Caro director,

David Dinis escreveu uma carta ao mercado dos compradores de jornais – Caro leitor, – onde se apresenta em modo intimista. A retórica simula uma conversa olhos nos olhos, voz ora grave ora aguda, com vista à apresentação de um pedido da maior importância. No caso, trata-se de pedir dinheiro. Pouquíssimo dinheiro, aliás, tão pouco que até os pobres o poderiam gastar sem por isso ficarem mais pobres.

Irá resultar? Adorava conhecer os resultados da sua epístola aos ex-pagantes-por-notícias-e-opiniões. Daqui deste canto na sala, diria que o exercício é patético. No forma e no conteúdo. Na forma, pelo artificialismo de uma proximidade moral sonsa, exibida apenas para efeitos de cravanço imediato, de pedido de esmola. No conteúdo, porque não se consegue identificar sequer um benefício concreto que resulte da existência de um Público dirigido pelo David Dinis. Repito: o seu texto não identifica (não aponta, descreve, ilustra) sequer um (1) benefício concreto (tangível, discutível, aplicável) que resulte da existência (graças ao nosso dinheirinho) de um Público dirigido pelo David Dinis (um jornalista com um percurso de altíssima volatilidade ao serviço do mesmo posicionamento: não grama socialistas).

E o texto leva-nos para a gargalhada quando se permite estes atrevimentos: “Há uma diferença grande entre manter rigorosos princípios éticos (e humildade em reconhecer os erros) ou prescindir deles para ganhar um click fácil.” Este é um director que despediu o Malheiros e a Lucas Coelho enquanto se declara fã do João Miguel Tavares; este último, no meio da sua continuada actividade caluniosa, tendo arranjado um tempinho no jornal do Dinis para dizer-se fã do Correio da Manhã por causa do combate contra a “corrupção”. Que dizer? Que seria deste miserável país sem a coragem do CM a denunciar e meter na choldra as dezenas, centenas e milhares de corruptos apanhados graças à excelência do seu jornalismo? Aliás, dentro dos propalados “rigorosos princípios éticos” em vigor na actual linha editorial, o melhor seria promover o JMT à direcção e começarem a ajudar de forma mais assumida o CM contra esses corruptos todos que ainda permanecem escondidos ali para os lados do Rato.

Se o Público quer sobreviver, um outro tipo de inteligência, que ainda ninguém viu o David Dinis expressar, terá de ser introduzida na questão. Ironicamente, tal passaria pela actualização do projecto original – agora, adaptado às drásticas mudanças tecnológicas e comportamentais dos últimos 30 anos. Por exemplo, a introdução de inteligência artificial para começar a prestar um serviço personalizado como agregador e analista do excesso de informação disponível. Tradicionalmente, o jornalismo foi concebido como uma actividade que tinha de explorar e escavar a realidade à procura da informação relevante. Quando os meios de transmissão de informações crescem exponencialmente em quantidade e tipologias e se tornam ubíquos, o problema passa a ser o inverso: filtrar, separar, afastar o que na realidade está a mais para o seu aproveitamento prático e teórico, utilitário e significativo, de acordo com os segmentos do mercado dos “leitores”. Obviamente, o jornalismo continuará a ser sempre, e também, essa aventura da caçada, esse heroísmo em nome da cidade e da liberdade. Mas tornar um jornal merecedor de um pagamento, uma assinatura, uma taxa, requer uma radical transformação do serviço onde cada leitor passará a ser concebido como um mercado singularizado. A tecnologia disponível e o desenho de novas funções jornalísticas permitem o começo dessa mudança gradual já no imediato.

.

10 thoughts on “Caro director,”

  1. … «o CM contra esses corruptos todos que ainda permanecem escondidos ali para os lados do Rato.», …?!

    É lamentável que queiras chafurdar os tipos do PS, porquê mais uma vez se não te ligam peva?, através de mais um post miserável.

    ______

    «Obviamente, o jornalismo continuará a ser sempre, e também, essa aventura da caçada, esse heroísmo em nome da cidade e da liberdade», ui! a quem o dizes, pois apesar desse ar literariamente trôpego podes juntar-lhe os desgraçados do MP e ficas com um rol assim mais jeitoso!
    http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-01-15-O-cacador-de-tubaroes

    [Ai-ai, Valupi, que venham as férias para nos dares sossego!]

  2. 22 MAIO 2017 ÀS 16:38, post do VALUPI.

    22 DE MAIO DE 2017 ÀS 17:04, comentário do aeiou.

    22 DE MAIO DE 2017 ÀS 18:48, nada de clientela e já lá vão duas horas ó Valupi! Temos de te inscrever no Pesadelo na Cozinha, talvez o Ljubomir Stanisic te dê uma ajuda.

    Ontem o Barmácia Bar, do João Simões Pires; amanhã quem sabe se uma nova Farmácia do Aspirina Bar, com o Valupi a servir às mesas.

    https://nit.pt/coolt/televisao/pesadelo-na-cozinha-o-barmacia-tem-cada-vez-mais-clientes-mas-joao-continua-deprimido

    tags: 101 maneiras, Farmácia Aspirina Bar, Ljubomir Stanisic, Pesadelo na Cozinha, Shine Iberia, TVI

  3. … «o CM contra esses corruptos todos que ainda permanecem escondidos ali para os lados do Rato», …?!

    É lamentável que queiras chafurdar os tipos do PS, porquê mais uma vez se não te ligam peva?, através de mais um post miserável.

    ______

    «Obviamente, o jornalismo continuará a ser sempre, e também, essa aventura da caçada, esse heroísmo em nome da cidade e da liberdade», ui! a quem o dizes, pois apesar desse ar literariamente trôpego podes juntar-lhe os desgraçados do MP e ficas com um rol assim mais jeitoso!
    http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-01-15-O-cacador-de-tubaroes

    [Ai-ai, Valupi, que venham as férias para nos dares sossego!]

  4. o problema do Público , e dos outros jornais , é que não têm jornalistas. têm comentadeiros , moços de recados deste e daquele ,tradutores de notícias requentadas do estranja , aspirantes a assessores de imprensa , lambe botas , puxa sacos , mortos de fome. não têm nada que valha a pena comprar.

  5. vou pegar no recurso à inteligência artificial. adorei :-).
    as máquinas são infinitamente menos complexas do que o homem e, por esse motivo, em paradoxo, uma espécie de teste de turing, em forma de pergunta, pode ser feita ao director: será necessário recorrer ao “Homem Bicentenário” para dar aos jornais a inteligência da inteligência?

  6. aeiou
    22 DE MAIO DE 2017 ÀS 17:04
    O seu comentário aguarda moderação.

    … «o CM contra esses corruptos todos que ainda permanecem escondidos ali para os lados do Rato.», …?!

    É lamentável que queiras chafurdar os tipos do PS, porquê mais uma vez se não te ligam peva?, através de mais um post miserável.

    ______

    «Obviamente, o jornalismo continuará a ser sempre, e também, essa aventura da caçada, esse heroísmo em nome da cidade e da liberdade», ui! a quem o dizes, pois apesar desse ar literariamente trôpego podes juntar-lhe os desgraçados do MP e ficas com um rol assim mais jeitoso!
    http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-01-15-O-cacador-de-tubaroes

    [Ai-ai, Valupi, que venham as férias para nos dares sossego!]
    aeiou

  7. Censurrou-me e preferre continuarr nesse estado de NEGAÇÃO psicológica, Valupi? Não querr ajuda, é?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.