Começa a semana com isto

Este trecho mostra uma situação aparentemente neutra para a maior parte de nós, audiência enfastiada e distraída em Portugal. Ninguém sabe o que se passou entre Amber Heard e Johnny Depp nem existe alguém que perca uma caloria a pensar no assunto (se calhar existe, os outrora fãs do outrora Adónis e quem vista a camisola da Amber ou do Johnny). A dupla de celebridades também não corre o risco de ser associada a Sócrates, a Ricardo Salgado ou à Ucrânia, pelo que é possível usar o seu actual litígio para realçar uma dimensão da Justiça que estes 18 minutos ilustram pedagogicamente.

A Justiça é a impossível aplicação da matemática às relações entre humanos. Impossível porque – ao contrário de outras áreas onde a matemática permite o acesso à realidade económica, sociológica e psicológica por aproximação – a lei institui a aparência de ser objectiva. Pois bem, apesar do rigor e exaustão do texto legal e apesar da eventual recolha de abundantes e legítimas provas, a decisão judicial, em qualquer instância, é sempre subjectiva. Sobre essa subjectividade coloca-se um rochedo granítico chamado Constituição. E a vida continua, a comunidade resiste.

Ora, no vídeo vemos a advogada do galã a interromper sistematicamente o interrogatório que estava a ser feito pela advogada da parte contrária a Heard. A juíza deu-lhe razão na maioria dos casos. Pergunta: tal intervenção de Camille Vasquez contribui para se chegar à melhor decisão judicial possível ou procura o seu oposto? A resposta que dermos define a nossa pessoa cívica.

33 thoughts on “Começa a semana com isto”

  1. (volto a repetir o comentário porque infelizmente aqui o aspirina virou-se pra censura)

    porra, ainda pensei que era o video do sérgio sousa pinto ontem a cascar na oposição à camara de lisboa. com militantes destes, quem precisa de inimigos. depois, se achas que esse é que é o video mais relevante que passou na semana passada desse jugamento, fico sem perceber absolutamente qual é exactamente o teu problema com o espectáculo mediático feito pela justiça portuguesa. se quiseres mando-te aquele com as mentiras da heard durante o contra interrogatório, bem mais impressionante, no sentido da competência em tribunal.

    ps – ah, e o que diz a cancio e as outras capazes acerca da amber ter dado a cara contra a violência doméstica? ainda não li nada. põe aí o link com um exactissimamente a seguir.

  2. valupi,

    só agora consegui ler o texto que acompanha o video e estou parvo. tu tens noção do que estás a dizer?
    tu sabes que fase do interrogatórioera e quais as regras que se lhe aplicam? a juiza deu razão à maioria das objecções porque de facto aquelas perguntas NÃO podiam ser feitas naquele interrogatório.
    quanto a dizeres que a justiça é a aplicação da matemática (????? FODASSE????) às relações humanas, pá, sem fucking comentários, que coisa mais absurda.
    mas respondo-te com outra pergunta: a justiça seria melhor sem as regras que impediam a advogada da heard de fazer aquelas perguntas naquela altura? ou seria pior? a resposta define-te como pessoa civica

  3. já agora, se quiseres aprender alguma coisa acerca do sistema de justiça americano e evitares essa figura de demagogo, aquela fase do inerrogatório chama-se re-direct e ao contrário da cross-examination não permite perguntas sobre diz que disse (hearsay), fora do ambito do contra interrogatorio (out of scope) e guiadas (leading) em que a resposta à pergunta é insinuada na própria pergunta.
    boa investigação e aprendizagem.

  4. “nem existe alguém que perca uma caloria a pensar no assunto”

    realmente, quem é que perde calorias a pensar em acusações judiciais infundadas que arruinam carreiras….
    não é aqui o aspirina de certeza

  5. vai comentado por um especialista para te dar uma ajuda a perceber o que está a acontecer

  6. teste, ficaste com um IP na lista da moderação porque usaste o nome de uma comentadora. Caso sejas apanhado a repetir a façanha, repetir-se-á o procedimento, alargando a sua eficácia.

  7. e qual é o problema de usar o nome da comentadeira? se calhar prejudica-lhe a candidatura ao nobel, só pode. quando esse merdas do teste ou a mula russa respondem com os meus variados nomes essa cláusula não se aplica, porquê?

  8. quem está a ser interrogado não deverá mentir; as provas podem mentir se manipuladas; a advogada de defesa do suposto agressor tem de trabalhar para a sua defesa; a juíza deverá fazer cumprir a lei que interpreta, não o estado de direito e, por isso, não deixa que as perguntas se estiquem para lá do que considera permitido ou estará a condicionar o direito de resposta da vítima. e se a rocha granítica é rocha e é granítica, então deverá prevalecer sobre tudo o que poderá ou não ser – precisamente porque nas relações humanas existe a invisibilidade da matemática, não porque não exista – quero dizer que é inegável o certo e o errado – mas porque essa concepção é absolutamente relativa e, por isso, subjectiva. portanto, considero que o importante é mesmo respeitar a constituição para que se apure a verdade: quem não tem medo da verdade deveria poder falar e contar tudo. e então, depois, ir-se à rocha granítica depurar a lei com isenção. porque num tribunal o odor do curral não deveria sobrepôr-se ao aroma das flores. as flores são o estado de direito a brotarem da rocha, são a verdade.

  9. valupi,

    compreendo e tenho a dizer que estas coisas se aceitam muito melhor se explicadas. em minha defesa, alego que considerei que a ironia era suficientemente evidente para se perceber que não se tratava de nenhum roubo de identidade.
    por outro lado, sinto-me na obrigação de te alertar para o facto de se alguém pretender maliciosamente bloquear o acesso, sei lá, da rede wireless da universidade de lisboa a este sitio da internet só terá que escrever um comentário com o nome da olinda enquanto utilizador dessa rede e tu depois encarregas-te de bloquear os milhares que a utilizam.
    parece-me uma falha de segurança, se queres que te diga.

    ps- se entretanto ficaste interessado pelo caso, recomendo-te vivamente o contra interrogatório ao psiquiatra chamado pela defesa da amber heard que ocorreu no dia de hoje.

  10. Pois começa mal. E mais não escrevo sobre o tema . Tenho receio de ser barrado.

    Apenas acrescento, borrado tb, deta vez de medo, do mila russa, que preto no branco, aqui escreveu que iria apresentar queixa ao MP, contra incertos .

  11. Não fosse este o local inapropriado para tal, interessante tema se descortina entre o texto acima.
    Já escrevi aqui, que é impossivel apurar o conceito de JUSTO, com recurso a ciência exacta, seja a matemática ou outra .
    A maior parte, se não a esmagadora maioria, cada qual, tenta descobrir, partindo do contrário, i.e., o injusto . Assim, por exemplo : para mim, é injusto alguém desrespeitar a ordem de chegada a uma fila de espera ; para outros, não tem qualquer importância. Mas/e por aqui já se vê, que mesmo a ideia de injusto, está ela mesma, sujeita à relatividade, que é o mesmo que dizer, à subjectividade, ao sujeito, a cada um. Logo, por aqui, já podemos concluir, que cada aparente resposta, nos conduz, afinal, a outro patamar de questionamento . E daqui não saimos nem sairemos nunca, a não ser que seja “decretado” o pensamento/sentimento único.
    Comprimentos.

  12. Merda do pide porcalhatz, bully mariconço e intriguista, aldrabão e ainda por cima queixinhas. Haverá algum defeito que o cabrão não coleccione?

  13. muito estranh essa ideia de uma justiça absolutamente individual e solipsista. quase que se poderia dizer que não era justiça nenhuma.
    a noção de justiça de que se fala é absolutamente social, pois nem sequer faz nenhum sentido se não poder ser partilhada, explicada, seguida (ordenada?).
    por outro lado é também algo de perfeitamente inexato, uma emoção, e pode vir daí a confusão que atribui o sentido de justiça às idiossincracias individuais, pois tal como as emções parece-nos nascer do nosso mais intimo âmago.
    mas uma análise mais afiada permite definir perfeitamente o sentido de justiça como uma emanação do lado social da espécie humana. justiça não é a minha liberdade terminar onde começa a do outro, é a minha liberdade terminar onde termina a do outro. ou como diz o poeta, no justice – no peace!

  14. gajo anteriormente conhecido por teste, percebi nadinha do que fala quando me cita mas também não deve interessar – será, certamente, alguma badalhoquicezita. prefiro rir-me, !ai!.

  15. olinda,

    não há surpresa nem novidade nenhuma no que diz aí.
    o que ainda não consegui determinar foi exactamente onde é que a citei.
    se mo pudesse apontar, agradecia. para lhe fazer… justiça

  16. Camille Vasquez contribui para se chegar à melhor decisão judicial, prontos já estou definido!

  17. não metam tanta cocaína que já não ficam paranoicos e não desatam à estalada. coitados infelizes.
    cannabis , cannabis , fumem erva , que não faz mal a ninguém. nem aos outros.

  18. sr. M , tendo sido estabelecido socialmente a norma ou uso ou costume de que as filas se formam para que as pessoas sejam atendidas pela ordem de chegada , não sendo injusto , é uma violação do estabelecido pela comunidade. e uma grande falta de educação e de respeito pelo outro a não observação desses e de outras normas sociais.
    (legalmente , inclusivé , temos regras relativas a atendimentos prioritários )

  19. A Justiça consiste na criminalização de conjunto de crenças de uma sociedade num dado contexto e momento. “Não se condena porque é crime, é crime porque se condena” como disse Durkheim.
    Num sistema de tribunais com juri, como nos EUA, isto ainda é mais visível, mais poroso: OJ Simpson nunca seria condenado após o que aconteceu a Rodney King e os distúrbios sequentes que cristalizaram um sentimento de injustiça na comunidade negra. E talvez a senhorita Amber nunca avançasse para tribunal sem a influência do movimento Metoo. A dificuldade em acusar Trump advém daí bem como a facilidade em acusar Sócrates , nada a haver com leis e factualidades mas com o apoio específico e as crenças (o folk e o volk) fabricadas dentro de cada comunidade.

  20. !ai! que tive uma epifania: vi a yo a ir buscar erva, que está ao lado da linhaça, à gaveta das meias

  21. Joe Strummer, de repente parece que o vejo a surfar na maionese: dando-se o caso de a rapariga ter sido espancada, o que importará mesmo não é o crime de espancamento mas a ideia do que se constrói sobre a legitimidade do espancamento – o que passa pela sociabilização do crime, pela aceitação – ou falta dela – pública. já parece o casamento-arraial freneticamente postado e que em casa cheira e sabe mal.

  22. há um a óbvia injustiça , do ponto de vista do usufruto da Terra , que ninguém repara : que haja pessoas que podem gastar milhões de árvores e milhões de litros e litros de água e toneladas de outros recursos naturais enquanto que outras têm direito a um arbustuzinho e a um cl de água é completamente inadmissível. mas parece que para o people , mesmo com a história maluca do aquecimento global antropogénico , acha natural e ninguém se lembra de promover uma acção colectiva no tribunal da haia.

  23. “dando-se o caso de a rapariga ter sido espancada”

    convém investigar porque é que tal aconteceu, acho. é que pode acontecer que ela tenha sido espancada porque começou a espancar primeiro ou instigou o espancamento através de uma outra qualquer forma de violência sobre o parceiro.
    e até pode acontecer que ela nunca tenha sido de facto “espancada”!
    porque se basta acusar para se estar imune a qualquer critica ou investigaçã então de justiça esse sistema não tem nada

  24. Olinda,
    O que existe é uma maior sensibilização na condenação neste tipo de crimes e nas compensações advenientes. De resto, pelo que sei, as agressões foram mútuas. Aliás eles já tinham feito um acordo extrajudicial. A génese deste novo processo só surge depois do caso Weinstein. Ver aqui
    https://www.google.com/amp/s/www.vox.com/platform/amp/culture/23043519/johnny-depp-amber-heard-defamation-trial-fairfax-county-domestic-abuse-violence-me-too

  25. os dois consomem coca , pás , sabem como é o relacionamento de gente que consome coca às colheres ?

    esta semana já dei apoio moral e um raspanete a um que andou à estalada com a namorada e teve de responder na polícia e segue para tribunal. e ele também lhe bateu , ele diz que primeiro. eu não vi.

    atentem nos efeitos :
    euforia, sensação de poder, ausência de medo, ansiedade, agressividade, excitação física, mental e sexual, anorexia (perda do apetite), insônias, delírios e alucinações

    https://hospitalsantamonica.com.br/efeitos-a-longo-prazo-do-uso-da-cocaina-os-principais-estragos-ao-corpo-do-usuario/

  26. e eu com a certeza de que estaríamos a falar, não de quem é a culpa, do direito a ter direitos.

  27. “atentem nos efeitos : […], excitação física, mental e sexual,…”

    don’t threaten me with a good time, yo

  28. não vale a pena..é tudo falso e as consequências podem ser terríveis.
    um charro é bem melhor e não há perigo de acabarmos à porrada . : )

  29. Snr.(a) Strumer, no seu comentário escreveu “não tem haver”, isso é conversa de jorge jesus, em português correcto, é não tem a ver .

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