Correia de Campos, alguém se lembra?

Portugueses

Tenho visitado várias regiões do País e procurado conhecer melhor as dificuldades, os receios e as aspirações das nossas gentes. O despovoamento e o envelhecimento das populações é um problema sério do interior do País que os poderes públicos não podem ignorar.

O acesso aos cuidados de saúde é uma inquietação de muitos Portugueses. Não estão seguros de que os utentes, principalmente os de recursos mais baixos, ocupem, como deve ser, uma posição central nas reformas que são inevitáveis para assegurar a sustentabilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde.

Seria importante que os Portugueses percebessem para onde vai o País em matéria de cuidados de saúde. Poderiam, assim, avaliar melhor aquilo que tem sido feito.

Presidente da República, Mensagem de Ano Novo, Janeiro de 2008

O líder parlamentar do PCP exigiu hoje explicações do ministro da Saúde no Parlamento sobre as consequências do encerramento de urgências, de que a morte de uma criança à porta do Hospital da Anadia disse ser exemplo. Uma bebé de três meses morreu hoje no acesso ao Hospital de Anadia, dentro da ambulância do INEM.

“Este caso concreto e outras situações exigem que o ministro da Saúde venha à comissão para se explicar. Estas consequências do fecho de urgências têm que ser avaliadas”, afirmou Bernardino Soares, em declarações aos jornalistas, no Parlamento. O grupo parlamentar do PCP questionou o ministro, através de requerimento, sobre se tomará medidas para “impedir novas tragédias” como a da morte de um bebé de três meses à porta de um hospital, em Anadia.

“A criança terá estado na ambulância do INEM a aguardar a chegada da viatura VMER (viatura de emergência médica), até que sucumbiu”, refere o deputado.

Janeiro de 2008

O deputado socialista Manuel Alegre disse ontem em entrevista à Sic Notícias que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a sofrer uma “grande machadada”, e que o ministro Correia de Campos não tem condições para continuar no Governo. Sobre a petição cujo primeiro signatário é António Arnaut, Alegre disse que espera que a petição tenha eco sobre o primeiro-ministro e sobre o governo.

“Há que tirar conclusões do clamor público”, afirmou. E prosseguiu: “Custa-me muito ver o SNS ser atingido desta maneira. Isto vai provocar danos irreparáveis ao PS, ao governo e à sociedade.”

Manuel Alegre diz que Correia de Campos não tem condições para continuar, Janeiro de 2008

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Correia de Campos já contou várias vezes em público que terá dito a Sócrates, ao ser convidado para realizar reformas na Saúde, que não duraria mais de dois anos no cargo. Esta lembrança sai-lhe sem rancor, sequer ressentimento, antes se constituindo como uma agridoce consolação. Pelo menos, ele não se terá desiludido porque começou por não se iludir: tentar fazer o que Sócrates pretendia era arriscar uma vida muito curta como Ministro da Saúde.

Passado um ano da sua demissão, já era pacífico, ao centro, falar da racionalidade das suas medidas, as quais se constituíam como um bondoso e eficaz equilíbrio entre a alteração da lógica de custos e a qualidade do serviço prestado. Contudo, Sócrates não resistiu à acção concertada de toda a oposição, mais Cavaco, mais a exploração sensacionalista e engajada da comunicação social, mais uma parte do PS em desforço contra um secretário-geral que não pretendia ser o amiguinho de tudo e de todos no Rato. Aliás, uma maioria absoluta no Parlamento não resistiu à sociedade, assim é que fica bem descrito.

Mas isso foi num passado que parece estar a um século de distância. Recordar a história de Correia de Campos e o seu sacrifício no altar dos poderes fácticos, do cinismo partidário e da cegueira ideológica é igualmente lembrar um tempo em que o Governo agia tomando em consideração os diferentes interesses que constituem a comunidade. E é, ainda, lembrar uma política que se propunha corrigir problemas nos gastos públicos dentro da matriz nascida do 25 de Abril e adaptada aos sucessivos ciclos políticos ao longo de 35 anos.

Perante a devastação económica e social causada por um grupo de oportunistas e fanáticos, vendo a sua pose que cada vez mais se parece com um desfile triunfal na cidade ocupada, e constatando como a sociedade é agora conivente com um plano de reengenharia cultural que tem no Tribunal Constitucional a sua última linha de defesa, podemos ter a certeza de estar a passar por algo que não compara com nada de que haja memória viva em Portugal. Os bárbaros nasceram entre nós.

8 thoughts on “Correia de Campos, alguém se lembra?”

  1. terá havido certamente erros de comunicação por parte do socrates
    quer dizer, se até o antonio arnaut e o manuel alegre, se até o soares, a dada altura…

  2. o arnault era o pai da criança, o vento que passa queria ser presidente, o bochechas convencido que mandava naquilo e o trio achava que se resolvia empurrando com a barriga. 6 anos e uma gripe depois, o soares descobriu que tinha feito asneira, o pai reconhece que a criança se tornou adulta e tem vícios e estorvador do vento que passou perdeu 2 eleições. se não foi assim, não deve andar longe da verdade.

  3. Correia de Campos? Lembro-me bastante bem.

    Foi só o melhor Ministro da Saúde deste País desde o próprio António Arnaut.

    Mas, como diz o Povo, «ninguém é Profeta na sua terra». Agora preferimos ter como “menistro” da Saúde um qualquer trapaceiro incógnito de turno ao serviço do FMI e da grande Banca internacional!

    Mas cada um sabe o que prefere, para si e os seus. Agora é só aguentar. Médicos, Doentes, Pais, Povo… E nem pio!

  4. Eu sou uma desinformada e, por isso, sujeita a meter água a qualquer momento. Mas as sumidades do PS, com tantos anos de política, não viam quem se seguiria ao Correia de Campos? Também concordo com o Ignatz: Soares vem tarde e mal emendar a mão. Tão tarde que agora já nâo serve para nada. Mas foi utilissima a sua oposiçâo pública a Sócrates. Se foi, caramba! Lembram-se de o ver repreender Sócrates por não ter informado ninguém das negociações do PEC IV? Custava-lhe muito falar com Sócrates? Não há como apagar os factos: Soares juntou-se ao coro da matilha de Cavaco, Passos ,Portas e da mais miserável direita que alguma vez eu conheci. E eu venho do tempo do Salazar.

  5. este pais é ingovernavel.só com os metodos do “quim da coreia” é que as medidas saõ mesmo “aceites”,mesmo que sejam uma merda,como se nota, pelo nivel de vida e da liberdade que não desfrutam!sou um homem desiludido,não com este governo (já sei há muito tempo o que querem) mas com a esquerda democratica e com a democratica na oposiçao e ditadora no poder.o povo continua a ir no “conto do vigario” da direita e da extrema esquerda e por isso assistimos a este espetaculo degradante no nosso ensino.maria de lurdes rodrigues,queria avaliaçoes,,mas para progressaõ ou não na carreira ,e exames para quem se candidatasse às vagas que houvesse no estadopois isto de tirar uma licenciatura para ter emprego garantido no estado acabou e ainda bem.continuem a achar que saõ todos iguais e depois chorem.neste momento, não consigo verter uma lagrima por a maioria dos professores. aguentem!e deixem de olhar para o vosso enorme umbigo.!

  6. Lia há pouco uns poemas da Sophia de Mello Breyner, quando deparo com este, bem conhecido e que não podia vir mais a propósito:

    PRANTO PELO DIA DE HOJE
    Nunca choraremos bastante quando vemos
    O gesto criador ser impedido
    Nunca choraremos bastante quando vemos
    Que quem ousa lutar é destruido
    Por troças por insídias por venenos
    E por outras maneiras que sabemos
    Tão sábias tão subtis e tão peritas
    Que nem podem sequer ser bem descritas

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