Catarina Martins pede para ser ouvida por Ivo Rosa

O nosso amigo MRocha chamou-nos a atenção para um momento no debate Assunção-Catarina onde a Coordenadora Nacional do Bloco de Esquerda diz em público que Paulo Núncio inventou a mielas com Passos Coelho uma marosca em ordem a permitir que Sócrates trouxesse para Portugal o dinheiro da corrupção que andou a branquear na estranja. Não foram exactamente estas as palavras usadas, pois teve o cuidado de diminuir na medida do possível o choque que a coitada da Cristas iria ter com a bombástica revelação, mas as palavras registadas ao vivo oferecem às orelhas exactamente a mesma conotação:

"Era bom lembrar o seguinte. No tempo do Governo PSD-CDS, no tempo dos maiores cortes, em que as pessoas mais sofreram, Paulo Núncio, secretário de Estado do CDS, fez uma amnistia fiscal que permitiu a Ricardo Salgado, a Zeinal Bava, a José Sócrates, outros, não só trazerem o dinheiro para Portugal sem pagar imposto, como lhes permitiu amnistia sobre os seus crimes de fraude, de evasão fiscal, de branqueamento de capitais, e temos hoje a Autoridade Tributária a ter dificuldades de agir. Portanto, nós temos de escolher de que lado estamos."

minuto 17

Donde, é de caretas e aleluia, a “Operação Marquês” acaba de dar um salto quântico. Catarina, a Grande Procuradora, já chegou onde nem Rosário, nem o esgoto a céu aberto, nem o mano Costa e o poeta-Guerreiro, nem os talibãs da madraça, ousaram entrar – daí esta incansável gente séria estar em campanha pelo recurso às “provas indirectas” de forma a que a vingança seja implacável e maximalista. Já esta pessoa extraordinária que concorre para deputada sabe – sem margem para a mínima dúvida – que Sócrates trouxe dinheiro para Portugal (i) oriundo de crimes vários (ii) e, especialmente, do crime de corrupção (pelo branqueamento) (iii). Dinheirinho bacano que ficou à sua disposição à pala do Núncio e do Passos, vai sem discussão; mas talvez o grupo de comparsas desse Governo, onde também aparecia a Assunção quando a obrigavam a largar a piscina, seja bem maior. De forma miraculosa, nem o jornalista presente (consta que houve um tempo em que os jornalistas eram formados com a missão profissional de fazer perguntas, que saudades) nem o alvo da calúnia lhe perguntaram como sabia tanta e tão maravilhosa coisa a respeito de tanta gente. E a Catarina, logicamente, terá depreendido que o assunto era de uma evidência com a qual todos concordavam, daí a ausência de questionamento e de contraditório, e não perdeu mais tempo a explicar como descobriu a colossal tratantada.

Da minha parte, abdico daquela que será uma encantadora justificação para a inexistência de qualquer capital em nome de Sócrates que possa ser associado ao que garante ter acontecido e fico particularmente curioso a respeito das provas que a Coordenadora do Bloco recolheu sobre a corrupção que tanto dinheiro deu ao diabólico corrupto. Deve ter sido bonita a roubalheira, deve. Acima e antes de tudo, adorava ouvir o relato sobre o episódio, ou episódios, em que um primeiro-ministro conseguiu esse feito de enganar, ou aliciar, o restante Governo e demais entidades públicas e privadas necessárias para levar a cabo e encobrir tamanha operação ou operações tão lucrativas. Alguns desses cúmplices transitaram para um outro Governo com o qual o BE fez acordos históricos, para dar mais tempero à história que lhe vai garantir um Pulitzer vitalício. Contudo, forço-me a ter a humildade suficiente para reconhecer que não serei eu o primeiro cidadão com quem a Dona Martins deve ir falar. Essa pessoa no topo das prioridades responde pelo nome de Ivo Rosa e terá o maior interesse em receber as provas até agora em falta no processo. Como sou leigo em Direito, ignoro se é possível bater à porta do tribunal e pedir para entregar umas papeladas ao magistrado que tem entre mãos o processo judicial mais importante da democracia portuguesa. Seja como for, vale bem a pena tentar. A Catarina que diga que é uma pessoa que costuma ir à TV repetir o que papou na Cofina – não foi outro o critério para montar a acusação da “Operação Marquês” pelo que deverá conseguir entrar sem dificuldade.

5 thoughts on “Catarina Martins pede para ser ouvida por Ivo Rosa”

  1. Todos sabemos que, o BE se aliou à direita para derrubar o Governo minoritário
    do PS, liderado por José Sócrates! Na altura era líder do BE o sibilante Louçã que,
    foi humilhado num debate, antes das eleições de 2009, exactamente pelo então
    líder do PS ao embrulha-lo no programa eleitoral do próprio BE ora, parece que
    a pequena Catarina não olha a meios para alegrar o guru conselheiro de Estado
    do BE e segue a narrativa da direita sem ideias ou visão para Portugal ,,, com essa
    pensada atitude só irá perder mais uns votos para refrear a sua mania de grandezas!!!

  2. O BE (tal como o PCP) votou sempre contra a trave-mestra do Governo PS apoiada pelo PSD, os PEC’s. Votou contra o PEC I, contra o PEC II e contra o PEC III. E quando o PEC IV foi apresentado informou (tal como o PCP) que iria votar contra o PEC IV (sem surpresa de ninguém, nem dos que aqui se manifestam). Foi então que o PSD se juntou à esquerda (perante a surpresa de todos, pois sempre votara a favor) para derrubar o governo minoritário do PS. Assim é que foi.

  3. Ora ai está uma ‘catarinada’ inqualificável e desprezível passível e a jeito de uma resposta directa, sucinta, irrespondível ao seu modo Sócrates político puro e duro, de carácter determinado por valores de grandeza político-moral contra a miséria da porca política.
    Anos depois de ter levantado o pequeno braço e alva mãozinha contra o país na célebre votação do pec 4, seguindo o político medíocre Louçã, fundador e actual ideólogo bloquista, nunca ninguém mais neste partido deixou de ser oportunista cuja originalidade é imitar o PCP no palavreado ideológico e o CDS no comportamento pequeno-burguês.
    É um permanente cortejo feminino de gente sem vida pessoal além de escola-leituras-lugares-deputados-leituras em círculo fechado que, passados consecutivos anos dependentes da política, esta é já hoje em dia o seu emprego e modo de vida únicos.
    A sua não tradição nem unidade política ou bases teóricas nem praxis definidas pelo que desse modo tende para o oportunismo de “casos”. Onde haja um caso, por mais incompreensível e obscuro que seja ou pareça, lá está a Catarina e suas noviças com um discurso sempre voltado para o lado da caça ao voto do “grupo” sem qualquer análise de fundamentação.
    A desprezível afirmação contra Sócrates que vai muito para além de tudo o que o mais reaccionário dos políticos alguma vez já afirmara não foi impensada, pelo contrário, foi premeditada e a inclusão, de boca sem prova, do nome do ex-Pm é novidade em primeira mão, precisamente, para fazer coro à maneira pàfista contra o PS e como ameaça próxima-futuro a Costa ao modo de Cristas-Melo nas recém legislativas caso o actual PM continue a confirmar-se céptico na confiabilidade das “moças do Bloco” em detrimento da respeitabilidade do PCP de Jerónimo.
    A desprezível afirmação da Catarina revela, claramente para quem acompanha e olha prá política há anos e a já apreende nas suas subtilezas, que o Bloco está inquinado do mais rasca e baixo oportunismo político que é clássico nos pàf e que caso chegassem ao poder o governo do país tornar-se-ia em três tempos numa brincadeira anárquica de criançolas irresponsáveis.
    Esta Catarina que acusa sem provas e não respeita o Estado de Direito jamais será uma estadista mas apenas, quanto muito, uma estradista percorrendo mercados e feiras.

  4. «Esta Catarina que acusa sem provas e não respeita o Estado de Direito jamais será uma estadista …»

    Neves,

    Mas aí é que está o busilis da questão: boa ou má, a Catarina é uma estadista. Portanto o problema é mais grave do que parece e poderia enunciar-se na seguinte questão: como é que se defende o estado de direito quando ele é dinamitado por dentro por aqueles que deveriam estar na primeira linha da sua defesa ?

  5. A Catrenita fez o que lhe competia, colou as decisões da Cristas, como governante, à ajuda que os arguidos da operação Marquês obtiveram na feitura de negócios pouco claros: Repatriamento de capitais isentos de impostos, compra de papeis tóxicos ao grupo BES, e podia continuar com muito mais. É tudo verdade comprovada documentalmente. Podia ter retirado Sócras da lista mas o homem já assumiu ter feito coisas que não são ilegítimas que que o põem a jeito para ser conotado como membro da quadrilha; malas cheias de notas, estadias em bons hotéis sem que se saiba quem pagou. As pessoas normais não facilitam tanto, não se põem tão a jeito. Se Socras tivesse dito logo no início que era amante do milionário, estava tudo justificado. Com os (as) amantes podem gastar-se fortunas sem que ninguém desconfie. É o amor, palerma! dizem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.