Perto de 300 mil pessoas tiveram a trabalheira de sair de casa num dia que foi ficando chuvoso para ir votar em branco ou fazer caralhadas no boletim neste passado domingo. Por um lado, é fácil criticar o seu comportamento, por mil razões todas boas. Mas, por outro, há que ter empatia e simpatia.
No meu caso, é fácil. Votar em branco era o que faria, e recomendaria, calhando a segunda volta ser com Marques Mendes e Ventura. Assim, consigo imaginar uma situação análoga com quem ficou condenado a ter de optar entre Seguro e Ventura. Libertaram-se dessa condenação com o voto em branco, isso é certo, ou com o nulo, isso incerto.
Dito isto, acho que são um grupo de infelizes. Entre um proto-facho feirante e um tipo cuja mulher tem duas farmácias, votar em branco é passar um auto-atestado de derrelicção.
Você não entende o elogio que acaba de fazer ao voto em branco, pois não? Está bêbado do seu voto útil, continua a não perceber.
que facada nos costas
https://www.jn.pt/nacional/artigo/legado-de-antonio-costa-abriu-espaco-a-extrema-direita/18050441
não acordem não
Votar em branco também é uma escolha legítima e merece respeito, pois expressa uma posição consciente de quem, por diferentes razões, não se sente representado pelas opções disponíveis. Esse tipo de voto pode ser uma forma de protesto, de reflexão crítica ou de recusa a validar um sistema ou candidatos que não inspiram confiança. Desqualificar quem vota em branco é ignorar a diversidade de opiniões e motivações que existem numa democracia. O valor desse gesto está justamente no direito de cada cidadão se manifestar livremente, e o respeito a essa decisão é parte fundamental da convivência democrática.
https://rabiscosdestorias.blogspot.com
Ó valupi, é a proliferação da sua espécie, há décadas, que faz crescer os chegas. Um subindigente voluntário a quem puseram uma marca auricular, ou uma coleira numerada, ou um chip e soltaram-no nos negros prados da web. No processo engordaram-no da prepotência suficiente para obrar bostas do calibre desta que nos brinda. Não sei se algum dia encontrará o caminho de regresso ao bardo, desconfio que não. Boa sorte.
o adiantado mental valupi , desde o seu púlpito de pregador de banha da cobra , dá-nos relicções preciosas.
Miguel M. Elias, tens de me desculpar. Devia ter lido os teus comentários a este texto antes de o ter escrito. Mea culpa.
Tendo o volupi já levado muita e merecida pancada da yo, do Elias e do Correia, venho eu, que voto nulo em todas as eleições, tentar defender o nosso anfitrião xuxa.
O volupi, estão a ver, pertence a dois rebanhos que só concebem o voto como útil ou inútil: a carneirada partidária e a carneirada abrileira. A primeira é evidente – são adeptos de um partido, no caso do volupi é possivelmente também funcionário, e só podem votar no seu gangue, perdão, partido de sempre. Muitos também esperam lá mamar tachos, subsídios, adjudicações, etc.
Mas é a segunda carneirada, a abrileira, a mais interessante e ecléctica. São todos os que ainda entendem o voto como uma ‘conquista de Abril’, um dever sagrado a que devemos respeito eterno, seja quem ou o que for que vá a votos. Então, um pouco como os católicos vêem como pecado o esperma desperdiçado na masturbação, assim vê o carneiro abrileiro o voto branco/nulo.
No volupi é mais forte a pulsão partidária do que a abrileira; daí admitir que votaria em branco na falta de um candidato xuxa. Mas sairia de lá tristinho, parte do “grupo de infelizes” que lamenta acima, em vez de um forte e confiante carneiro votante. Porque esta carneirada sente mesmo isto: fui votar, fui escolher! – sem, coitados, terem escolhido nada além dum nome e dum tacho.
Racionalmente, alguns podem até compreender a lógica válida dum voto branco/nulo; mas quem lhes tira o botinho – a cruzinha num partido ou candidato – tira-lhes tudo. E este regime podre dá-lhes razão, pois omite e desconsidera quaisquer votos que não tenham essa cruzinha. Podemos votar branco, nulo ou até nem votar; mas só os botinhos do rebanho contam. É a ‘democracia’.
farto-me de rir com os textos mas nem sempre digo. fico a fazer filmes
baseada em regras
https://www.jn.pt/mundo/artigo/festa-epstein-com-entrada-gratuita-para-mulheres-cancelada-e-promotor-detido/18050572
bem, o egipto
Gosto de votar. Gosto de botar lá a minha escolha política.
Nunca me abstive. Nunca votei em branco. Nunca emporcalhei o boletim.
Confirmo sempre se desenhei a cruzinha no sítio certo.
Dobro-o sempre com cuidado, ajuste e carinho.
Regresso à urna de voto com o boletim devidamente pegado com uma das dobras projetadas para melhor o enfiar na ranhura.
Nada de sorrisos e cumprimentos para os membros da mesa.
Se se desse o caso de a escolha ser entre o ganda nóia e o fascista-nazi….
(onde é que está a dúvida?)
Escolhia o ganda nóia.
(Sr. Valupi, o novo Presidente da República portuguesa chama-se António José Seguro, eleito com esmagadora maioria. Espetacular!!!)
A escolha politica de cada um, É UMA COISA
A escolha do MAL MENOR É OUTRA COISA.
Fui um desses. Votei nulo – conscientemente – e foi a melhor opção que tinha.
Percebo a tentação de ler o branco ou o nulo como desistência, ou até como um auto-atestado de derrelicção. Mas, pelo menos no meu caso, foi o contrário: foi recusar transformar um gesto cívico num gesto de auto-negação.
Numa eleição presidencial, onde o cargo é sobretudo simbólico, votar não é apenas escolher uma “área política”, é reconhecer alguém como figura de representação mínima. Quando isso não é possível sem violência interior, insistir na escolha não é maturidade democrática – é cinismo.
Não me libertei da “condenação” por preguiça nem por pureza moral. Liberei-me porque nenhuma das opções me permitia sair da cabine inteiro. Preferi assumir esse limite a fingir uma adesão que não tenho.
Chamar a isso infelicidade é legítimo como leitura externa. Do lado de dentro, foi apenas lucidez – e, curiosamente, descanso.
Por princípio, nunca comento quando concordo com um post deste blogue – e, por maioria de razão, quando me revejo num post deste blogue. Por um lado, porque fico preocupado, por outro lado, porque acho que os autores dos postes ficariam preocupados. Abro uma excepção, porque fiquei com inveja de não ter sido eu a escrever cada palavra do texto (talvez tivesse optado por “falo” ou “Zé Bastos”). Podem ficar preocupados à vontade.
Ainda bem que te leio, Valupi, para me autoclassificar como infeliz e derrelito. A diferença entre Marques Mendes e Seguro é, realmente, impressionante: um deve ter metro e meio de altura; o outro à volta de 1 metro e setenta e cinco centímetros. De resto, é o quartel-general de Abrantes a funcionar. Seguro já o iniciou com a assombrosa e original frase os portugueses são o melhor povo do mundo.
O voto em branco, nestas eleições, para muitos, tem uma intepretação unívoca: o neofascista Ventura jamais ganharia a eleição. Posto isto, o voto em branco é um voto muito mais pensado do que a tua extraordinária carneirice. E atenção, Valupi: esta carneirice nada tem a ver com o desgraçado Carneiro do PS, que não é mais do que um Antônio José Seguro mais tardio.
A todos os que se acham acima do bem e do mal e dessa coisas dignas dos comuns mortais como os partidos ou a política.
Aqui tratou de se uma escolha entre uma certa medida de democracia e o proto fascismo que já tanta desgraça causou por esse mundo.
Se alguém quem levar três tiros na tromba e ainda ter o presidente a chamar lhe terrorista ou ser espancado por nazis sem que ninguém se chateie com isso está a vontade.
Não venha e para aqui dizer que essa e uma escolha legítima porque não e.
Eu explico a diferença: um voto no Marques Mendes teria sido, a prazo, um voto no Ventura – pois ele é quase uma caricatura do “sistema” que faz crescer o Chega. Mendes e Montenegro era “Red Bull” para uma futura vitória eleitoral do Chega – tal como foram Marcelo e Costa. Já o Seguro, não é. E todos sabem que não é, em especial os que correram com ele para lá meter o Costa e os 40 ladrões que tinham ficado em pousio depois da bancarrota. Aliás, por isso é que o Ventura se viu aflito a debater com Seguro A cara do Ventura quando ele lhe disse que não tinha aceitado a subvenção vitalícia, e que já tinha “perdido” 300K, parecia a de um canito quando lhe tiram a bola de borracha. Será sonolento, será indeciso, mas é o de que a democracia precisa.