Coisa linda de se ver: os direitolas estão de regresso ao Estado de direito

"Já tenho anos suficientes na política, em Portugal, para não acreditar que isto é apenas uma coincidência", começou por dizer à comunicação social, à margem de um seminário sobre "Competitividade Regional", organizado pela Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF).

"Agora, do meu ponto de vista, há um aspeto muito negativo nesta questão, nós não podemos deixar de perceber que estas acusações ou estes rumores sobre eventuais delitos fiscais ligadas a figuras do PSD acontecem pouco depois de ter havido condenação de figuras do Partido Socialista", recordou.

O fiscalista considera ser "lamentável que, num país, exista a possibilidade de algum modo instrumentalizar os segredos fiscais, os segredos dos processos para fazer compensações políticas desta natureza".

"Obviamente os delitos fiscais ou de corrupção são iguais para todos qualquer que seja a sua origem ideológica mas temos a sensação, nós, cidadãos, que pode haver algum conluio entre instâncias judiciais, jornalistas e políticos, conluios que não percebemos, que não sabemos como atuam", disse.

"É um fator de insegurança enorme e isso preocupa-me muito mais do que o delito fiscal em si", concluiu.

Lobo Xavier

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O progresso mede-se assim: há cem anos, para derrubar um governo, ia-se a um quartel; agora, vai-se ao tribunal. O golpismo mediático-judicial é a versão democrática do golpismo militar da primeira república. O caso da Tecnoforma lembrou-nos, a semana passada, como estas coisas se fazem. Depois do procedimento judicial, que pode consistir apenas no arquivamento de uma carta anónima, há a fuga de informação, calibrada para que a oposição e a imprensa possam gritar por “esclarecimentos” que, venham quando vierem, já se sabe que serão sempre “tardios” e “incompletos”. Ao visado, de nada serve “mostrar tudo”. Resta-lhe subir a parada, como Passos Coelho terá feito na sexta-feira, e colocar o caso no plano da conspiração. A partir daqui, cada um acredita no que quiser.

Há muito tempo que em Portugal, como noutras democracias, o debate de políticas públicas ou de princípios doutrinários conta menos na disputa política do que a esgrima dos escândalos. As primárias do PS confirmaram a tendência, quando Seguro tentou pregar Costa à cruz do “partido invisível”. Para qualquer concorrente, a esperança nunca é convencer os eleitores com um argumento, mas comprometer o rival num escândalo ou submetê-lo a uma súbita luz melindrosa.


Rui Ramos

7 thoughts on “Coisa linda de se ver: os direitolas estão de regresso ao Estado de direito”

  1. tamém poderia ter dito que as condenações dos xuxas foram combinadas com o tótózero para validar as teorias política & negócios e se tem dúvidas como funcemina pergunte ao cerejo.

  2. Pois, quando acontece aos adversários é um refresco,
    quando nos toca arde que se farta … falando de pimenta
    no rabinho! Sabe-se como se criaram os “casos” contra
    José Sócrates assuntos já transitado pelos tribunais, na
    altura os direitolas surfaram e de que maneira a onda!
    O xavier fala em delitos fiscais mas, o mais grave no com-
    portamento do ainda p.ministro, é o ter sacado 60 mil
    euros do nosso dinheiro, invocando o estatuto de exclu-
    sividade quando, trabalhou numa ONG a troco de almo-
    ços, jantares, Kms, viagens, etc. … logo, não tinha direito
    ao tal subsídio que recebeu! Isto, parece não ter sido to-
    mado em consideração na análise do comportamento
    do beneficiado, nada de teorias da conspiração!!!

  3. bem, não sei se estes direitolas alguma vez estiveram no estado de direito. assim, o “regresso” é capaz de ser um bocado forçado. onde eles estiveram sempre e continuam a estar é no ‘venha a nós’, mesmo que isso às vezes implique estar do lado do estado de direito.

  4. Alcoólico,

    É o lugar onde quem não está agarrado ao partido nem a comer da mão de algum mecenas vive, ou seja, quase todos. Mas para quem tem a visão turva acredito que tal não pareça nítido e que os comentadores do costume ofereçam canções de embalar bem mais agradáveis…

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