Daniel Oliveira, especialista em “Meu rico Pedro Nuno Santos”

Em 3 de Maio de 2018, à tardinha, Daniel Oliveira ainda não odiava António Costa. Precisamente ao contrário, estava-lhe muito grato, até embevecido ou reverente, porque tinha conseguido meter o primeiro-ministro na emissão inaugural do seu novo projecto comercial: Perguntar Não Ofende. A entrevista não acrescentou nada ao “jornalismo” convencional na categoria. O formato apenas pretende legitimar a farronca do autor em ordem a se poder esticar na publicitação das suas próprias ideias em vez de se concentrar na interrogação e explicitação das ideias dos convidados. Mas inclusive por aí estamos condenados à irrelevância.

Nisto chega 2019 e o PS ganha as eleições. Daniel Oliveira começa a odiar António Costa porque o socialista preferiu respeitar o seu programa eleitoral e não aceitou governar com as políticas do Bloco, apesar de continuar em minoria no Parlamento. Um ódio que crescia na relação direta em que Costa ignorava o boicote dos bloquistas e conseguia aprovar Orçamentos com o PCP. Na crise de 2021, que levaria a eleições em 2022, o prolixo comentador andava de cabeça perdida e tinha-se entregado de alma e influência mediática ao mais retinto assassinato de carácter do primeiro-ministro e secretário-geral do PS. Jurava que Costa ia fugir para Bruxelas onde ficaria como serviçal do imperialismo capitalista e a viver como um nababo. Um Durão Barroso, mas em pior, pois tinha atraiçoado tudo e todos, o povo e o sonho lindo da Geringonça, só para satisfazer a sua monstruosa e sórdida ambição de vaidade, riqueza e mordomias.

Eis o palco em que o maniqueísmo de chinela e alguidar se cristalizou como retórica oficial do Sr. Oliveira. Invariavelmente, qualquer peripécia com polémicas e saídas de membros do Governo passou a ser um delenda Carthago apontado a António Costa, pintado como reles manipulador dos cordeiros sacrificiais que se tinham juntado a ele, levados ao engano pela sua desvalida inocência. Uma dessas vítimas imberbes, garantiu e garante o visionário a soldo do Balsemão, é Pedro Nuno Santos. Este socialista aparece-lhe com a aura messiânica de ser o profeta da Geringonça, aquele que levará a esquerda pura e verdadeira para a terra prometida: poder servir-se de um Governo socialista para aplicar as suas opções ideológicas sem carecer de respaldo eleitoral.

Quod erat demonstrandum:

«Claro que Pedro Nuno Santos, longe do governo, perde boa parte do poder que tem no aparelho do PS. Mas António Costa preferia tê-lo lá. Frágil, com o dossier do aeroporto arrancado das suas mãos e a ser torrado no dificílimo (mas indispensável) objetivo de salvar a TAP. Assim, pairará, como Alexandra Leitão, mas com muitíssimo mais impacto político dentro e fora do PS. Se o governo correr bem, estará longe do poder e perderá esta oportunidade. Mas tem 45 anos, muito tempo para regressar. Se correr mal, e há tanto por onde correr mal, estará fora, pronto para assumir um caminho alternativo para os socialistas. Ninguém dirá que qualquer desavença política com Costa é fruto do ressentimento, porque toda a gente sabe o que politicamente os divide desde o dia em que a “geringonça” acabou. O que para um foi um expediente para segurar o poder, para outro foi um projeto político.»

Fonte

10 thoughts on “Daniel Oliveira, especialista em “Meu rico Pedro Nuno Santos””

  1. entretanto, a geringonça foi o governo com maior taxa de aprovação dos ultimos 20 anos e esta maioria absoluta não pára de cair nas variadas sondagens feitas aos portugueses.
    este texto é engraçado porque em 2015 também valupi adorava o pcp e o be por terem dado o poder a antónio costa, mas ao contrário do que todos pensávamos afinal não era para realizar politicas muito diferentes das da PaF, era apenas para terem o poder do seu lado e assim poderem distribuir as suas inúmeras prebendas e benefícios entre os seus correlegionários.
    e é por isso que dão mau nome ao socialismo e ninguém que se reclame sériamente do epíteto socialista aguenta muito tempo ao lado deles.

  2. !ai!, Val, que maravilha é ler-te: eu rio e eu pasmo e eu penso e eu exclamo e eu fico a curiosar sobre o tanto e o tudo o que sacas para nos mostrar. estás cada vez melhor nisto de denunciar a verdade da guerra – em todas as frentes e sem trincheiras. (este é o palco)

  3. o pdro nuno vai para o IL , que é onde deveria estar. tudo está bem , quando acaba bem.
    só falta o galamba ir pró bloco , é uma esganiçada fora da água.

  4. «e é por isso que dão mau nome ao socialismo e ninguém que se reclame sériamente do epíteto socialista aguenta muito tempo ao lado deles.»

    Qual é esse ” socialismo” referido sempre como ideal bom com quem o povo todo estaria sempre ao lado? De experiência histórica só conhecemos um único que foi aplicado durante mais de setenta anos, e não obstante usado com mais ou menos variantes face aos maus resultados, acabou de morte natural por total abstenção do povo submetido. E o mesmo “socialismo” dito sempre bom, tal como a religião católica fora dita e aplicada durante 1600 anos, implodiu face ao racionalismo e experiência real dos povos submetidos e sujeitos às soberbas intolorâncias e tiranias impostas acerca da vida e liberdade da condição humana e suas circunstâncias.
    Desde que há registo histórico sempre se tentou manipular a condição humana com proibições de usar o pensamento em liberdade; realmente ao pensamento, como disse o poeta maior dos poetas menores, nenhum machado pode cortar a raiz, e quando o tentam os povos auto-abstêm-se; não participam, fogem do sociável e refugiam-se em si mesmas. E se não há dialogo não há desenvolvimento de pensamentos e novas ideias; dá-se o definhamento e apodrecimento da vida em sociedade.
    Foi o que aconteceu com esse tal “socialismo” saudoso e sempre lembrado pelos crentes que, mesmo face ao seu histórico horrendo continuam crendo nos amanhã tal qual os religiosos na ressurreição.
    O próprio marxismo já foi filosófica e cientificamente escalpelizado quer no que diz respeito ao lado bom da análise sociológica e modo de exploração capitalista quer na suas análises especulativas acerca de uma sociedade igualitária (científica, afirmava Engels). O próprio Marx havia previsto que o comunismo só seria possível nas sociedades mais avançadas e desenvolvidas e, hoje, alguns filósofos pensam que será o capitalismo, ele mesmo, que se desenvolverá nesse sentido e cumprirá a profecia de Marx.
    Mas tal não será por imposição mas sim pela própria dinâmica da sociedade que a levará, necessariamente, nesse sentido. E nunca no estádio actual e muito menos quando tentam fazê-lo por meio de uma “educação” selecionada e dirigida à manipulação educacional e idiológica até ao ponto que todos os homens sejam, como disse António Aleixo; “Eu sou «simplesmente» o produto do meio onde fui criado” ao contrário de Ortega e Gasset que disse, “Eu. sou eu e as minhas circunstâncias” o que podemos provar, por nós próprios, face à vida e impressões de nossas experiências.
    Pelo que a democracia continua sendo «o pior de todos os regimes à excepção de todos os outros». Pelo que seria bom que a defendesse-mos e a ajudasse-mos a melhorá-la.

  5. “que a defendesse-mos e a ajudasse-mos”

    O analfa armado ao pingarelho mostra as suas verdadeiras cores, ladrando ao “socialismo” e colando-o aos defeitos do chamado “comunismo”. E demoraste a parir a bosta, como habitualmente, pá, apesar de cagão. Imagino que sofras de obstipação crónica. Come uma omeleta de salmonelas que isso passa-te, meu.

  6. “Qual é esse ” socialismo” referido sempre como ideal bom com quem o povo todo estaria sempre ao lado? ”

    quem é que disse que o povo todo estaria sempre ao lado de algum socialismo, neves? estás com sérios problemas de leitura e interpretação de textos e azia. mas nada temas, vou te deixar aqui um link para leres um texto (praticar é tudo) sobre o socialismo, e já que citas ortega e gasset e o aleixo, vai ser de um vulto da intelectualidade internacional para depois também o poderes citar quando estiveres a palrar:

    https://www.marxists.org/portugues/einstein/1949/05/socialismo.htm

    boas leituras, neves!

  7. Gosto imenso e estou totalmente de acordo com o mesmo. A impressão que dele dá, eu já a tinha há muitos anos. Afinal, não sou só eu a detectar pulhas/pantumineiros.

  8. Pobre Aspirina, reduzido à condição de rebanho de yesmen, yeswomen e yestrans. Rebanho serem e como matilha ladrarem, mas eles andem aí (ou parados estarem), e porque por aí andarem ou pararem, balirem e ladrarem, deles será o reino dos créus. Ou não.

  9. é isso aí, cara, o Aspirina ladra e a camachada fica mordida. que poderoso é o Aspirina. !ai! que riso.

    !viva! o Aspirina

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