Bela merda, ó Financial Times

O que aconteceu no Presidents Club é tragicamente hilariante. Durante 33 anos, um grupo de maduros com dinheiro para esbanjar doar passava uma noite num hotel de luxo onde se realizava uma angariação de fundos para causas sociais. Aquilo metia comezaina, bebedeira e a mistura de homens poderosos e influentes com mulheres atraentes e simpáticas. Toda a minha gente sabia ao que ia, a rapaziada para se divertir com amigos passados ou futuros em ambiente de bacanal, as raparigas para trabalharem naquele ambiente, com ou sem gosto pela função contratada ou funções outras que quisessem desempenhar (não sabemos nem temos de saber nada a respeito desta parte que extravasava o acordo com a entidade que lhes pagava pela sua presença). Caso as senhoras não gostassem do alvoroço, podiam ir embora quando quisessem e roubar uns croquetes para se vingarem. Em 32 anos ninguém se queixou, aparentemente, nenhuma lei foi infringida, supõe-se, e muito dinheiro foi assim conseguido para fins socialmente valiosos. Neste ano, o Financial Times resolveu dar cabo da reinação.

O relato que a jornalista infiltrada faz é vexante, concordo, só que não para os homens assim retratados. Os apalpões, as mãos por dentro da roupa, os convites ou pedidos para se enfiarem numa cama e até a exibição de um pénis por algum taralhouco são comportamentos e atitudes correctos, esperados e bondosos naquela situação. Porque a situação tinha essa razão de ser: o seu sucesso, a angariação de fundos, dependia do seu método, motivarem os convidados com álcool e mulheres sexualmente apelativas e disponíveis num qualquer grau para se consumar a manipulação dos machos presentes e suas contas bancárias. A reunião dos desinibidores químicos e hormonais com a pulsão competitiva para fins beneméritos parece-me uma fórmula irrepreensível seja qual for o critério de avaliação. O que fica como vexante é a consequência mais importante deste oportunismo jornalístico: muito dinheiro que era assim desviado dos ricos para acudir aos pobres irá parar a outros ricos. Ou seja, aquela mesma rapaziada não vai deixar de ser quem é, não vai deixar de fazer o que sempre fez, vai é mudar de poiso. E não consta que seja difícil voltarem a frequentar hotéis de luxo com comidinha da boa e boas prontas a serem comidas, com copos cheios e quartos vazios. Deixam é de ter a chatice, quiçá o supino gozo, de brincar aos filantropos no 53 Park Ln, Mayfair, Londres.

6 thoughts on “Bela merda, ó Financial Times”

  1. espero que a indenminização por terem violado o acordo de confidencialidade seja seja astronómica. quer dizer , assinam um acordo desses e nao sabem para o que vão ? lingerie preta ? era óbvio que era para mostrar . putas arrependidas é do pior que há.

  2. assédio? qual assédio? se só vai quem quer, e sabe ao que vai, é trabalho se for pago e é diversão se por mero prazer. e se é para ajudar os outros, haja quem se faça render. :-)

  3. Infelizmente, receio que o post não seja ironico. Portanto, em traços largos, o que estas a dizer é que não ha problema algum com o lenocinio (no nosso codigo penal, artigo 169), desde que a intenção seja angariar fundos com finalidades elevadas e que haja garantia que o dinheiro chega mesmo aos necessitados…

    E’ isso, ou escapou-me alguma coisa ?

    Boas

  4. mas quê, se te convidarem para uma festa para angariação de fundos com code dress trusses pretas de cabedal e pudendas rapadas tu vais enganadinho, encantado, seduzido e seguro a essa fonte, joão viegas? :-)

  5. ò biegas, se essa porra é lenocínio, bora lá fechar o centro de amesterdão ou isso é classificado actividade turística?

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