Coisas que os extremistas não explicam: há sempre um centro

Enquanto Sergio Ramos se deslocava para a marcação da grande penalidade, Patrício podia ter tido o seguinte raciocínio: este cabrão não vai repetir o charuto do penalti falhado contra o Bayern, pelo que o mais certo é a bola ser colocada algures no centro. Porquê? Porque se se confirmasse que Ramos iria controlar a força de modo a garantir que acertava na baliza, a opção de rematar para o meio do alvo seria a que maior probabilidade de sucesso teria. Patrício não foi por esta via intelectual, preferindo apostar tudo na sorte: escolheu um lado ao calhas e mandou-se para lá ainda antes da bola partir. Caso se tivesse limitado a ficar parado, a bola teria ido parar às suas mãos ao ralenti.

Enquanto Bruno Alves caminhava de cabeça baixa para a marcação da grande penalidade, Nani podia ter ido ao seu encontro não para o fragilizar ainda mais marcando na sua vez mas para lhe dar este conselho: “Ouve, meu cabrão, estás todo borrado e o mais certo é falhares se tentares atirar para um dos lados, por isso aponta ao centro porque o Casillas vai mandar-se para um dos postes à maluca.” Bruno Alves não teve esta ajuda do voluntarioso colega, pelo que resolveu disparar em força para uma das extremidades. O sorte foi-lhe madrasta, castigando o risco. Caso tivesse aplicado a mesma força num remate em frente, a bola talvez não tivesse defesa possível graças à velocidade e ao acordo dos deuses esféricos.

Moral da história? Risco por risco, arriscar ao centro é o menos arriscado.

9 thoughts on “Coisas que os extremistas não explicam: há sempre um centro”

  1. A culpa não foi do Bruno Alves (nem do Nani, que só lhe foi dizer que ainda não era a vez dele), cuja capacidade técnica todos sabemos que não é um primor, mas de quem o escolheu para fazer a marcação do “penalty”.

    Basta ver a forma como ele lança(?) os avançados, para perceber que ele não consegue meter a bola onde quer. Vai para onde calha.

  2. mp, tens toda a razão.
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    C. Serra, é a versão do Paulo Bento, e talvez seja a mais pura verdade, até por ser demasiado improvável que o Nani tivesse tomado essa iniciativa. Mas, para quem vê de fora, a situação só tem uma leitura: sendo indiferente a ordem dos marcadores, interromper um colega que já está em vias de marcar aparece como um acto desesperado para o proteger de alguma momentânea fraqueza emocional.
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    Ibn erriq, de que vulgaridade falas?

  3. 1 em cada 3 penalties vai ao meio da baliza, mas apesar da força estatistica é raro ver os GR escolherem ficar parados.

  4. bem, o patrício fez uma grande defesa no 1º penalty. mas depois o moutinho, cheio de hesitações, marcou um penalty completamente denunciado. foi aí que esteve a chave, creio eu.

  5. Os portugueses, às vezes, esforçam-se muito, dão o litro e quase conseguem o objectivo. Quase, porque no quase desaparece a visão a inteligência. Então quem foi o culpado de não chegarmos à final do campeonato europeu? Paulo Bento, claro.

    O João Moutinho, enquanto jogador do Sporting falhou mais de metade dos penaltys que marcou e deixou de os marcar pelo Sporting. No Porto, o Moutinho nunca os marcou. E porque o marcou pela selecção contra a Espanha? É fácil saber. É afilhado do Paulo Bento.

    O que era feito de Varela? Então o Varela, marcou cinco penaltys, antes do jogo com a Espanha, e sabem quantos falhou? Nenhum. O Nelson Oliveira, que também entrou na parte final do jogo com os espanhóis sabem quantos penaltys marcou antes? Marcou quatro penaltys e também não falhou nenhum.

    O “burro” do Paulo Bento desconhecia isto? Alguém pode compreender que este pseudo-treinador põe a marcar penaltys defesas em vez de avançados da craveira de Varela e Nelson Oliveira? Não previu o cansaço dos jogadores, que regra aplicou? Paulo Bento que não teve inteligência nos penaltys, fez passar o adágio: Todos ao molho e fé em Deus. Onde estão os críticos? Agora está toda a gente calada.

    Bons marcadores de penaltys que estavam no jogo contra a Espanha: Ronaldo, Nani, Varela, Nelson Oliveira e outro, que fosse então um dos seus afilhados.

    Esta é a minha opinião como treinador de bancada.

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