei eu lá quantos…) não esteve a ler power point, como ela costuma dizer. Alguém lhe tem dado lições de como dizer o menor número de asneiras quando se bota faladura. Não acredito que seja aquela ave rara, um tal Pacheco. Esse é incontrolável.

  4. Espero que aqui termine, e de vez, a carreira do pilriteiro narcísico Santana.

    Pilriteiro que dás pilritos,
    porque não dás coisa boa?
    Cada um dá o que tem.
    conforme a sua pessoa.

    Que vá dar pilritos para outro concelho, aqui já está queimado.

    Mas é preciso votar Costa, como o Val diz, embora a campanha publicitária realmente meta dó. Gostei daqueles cartazes do Costa e outro homem, com um coração no meio. É tão gay que até faz aftas.

  5. eheh, tenho de ir ver os cartazes a Lisboa… Mas ontem vi o telejornal e que enjoado fiquei, até o meu Gomes de Sá deixou de saber bem. O mal deve ser meu, tudo caras que eu conheço há vinte anos ou mais, tudo déjà-vu, tudo banal. Bem, quem está mal, muda-se, é o que se diz.

  6. hum, parece que os deuses não atendem aos meus votos. Tudo bem, mas vai ficar instabilizado. Bem, o Turing, e depois o Prigogine fartaram-se de falar e bem, das virtualidades criativas das instabilidades,

  7. «Depois de ouvir António Costa várias vezes, e de ler o material de campanha, confesso que não faço ideia de qual seja a sua ideia para a cidade. Provavelmente, não tem nenhuma (…)».
    Dito isto, como se pode declarar em consciência o voto em alguém que não tem ideia nenhuma para o cargo a que se candidata?
    Há mais candidatos para além de Santana… e há o voto branco. Tudo menos a incoerência.

  8. Núncio, não há incoerência. O meu voto no PS para a Câmara de Lisboa afirma o meu interesse na continuidade de António Costa. Ele não precisa de ter “uma ideia para a cidade”, no sentido em que utilizo o termo no texto, no sentido de visão homogénea e futurante, para ter várias e boas ideias para a cidade. Os políticos não são só o que comunicam em campanha, e o Costa garante uma gestão que não poluirá a paisagem com figurinhas fora do prazo.

  9. O problema é esse.
    António Costa não tem ideia nenhuma para cargo nenhum. É um coleccionador de cargos. Já foi ministro da Administração Interna e da Justiça. Já foi deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu. É presidente da câmara. Quer ser mais qualquer coisa…
    Estou farto de gente que é “muito boa” em tudo.

  10. Olha que giro, Núncio, então preferes dar lugar a quem é “muito mau” em tudo?

    Valupi, pagas meio jantar? Foi subtil, essa.

    A ser alguma da Roseta, então não será “uma cidade das pessoas”?
    Vota no primo que ele precisa de 6 anos de treino em liderança para depois se candidatar à PR.

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