Chegar à Madeira

Quando há uma catástrofe, há uma injecção de sanidade. Durante um curto período, o que mais importa une vontades, une adversários, liga o disperso, faz acontecer, resolve.

Haverá alguma forma de alcançar a mesma reunião de capacidades sem termos de esperar pela próxima catástrofe?

14 thoughts on “Chegar à Madeira”

  1. Para isso é preciso apenas uma coisa: Capacidade de previsão. Isto é, que o Governo, qualquer que seja, organize o futuro. Que em vez de submarinos tivessemos mandado construir, nos Estaleiros de Viana, navios-hospital e navios de socorro rápido. Poili-valentes e com capacidade de deslocação rápida a locais de catástrofe, em terra e no mar.
    Com valência de bombeiros, paraquedistas, sistemas de água, energia e comunicações. Com helicópteros e socorristas especializados…
    Com os submarinos faremos o quê?
    Afundamos!

  2. A Madeira faz lembrar Timor, na inesquecível segunda metade de 1999.
    A tragédia que nos toca, toca-nos a todos e faz emerger o que há de melhor nesta cabronada de portugas que somos.

    São os nossos bons objectos, que unem Jardim e Sócrates e que revelam que, quando queremos ser solidários somos do melhor que cá temos, sem o saber explicitamente, ficando mesmo surpresos, comovidos, disponíveis para oferecer o peito a quaisquer balas.

    Esquecemos a inveja e a mesquinhês. Desenrolamos, nos nossos sótãos com simpáticas teias de aranha e sofás esventrados da avó, planos amarelecidos e encarquilhados, caixas de música inesquecíveis e delicadas, gramophones de quando as galinhas tinham dentes, filamentos incólumes e resistentes das redes de solidariedade de um antanho do caraças, pelo mundo fora, muita desgraça, muito naufrágio e famílias reduzidas a merda, muito terror no Bojador, muitas mão unidas trementes e tementes.
    Vestígios genéticos e míticos que nos entrançam, até, recomeçando, despontar de novo o primeiro rancor, ódio, egoísmo, impiedade, grau zero da compaixão…

    Viva nós! E quem mais nos acompanhar!Todos somos Madeirenses!

  3. Acho que um mau gosto atroz usar estas tragédias para qualquer tipo de arremesso político.
    E que tal um pouco de respeito porque quem perdeu aqueles que ama, ficava bem não vos parece?

  4. “Ah! Foi precisa esta agonia
    para afinal apercebermos
    que tudo quanto dividia
    as nossas vozes poderia
    harmonizar-se em litania
    aos moribundos e aos enfermos …:
    – que só na última agonia
    irmãos e unânimes seremos!”

    David Mourão-Ferreira

  5. Se haverá, não sei, mas com estas provocações e ameaças não será certamente: “Precisamos da ajuda de todos, de todos! Há momentos que não são para brincar à política. Seria MISERÁVEL (!) que fosse quem fosse, viesse brincar à política…” Alberto João Jardim ouvido na RTP no dia do temporal.

    Que estranha forma de convocação, seja de quem for.

  6. Em Andorra o Valira foi enterrado em muitos troços da cidade baixa e não há problema. Em Granada o Darro foi enterrado para construirem a Plaza Nueva e o mesmo fizeram ao Genil e não há problema. A orografia daquelas cidades é do mesmo tipo que do Funchal, então o que é lá foi feito e aqui não?

  7. MFerrer toca no assunto certo: capacidade de previsão. Em Entre-os-rios essa pergunta não foi feita. No Oeste, há semanas, essa pergunta também não foi perguntada. É preciso saber se este nível de precipitação era previsível – qual era a probabilidade de acontecer… o desastre madeirense.

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