Asco

Local: SIC Notícias
Data: 16 de Abril de 2009
Hora: 21.50 (mais minuto, menos minuto)
Programa: JORNAL DAS NOVE
Protagonistas: Mário Crespo, António Seguro, Ângelo Correia
Tipologia: Decadência exibicionista
Relato: Crespo interrompe à pressa a discussão sobre os modos de combater a corrupção, o tempo está a acabar e ele quer ainda introduzir um último tema. O facto de Mário Cristina e Francisco Gandarez terem sido ouvidos como testemunhas no processo Freeport. Seguro faz um silêncio e responde devagar, que nada há para dizer. Silêncio. Crespo percebe que a bala acaba de rebentar no cano. Seguro repete que nada há para dizer pois o processo está a decorrer e todas as ocorrências são normais. Crespo afirma que também nada tem para dizer, mas daquele modo canalha que tanto pode ser súbito rebate de consciência como cínica ironia. Passa a bola para Ângelo Correia. E ouve o mesmo. O que, por ser exactamente o mesmo, é já uma outra coisa. Que nada há para dizer. E Ângelo, no melhor momento que lhe recordo, de longe e de sempre, avança. Que é um excelente sinal não estarem a sair notícias, nos últimos dias, sobre o que acontece nos bastidores da investigação. E que esperava que nada mais se soubesse até o processo estar concluído, pois é nesse silêncio público que o apuro da verdade deve ocorrer. Crespo defende-se, diz que todas as informações que aparecerem, sejam elas quais forem, serão noticiadas por ele na SIC, pois essa é a sua missão como jornalista. E é aí que Ângelo, demoníaco, não perde tempo em levar a espada à altura do ombro, termina a faena com golpe certeiro no coração da besta. Diz que o problema até pode nem ser dele, Mário Crespo, mas seguramente será de quem lhe passa essas informações que pervertem o normal andamento da Justiça. Crespo já só consegue balbuciar que isso é que seria, realmente, um assunto interessante a tratar ― assim revelando que, mesmo ferido de morte na sua cidadania e deontologia, continuava o irrecuperável crápula que agora todos reconhecem ser. Perdão: todos, menos o Medina Carreira.

27 thoughts on “Asco”

  1. Perdi essa, meu. Mas dava dez euros para não ter perdido.

    Vou mandar fazer uma t-shirt com esta: EU ZAPO O CRESPO.

  2. Às vezes gosto do Ângelo Correia. É a única pessoa no PSD que parece pensar antes de falar, os outros são robots sectários.

  3. Afinal quantas vidas tem o Mário Crespo?

    Depois de ter ouvido as entrevistas, relativamente próximas no tempo, ao Alberto João Jardim e ao Pedro Silva Pereira, para mim morreu definitivamente.
    E eu que até… suportava ouvir o homem, agora… repugna-me. Asco, nem mais nem menos Valupi.

  4. Uma coisa que começou com uma carta nónima não pode dar nada… Eu, pelo menos eu, não dou nada por isto. Quanto mais eles afiam as garras menos isto dá.

  5. Foi efectivamente assim, muito bem visto, muito bem descrito. Mas já não é a primeira vez que ele passa momentos destes. Só que não tem vergonha na bolacha, esse Crespo. Em primeira análise diria que desprestigia a classe. Mas nem isso, são quase todos assim. O Alberto João apelidou-os de “bastardos”…
    Vejam só um tal Madureira, servilmente instalado na prateleira onde aparentemente vai vendo o tempo passar…. (com vídeo no site da SIC)

  6. Pois é Val, também tive a honra de assistir a esse momento antológico do interrogador Crespo. O citado já tinha também exibido os seus dotes frente a Alberto Martins no dia anterior sendo lidado a preceito. No seu afã destruidor não souberam, a volúpia pelo esgoto foi mais forte do que eles, parar a tempo para talvez obter resultados, execederam-se, carregaram demasiado nas tintas. Penso que o efeito vai ser precisamente o contrário.

  7. Valupi: ontem contaram-me, de fonte segura, que o caso freeport é um fait-divers para obliterar o caso BPN, esse sim um buracão que abocanha os dinheiros públicos numa escala inimaginável, cheio de tubarolas ao barulho.

  8. Bravo Z…

    tenho vindo a dizer, escrever, isso…

    nisto tudo
    para além do asco do MC

    minha opinião

    o que está em causa neste momento
    é o Conselho de Estado
    pela via da nomeção do novo Provedor

    e as próximas presidenciais…

    por isso
    estas guerras todas

    que passam por legislativas

    que deverão ter
    penso
    destino e ganhador marcado..

    abraço todos

  9. pois eu reparei Aires, e vais ver que lá no fundo são as reservas de ouro de Portugal, a 13ª ainda é um bom score – olha, entretanto, vamos dar uma volta por aqui, para desanuviar,

  10. Mais asco. Mário Nogueira da fenprof afirmou em reunião com o Ministério da Educação “já será positivo se a luta dos professores contribuir para que o próximo governo não tenha maioria absoluta”.

    Já sabíamos, Mário. O que vos move não são os superiores interesses dos professores e da educação mas sim o condicionamento eleitoral e a partilha de poder, seguindo o velho e eficiente princípio de dividir para reinar. Estás a querer partir o bolo, vê lá, não te calhe a fava.

    Corporativismos balofos são o que menos falta neste país.

  11. interessante, não? Tenho a confessar a ‘inconveniência’ de que sempre me dei bem com este homem, mesmo tendo eu sido do Bloco, tudo o que combinámos e envidámos esforços conjuntos para que acontecesse – o centro de saúde para ali, o ecoparque para acolá – aconteceu, estão lá.

  12. o dinheiro sumiu, quem o fez desaparecer diz que foi para pagar a socrates.
    Mas socrates é inocente até que se prove que recebeu o dinheiro.
    É portanto preciso seguir o rasto do dinheiro. Dinheiro vivo… como se segue o rasto de uma nota de 100 euros?

    O dinheiro sumiu, o tipo que o fez desaparecer cometeu um crime. Se pagou para subornar é corruptor, se não pagou é ladrão. No entanto ele nega ter corrompido, prefere passar por ladrão… giro, não é… porque será que ele prefere vestir a pele de ladrão a de corruptor forçado?
    Talvez porque acima dele não o acusem de ser ladrão… talvez porque saibam que não é.

    Não há provas. Nunca as haverá. Não há cão perdigueiro capaz de seguir o rasto de uma nota de 100. Entretanto socrates, o caluniano, o senhor engenhairo, desenhadore de belas obras primas, um eficaz ministro que neste caso apareceu em reuniões em que nunca aparecia, mas enfim, havia pressa e era preciso os funcionarios despacharem-se… estava de saida… será reeleito PM. Talvez, esperemos pela dinamica das eleições. Mas não terá maioria.
    Teremos é novas eleições em 2010.

    Mas por via das duvidas temos a lei do ajuste directo:
    http://blasfemias.net/2009/04/17/ajuste-directo-4/

    tambem podia chamar-lhe lei da corrupção generalizada.

  13. Mas ainda há quem ligue a “crespices”….e outras do género. Queda vez que dizem uma verdade, cai-lhe um braço….

  14. A justiça em Portugal parece-lhe confusa?

    Não faz ideia porque é que todos os processos que envolvem pessoas
    importantes acabam sempre em regabofe?

    Diga não à desorientação! Em apenas 20 passos, eis o guia ideal para
    entender todos os casos que em Portugal começam com a palavra “caso”:

    1) Os jornais publicam uma notícia sobre qualquer pessoa muito importante
    que alegadamente fez qualquer coisa muito má.

    2) Essa pessoa muito importante considera-se vítima de perseguição por parte
    de forças ocultas.

    3) Outras pessoas importantes vêm alertar para o vergonhoso desrespeito do
    segredo de justiça em Portugal, que possibilita a actuação de forças
    ocultas.

    4) Inicia-se o debate sobre o segredo de justiça em Portugal.

    5) Toda a gente tem opiniões firmes sobre o que é preciso mudar na
    legislação portuguesa para que estas coisas não aconteçam.

    6) Toda a gente conclui que não se pode mudar a quente a legislação
    portuguesa.

    7) A legislação portuguesa não chega a ser mudada para que estas coisas não
    aconteçam.

    8) As coisas voltam a acontecer: os jornais publicam notícias sobre essa
    pessoa muito importante dizendo que ainda fez coisas piores do que as muito
    más.

    9) Outras pessoas importantes vêm alertar para o vergonhoso jornalismo que
    se faz em Portugal, que nada investiga e se deixa manipular por forças
    ocultas.

    10) Inicia-se o debate sobre o jornalismo português.

    11) Toda a gente tem opiniões firmes sobre o que é preciso mudar no
    jornalismo português.

    12) Toda a gente conclui que estas mudanças só estão a ser debatidas porque
    quem alegadamente fez uma coisa muito má é uma pessoa muito importante.

    13) Nada muda no jornalismo português.

    14) Enquanto o mecanismo se desenrola do ponto 1) ao ponto 13) a justiça
    continua a investigar.

    15) Após um período de investigação suficientemente longo para que já
    ninguém se lembre do que se estava a investigar a justiça finaliza as
    investigações e conclui que a pessoa muito importante: a) Não fez nada de
    muito mau. b) Já prescreveu o que quer que tenha feito de muito mau. c) É
    possível que tenha feito algo de muito mau mas não se reuniram provas
    suficientes. d) Afinal o que fez não era assim tão mau.

    16) Pessoas importantes que são amigas dessa pessoa muito importante
    concluem que ela foi vítima de perseguição por parte de forças ocultas.

    17) Pessoas importantes que não são amigas dessa pessoa muito importante
    concluem que em Portugal nada acontece às pessoas muito importantes que
    fazem coisas alegadamente muito más.

    18) As pessoas citadas no ponto 17) iniciam mais um debate sobre a justiça
    em Portugal.

    19) As pessoas citadas no ponto 16) iniciam mais um debate sobre o
    jornalismo em Portugal.

    20) Os jornais publicam uma outra notícia sobre uma outra pessoa muito
    importante que alegadamente terá feito outra coisa muito má. Repetem-se os
    passos 1) a 19).

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