Crimes ultra-invisíveis nem sequer precisam de factos

No despacho final das PPP, o MP diz que houve crimes que prescreveram porque não houve tempo para investigar. Isto é normal?
Não vou falar no caso concreto, mas temos de pensar na questão de fundo: quais eram os factos? Não eram factos comuns. Não era a investigação de um assalto ou homicídio, não havia confissões, sangue na faca, prova pessoal. É um processo de elevado teor técnico, a exigir equipas multidisciplinares, muitos recursos técnicos e, porventura, não terá sido possível providenciar isso em tempo útil.

Os portugueses devem conformar-se com este tipo de situações?
Não, devem reflectir sobre estes acontecimentos e exigir que não voltem a acontecer. Não devemos ser fatalistas e ficar parados a um canto a chorar. Devemos pensar, analisar e compreender as razões. Estamos a falar de fenómenos altamente opacos e com cobertura legal aparente. No sector empresarial estatal, temos uma realidade vestida por contratos legais e tudo isso deve ser desmontado porque por detrás da legalidade existem as práticas desviantes. Não estamos a falar de coisas normais, mas de uma realidade ultra-opaca e ultra-invisível. E quando o sistema legal não tem nenhuma compensação para quem colabore na descoberta da verdade, ainda mais difícil se torna a detecção desses factos.


Maria José Morgado: “Cultura de impunidade, nepotismo e amiguismo tem feito de Portugal um país pobre e atrasado”

Tenho a certeza absoluta de que Maria José Morgado não representa o pior material humano que existe na Justiça portuguesa. É até altamente provável que represente a enorme maioria nisto de, com as melhores intenções, achar que pode contribuir para a cultura da calúnia e da conspiração.

Como o trecho citado mostra, ela está a tecer considerandos sobre um caso judicial onde, após 11 anos de investigação (com buscas e todo o tipo de devassas à privacidade dos arguidos), não se encontrou o mínimo vestígio de corrupção nem de ganhos financeiros, patrimoniais ou outros que pudessem ser correlacionados com as PPP. Apesar disso, opta por espalhar a suspeição de culpabilidade generalizada para cima dos cidadãos na berlinda.

No fundo, a tese da ilustre senhora é a de que primeiro está o crime, os factos vêm depois – ou não vêm, acaba por ser indiferente porque o crime já foi estabelecido à partida. E ela, repito, não representa o pior material humano que existe na Justiça portuguesa. Tenho a certeza absoluta.

11 thoughts on “Crimes ultra-invisíveis nem sequer precisam de factos”

  1. tenho muita pena dela. é que sendo escrutinável, nisto de frequência acumulada de vida, de vida na cidade, já deveria contar com rugas de ultra inteligência, ultra sabedoria e ultra justiça. mas só lhe encontro pseudas de saber que tudo sabe.

    olha, deixo-lhe uma óscarina em forma de coxa de peru.

  2. Oh Valupi!
    O tempo em que o corrupto corria ao banco para depositar o “seu” dinheiro já passou há muito. Ou em que registava o seu topo de gama em o seu nome. Ou a moradia de luxo. Ou etc. etc.
    Compreendo a angústia da Maria José Morgado. É sentida.

    Boas Festas para todos.
    Cuidem-se para não terem de levar com a Aspirina A. Faz mal ao estômago.
    A Aspirina B podem tomar à vontade pois não mata mas alivia.

  3. Quem aspira a momentos de palco consecutivos, tem de meter buchas, fazer que tropeça, esbarrar nos adereço s, enganar-se nas saídas, e assim fazer estalar as gargalhadas na plateia.
    Esta ex- meritíssima não se conforma com os bastidores . Acontece a muitos, notadamente aos que, no seu papel, não sobressaíram.

  4. Acontece haver muitas vocações erradas nos magistrados! Crime disse ele o
    famoso gomes das iscas da SIC logo, os procuradores na falta de provas come-
    çam a desenvolver teorias e, a fazer romances sobre os casos que lhe tocam
    em sorte ou que procuram com intuito de alcançar “louros” e reconhecimento!
    O caso mais paradigmático terá sido a “operação face oculta”, espoletado num
    mês de Agosto onde até um atentado contra o Estado de Direito foi vislumbrado
    pelo procurador que conduzia a investigação, soube-se passados uns dias que,
    foi lançado um novo romance desse mesmo procurador … ele há coincidências
    do chamado arco da velha!!!

  5. identificaram o problema , como diz a senhora , tratem de o resolver,
    temos de conseguir descobrir e punir os crimes económicos , não é ? e a delação premiada era um instrumento bem fixe , não era? mas não pode ser , não é? ofende a sensibilidade das virgens.

  6. MJM quer investigar “realidades ultra-invisíveis”. Como ? Fazendo seances espiritas usando a indispensável mesa pé-de-galo ? Lançando as cartas de tarot ? É uma dúvida acabrunhante.

  7. ” e a delação premiada era um instrumento bem fixe , não era?”

    já existe delação premiada.
    o bataglia testemunhou contra o sócras, o rui pinto deu os encriptados para lixar uns e safar outros, a mulher do rendeiro denunciou o marido e mais uns quantos a troco de promessas de ilibação ou chantagem com prisão vão colaborando com os enredos do ministério público.
    o problema são denúncias pouco credíveis e delatores péssimos contadores de mentiras, que na barra do tribunal não aguentam o primeiro embate da defesa. só se safam quando a tété dos palhaços inventar uma escola de testemunhas profissionais para servir as necessidades do sector criativo da justiça.

  8. “Não estamos a falar de coisas normais, mas de uma realidade ultra-opaca e ultra-invisível.”

    Opaco sei o que é: que não deixa ver nada através. Ultra-opaco não faço ideia. Que tapa tudo o que já antes tudo tapado estava? Um desperdício de recursos, mas enfim, são por vezes misteriosos os desígnios dos senhores… quer dizer, dos criminosos de colarinho branco. Invisível também sei o que é: que não é visto, que não se pode ver. Ultra-invisível será o quê? Que o que já antes não era visto é ainda menos visto do que visto não era já? Porra! Até o gato de Schrödinger fica baralhado! Isto não é física quântica, senhoras e senhores, é ciência decididamente nova, revolucionária. Poderíamos chamar-lhe física morgadântica, mas optemos por parvalhântica! “Não estamos a falar de coisas normais”, decreta a futura Nobel da Física. Assim, para lidar com uma “realidade anormal”, e ainda que não consiga a maravilhosa simplicidade da sintética fórmula e=mc2, de Einstein, maravilhemo-nos com a magnífica equação de base da física parvalhântica, a saber: dado que a produção de prova, nos crimes económicos, é extremamente difícil, o que faz com que sejam raras as condenações com provas, a solução é simples: condenações sem provas. Elementar, meu caro Watson! Uma variante em ré menor da velha sabedoria “si non è vero, è bene trovato”.

  9. a policia trabalhava muito melhor no tempo do capone , suponho que por os politicos não fazerem ainda na altura tanta concorrencia aos bandidos visíveis.

  10. ” e a delação premiada era um instrumento bem fixe , não era?”

    Pois, não ! a delação premiada só por si, é dúbia e pouco credível ! perigosissima ! pode não parecer que tenha a ver assim de repente…mas veja-se o paulo portas e as 60 000 fotocópias…já viu o seu poder de delação ? deve aliás ser por isso que nunca ninguém lhe tocou !!! não fosse ele o homem inteligente que é…

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