Basta pensar

Depende da máscara e para quê. A da fotografia, como todos devem saber, é uma máscara cirúrgica. Ou seja, para os cirurgiões, num bloco completamente esterilizado, não expelirem eles próprios qualquer microorganismo, uma gotícula que seja e na maior parte dos casos com o corpo do paciente aberto, directamente para o organismo do paciente. E no fim lixo. Portanto nem de longe nem de perto foram concebidas para impedir inspirar o que quer que seja. Mas da maneira que eu as tenho visto usar pelas ruas em Lisboa, algumas quase castanhas, garantem de certeza aos utilizadores que nunca vão inspirar o vírus sozinho. Mas com algumas bacteriazinhas deve ser muito mais saboroso. Até já as vi guardar nos bolsos para depois voltar a colocá-las. Como julgo que já escrevi noutro espaço, nem consigo imaginar maior foco de infecção que andar a reutilizar este tipo de máscaras. E qualquer pessoa com cérebro que já tenha manuseado este tipo de mascaras percebe logo o que acabei de escrever. E por falar em manusear, outra atitude inteligente que tenho visto é a forma como retiram ou colocam as máscaras. Sempre pelos elásticos? Nem pensar. Mas também há realmente máscaras feitas para respirar. Ou para não inspirar partículas como os pintores na construção civil. Vulgo 3M. Mas como julgo que já corre campanha na RTP, só devem usar máscaras pessoas com alguns sintomas, no sentido de protegerem terceiros, de qualquer gotícula expelida. E nunca terceiros sem qualquer sintoma. Da minha parte, nem quero imaginar os problemas que vêm por aí do mau uso das máscaras. Infecções bacterianas, do foro respiratório e não só. E o uso das luvas por tudo e por nada não é menos curioso. Ainda ontem vi não sei quantas senhoras na rua com luvas de lavar a loiça, vários números acima, todas enrugadas. Que mais tarde ou mais cedo também passam pela cara. Basta pensar qual das superfícies será mais fácil desinfectar. As mãos lisas ou…. Só alguns dos efeitos secundários do pânico mais perigosos.


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19 thoughts on “Basta pensar”

  1. Itália já conta mais vitimas mortais que um continente como a China?!?!?!?! Itália! No seio da UE! Não é em África nem na Síria! É em Itália. Onde está a Comissão Europeia? Onde está a UE? Há médicos italianos a fazer apelos desesperados na net como no 3º mundo… Esta merda já ultrapassa qualquer inoperância que cada um pudesse imaginar. Absolutamente vergonhoso! E mais uma daquelas que ficará com toda a certeza na história da Europa.

    E desengane-se quem pensa que tem remédio. Deixaram começar duas guerras mundiais quando ainda havia políticos a sério e os problemas valiam realmente a pena, como a terra e os recursos. E agora nem com uma coisa tão simples como o dinheiro, como nós tão bem sabemos, se conseguem entender. E o pior é que acabarão todos por pagar de uma maneira ou outra. Como sempre. Se no fim de Fevereiro, já depois de assistirmos a Wuhan, numa UE ainda com pouquíssimos casos, já não estivessem todos a olhar para o umbigo e a fazer contas aos próprios recursos, tinha-se feito do norte de Itália todo um enormíssimo hospital de campanha. De um dia para o outro.

    Norte de Itália, onde todos já tinham percebido o que aí vinha e onde a UE podia perfeitamente ter atenuado a catástrofe que conhecemos hoje. Comissão Europeia de onde até saiu curiosamente a Alta Representante Mogherini mas entrou Gentiloni para a Economia. A Comissão da Úrsula e do Dombrovskis. Hoje com uma cipriota na Saúde e um esloveno na Gestão de Crises. A quem imagino que todos os italianos, nesta fase até já mais do que ao próprio desgoverno, também têm muito a dizer.

    Absolutamente extraordinário foi como a UE conseguiu sair do papel. Mas até isso infelizmente tem uma explicação simples. Depois da destruição toda em que deixaram um continente inteiro a arder. Duas vezes.

  2. As máscaras cirúrgicas, mesmo não sendo apropriadas, são eficazes em 40% – nada mau e alguma proteção conferem, para o próprio e para os que o rodeiam. Não vejo como possa ser totalmente irrelevante o uso destas máscaras.
    As máscaras FP2 impedem praticamente na totalidade a inalação de viriões de coronavírus. embora, como é evidente, não impeçam o contágio pro via ocular.
    As autoridades de saúde chinesas obrigaram desde o início do surto todos os cidadãos a usar máscara e vendiam-nas em máquinas espalhadas pelas cidades – serão idiotas?
    A China conseguiu conter o vírus com quarentena imediata e uso de máscaras na via pública. São conhecidas as imagens de cidadãos a levar exemplar e merecidíssima porrada das autoridades por não usarem a máscara.
    Nós aqui demorámos na quarentena, que nao é sequer total neste momento, vendemos todas as máscaras à China (perguntem a qualquer fornecedor de material de segurança e saúde no trabalho o que aconteceu aos respetivos stocks de máscaras FP2 nos meses de janeiro e fevereiro), não tendo sequer para os profissionais de saúde.
    Face ao que antecede, os números na Europa são, quer em termos absolutos, quer em termos relativos à população, muito superiores aos da China e não estamos sequer com metade do caminho percorrido até ao pico da epidemia.
    Espero que assim fiquem com uma noção mais clara do atraso mental/traição da governança nacional e europeia.

  3. Colado com cuspo:
    Comentário bem colado.
    Temos visto na TV uns tantos países onde os cidadãos circulam com máscaras tipo cirúrgicas.
    Por exemplo na Coreia do Sul em grande escala. Devem saber o que estão a fazer.
    Portanto, parece avisado usar máscara.
    Será que o discurso oficial rendeu-se ao facto de não haver máscaras disponíveis e por tal não poder recomendar o seu uso?

  4. a Itália ultrapassa a China em numero de mortos posto que é dos países com uma maior esperança de vida. se olharem para as pirâmides demográficas da China e Itália verão que as percentagens de população idosa ( a mais afectada e a que morre) não tem nada a ver . a esperança de vida na China é 76 anos , na Itália é de 83.1 anos.

  5. Eu mesmo: sim, a coreia do sul, o japão e singapura tomaram medidas muito rápidas e intransigentes quanto à distribuição e uso de máscara – aliás, a coreia cedo proíbiu a sua exportação. Estes países, apesar de altamente populosos e afetados antes da Europa, registam hoje números de contágio modestos.
    Portugal, pela positiva e talvez por ter sido dos que mais cedo acordou nesta incompetente, desleixada e traidora UE, tem hoje um ratio de número de infetados por 100.000 habitantes dos mais baixos na Europa.

  6. nem percebo porque é que pessoal dos hospitais se queixa de falta de máscaras, se calhar estão a pensar operar os covides e têm medo de os infectar com gotículas de pês. num país de expertos em futebol que à falta de jogos comenta birulogia & pandemónius bora lá discutir se o qrcode provoca o cancro e atenta contra a liberdade de propagar o vírus ou se o trump paga a claúsula de rescisão ao hoffenheim para ficar com o curevac.

    “Como julgo que já escrevi noutro espaço, nem consigo imaginar maior foco de infecção que andar a reutilizar este tipo de máscaras.”

    esse é que é o problema, não te lembrares onde espalhaste a imbecilidade e quem infectastes. os chineses usaram todos os tipos de máscaras que conseguiram arranjar e grande parte delas foi reutilizada porque não havia material para luxos corporativos dos empata-fodas habituais que estão de baixa ou em greve quando mais são precisos.

  7. “… a coreia do sul, o japão e singapura tomaram medidas muito rápidas e intransigentes quanto à distribuição e uso de máscara…”

    em portugal tamém, roubaram máscaras, luvas e desinfectantes nos hospitais públicos para vender no olx e o ministério público ficou calado, certamente para não prejudicar a investigação.

    https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/mascaras-roubadas-de-salas-protegidas-no-hospital-de-elvas

    https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-03-11-Mascaras-luvas-e-desinfetantes-roubados-de-hospitais-em-Lisboa-e-no-Porto

    https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/para-travar-aproveitamentos-olx-proibe-anuncios-a-mascaras-11893808.html

  8. Só para alguns comentários mais exaltados e mais reaccionários. Calma. Ai a China. Ai a Coreia. Mas alguém daqui foi à China ou à Coreia durante a pandemia? Na China, onde a pandemia chegou rapidamente a patamares aonde nunca chegou em Portugal, a pandemia foi combatida com isolamento e recolher obrigatório. Como todos também deviam saber.

    E aqui duas notas. Sobretudo por hábitos de vida como molhadas ou os famosos beijos italianos e não estou com isto a dizer piores ou melhores, estou só a constatar factos perante a pandemia. E a segunda nota para dizer que não quer dizer que nós próprios não cheguemos lá.

    Na altura em que se viam muitas pessoas na rua com máscaras cirúrgicas estava a pandemia em franca expansão. De resto, se os Srs. virologistas e epidemiologistas encartados aqui do Aspirina se sentem bem com máscara, força! Mas lembrem-se sempre que até os preservativos convém usar só uma vez. E que há briefings diários da DGS em Portugal.

  9. De volta à catástrofe italiana e como já se esperava, já veio a nossa representante no combate à epidemia de COVID-19 na Comissão Europeia, Sofia Colares Alves, tentar sacudir a água do capote. Infelizmente também foi nisto que a UE se tornou perita. Nisto e na expertise de eventualmente fazer um mea-culpa mais à frente.

    “Serve este artigo para explicar aos leitores que a UE, por muito surpreendente que pareça, não tem praticamente poderes nenhuns sobre as áreas da saúde nem do combate às epidemias: a Comissão Europeia não tem poderes para ditar medidas de saúde pública, não pode fechar fronteiras e obrigar as pessoas a ficar em casa.”

    E dirão alguns e ainda bem. Nada contra. Como se nós já não soubéssemos todos na União hibrida em que infelizmente a UE também se tornou. Sempre com mais olhos que barriga – devido ao poder exercido por determinadas nações – nas questões do alargamento a países que nem de longe nem de perto reuniam condições de integração – até em detrimento de outros estados membros – em vez de tentar resolver primeiro alguns problemas de aprofundamento da própria integração, até à data completamente irresolúveis no seio da própria UE.

    Desde questões reais de solidariedade como na última crise financeira ou se preferirmos e como diz Merkel, crise bancária a uma maior homogeneização tributária ou até chegarmos todos realmente à tão famosa União Bancária, etc, etc, etc. Ou até o paradoxo de vermos uma Europa completamente envelhecida fechar a portas a uma emigração de que precisa como pão para a boca?! E com outro paradoxo prosseguiremos, pior que integrar o maior bloco económico do Mundo com tantos problemas, só não integrar.

    Infelizmente e a contradizer o artigo de Sofia Colares Alves temos o pormaiorinho que já é a própria Itália que anda a fazer pedidos desesperados ao Mundo inteiro há dias. E ou eu me engano muito e ainda não vai ser a UE a primeira emergência a chegar ao lugar da catástrofe.

  10. “Na China, onde a pandemia chegou rapidamente a patamares aonde nunca chegou em Portugal, a pandemia foi combatida com isolamento e recolher obrigatório. Como todos também deviam saber.”

    pois foi, mas disso só ouviste falar por alto. utilizaram tecnologia no controlo e rastreamento dos infectados (qr code), máscaras que na grande maioria dos casos foram recicladas com pulverização de alcool, luvas, muita paciência e algum desepero. tudo cenas que negas e não entendes por seres papagaio da corporação que deu baixa, faz greve ou reclama máscaras “Basta Pensar” que só funcionam para protecção de enfermeiros ou médicos.

  11. ” Na China, onde a pandemia chegou rapidamente a patamares aonde nunca chegou em Portugal”

    Portugal tem muito mais pessoas infetadas por 100.000 habitantes do que a China, mas de longe, nem tem comparação e temos menos de 1 mês desde que foi detetado o primeiro caso.

  12. Se fôssemos aceitar este tipo de argumentos, então chegaríamos à conclusão de que nenhuma medida de segurança é efetivamente segura. Por exemplo, um indivíduo pode lavar as mãos muito bem, logo a seguir pega na maçaneta da porta, a qual anteriormente foi pegada por um gajo que estava infetado, e pronto, volta logo a ficar com a mão com vírus. Uma vez que o vírus, potencialmente, se aloja em qualquer superfície para a qual é tossido ou espirrado, todas as superfícies no nosso ambiente estão, potencialmente, contaminadas.

    Portanto, é verdade que as máscaras não fornecem proteção 100% eficaz, tal como lavar as mãos também não fornece; mas sempre são um obstáculo ao vírus.

  13. Em última análise, a verdadeira proteção contra o covid-19 é uma e só uma: o nosso sistema imunitário. Quem tem um sistema imunitário bom, e treinado para o covid-19, safa-se bem; quem não tem, lixa-se.
    Essencial é portanto que, gradualmente, (quase) toda a população seja exposta ao covid-19, para que os sistemas imunitários de toda a gente fiquem treinados para esse vírus.

  14. O pateta do Boris Johnson também começou por equacionar a táctica de gerar imunidade de grupo. Parece que não se deu bem com a manada. Aliás, nesta fase da pandemia já alguém devia estar a equacionar a localização de um tribunal penal internacional para julgar a irresponsabilidade de baratas tontas como o Boris, bestas como o Trump e autênticos acéfalos como o Bolsonaro. Broncos irresponsáveis que gostam de brincar com o fogo não podem liderar populações inteiras.

  15. Pensava que alguns iam esbarrar na primeira nota: “Sobretudo por hábitos de vida como molhadas ou os famosos beijos italianos e não estou com isto a dizer piores ou melhores, estou só a constatar factos perante a pandemia.” Que era meramente pedagógica e profilática e assim não tenho de agradecer a ninguém. Eu já tinha escrito sobre a pandemia em Itália no primeiro post das máscaras e nunca me senti bem a bater em quem está no chão.

    A China foi a primeira nação a ter que lidar com o problema e depois de vermos o que se passa em Itália, se calhar até lidou muito bem com uma epidemia que ninguém esperava. Mas a China também não é uma Democracia, independentemente de todos os hábitos culturais que também intervenham. E por duas ordens de razão diferentes. Pelo poder do Estado junto das populações e pela fiabilidade dos números. Por mais que nesta fase até seja de louvar a partilha de dados, equipamentos e tudo. Num continente como a Rússia e longe de mim partilhar o trauma do Milhazes, também ainda não há praticamente vítimas mortais.

    Já em Itália, a 31 de Janeiro foram identificados os primeiros casos em dois turistas chineses de visita a Roma e só 22 dias mais tarde, a 22 de Fevereiro, foi confirmado o primeiro caso de contaminação interna. Ainda estavam a tratar pacientes com a gripe das aves e trataram inclusive uma série de pneumonias que nunca relacionarem com a pandemia. E desde esse dia que os números infelizmente nunca pararam de se multiplicar. As próprias autoridades italianas já admitiram que o vírus se espalhou durante algumas semanas sem ser detectado e que essa pode ser uma das razões que explicam porque é que os números italianos no que toca à covid-19 são tão altos. “No momento em que nos apercebemos [da doença], já existiam muitas cadeias de transmissão activas.” Confirmaram à Time.

    Basta comparar com Portugal, com os primeiros doentes todos identificados assim como as suas cadeias de transmissão, numa economia muito mais pobre. Julgo que não é preciso dizer mais nada e na primeira vez que referi a pandemia em Itália até me recusei a dissociar o actual problema dos quase 20 anos de populismo que já levam. Outra confusão que não deve ser feita no caso italiano é confundir taxa de mortalidade com taxa de letalidade. É esta última que assusta muito em Itália. Os números apontam para quase 10%. A Sky News ontem falava que por enquanto nos melhores hospitais o número de doentes tratados ainda era muito similar ao número de vítimas mortais. E para já sobre Itália também é tudo.

  16. “Depende da máscara e para quê.”

    pensei que era este o assumpto. afinal não queres discutir as falácias expostas em tom doutoral, o que tu queres é cagar opiniões diversas sobre leituras da time e cenas da sky.

  17. “Ainda ontem vi não sei quantas senhoras na rua com luvas de lavar a loiça, vários números acima, todas enrugadas.”

    uma cambada de badalhocas, nem passam as luvas a ferro.

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