Crespopatia

Há um enigma à volta do Crespo. Esta figura assina textos onde ofende a honra de instituições e pessoas, fazendo insinuações generalizadas, como nesta recente opinião. Simultaneamente, recebe as mesmas pessoas e instituições ofendidas enquanto jornalista. Para maior estranheza, ele não se inibe de expressar as suas insídias no exercício da função jornalística. E, para completo desconchavo, alguns dos convidados, simultaneamente ofendidos, fazem-lhe bacocos e gordurosos elogios. Que é isto?… mas que… fosga-se… que… cum caralho… Que é isto?!

O Público, na edição digital, aproveita para o citar numa passagem onde ofende o Governo, o PS e um sem-número de entidades públicas e privadas, mais os seus responsáveis. Crespo talvez não descanse até ser processado por difamação, para que finalmente possa cumprir-se como mártir do seu delírio paranóico. Ser chamado à razão judicial, ser obrigado a provar as acusações que ininterruptamente bolça enquanto publicista e jornalista, seria para ele a confirmação da narrativa: todos à sua volta são corruptos e querem abafar a única voz que os denuncia. Não? Se não, o Crespo está a prestar um serviço público inestimável. As suas crónicas de um Portugal desgraçado e sem salvação, disputando com Medina Carreira o título de agoirento-mor do regime, atingem um valor político que se sobrepõe ao conjunto dos partidos. O povo fará bem em se unir à sua volta, partindo para a revolta e subsequente limpeza do Estado. E sejamos sinceros: com um lenço na cabeça e um xaile pelos ombros, o Crespo dá uma Maria da Fonte bem jeitosa.

16 thoughts on “Crespopatia”

  1. Caro Val,

    Podes ser contundente, sem entrares na linguagem obscena. Eu percebo a tua fúria e acompanho-te na indignação.
    O Crespo é rasteiro. É. Mas leva lá uma catervada de gente vossa: Maria de Belém, Seguro, João Soares, Barroso, etc., que ainda nunca usaram o minuto inicial para denunciar as traquinices do Crespo.
    O Carreira é um pateta que vem de caderninho na mão a fazer que sabe. É um tolo
    que deve a notoriedade a Mário Soares.
    Olha, eu penso que Portugal merecia mais e melhor, a começar no próprio governo da república. À mulher de César… E no PS, a serem verdades recortes de nomeações em DdaR ( eu já cheguei aqui, vê bem o estado em que eu já estou) que me mandaram…
    Val, em nome da república, assim nao vale!

  2. M da M, não é a primeira vez que protestas contra o vernáculo. Isso não parece de um comunista, tens de rever a coisa.

    Quanto ao que dizes, é esse o meu espanto: os políticos que vão ao Jornal das 9, ou são por ele entrevistados, são os mesmos que ele diz serem corruptos. Isso causa perplexidade.

    De que recortes falas?

  3. Portugal merecia mais e melhor

    Portugal merecia mais e melhor… a começar por um JORNALISMO DECENTE!

    CASO 1: A GALP
    Vejamos a roubalheira no preço do gasóleo:
    2008 – 01,00 euro litro (barril a 140 dolares)
    2009 – 01,08 euro litro (barril a 0,69 dolares)
    Aonde andam os jornalistas de investigação?
    Andam a comer com eles!

    CASO 2: As Obras Públicas
    Mário Crespo, “Jornal de Notícias”, 17-08-2009:
    “A insistência do Partido Socialista nos mega-projectos que, antes de começar já assinalam derrapagens indiciadoras de que a componente PPF (Pagamentos a Partidos e Figurões) vai crescer muito, é uma garantia de uma Taxa de Roubo que rivaliza com qualquer democracia africana ou sultanato levantino”.

    Como o Sr Crespo é um jornalista independente… ele tornou-se o ódio de estimação do JORNALISMO BANDALHO que anda por aí.

  4. O Governo, os partidos e o tal “sem-número de entidades públicas e privadas” são pessoas abstractas que, ao contrário das pessoas concretas, não têm “honra” e não podem, consequentemente, ser “ofendidas” nela. Eu sei que na nossa legislação ainda se mantém a noção arcaica de que uma pessoa abstracta pode ser ofendida, mas se Deus quiser e o país se civilizar estes normativos hão-de acabar por desaparecer.

    Quanto a pessoas concretas, não li no artigo acusação nenhuma que o visado alguma vez se tenha atrevido a negar publicamente. O António Preto, por exemplo, nunca se deu ao trabalho de defender publicamente a sua honra – ou porque não a tem, ou porque não tem defesa.

    E também deve ser por esta ordem de razões que “Maria de Belém, Seguro, João Soares, Barroso, etc., ainda nunca usaram o minuto inicial para denunciar as traquinices do Crespo”. Os rabos de palha pesam muito.

  5. José Luiz Sarmento serão pessoas abstractas enquanto pessoas jurídicas, mas são pessoas concretas – enquanto entidades psíquicas, com ou sem honra – que as representam e por elas se responsabilizam. E a honra será o que cada um quiser, mal de nós se a legislação esgotasse o humano – ou, no caso, a dimensão ética e o reino do carácter.

    Ou tu achas que ele pode dizer que o PS é cúmplice de corrupção e depois ter alguém do PS a fingir que o Crespo não o acusou a ele enquanto dirigente, deputado ou até militante?

  6. Val,

    Quem não se sente não é filho de boa gente. Estás a ver porque é que eu apareço por aqui defendendo os meus?

    Tem um óptimo dia.

  7. Não sei se a acusação de ser cúmplice da corrupção é feita ao PS ou a parte dele – a parte que actualmente dirige o partido. E antes de nos perguntarmos se a acusação é insultuosa temos que saber se é fundamentada. Se não o é, constitui, de facto, um insulto para todos os militantes do PS, que têm todo o direito de se sentir atingidos pela calúnia.

    Se é fundamentada, porém, os socialistas honestos não têm nada que se sentir insultados: têm, sim, que trabalhar no interior do partido para que tais acusações não possam ter lugar.

    Ora eu até estou disposto a dar o benefício da dúvida ao actual governo no que respeita os prémios dados a financeiros corruptos. Pode ser que o governo o tenha feito contra vontade, para evitar males piores que atingiriam toda a sociedade.

    Onde eu não posso dar o benefício da dúvida a este PS é no que respeita a quatro anos de actuação parlamentar durante os quais a maioria inviabilizou TODAS as propostas que visassem combater eficazmente a corrupção. Os argumentos usados para justificar este boicote foram o da protecção da privacidade e o da presunção da inocência, ambos capciosos. O primeiro é capcioso porque não há nada de privado na actividade económica, que é por definição um fenómeno social; e o segundo porque se o Estado ordenar a uma pessoa que justifique o seu património, ela só não obedece se não quiser. A falta de justificação constitui desobediência, prova-se a si própria e fornece uma prova de ilicitude que, se não é material, é racionalmente inatacável.

    No PS há boa gente e há patifes. A boa gente procura levar o partido a fazer o exame de consciência que é a única maneira de recuperar a confiança de quem já a teve nele e a perdeu. Os patifes choramingam com os “insultos” de que são alvo.

  8. o José Luiz Sarmento sabe como é que se combate eficazmente a corrupção. Ou pelo menos sabe de propostas. Significa mais ou menos que existe corrupção em Portugal porque o PS e o Governo inviabilizaram TODAS as propostas que visavam o combate eficaz a este fenómeno.
    E depois desmontou os argumentos “capciosos” que justificaram o “boicote”.
    E prontos. Sobre a corrupção está tudo dito.
    Mesmo assim ainda tenho umas dúvidas: isso do só não obedece se não quiser é mesmo a sério? É racionalmente inatacável? E anda tanta gente em liberdade?
    Saberá José Luiz Sarmento que até na “Guerra” existem ordens, independentemente da patente, ilegítimas? E que sendo ilegímas não se podem cumprir, sob pena de infracção disciplinar ou criminal?
    Será a corrupção um fenómeno essencialmente Português? E se não é, estão todos os outros Estados à espera de quê para copiar as propostas ora em discussão?
    Acredita o autor do post que a corrupção fica mesmo resolvida, com eficiência e eficácia, por via legislativa?
    Duvido, mas aproveitou para lançar umas suspeições. Nada que se possa provar, mas ouve-se, comenta-se e alguns patifes aceitam-nas como verdade, a qual se pode chamar a verdade da patifaria.
    Não duvido que no PS haja muitos patifes. No entanto chamar patifes aos do PS, será um insulto, se comparado com os patifes do PSD (falando do que é do conhecimento público, e insdesmentível).
    O que queria dizer, ao fim e ao cabo era só isto: eu não gosto de ser insultado. Eu votarei em Sócrates.
    P:S: Hoje fugiram quatro atletas cubanos em Espanha. Espero que não escolham algum Estado corrupto para se refugiarem. Isto por causa do espectro político. Da banda larga.

  9. Ora vamos ver se vamos lá com mais calma e menos emoção.

    É claro que não existe corrupção só porque o PS inviabilizou todas as propostas para a combater. Mas existe mais corrupção do que poderia haver se as não tivesse inviabilizado.

    Aos argumentos capciosos junto um pormenor, igualmente capcioso, a afirmação, feita por um homem que admirei até ao momento em que a fez, segundo a qual “a ética republicana é a ética da lei”. O autor desta pérola legalista foi Alberto Martins, que por sinal é um Deputado da Nação.

    Ora a função de um deputado não é conformar-se com as leis que existem, é melhorá-las. A ética dele não pode ser só a da lei, tem que ser TAMBÉM a da vontade popular que ele representa. Porque a ética republicana só pode ser a ética do Soberano.

    Um juiz dá de corrupção uma definição legal. É esse o seu dever. Mas um cidadão, e por maioria de razão um deputado, dá dela uma definição POLÍTICA que depois deverá ser vertida na lei. A minha definição política de corrupção é esta: corrupção é tudo o que favoreça a convertibilidade recíproca entre riqueza e poder. Gostaria de ver o PS, ou qualquer outro partido, dar uma definição POLÍTICA de corrupção alternativa à minha.

    O «só não obedece se não quiser» é mesmo a sério. Se um rendimento é legítimo, é sempre possível fazer prova disso (desafio quem quer que seja a dar-me um exemplo, mesmo hipotético, de um rendimento legítimo cuja origem não possa ser comprovada). Segue-se daqui que se alguém é instado a dar conta da origem dum rendimento e não o faz, não é porque não pode, é porque não quer.

    A corrupção não fica resolvida nem por via legislativa nem por qualquer outra via. É um problema que nunca será totalmente resolvido, nem em Portugal, nem em nenhum outro país. Mas pode e deve ser minorada. Por várias vias, incluindo necessariamente a legislativa.

    Não sei se a percentagem de patifes no PS é superior ou inferior à do PSD. Até desconfio que é inferior, mas o que é que isso tem a ver com alguma coisa?

    Nunca insultei nem insultarei quem votar em Sócrates. Limito-me a achar que vota enganado, ou seja, vota contra si próprio. Não tenho direito a esta convicção?

  10. «A minha definição política de corrupção é esta: corrupção é tudo o que favoreça a convertibilidade recíproca entre riqueza e poder.», muito interessante, vou ficar a pensar. Por certo que o Valupi também dará uma contribuição lúcida neste debate.

    Também nunca percebi porque o ps não viabilizou alguma iniciativa legislativa de criminalização de corrupção. Havia aquele argumento da inversão do ónus da prova da proposta Cravinho mas poder-se-ia ter feito algo.

    Acontece que todos nós sabemos que a política é uma arte de dissimulação e até podem ter proposto uma proposta inconstitucional só para fingir que se fazia algo para realmente não fazer.

    Mas por certo não acha que votar psd ajuda alguma coisa, não? É que o que está à mostra deve ser quase insignificante com o que está acobertado por não sei quê, incluindo segredo de Estado. As despesas de Estado sabe-se que são muito maiores com o psd que com o ps genericamente, foi essa a conclusão dum estudo que imagino que esteja público. No caso dos incêndios florestais é mesmo verdade, vê-se bem, com o psd arde muito mais do que com o ps, até ver pelo menos.

    E do que se pode ler no Nik, o paradigma corrente, na acepção kuhniana de ‘exemplo estruturado’, o Dias Loureiro, ter-se-á desfeito atempadamente de tudo por forma a que não pode responder hoje por nada, cá. Deve existir um lá acoplado aos vasos comunicantes de que não se fala, interdito.

  11. Essa história da inversão do ónus da prova não passa duma desculpa esfarrapada para a falta de vontade política. Bastava dizer “enriquecimento injustificado” em vez de “enriquecimento ilícito” para a questão já não se pôr.

    E não, não acho que votar PSD ajude alguma coisa. De resto, para mim, o PSD e o PS nem sequer existem autonomamente: existe, sim, o PCI (Partido Central dos Interesses) do qual as duas formações referidas não são mais do que marcas alternativas, como a Seat e a Skoda. E se tenho a certeza de alguma coisa, é que não vou votar no PCI.

  12. parabéns pela escorreiteza da demonstração. Ainda não sei onde vou votar e aliás estará inevitavelmente em aberto até à hora da cruz. No entanto estou de acordo que os dois grandes partidos são como duas faces de uma moeda: o sistema, de interesses, conluios e cumplicidades, expressas e tácitas; outrossim não me é indiferente qual das faces é dominante, até ver. A vitória da ferrugenta seria uma doença nacional aguda e grave.

  13. M da M, e fazes muito bem em defender os teus. E talvez também consigas aumentar o número daqueles que chamas teus.
    __

    José Luiz Sarmento, os partidos são entidades inteiras, não se pode acusar uma parte sem acusar o todo. Porquê? Porque são todos responsáveis, os que estão acima respondem pelos que estão abaixo, os que estão abaixo elegem, fiscalizam e depõem os que estão acima. Assim, ao se provar que um dirigente partidário, um só que seja, é corrupto, o partido como um todo é chamado a responder a esse facto. Não creio que esta lógica se altere só pelo facto de a acusação ser caluniosa em vez de verdadeira.

    E antes de irmos mais longe nesta reflexão, importa que te diga estares a partir para ela em grande desvantagem: o teu raciocínio está corrompido – ou pejado de preconceitos, que impedem aquilo a que se propõe: chegar a soluções. Repara que dizes ter o PS inviabilizado qualquer medida eficaz contra a corrupção, e isso é falso. É falso tanto no campo material, legislativo, como no funcional, dos resultados. Ou seja, o PS fez avançar o combate à corrupção e os resultados precisam de tempo para serem avaliados. Seja como for, algo de novo já existe no panorama, como o prova o 1º relatório do Conselho de Prevenção da Corrupção.

    E, para atalhar, diz lá quem são os patifes no PS. Não digo que não hajam (que sei eu?), questiono é o método pelo qual aferes a patifaria de terceiros, no caso figuras públicas e políticos. É que tu constróis uma imagem colectiva do PS que imita as calúnias usuais: dizes que o PS é igual ao PSD e que fazem ambos parte do PCI. Esta forma de negar as diferenças, tanto entre partidos como entre pessoas, está ao serviço dos que renegam a democracia, e se propõem instituir regimes tirânicos, onde se faria uma “limpeza”. Essa ideia de que a corrupção tem soluções fáceis, e que basta fazer ameaças, e impor códigos rígidos, em parte alguma do Mundo ou da História teve final feliz, sequer aceitável. Porque é antidemocrática, pressupõe que os cidadãos não são capazes de viver em comunidade dentro do respeito pela justiça. É o oposto de uma sociedade da educação, cada vez mais livre porque cada vez com menos leis escritas.

    Repara no caso do Cravinho, para mim também um herói sem rival. No entanto, na sua vida pessoal apareceu a prefaciar um livro de um homem hoje conotado com formas graves de corrupção. Que lição se tira desta anedota? A de que a corrupção é algo muito mais complexo, e a pedir muito mais profundidade de pensamento político e jurídico, do que fazem crer os que se entregam ao berreiro da indignação. Esses não ajudam, emperram.

    Dito isto, não duvido que estejas bem intencionado, tal como milhares ou milhões de portugueses. E teres essa posição que vens expressando é muito melhor do que não teres nenhuma, obviamente.

  14. O problema do crespo é pequeno. Há décadas que se percebeu que a cultura dele dificilmente conseguiria ultrapassar as suas memórias autobiográficas. Quem achou que isso era muito, quis transformá-lo em algo mesmo importante. Os resultados estão à vista, tanto vale para engraçado como para entendido. Nada disso é grave, não fora o caso de ele ser vendido todos os dias ao país como jornalista.

    A corrupção é grave. Mas há neste país quem fale disso há dezenas, para não dizer centenas de anos, com muito mais pinta e coerência. E que apresenta soluções. O crespo só quer uma medalha.

    A quem me der exemplos de um governo que tenha feito mais para contrariar esse espírito nacional da cunha, posso garantir o meu voto certo. O espírito da compra de favores, do jeitinho, do coça-me as costas que eu já te atendo de imediato. Só por que o actual governo fez muito contra isso é que existe o actual sentimento de repulsa contra a corrupção. E contra este governo do PS.

    Na outra, na grande corrupção, o que menos conta é os governos. De meter as mãos nessa massa gostariam todos os políticos. Se lhes sobra alguma coisa são trocos. Basta ver o comportamento, diria universal, dos governos para salvar bancos e injectar capital na alta finança perante esta crise. Defendem que a justiça no caso madoff funcionou. Pois pois, depois da casa roubada… É como ver o crespo entrevistar o joão da madeira. Só pode ser para rir vê-lo depois escrever sobre corrupção compadrios e vigilância democrática.

    Por isso é que nas democracias sobeja sempre demagogia: elegemos os políticos mas não sufragamos os actores económicos que são quem manipula os cordelinhos. A alternativa é um peso ditatorial do estado que se tem mostrado muito pior. E a democracia é o melhor que existe. A vida.

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