Coelha Acácia à presidência

«Marcelo Rebelo de Sousa olha para a próxima campanha das presidenciais como "uma coisa curta, uma semana, 10 dias" e garante que se avançar - o Presidente insiste em manter tudo em aberto - nem sequer vai precisar de um diretor de campanha. “Num período pós-pandémico, o país precisa de tudo menos de campanhas sofisticadas.”

"Se eu for candidato, é seguro que não haverá diretor de campanha", afirmou o Presidente da República ao Expresso. Quanto ao anúncio da sua decisão, nunca será antes de "finais de novembro, princípios de dezembro" (as eleições são em janeiro). E sem direito a uma tradicional estrutura de campanha.»


Órgão oficial do marcelismo

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Para as eleições de 2016, Marcelo apresentou-se como o falso minimalista que abdicava de todo o apoio partidário, sua logística, dinâmica mediática e retórica. Descia à arena eleitoral apenas como o cidadão em contacto directo, simples, puro, com os restantes concidadãos. Concessão ao populismo do tempo? Sim, claro, mas igualmente táctica flanqueadora dos adversários que não dispunham da estupenda vantagem desse Nuno Duarte vedeta televisiva com aceitação transversal numa sociedade portuguesa, sem alternativas presidenciais credíveis, que o consumia há 22 anos como estrela-mor da política-espectáculo. Quem levantasse a cabeça e armasse espalhafato seria censurado e penalizado por estar a “fazer política”; quem se calasse e amochasse, imitando o mestre, desaparecia do palco e do radar.

Para 2021, a fórmula é exactamente a mesma, justificada e reforçada pelas consequências da pandemia. Só não o diz porque não o pode dizer mas pensa-o: as eleições, e sua chatice e riscos para a saudinha, deviam ser substituídas pela renovação automática do mandato, estabelecendo-se a votação final através de uma sondagem a realizar quando o coronavírus se for embora. No entretanto, até Janeiro de 2021, pode continuar a exibir-se como o real bluff que é, mais um na direita assim prolongando o ciclo da decadência que triunfa. Sobrevive aparentemente incólume porque não há imprensa em Portugal e os impérios mediáticos direitolas dominam a paisagem. Dois casos, escolhidos pela sua actualidade, ilustram a situação.

O primeiro diz respeito a André Ventura. Quem tiver perdido 1 minuto a olhar para a figurinha sabe que estamos perante um palhaço – e nada mais, rigorosamente mais nada. Ora, tanto Marcelo como os jornalistas que o protegem e lhe fazem os serviços andam desasados com cagufa da alimária criada e lançada na ribalta por Passos Coelho, outro espantoso crânio da estratégia política. Que é que agitação tão confrangedora nos diz sobre o amante da coelha Acácia? Ponta de um corno. Que é que temos de concluir ao vermos os homens do Presidente com medo de um taralhouco? Que o produto que nos querem vender está marado.

O segundo diz respeito à acusação pelo Ministério Público de que Ricardo Salgado terá sido o cérebro e o líder de uma rede criminosa, fazendo do Grupo Espírito Santo, no seu todo, uma associação criminosa. Ora, a menos que a ideia acabe por ser a de também conseguir responsabilizar Sócrates e/ou o seu motorista João Perna por essas avarias, temos que o próprio Marcelo fica sujeito à deliciosa pergunta dos pulhas profissionais: “Então, como foi possível não ter percebido nada convivendo de abraços com o bandido? Vá, conte lá a verdade verdadinha…” Só o Marcelo? Seguindo o rasto do dinheiro, terá de ser pulhice feita a meio Portugal, com Cavaco, Durão Barroso, Moedas e o próprio Ministério Público à cabeça, para só dar aqui exemplos imediatos ao correr do teclado entre centenas, milhares.

Em resumo, temos um Chefe de Estado que teme a concorrência de um desqualificado qualquer, e temos o mais alto magistrado da Nação a esfregar as mãos de contente quando a Justiça é usada para perseguir e castigar adversários políticos e ódios da oligarquia mas que não pode ser beliscado pelo gigantismo e abalo tectónico do que está em causa no processo de liquidação do Banco Espírito Santo, acabe como acabar. Às tantas, a coelha Acácia daria uma imagem mais digna da República mordiscando distraída as verduras num jardim do Palácio de Belém.

3 thoughts on “Coelha Acácia à presidência”

  1. Que não se iluda com as loas dos carregadores do “andor”!
    Se “saúde” não o atraiçoar, poderá ter um amargo de boca
    e, ficar longe da % das sondagens perdendo influência na
    chamada política de intervenção! A promoção do caluniador
    vão custar-lhe muitos votos à esquerda … nem o Tolentino o
    pode ajudar a esquecer a “borrada”!!!

  2. “O Presidente da República considerou hoje que a justiça portuguesa “está a viver um bom período” e a dedução da acusação no caso BES “é uma boa notícia”, observando que “mais vale tarde do que nunca”.

    https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/bes-marcelo-considera-que-deducao-da-acusacao-e-boa-noticia-e-justica-vive-um-bom-periodo

    peralá… mas não era este presidente da república que ia passar férias para casa do salgado no brasil e que namora com uma moça que trabalhava na administração do bes? ou será boa notícia só porque ele e a namorada não foram investigados e incluídos na lista da associação criminosa?
    espero que o salgado dê com a boca no trombone e os leve todos com ele de férias para a carregueira.

  3. Por curiosidade apurei que a coelha Acácia é o animal de estimação do André Ventura, LOL .
    Se ele fôr candidato e ganhar ( abrenúncio ! ) a coelha vai ser primeira dama .
    E como parece ter o apoio de sectores conservadores e tradicionais, nomeadamente o setor tauromáquico, às tantas ainda vai nomear algum cavalo, já nem digo conselheiro, mas sim, cônsul !

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