Bons sinais

Usando os números provisórios, a vitória de Rio deve-se a 22 611 pessoas, o equivalente a 0,2335231214329527% do universo eleitoral nas legislativas de 2015. Esta percentagem minúscula pode vir a ter uma influência gigante no regime caso os sinais de fecho de ciclo e de mudança de cultura se confirmem. O ciclo que parece fechar-se é o que foi aberto em 2008 com a presidência de Ferreira Leite em tandem com Cavaco, onde a estratégia política da direita se passou a limitar às mentiras, às golpadas, às calúnias e ao ódio. Passos foi o seu mais destrutivo executante, tendo afundado o País quando o aparelho laranja o exigiu e tendo traído o eleitorado e a comunidade ao serviço da oligarquia nacional e de fanáticos estrangeiros. A mudança de cultura está prometida na recusa da demagogia e do populismo e na obediência ao interesse nacional, precisamente o inverso do que se chama “fazer política” no PSD e CDS onde os respectivos fundadores são desprezados há décadas. Acima e antes de tudo, a mudança de cultura aconteceu, mesmo que tão-só episodicamente, quando Rio ousou expressar um juízo negativo acerca do Ministério Público; agravado pelo contexto dessa declaração que fica agora associada à sua presidência do PSD.

A direita portuguesa está decadente desde o Cavaquismo, este sendo um outro tipo de decadência nascido do controlo do Estado. A nossa actual direita não tem projectos, não tem ideias, não tem líderes nem recursos humanos de qualidade, mas tem Sócrates. Logo, não o podem largar, como não largam desde 2004. Daí as cenas desvairadas que já pudemos ler e ouvir só porque a ministra da Justiça não foi hipócrita e disse em público o que pensava tecnicamente a respeito da situação de Joana Marques Vidal. A brutalidade e basicidade com que esses infelizes exigem ter uma Procuradoria-Geral da República entregue a um comissário político que lhes garanta o máximo de dor e cárcere para Sócrates e qualquer outro socialista deixa-nos sem saber o que mais admirar: se a sua estupidez funcional, se a sua paixão fatal. Por essa exaltação furibunda se poderá medir o choque de verem Rio a mostrar-se livre e a ser frontal a respeito de uma das mais políticas das dimensões do Estado, a administração da Justiça. Foi um terramoto de magnitude 11 na escala de Richter lá na Pulhalândia.

O Observador reúne a fina flor desta direita decadente, embora ela esteja presente na maioria dos órgãos de comunicação social. Fizeram do pasquim do Zé Manel uma plataforma de apoio a Santana Lopes. A ideia seria meter o Pedro em palco e ir gastando o tempo até que Montenegro pegasse no partido depois da derrota do PSD em 2019. Único plano conhecido desta degradante gente, aproveitar as oportunidades para continuar a espalhar ódio e a boicotar o País até que uma crise política qualquer os levasse para São Bento. É consolador testemunhar que os tais 22 611 militantes do PSD são muito mais fortes do que a tremenda força mediática dos que já só querem ver o Estado de direito democrático a arder.

16 thoughts on “Bons sinais”

  1. sim , quem sabe este rio é gémeo político do costa e salva o psd tal e como costa salvou o ps do descalbro do calígula sócrates e dos seus fieis seguidores ( de não ser por eles , os ceguetas selectivos,, talvez nunca chegassemos ao triste ponto a que chegamos) que continuam empenhados em reescrever a história , como se vê aqui.
    jasus , tudo o que é demais enjoa.

  2. bons sinais: rio ganha por 8% e santana responde que “vai continuar a combater”.
    resultado: se entretanto costa não abichar tacho confortável para santana, é provável que aquela porra se desintegre até às próximas eleições.

  3. Quem ficou a ganhar com isto foi o leader paralamentar do PSD. O rapaz apoiou o Santana, já sabia que ia perder e conseguiu a oportunidade para se ver livre do cargo. Chamem-lhe burro !

  4. Excelente. A pouco e pouco a política portuguesa regressa ao arco da decencia. A direita institucionalista, não oportunista, patriótica, com visão para o país superior ao casuismo das manchetes dos jornais dos jotinhas, passa a ter em quem votar.

  5. É verdade que têm Sócrates mas cada vez menos apesar de martelarem e martelarem na personagem cada vez que linguarejam o que revela, apenas, que não têm nada de sério para apresentar à nação.
    Andam para aí uns livros que, esses sim, embora com nomes de autor são escritos por cabritas e cabritos que fizeram copianço da trampa com que o “cm” e “sol” cagaram diariamente nas páginas durante anos.
    Titularam esses dejectos de “julgamento do regime” para falarem de Sócrates e tentar ganhar mais uns cobres chafurdando na caca que depois atiram aos olhos do pagode a quem já enganaram vendendo-lhe a brutal corrupção do cavaquismo e sua escola de milhares dos seus bons alunos e derivados como sendo de uma só pessoa.
    E a Joana foi co-autora da narrativa que tenta fazer se Sócrates o sacrificiado em nome da catarse do altamente corrupto país do cavaquistão. É por isso que a Joana face à sua não continuação se tornou imediatamente um caso político e, como de costume, quem faz mesmo do caso caso político tenta vender a ideia que são outros que o fazem.
    Contudo, para qualquer pensante lógico, é evidente que a defesa acirrada da recondução da Joana, essa sim, tem um significado político ideológico preciso. O contrário, a não recondução, é a normalidade que a revisão da constituição introduziu e foi desde então o normal indiscutível aceite sem discussão de qualquer parte.
    Com Rio talvez percam um apoio oportunista a Joana e deste modo ficam sem gente de poder e poder discricionário sem escrutínio para continuarem a promover e vender a narrativa que faz de Sócrates o dono da fabulosa herança da miríade de corruptos do cavaquismo.
    Do cavaquismo cujo símbolo emblemático de corrupto é o Durão que, poucos meses de sair da presidência da UE, foi proibido de entrar em instalações da própria UE que acabara de chefiar.
    Eles sabiam todos mas, como por lá também a maioria anda ao mesmo calaram-se, contudo à primeira oportunidade fecharam-lhe a porta ao gatuno.

  6. viva o Rui! viva o Rio! sor( rio) por ganhar o Rui com apelido de águas fortes que desaguam no mar da democracia. viva! :-)

  7. Lucas Laluxo, Joaquim Camacho, Jasmin e parte de José Neves, nada mais de interessante a comentar.
    Bom 2018 para a verdadeira Aspirina B.

  8. Estátua de Sal, não queimes o Valupi!
    (lê os posts e não digas nada, please, que o tipo está a tentar deixar de andar com más companhias…
    conselho de amigos, os meus pelo menos)

  9. Bem visto, e quantas almas foram suficinetes para o Costa tomar de assalto o PS? 72,961 contra os 38,800 do Seguro. Uma enormidade bem se ve.

  10. O prefeito para a congregação da fé e canonização de Sócrates escreve uma série de calinadas .
    Nem vale a pena perder muito tempo a rebater, toda gente conhece os factos.
    Desde logo, Rio, vencedor, não se aproveitou do caso Sócrates . E o mesmo se poderá dizer de Santana .
    A direita não tem um projecto político ?
    Então tudo o que está vertido no panorama político actual, desde o anterior consulado ( Passos/Portas ) e, exceptuando peanuts ( a devolução parcial dos rendimentos, um eufemismo para salários e pensões em atraso no sector público ) o que é, senão um projecto político, aliás, intocado, e, para durar ( imposições de Bruxelas por força dos tratados, e receitas da Troika ) ?
    Na verdade, Costa muito pouco ou nada poderá fazer, para reverter as malfeitorias que estão à vista de todos, resultado da opção ideológica da direita, avalizada por Bruxelas e o consenso financeiro internacional .
    Costa reverteu o exacerbamento do precariado, reveu a legislação do trabalho, rectificou as leis sobre imobiliário e arrendamento, a politica florestal, etc., etc. ?
    Que eu saiba não. Não o pode fazer .
    Ora, a direita, esta, pura e simplesmente, não quer .
    Portanto …

  11. Rui Rio tem enfim todas as condições para ser o heróico Coveiro do cavaquismo e, em útlima análise, do próprio psd “as we know it” (até porque, em boa verdade, nunca houve outro, tirando a ASDI e, de certa forma, o PRD…).

    Força na picareta, pá!

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