Apologia da liberdade

Creio que não há registo de Sócrates ter proferido em público alguma difamação ou calúnia enquanto foi dirigente do PS e governante – e isto apesar dos permanentes ataques e violentações selvagens de que foi alvo. Se houver, peço que me corrijam. Também não há registo de Sócrates ter recorrido a tácticas moralistas e populistas onde quisesse aparecer como “humilde”, “modesto”, “pobrezinho”, “chefe de família”, “cristão”, “sério”, “honesto”, “incorruptível”, “bonzinho”. Pelo contrário, tinha a ousadia de querer ganhar debates no Parlamento e na comunicação social defendendo as suas propostas políticas com ímpeto guerreiro, de aparecer com fatos caros (ou assim diziam os cães que ladravam, que por mim não faço a mínima ideia de quais sejam os preços nesse mercado) e de fazer férias em hotéis de luxo. Era visto com frequência nos melhores restaurantes de Lisboa. Gastava dinheiro a comer, a vestir e a passar férias; e não se importava de ser visto a fazê-lo, para gáudio dos pulhas que lhe mandavam tiros ao carácter. Uma loucura o que aquele gajo fazia com o dinheiro, portanto. Incrível, um estroina do pior. Corolário destas características, igualmente não havia um culto da personalidade de Sócrates no PS. Liderança forte sim, culto da personalidade não. Mas havia um culto da personalidade de Sócrates, em modo diabolização, à volta do PS, em especial na direita. O impacto sociológico e político de Sócrates na direita portuguesa dá para várias investigações em diferentes disciplinas ao longo de muitos anos. E também para hilariantes gargalhadas.

Com a “Operação Marquês”, colocou-se em cima da mesa, como nunca antes se tinha conseguido fazer, a balança que iria pesar a integridade de carácter de Sócrates (pelo menos). Ele chegou a esse processo sem ter sido sequer alguma vez arguido nos diferentes casos onde o seu nome apareceu referido judicial e mediaticamente. Pelo que, ao se deter e prender Sócrates, a Justiça estava a garantir ter recolhido provas suficientes de algo que ficaria como uma mancha indelével na sua biografia, no seu percurso político e no seu carácter. Restaria só descobrir o tamanho dessa mancha. Para Sócrates conseguir sair impoluto do caso, a Justiça teria de ter cometido erros colossalmente grosseiros ou estar ao serviço de uma pura perseguição política. Ora, ao admitir parte das suspeitas inerentes à “Operação Marquês”, o facto de ter usado para os seus gastos pessoais dinheiro que era de um amigo na forma de empréstimos ou dádivas, Sócrates validou a abertura da investigação judicial. E, no plano moral, ficou sujeito a legítimas repreensões de vária monta e origem, inclusive do seu partido e de apoiantes de longa data. Na prática, e independentemente do quadro psicológico que o levou a escolher essas opções ou do desfecho judicial do caso, Sócrates mostrou que preferia o usufruto do conforto material e vivencial possibilitado pela amizade com Santos Silva à realização de um destino político que ainda poderia ter muito para lhe dar. Nesse sentido, Sócrates foi desleal para com a cidade mesmo que o caso acabe sem que venha a ser culpado de crimes de qualquer ordem. É que a ele, na sua posição e com a sua tarimba, não se admite que ignorasse as consequências de vir a ser apanhado neste rol de suspeitas e neste impacto político que a sua condição de arguido como suspeito de corrupção provoca no PS e na democracia. E a probabilidade de vir a ser apanhado era altíssima.

O texto da Fernanda Câncio, “O processo Marquês e eu”, veio aumentar o peso da irresponsabilidade de Sócrates nesta dimensão das suas finanças, porque revelou aspectos da sua relação privada com alguém da sua maior proximidade que ficavam como agravantes danosos para a avaliação do seu carácter. Embora a Fernanda tenha tido precisão cirúrgica na exposição do que estava em causa, o que estava em causa consolidava, ou até cristalizava, uma imagem negativa na opinião pública a respeito de Sócrates como político e como pessoa. Registe-se que Sócrates não desmentiu o texto, pelo que não temos qualquer razão para duvidar do testemunho nele inscrito. As suas posteriores declarações onde volta a ligar a “Operação Marquês” a um suposto boicote à sua candidatura presidencial em 2016 também nada trouxeram de positivo à sua recuperação pública, pois exibem uma preocupante cegueira para as consequências políticas incontornáveis de ter tomado certas decisões privadas que não são compatíveis com o que consideramos adequado ao perfil de um Presidente da República. Isto é, mesmo que Sócrates tivesse razão quanto à existência dessa conspiração, e nada se conhece que permita suportar factualmente uma mera hipótese, continua a perder a razão ao não assumir a sua incompatibilidade para o cargo – pelo menos, enquanto candidato apoiado pelo PS – por causa da exótica forma do seu financiamento pessoal.

Por mim, é-me completamente indiferente para a avaliação do Sócrates político do passado o que se sabe actualmente a respeito do Sócrates privado desse mesmo passado ou do presente. Nada vejo de bizarro na situação de ter um amigo rico que lhe empresta ou dá dinheiro. Eu, que sou um pelintra, faço isso com amigos meus e espero deles que façam o mesmo comigo. Imagino que se fosse proprietário de dezenas ou centenas de milhões de euros, como consta Santos Silva ser, teria a maior liberalidade no uso desse dinheiro para com aqueles que pertencessem à minha intimidade, e não só. No fundo, ver a direita, e em especial os liberais de pacotilha, a babar-se porque Sócrates tem um amigo que faz o que lhe apetece com o que ganhou e é legitimamente seu só evidencia a decadência dessa mesma direita que nos calhou em azar. Outra conversa é a de se vir a provar qualquer tipo de actividade ilegal na origem desse dinheiro de Santos Silva ou no modo como Sócrates o recebeu e gastou – qualquer – pois isso, dada a importância política e histórica de Sócrates, transporta o caso para uma questão de regime. E obrigará o PS a ter uma resposta condizente com a desgraça. Porque será uma desgraça se tal acontecer.

Até ao desfecho do processo, deve Sócrates ficar calado e quieto? Não deve participar em eventos partidários ou políticos de qualquer tipologia? Nós estamos exactamente como no princípio do lançamento público da “Operação Marquês”, com um dos lados a garantir ter apanhado um dos maiores criminosos da História de Portugal e o outro a declarar ininterrupta e veementemente a sua completa inocência. É sabido que as prisões estão cheias de inocentes, no sentido em que há muitos presos com crimes provados que continuam a negar a sua responsabilidade. E também sabemos que os arguidos não têm a obrigação de ajudar na feitura da sua acusação. Esse é o papel do Ministério Público, um papel cheio de nódoas e buracos num processo que devia ter sido exemplar por boas razões e já é exemplar pelos crimes e abusos de poder que vai gerando a partir da Justiça. Não só Sócrates se tenta defender, e vai marcando pontos porque o que a sua defesa mostra vai alimentando as piores suspeitas sobre os procuradores responsáveis e sobre o juiz de instrução, como à sua volta há muitos camaradas e amigos que aparecem publicamente ao seu lado sem temerem a contaminação moral ou política. Neste sentido, e até como forma de homenagear Soares que teve no caso Sócrates um eventualmente último fôlego de combate político, o melhor será que Sócrates leve até ao fim a sua legítima pulsão de se afirmar inocente no espaço público. É essa a melhor forma de respeitarmos esse instituto chamado “presunção de inocência”. Se se revelar um logro, tal será somado à sua culpa. Se se revelar um escudo precioso do Estado de direito democrático, a liberdade terá sido servida.

É a liberdade que nos salva. Sempre e sempre.

188 thoughts on “Apologia da liberdade”

  1. Tanta prosa para chegar ao fim e não dizer simplesmente que a Ana Gomes é um LOUCA VARRIDA que deveria, ela sim, já ter sido posta fora do PS há muito tempo …

    E é engraçado como agora se nota um certo recuo (não me estou a referir ao Valupi) e se diz que “Sócrates tinha um amigo que lhe emprestava ou lhe dava dinheiro” quando antes não havia dúvidas que “o dinheiro era de Sócrates”. Muito interessante !

  2. [Valupi, li quase nada e estou a imprimir mas espero, sinceramente, que não sirvas a ementa de hoje].

    «A questão Sócrates pode ter, porém, mais desenvolvimentos. Ao que noticiou o jornal i esta manhã, o ex-primeiro-ministro tem vários eventos agendados nos próximos tempos que sugerem a preparação de um regresso político, a começar por um jantar restrito (esta quarta-feira) e a terminar num almoço de homenagem (no próximo sábado), supostamente para definir outras iniciativas públicas.»

    (copiado do P. online, sorry)

  3. Existe ai um equivoco, Socatres não disse que se ia candidatar a coisa nenhuma mas sim que foi essa a convicção do MP e que foi isso que levou à sua detenção.
    Um julgamento moral baseado em escutas ou fragmentos de opiniões e/ou conversas tem o mesmo valor que um livro do Saraiva. Curiosamente grande parte dos que o fazem a Socatres são os que condenam o Saraiva e ainda por cima muitos vivem nos media onde reina o maior nepotismo e a aviar pontos de rating grosseiros para o patrao. Por mim o caso não tem que ver com isso, nem foi isso que justificou a investigação, as escutas tinhan que ser feitas a ver se encontracam algo a q se agarrar, descobriram isto e pelos vistos continuam sem nada. Pura perseguição política.
    Quanto ao PS sempre foi um partido de coragem civica e não um sucedaneo institucional do mood das redes sociais. Liberdade, fraternidade e coragem.

  4. Igantz e Jasmin disseram.
    Gosto.
    Faz rir.
    Alivia mais que Aspirina B em certos momentos de recaídas :
    …à …cautela…
    Que se passa com o Dr. Mário Soares?

  5. VALUPI, É ISSO MESMO…. !…. E ESTÁ MUITO BEM EXPLICADO, DO PRINCIPIO AO FIM!

    É SÓ PORQUE O PAÍS ESTAVA CADA VEZ MAIS AFUNDADO NO LAMAÇAL DA COMIUNICAÇÃO SOCIAL, PAGA PELA DIREITA – E APROVEITADA PELA “VERDADEIRA ESQUERDA” – , QUE JOSÉ SÓCRATES FOI DERROTADO DE FORMA ABSOLUTAMENTE VERGONHOSA!
    NÃO ESQUEÇAMOS QUE O “VIRGEM PASSOS COELHO” VEIO DIZER QUE O PRIMEIRO MINISTRO NÃO O TINHA INFORMADO DAS NEGOCIAÇÕES COM A EUROPA…!!!… E ISTO É QUE NÃO SE PODE PERDOAR ! COMO É QUE O PAÍS ESQUECEU ISTO…!?! ENTÃO SÓ O JOSÉ SÓCRATES É QUE É MENTIROSO E ISTO E AQUILO DE AMBIGUO….!?!
    AGORA QUE O PS VIU CLARO QUE A ESTRATÉGIA A SEGIUIR É DE ESQUERDA E NÃO FANTOCHADA DE “TERCEIRA VIA” , . ..VAMOS A VER SE O BE E O PCP SE AGUENTAM NAS ESCARAMUÇAS ABERTAS TODOS OS DIAS NA MESMA COMUNICAÇÃO SOCIAL PAGA PELA DIREITA PARA ACABAR COM ESTA CAMINHADA DE ESPERANÇA!!!
    SÓ MAIS UM PONTO A SUBLINHAR – JOSÉ SÓCRATES TEM TODO O DIREITO A USAR DA PALAVRA ONDE MUITO BEM LHE APETEÇA… DENTRO OU FORA DO PS!

  6. Até hoje ainda não compreendi qual o montante envolvido nos empréstimos/
    dádivas do amigo? Serão 250, 500 mil 1, 2 ou mais milhões de euros, desde
    quando? O que para o caso nada interessa pois, o que tem muita importância
    é saber se houve favorecimentos, dinheiros públicos ou mesmo corrupção???
    Se fosse por julgamento de natureza moral, todos têm telhados de vidro, basta
    aprofundar o BPN quantos andaram a comer? Não era o DDT que convidava
    montes de jornalistas para longos fins de semana em Nova Iorque e outros
    apetitosos destinos, sem falar nas férias navegando no iate, das semanas em
    Angra dos Reis lá no Brasil … tudo por mera amizade qual o problema?
    Basta de puritanismos ainda por cima falsos, como é o caso da Pluma Caprichosa
    quanto à velha MRPP infiltrada no PS é melhor que prove as acusações contra
    o Branco que anda a guiar e, deixe de ser desbocada, acabava por perder sempre
    contra o Amorim gordo valete do Relvas, vice da bancada do PSD e especialista
    em ADN’s dizia ele quando se babava no DN e na RTP a atacar o José Sócrates!
    Hoje, foi anunciada a descoberta um fuga de mais um “off-shore”, contam o nome
    de 28 portugueses … será que, é desta que está lá o desejado nome? Para já só
    se conheceu o nome de uma antiga comissária europeia com uns milhões!!!

  7. São as raparigas do Bloco a falar demais e o Jorge Jesus uma língua de trapo.
    Mas este vá que não vá!

  8. Joe Strummer, estou curioso: como é que Sócrates descobriu que foi essa a convicção do MP? Terá ouvido tal justificação do Rosário Teixeira? Explica lá o teu pensamento.

  9. “… como é que Sócrates descobriu que foi essa a convicção do MP?”

    o ministério público não tem convicções, os procuradores cumpriram ordens: prender o gajo e acusá-lo de corrupção. conseguiram fazer o mais fácil, prender. a acusação foi subcontratada ao mahólas. foi preso 14 meses antes das eleições presidênciais, no período de escolha dos candidatos e quando o sócras tinha um programa na rtp onde semanalmente afrontava a direita, dava cabo do juízo ao cavaco e fazia concorrência ao marcelo. a direita estava em pânico com a hipótese do sócras se candidatar, conferir na imprensa da época os abaixo-assinados que o queriam calar e as mães-de-bragança que não dormiam descansadas enquanto ele andasse por aí. agora o ministério público tem que explicar porque é que prendeu, quem é que mandou e em vez de respostas temos o saloio de mação a dizer que não ganha para as despesas e o ró-ró do caralho com mais uma fézada-agora-é-que-o-apanhei-quero-mais-seis-meses, não há uma ministra da justiça, um primeiro-ministro ou presidôncio que ponham termo a esta bandalheira. culpados deve haver e aos molhos, mas só assinam a declaração de culpa a troco de qualquer coisa, no dia em que forem entalados.

  10. Joe Strummer: «Existe ai um equivoco, Socatres não disse que se ia candidatar a coisa nenhuma mas sim que foi essa a convicção do MP e que foi isso que levou à sua detenção.»

    Pssst, já alguém se esqueceu que a espectacular detenção se deu exactamente na véspera de uma importante eleição no PS?…

    Não é que não existam coincidências aleatórias, mas a sobreposição das puras coincidências e conveniências de calendário, repetidas no processo Marquês, é de tal ordem que deve suscitar alguma reflexão.

  11. ai! que lindo texto! que me faz, cada vez mais, apaixonada pela liberdade. foi contigo, Val, que aprendi a descobrir a liberdade. verdade.

    um texto assim isento e factual, amoral e amoroso – sim, porque também é na liberdade que damos que sabemos o que valemos em nossa consciência – devia ser desmontado para burilar ideias logo no ensino secundário. fica a sugestão. :-)

  12. Valupi, não sei como descobriu, só ele o pode dizer, nem sei se “convicção” foi a palavra utilizada, nem isso interessa para o caso. Sócrates nunca disse que pretendia ser candidato, facto.
    Agora se olharmos para o timing dos processos anteriores e o caso das escutas com a participação de um magistrado, sempre sem resultados, e este caso de prisão sem provas quando se disponibilizou antes para prestar declarações e mais a prorrogação do prazo que vai cair em cima das autarquicas…pode-se deduzir qualquer coisa do género, não?
    Nao é Sócrates que está obrigado a estar certo, a Justiça é que não pode errar desta forma e continuar a manter o veu de ignorancia.

  13. “As suas posteriores declarações onde liga a “Operação Marquês” a um suposto boicote à sua candidatura presidencial em 2016 …”

    Valupi,

    A menos que tenhas conhecimento de declarações de Sócrates a admitir candidatar-se à PR, as considerações que desenvolves na sequência da tua frase que colo ali em cima são completamente abusivas.

    No mais não me parece que o teu texto contribua com algo de novo para o que tem estado em causa, até porque pouco dizes sobre o maior calcanhar de Aquiles deste processo: se JSócrates foi corrupto enquanto PM, teria de ter havido muito mais gente no governo e na administração pública envolvida no processo. E sobre isso ninguém diz nada.

  14. Depois de ler o texto duvidei que tivesse lido bem o titulo. A prosa que nos é apresentada tem muito mais a ver com a apologia da santidade do que da liberdade. Ela sugere que a liberdade das pessoas politicas deve ser diariamente sujeita a um exercício de auto-censura hipócrita, de modo a que cada um deles se assemelhe aos estereótipos valorados por uma pseudo-moral bacoca, e não ao comum dos mortais. Qualquer pelintra admite sem rebuço que empresta e pede emprestado. Mas o vulgo pode fazé-lo, pois não é “politico” . Para o governo da republica, só santos. Brilhante!

  15. Já há juízos de valores e processos de intenção para todos os gostos. E à medida que o tempo passa e os indícios fortíssimos não produzem nada resta o quê? Eu como não sou muito dado a juízos de moral duvidosa vou voltar-me a repetir.

    Sobre a desfaçatez das câmaras de televisão no aeroporto, que só por si explicaram logo tudo. Nenhum Estado de Direito que se preze utiliza câmaras de televisão numa detenção. Nenhum Estado de Direito vai ao aeroporto deter alguém que acabou de entrar no país, salvo claro razões muito especiais e muito bem previstas. Que se saiba Sócrates não andava fugido a nenhuma Justiça. De algum flagrante delito também nunca ouvimos falar. Muito menos de algum assalto planeado para o dia a seguir. Muito menos o último PM, facilmente intimado para prestar qualquer tipo de declarações. Com muito menos prejuízo para o país. A não ser claro o tempo de comentário na RTP. Onde finalmente decidiu voltar à arena pública. E para realizar o seu ajuste de contas público com Cavaco. E ao mesmo tempo, o único espaço de verdadeira oposição ao Governo que o sucedeu. Até hoje, a única razão que se destaca como a verdadeira razão da detenção.

    Indícios fortíssimos – quando até hoje – nem a detenção e subsequente prisão preventiva conseguem justificar? Com matéria de facto ninguém incorria em tanto show-off. A maior evidência do apelidado processo Marquês é que passados dois anos continuamos sem nada que justifique sequer a detenção e a prisão preventiva de um ex-PM. Pelo menos num Estado de Direito Democrático. Já os juízos de valor e os processos de intenção nunca precisam de justificação. Cada um faz os que quer. Como a presunção e a água-benta.

    P.S. E do outro lado do Oceano a mesma pouca-vergonha judicial.

  16. o bolicoiso aldrabou uma sisa e arrecadou umas mais valias numas negociatas nunca eslarecidas que configuraram favorecimentos ilícitos e a coisa fica-se por “é preciso nascer duas vezes”; o lóreiro deu banhada no bpn, desapareceu do mapa e acaba com elogios de grande empreendedorismo numa queijaria; o passólas desobrigou-se de pagar à segurança social e safa-se com desculpa que não sabia que era obrigatório; a paulette diz a culpa é do jacinto capelo rego; o lima matou uma velha no brasil para se abotoar com a herança e dá concertos de orgão na igreja da lapa; o salgado é acusado da vigarice do século e ficou 2 meses em casa com capela adjacente para expiar os pecados e o sócras esteve preso 22 meses por receber dinheiro emprestado por um amigo. resumindo: a direita rouba, safa-se e o povo paga o prejuízo, a esquerda pede emprestado, sem custos para o contribuinte, perde o emprego e vai presa. depois aparecem uns moralistas de merda, tipo valupi, a exigir purismos absolutos e outras cenas irrepreensíveis a atirar para infinito e que nunca dão resto zero.

  17. “O texto da Fernanda Câncio, “Sócrates. O processo Marquês e eu”, veio aumentar o peso da irresponsabilidade de Sócrates nesta dimensão das suas finanças, porque revelou aspectos da sua relação privada com alguém da sua maior proximidade que ficavam como agravantes danosos para a avaliação do seu carácter.”

    Porquê ?!
    Vejamos: a FC não disse ( pelo menos eu não o li em lugar nenhum ) que JS lhe mentiu sobre a propriedade do apart, o pagamento das férias, ou outra coisa qq. O que diz é que tinha ideias próprias sobre esses assuntos, inspiradas na sua convicção de que a familia Sócrates vivia “desafogadamente”.

    Portanto, eu pergunto: a certificação do bom carácter implica a apresentação periódica da declaração de IRS às namoradas ? Porque é que FC tinha de saber das relações pecuniárias de JS com CSS ? Que mais se deve comunicar à namorada para não ser acusado de mau carácter ? As práticas masturbatórias inspiradas pelas nádegas da Irina, contam ? Qual o perímetro de reserva individual que Valupi considera aceitável numa relação para evitar etiquetas negativas no carácter ?

  18. Joe Strummer, “convicção” foi a palavra que utilizaste fazendo referência ao MP, e só isso interessa para a discussão do teu comentário. Na resposta que me dás já deixas cair o argumento anterior e partes para uma sugestão vaga a respeito da improbabilidade das coincidências. Ora, esse é chão muito batido e que em nada se liga de substancial com a ocorrência de termos ouvido Sócrates, mais do que uma vez, a alegar ter sido alvo da actual investigação só para que assim se impedisse uma sua hipotética candidatura presidencial.

    O meu ponto é o de que, mesmo na remota hipótese de Sócrates estar certo, tal é menos importante para a cidade nesta altura – e sobretudo sem qualquer prova do que diz, o que alteraria por completo a prioridade – do que a assunção da sua responsabilidade a respeito da situação que permitiu o lançamento legítimo da Operação Marquês.
    __

    MRocha, abusivas em quê e porquê? Os meus dotes telepáticos estão em baixo por falta de pagamento da prestação pelo que tens de te esforçar um bocadinho mais se a ideia for a de que eu conheça a tua opinião a respeito.

    O objectivo deste texto não era discorrer sobre as eventuais falhas da Justiça no processo, mas antes o de frisar que concordo com o pleno usufruto dos direitos cívicos e políticos de Sócrates apesar de estar na condição de arguido e de ser alvo de uma censura generalizada no plano moral a partir do que já admitiu ter praticado.

    Quanto ao facto de não haver mais arguidos que tenham feito parte dos Governos e Administrações socráticas, tal tanto pode dar para vermos nisso um sinal do falhanço das investigações como poderá não passar de uma circunstância que se alterará com a eventual descoberta de provas de corrupção. Aparentemente, ligando o que sai no esgoto com o que a defesa de Sócrates vai declarando, ainda não se descobriu prova alguma de corrupção, o MP continua a chafurdar agarrado aos indícios.
    __

    JRodrigues, larga o vinho.

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    ignatz, larga o tintol.
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    MRocha, o que a Fernanda Câncio revela no seu texto é que até para ela os financiamentos de Santos Silva eram secretos. E daí decorrem outras chatices que não estás a contemplar. É que alguém na posição de Sócrates que se dá à morte de uma maneira em que os seu inimigos passam a ter finalmente a oportunidade de o destruir publicamente, se não for também judicialmente, arrasta consigo terceiros para o esgoto e para as autoridades. Foi assim que a Fernanda viu que algumas das suas conversas com Sócrates tinham sido escutadas, gravadas e agora andam não se sabe por onde a servirem para gozações sem fim. De igual modo, o nome da Fernanda foi emporcalhado na praça pública com suspeitas de cumplicidade dos alegados crimes, e isso – em especial, por ser jornalista – é algo que pode chegar para lhe destruir a carreira.

    Sócrates devia ter pensado nisto, pois ele era o último a poder ignorar o que os seus inimigos – ou tão-só, as autoridades – lhe fariam, e fariam aos seus próximos, caso tivessem oportunidade para tal. As práticas já assumidas por Sócrates deram azo a muitas, muitas e muitas oportunidades para se deixar apanhar.

    Isto é simples. Defender o indefensável é que é complicado.

  19. Talvez esteja na altura de ana gomes, henrique neto e outros da mesma natureza darem o seu contributo para a justa luta de impedir José Sócrates voltar à ribalta política onde tanta falta faz.
    Os media estão já a esfregar as mãos para ver quantos “ilustres ps” querem vir dar uma ajuda ao alex e róró.

    Por aqui já se nota recaída.

    Se pelo menos Fernanda Câncio pagasse as férias a meias como qualquer mulher independente hoje faz, não seria surpreendida quando as ditas já estavam no papo.

    Assim fica mais difícil termos a certeza de que as mordomias não eram do seu agrado.
    Sempre pensei que fosse um romance bonito.
    Gostava do par.
    Afinal ele aguenta altas pressões ela :
    – cedeu!

  20. “Sócrates devia ter pensado nisto, pois ele era o último a poder ignorar o que os seus inimigos – ou tão-só, as autoridades – lhe fariam, e fariam aos seus próximos, caso tivessem oportunidade para tal.”

    Então e a FC, Valupi, não podia ter pensado nisso qd se envolveu com ele ?
    Que porra de lógica é essa ? Há inimputáveis nestes enredos ? Não sabes que qd se quer queimar alguém tanto faz que tenha cão como tenha gato ?

    Já agora: eu quando quero partilhar a minha vida intima e patrimonial com uma namorada, caso com ela com comunhão de bens. Se não o faço e nem a declaração de IRS apresentamos em conjunto, pq é que tenho de a informar sobre a minha vida financeira ou ela a mim ? Ou há por aí um código de conduta do namorado ideal qq que me esteja a escapar ? A menos, claro, que tu sejas mais um saloio de mação avençado por uma arquidiocese qualquer. Nesse caso entendo, pois sei que para Manuel Clemente e séquito, o namoro continua a ser a “preparação para o matrimónio”.

    ***
    Abusivas pq exiges ao homem um comportamento em função de uma intenção que ele não admitiu, quando escreves :”….. ao não assumir a sua incompatibilidade para o cargo – pelo menos, enquanto candidato apoiado pelo PS – por causa da exótica forma do seu financiamento pessoal.” Além de abusivo isto é absurdo, pois sugeres que o gajo, por ter pedido emprestado, nem sequer devia ter a presunção de supor que alguém lhe atribuísse a intenção de se candidatar a PR ! Para quem manda outros largar o vinho, olha que…..

  21. Valupi, não, o que interessa para a discussão do meu comentário é que ele não disse nada daquilo que tu afirmas no texto. Deixei “caír” a questão da convicção – que é lateral – porque não sei se é textual e estou disposto a repô-la caso descubra afirmações que o confirmem. Só por isso, nada mais. Acho que estás a fazer uma confusão entre o que eu penso e a defesa de Sócrates.

    Discordo. Mas qual responsabilidade? e remoto porquê?
    Acho que já existe é uma interiorização da disfunção do funcionamento da justiça. Com escutas cá fora todos somos obrigados a justificar tudo e mais alguma coisa, é essa a perversão.

  22. Valupi,

    O vinho que bebo não me tolda o raciocínio. Por isso tenho dificuldade em perceber onde nos pretende conduzir o teu. Saltitando da defesa dos direitos, liberdades e garantias, para o domínio abstracto das imputações morais, que ilação pretendes que retiremos ? Que Sócrates é mais responsável pelo que lhe está a suceder agora do que teria sido no caso Freeport ou Face Oculta? Mas não és tu mesmo que dizes que já à época vestia, comia e dormia caro ? Será que nenhuma das tais vinte sete perguntas que ficaram por fazer aludiam a esses “indícios” ? Então o que mudou de substantivo? Foi o comportamento de JS ou a “disponibilidade” da PGR para lhe dar um “tratamento” que o anterior locatário tinha bloqueado ?

    Pessoalmente, tenho uma tese muito minha.

    É possivel que tu, tal como muita gente, já te tenhas convencido duma inevitabilidade: condenar Sócrates por qualquer coisa, nem que seja por não depilar os colhões, transformou-se numa questão de sobrevivência do estado de direito tal como o habitamos. Consequentemente, há que passar à gestão de danos enquanto é tempo. Para o socialismo militante, isso passa pela condenação moral de Sócrates, o que é a melhor forma de iludir na opinião pública algo que seria duma meridiana evidência se restasse nesta merda um pingo de seriedade: Sócrates não poderia ter sido o único a “facturar”. E portanto o silêncio do PS seria inaceitável. Mas que Belenos nos livre de ir por aí . Antes pela ingenuidade traida da Câncio. Certo ?

  23. MRocha, estás mesmo a defender que a Fernanda Cãncio devia ter pensado que iria ser envolvida num processo judicial à pala de financiamentos marados que lhe iriam ser ocultados e isto a não sei quantos anos de distância?

    Se te queres manter a conversar comigo vais ter de começar a fazer um mínimo de autocrítica antes de carregares no botão “publicar comentário”.

    Quanto à conversa da candidatura presidencial, foi Sócrates quem veio com ela. E para largar uma calúnia até prova em contrário. Ora, o facto de Sócrates ter tentado manter oculto o que se passava a nível de dinheiro entre ele e Santos Silva é a evidência de que ele sabia que caso tal situação viesse a público haveria danos para a sua imagem e para o seu futuro político.

    Repara: mesmo que não existisse qualquer investigação judicial a seu respeito, o simples facto de Sócrates revelar o que já revelou por constrangimento da Operação Marquês chegaria para que a sua eventual candidatura presidencial, ou outra qualquer no campo da acção política, ficasse diminuída e fragilizada. Porquê? Por causa da sociedade, da comunidade, da moral que também é um factor de escolha política.

    __

    Joe Strummer, no teu primeiro comentário não te questionei a respeito da hipótese (forte) de ser a Operação Marquês também um acto de perseguição política. O que questionei foi a tua declaração a respeito de um suposto equívoco da minha parte. Ora, não vejo equívoco algum: Sócrates, sem qualquer indício conhecido quanto mais prova, disse que o MP lançou esta investigação para impedir a sua candidatura presidencial. Este é o facto a que aludi.

    Quando à temática da responsabilidade, se não percebes que termos um primeiro-ministro a “não confiar em bancos” e a gastar dinheiro de alguém que já fez negócios com o Estado e com terceiros que fizeram negócios com o Estado corresponde a algo inusitado politicamente e moralmente anómalo a esse nível de estatuto partidário e governativo que é o de Sócrates, então confessar-me-ei derrotado quanto à minha capacidade para me fazer entender nesta conversa.

    A parte do remoto, finalmente, leva-me igualmente para um pergunta: não é remoto porquê?
    __

    JRodrigues, qual é a relação que a tua cabeça está a fazer entre os casos Freeport e Face Oculta com o vestir caro? O que é que o cu tem a ver com as calças? No Freeport, alguém disse que ele recebeu dinheiro para que o projecto fosse aprovado. Tal não se provou, sequer na forma de indícios. No Face Oculta foi espiado em conversas privadas com um amigo. Não o poderia ter evitado a menos que deixasse de ter conversas privadas ao telefone. Mas na Operação Marquês temos a confirmação que algo de suspeito estava em curso entre ele e uma outra pessoa. Se no fim da investigação se provar que a suspeita não era a consequência de algum crime, ainda assim Sócrates continuará a ser responsável por se ter deixado apanhar nessa mesma suspeita.

    Quanto ao que achas que eu já me tenha convencido, aplica-se o conselho acima: larga o vinho. Vires para uma caixa de comentários dos meus textos com essa conversa revela bem o fanatismo que cega a inteligência e a memória.

  24. Valupi, também tenho ideia de que nunca houve pretensão de José Sócrates ir para a presidência deste bananeiro, aliás até acho que quem deu a notícia foi o Correio da Merdola com uma capa estrondosa que acho que até apagaram a imagem, ao fundo, um Sócrates surgindo de um buraco qualquer todo luminoso, como se fosse a vinda do Messias ou de um marciano

    Dizia o CM:
    “’Ex-primeiro-ministro pretendia candidatar-se à Presidência. Objetivo era uma entrada em força no congresso e dar início a uma vaga de fundo.
    José Sócrates preparava-se para atacar o Palácio de Belém. A sua candidatura a Presidente da República, para substituir Cavaco Silva, estava a ser estudada, e o ex-primeiro-ministro tinha previsto estar no congresso do PS no fim de semana imediatamente a seguir a ter sido preso pelo Ministério Público em novembro último. Seria a última cartada, o regresso em grande à política, depois da derrota nas legislativas e após o afastamento para Paris.

    A estratégia tinha sido definida ao pormenor. Dias antes, Ferro Rodrigues, ex-ministro socialista, tinha dado o mote. O PS não era um partido estalinista, a história não se apagava, o legado socrático estava bem vivo. Disse-o na Assembleia da República, a propósito da troika, e agitou tudo e todos. “Um pedido de ajuda contra o qual muitos se bateram até aos limites de forças e possibilidades. E aqui há que salientar uma pessoa, um nome: José Sócrates”, especificou Ferro Rodrigues

    Todas estas movimentações estão registadas nas milhares de horas de escutas telefónicas que foram feitas ao ex-governante. As escutas não foram destruídas – encontram-se em envelope lacrado, precisamente devido a uma alteração penal feita pelos próprios socialistas.

    Na sequência do processo Casa Pia, e para evitar que conversas relevantes para a defesa fossem apagadas, o legislador previu que as mesmas devam manter-se até final. Apenas as conversas com o advogado, com os médicos e relativas à intimidade foram destruídas. O CM sabe que toda a luta política está retratada nessas mesmas escutas. José Sócrates sabia que Guterres não estava disponível para a candidatura a Belém, o que lhe deixava espaço para avançar. Há mais de um ano que o previra. Regressara aos palcos mediáticos com a crónica dominical na RTP, lançara um livro que, muito devido à intervenção do amigo Carlos Santos Silva, liderara os tops das livrarias.

    No domingo, 30 de novembro, José Sócrates previra estar no congresso de consagração de António Costa. Seria lançada a semente para a vaga de fundo que o levaria a Belém.’’

  25. Já há juízos de valores e processos de intenção para todos os gostos. E à medida que o tempo passa e os indícios fortíssimos não produzem nada resta o quê? Eu como não sou muito dado a juízos de moral duvidosa vou voltar-me a repetir.

    Sobre a desfaçatez das câmaras de televisão no aeroporto, que só por si explicaram logo tudo. Nenhum Estado de Direito que se preze utiliza câmaras de televisão numa detenção. Nenhum Estado de Direito vai ao aeroporto deter alguém que acabou de entrar no país, salvo claro razões muito especiais conhecidas de todos. Que se saiba Sócrates não andava fugido a nenhuma Justiça. De flagrante delito também nunca ouvimos falar. Muito menos de algum assalto planeado para o dia a seguir. Muito menos o último PM, facilmente intimado para prestar qualquer tipo de declarações. Com muito menos prejuízo para o país. A não ser claro o tempo de comentário na RTP. Onde finalmente decidiu voltar à arena pública. Para realizar o seu ajuste de contas público com Cavaco e ao mesmo tempo, o único espaço de verdadeira oposição ao Governo que o sucedeu. Até hoje, a interrupção dos comentários é a única razão que se destaca como a verdadeira razão da detenção.

    Indícios fortíssimos – quando até hoje – nem a detenção e subsequente prisão preventiva conseguem justificar? Com matéria de facto ninguém incorria nem ninguém necessitava de tanto show-off. A maior evidência do apelidado processo Marquês é que passados dois anos continuamos sem nada que justifique a detenção ou a prisão preventiva de um ex-PM. Pelo menos num Estado de Direito Democrático. Já os juízos de valor e os processos de intenção nunca precisam de justificação. Cada um faz os que quer. Como a presunção e a água-benta.

    P.S. Do outro lado do Oceano a mesma pouca-vergonha judicial.

  26. Continuando e por falar sobre escutas, o que nos deve alertar é ofacto do CM se permitir a dizer “‘’Todas estas movimentações estão registadas nas milhares de horas de escutas telefónicas que foram feitas ao ex-governante. As escutas não foram destruídas – encontram-se em envelope lacrado, precisamente devido a uma alteração penal feita pelos próprios socialistas.’’

    O CM garante ter acesso privilegiado a escutas e pormenores da investigação e já sabemos que têm sido feitas interpretações consoante a conveniência do momento, neste caso, justificar a prisão de Sócrates para impedir o regresso político. Diga lá se o propósito de acusar por razões políticas e o insucesso deste processo não se torna óbvio?

  27. Também não consigo comentar nada sobre os juízos de valor e os processos de intenção que abundam por todo o lado e não me refiro em exclusivo ao post. Mas ainda estranho mais a afirmação que Sócrates admitiu parte das suspeitas inerentes à “Operação Marquês”… validando por essa via a abertura da investigação judicial?! Então mas alguém é suspeito de pedir dinheiro emprestado a um amigo?

  28. “… o simples facto de Sócrates revelar o que já revelou por constrangimento da Operação Marquês chegaria para que a sua eventual candidatura presidencial, ou outra qualquer no campo da acção política, ficasse diminuída e fragilizada.”

    ò pascácio! por acaso o cavaco e o marcelo ficaram fragilizados e deixaram de ser eleitos por se ter sabido que a candidatura do primeiro tinha sido ementa num jantar em casa do salgado e paga pelo bes?

  29. Valupi, Socrates está a atribuir uma intenção ao MP
    não a manifestar uma opinião sobre a sua situação ou disponibilidade pessoal.Alias ele até chegou a dizer que não se queria submeter mais ao julgamento popular antes da detenção, penso que numa entrevista à Clara F. Alves.
    Também dizes que ele não protegeu os mais próximos por causa das escuta etc ie so seria inocente se agisse como culpado. Se inverteres essa lógica veras que agiu sempre com consciência de homem inocente e livre. Fez erros? Provavelmente, como se descobrira em qualquer outra pessoa escutada, com deveres publicos ou não . E esse salto que eu não dou, senão, e dentro do meu espírito democrático teria q pedir escutas sempre que faço um juízo sobre alguém. Moralismos desses passo bem sem eles.
    Como dizer que a não resposta a uma afirmação ou declaração de outrem e prova da sua veracidade. Isto é a perspectiva jornalistica no seu esplendor, muito longe da liberdade e do direito individual de defesa.
    Remoto, porque não? Basta a corporação investigar porque o magistrado de Aveiro que avisou Cavaco das escutas que por acaso até é irmão…ah, sim claro que e remoto. Ok.

  30. E voltei para acrescentar umas coisas há medida que vou recordando os príncipios deste processo sem pés nem cabeça. ainda nem estavam definidos os motivos da prisão já o famoso ex do SOL, o Saraiva rejubilava com um editorial de título “do que nos livramos!”, onde mostra com todas as letras o ódio a José Sócrates ,pintando uma personagem de gangster perigoso absoolutamente rídicula

    “(…) Governo, Parlamento, Justiça, comunicação social, banca: Sócrates controlava os três poderes do Estado – executivo, legislativo e judicial – e estendia os seus tentáculos ao quarto poder (os media) e ao poder financeiro (os bancos).

    Talvez muita gente não se tenha apercebido na época deste cenário aterrador.

    Mas olhando para trás – e sabendo-se o que hoje se sabe – temos noção do perigo que o país correu: um homem sobre o qual pesam suspeitas tão graves chegou a deter um poder imenso, que se alargava a todas as áreas de influência.” (JAS)

    É óbvio que JS ao tomar conhecimento destes artigos que lhe eram levados à prisão tinha de os usar para responder que eram mentira e era natural que tirasse as suas conclusões sobre o modo de pensar desta gentalha sob o silêncio conivente da magistratura.
    O SOL e o CM também noticiaram nos primórdios que as investigações a José Sócrates se deram graças ao neo nazi Mário Machado apresentou ao Ministério Público uma denúncia relativa aos negócios alegadamente ilícitos da família de Sócrates, um tio e dois primos. O Juiz Carlos Alexandre é, como ele próprio disse, apologista da delação. Mas vejamos como o assunto já morreu e nunca foi provado que os negócios da família de Sócrates tenham sido usados em benefício de José Sócrates ou ‘’vice versa’’. Tal como nunca foi provado que os negócios da família de Sócrates fossem ilícitos. Só o seriam se, enquanto titular de um cargo público, José Sócrates tivesse beneficiado dos negócios ou os negócios tivessem beneficiado de José Sócrates. E se as pessoas não tiverem memória curta verão que se foi desmantelando uma sucessão de não provados e depois esquecidos. Felizmente que muitos não esquecem.
    Se o MP sair mal desta história foi porque quis, não há perdão que lhe valha.

  31. Olha, Valupi, como qq pessoa de boa fé poderá entender, o que eu pretendi dizer foi que a F Câncio, como mulher emancipada que é, decerto dispensaria eventuais preocupações paternalistas de JS, como também dispensará as tuas.

    Colocares em JS o ónus do zelo pela carreira jornalística de FC, não lembra ao pai natal. Como tb não lembra a ninguém que a FC não estivesse consciente dos riscos profissionais e de imagem que corria qd se envolveu com um personagem politico com a notoriedade de JS.

  32. Já agora, só para os curiosos das simbologias: em que dia é que o Sócrates foi parar c’os costados à prisão? And the plot thickens…

  33. Valupi, li e reli ontem e hoje e tenho seguido à distância (esqueçam o cerimonial escolhido mas sou como um daqueles tios porreiros que vem de fora e que chega quando já está o funeral a decorrer, que verdadeiramente prefere ficar a observar por entre os jazigos e manter uma confortável distância sem se confundir com os mais ou menos sinceros dos presentes, os mais nevróticos familiares e amigos que do defunto eram próximos e que acendem um cigarro e depois outro, que fica a galar as gajas e a medir os gajos que são os maridos e as mulheres de alguém e que estão ali, apenas, por afinidade, sou um dos que preferiria surgir apenas no fim; e o fim para mim é agora, que é o que dá).

    Por partes poucas, que é o teu post que interessa.

    Eis uma primeira interpretação: este não é um post de quem esteve no alegado jantar de ontem, e ainda bem. Tal como os artigos da F. e do P. e e e e, e outros, vejo-o como o momento de libertação, pessoalmente significante, e acompanho-te. Segunda, todas as qualidades pessoais que tu apontas, como algo que nunca foi utilizado por José Sócrates – depreende-se que na sua vida pública – como «tácticas moralistas e populistas», não ajudam a compreender completamente a personagem porque, a cada uma, se poderão adicionar outras imagens que, por efeito de um simples reflexo no espelho, se tornam pesadamente narcísicas mas que estão mais de acordo com o que do ex-PM hoje se sabe. Ou seja, sabido que como disse algures o Augusto Santos Silva as “partes” não são crime mas assentam numa longa mentira que não é apenas do domínio privado porque a persona foi sendo construída pelo próprio até se saber que assim não era: humilde/endinheirado, rico, abastado etc., modesto/ostensivo, arrogante, vaidoso, petulante, gabarola, etc., idem sobre o pobrezinho, chefe de família (do que se sabe sobre as suas finanças privadas não é inteiramente verdade, mas compreendo que te refiras à ausência de um cachucho no anelar), cristão, “honesto, sério, honesto e incorruptível” que são, em si, um lote das qualidades necessárias para quem pretende fazer vida pública de mãos limpas ou ser um bandido (aqui toda a gente se entende, ou entende do que fala), ah!, e bonzinho (a ideia do nosso Zezito para as/os camaradas e o cognome de “Menino de Ouro” parecem ir em sentido contrário, mas). Terceiro, não discuto agora o tal artigo da Visão nem sinto a necessidade de lhe dar hoje um novo sentido até porque, oportunamente, já o fiz no Aspirina B. Em todo o caso, como me parece que está meridianamente implícito no teu post, ele foi integrado por cada um dos que o leu como fazendo parte de um processo em que as certezas simples ou complexas do passado deram lugar a dúvidas e perplexidades sobre esse mesmo passado e, ao mesmo tempo, a profecias com carimbonotarial sobre o futuro político de José Sócrates. Quarto, também não vejo esses «muitos camaradas e amigos», recomendáveis, que citas e que estejam disponíveis não para jantares mas para a guerra (acho que funciona ainda o seu núcleo duro, que veio da AR, e cuja última piedosa acção terá sido assinarem colectivamente o requerimento dirigido ao Tribunal Constitucional sobre as pensões vitalícias que teve, pelo menos, uma morta em combate de nome Maria de Belém aquando das últimas eleições presidenciais). Mais, e pior: acho que o tempo em que José Sócrates teve oportunidade de fazer a sua defesa pela própria voz, e em que só ele pode ser responsabilizado por isso, depressa entrou em roda-livre e, a partir de determinada altura, tem sido uma sucessão de erros (o Big-Show Marão aplaudido pelo Jorge Coelho na SIC N vá-se lá saber porquê, o road-map dos comícios “evangélicos” pelos caminhos de Portugal, o discurso ensaiado no museu do Torga em que mais parecia que um ex-PM lusitano passara a fazer inopinadas “presenças” nas festas e discotecas deste país, não como a Lili para se “dar a ver” na imprensa da especialidade, mas como os moços e as raparigas da Casa dos Segredos e derivados goste-se ou não da comparação, a conferência de imprensa em que acusou o MP de recear a sua esperada glória presidencial, ocasião em que, sendo pela enésima vez tratado acintosamente na capa do CM sobre do que vive, confessou, enfadado, que pedira uns patacos mensais para todo o sempre sob a forma indecorosa de pensão vitalícia, ou, ainda há dias, o disparate da entrevista à TSF em que ataca o PR com teorias filosoficamente delirantes). Em sua defesa, reconheça-se que competentemente no espaço público, estão os seus advogados, seguramente outros, e, fazendo quase sempre pior do que melhor, as vozes daquilo a que poderia ser chamado “o efeito Tony Carreira” que, aqui no Aspirina B por exemplo, ocupam o seu espaço. Quinto e último, que o sol vai desaparecendo, e agora o que fazer? É certo que as pessoas são idiossincraticamente diferentes e que, no fundo de si, sabem o que devem fazer a cada momento. Disto isto, primeiro, espero que o blogue do Valupi volte a ser um espaço de (criativa) liberdade em que os passos dos muitos Josés sejam seguidos como os demais criticando-os se houver razões para isso ou elogiando-os (valeria a pena reflectir sobre os últimos tempos e deixá-lo em letra de imprensa, aliás). E, segundo, que aquilo que o jornal i e o P. online escreveram ontem, e que copiei, não se torne no último disparate da nossa res publica.

  34. Maria de Sempre, a politização da Operação Marquês é um facto e tem altíssima gravidade. Porém, Sócrates é o primeiro responsável por ter deixado que tal caso fosse construído, mesmo que se venha a arquivar a coisa. Sobre isto não há volta a dar.
    __

    P, quando o dinheiro é “emprestado” com intenção de esconder essas remessas e se trata de um ex-primeiro-ministro a receber dinheiro de alguém que fez negócios com o Estado, e com terceiros que igualmente fizeram negócios com o Estado, tal configura-se como um indício. E, portanto, a obrigação das autoridades é investigar.

    Qual é a parte com que não concordas nesta situação? Se trocares Sócrates por Passos não estarias agora a pedir que se investigasse tudo até ao fim?
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    ignatz, por se ter sabido o quê? Não consigo perceber. Há demasiado ruído na linha. Manda um telex.
    __

    Joe Strummer, pois o problema está nessa atribuição de Sócrates ao MP, precisamente. Porque não passa de uma calúnia, até agora, e porque não é o aspecto que mais releva para se recuperar publicamente.

    Sócrates poderá ser inocente e ter sido livre, mas também foi irresponsável. As consequências de estar envolvido num caso destes são tremendas, e continuarão a ser tremendas mesmo que o caso seja arquivado. O que ele perderia ao não contar com Santos Silva era apenas dinheiro. Teria passado fome? Não consta. Mas o que ele perdeu ao ter usado o dinheiro de Santos Silva da forma tornada pública, e admitindo que o dinheiro era mesmo do Santos Silva, faz com que Sócrates tenha perdido o País e a carreira. Pelo menos, até onde a vista alcança.

    Todos as perversões políticas e judiciais associadas a este caso, que por aqui no blogue são temática constante, não apagam o que está em causa na irresponsabilidade de Sócrates para com vários dos seus próximos e a deslealdade para com a cidade.
    __

    MRocha, a Fernanda Câncio escreveu um texto público para se defender das consequências de ter sido enganada por Sócrates. Tens de o ler com mais atenção.

  35. Ó Valupi

    Quem é que te garante que a Fernanda Câncio foi enganada pelo Sócrates ?
    É pelo facto dela ter ar de tonta e ele ter ter ar de ser um sedutor muito gabirú ?
    É que só se for por isso, caso contrário, sei lá eu quem é que enganou quem no meio dessa relação.
    E quer eu lá saber !!! não me interessa minimamente.

    E voltando à vaca fria …
    Quer-se dizer que voltamos a culpar a rapariga que foi violada por andar de mini-saia, certo ?
    Pode estar inocente, mas estava mesmo a pedi-las, portanto a culpada é ela, não o gajo que a violou, É ISSO ?

  36. O processo Sócrates e o processo Lula são decalcados a papel químico. O mesmo curriculo governativo de realização de reformas estruturais nos seus países, o mesmo tropeção na crise financeira internacional, as mesmas maningâncias mediáico-judiciais, as mesmas insinuações espúrias sem provas, os mesmos juízos morais sobre assuntos da vida privada, a mesma atribuição da propriedade a bens de amigos, a mesma divulgação de escutas proibidas, os mesmos jornais e redes sociais a fomentar o ódio, a mesma tentativa de humilhação pública, a mesma tentativa de interromper a participação política do adversário por métodos ínvios, a mesma condução por agentes de justiça com ligações a formulações religiosas arcaicas e sedentos de exibicionismo, … a mesma bravura e exemplo de homens de liberdade que não renunciam ao combate, mostrando a mesma convicção e coragem quando estão rodeados de multidões que os aclamam ou quando cercados de hordas que os espezinham e cospem em cima. Faróis de esperança no género humano em tempos de cobardes e invejosos.

  37. Valupi, mas calunia porquê? E uma hipótese bem verosimil basta ver o que disse o adjunto de Cavaco no livro, E uma hipotese que merece ser investigada, ou não? Ou existe algum dogma? Na verdade o que tu reproduzes aqui é tal qual o que circula nas redes sociais a mesma lógica e estrutura. Foi para isso que as escutas do CM serviram, para criar uma culpa moral que tornasse intolerável qualquer defesa. Não te acommpanho, boa viagem.

    Outro dado relevante e o SSilva ainda não ter exercido a sua defesa e so ai podermos dizer qual a verdadeira relação entre os dois e qual a relação com o dinheiro.

  38. Caro Valupi,

    Eu não sou contra investigação nenhuma! É mesmo para isso que serve o MP. Eu mostrei-me desde o principio frontalmente contra a detenção com câmaras de televisão e subsequente prisão preventiva. Sabemos hoje de todo em todo ambas completamente despropositadas, para não dizer ilegais. E no meu caso muito pessoal foi sempre quanto bastou para a total desacreditação do processo. Pura gincana política. Com grande prejuízo para a imagem do país.

    Antes de mais uma ressalva, a última ideia que eu queria passar é que a minha indignação com o “processo Marquês” tem alguma coisa a ver com a pessoa de José Sócrates. Que obviamente não conheço pessoalmente. E que acho importante referir por causa de muita discussão à volta da paixão/ódio e que inibe qualquer avaliação mais séria. Aliás, não foi por acaso que comentei o choque da detenção na altura e só passado este tempo todo é que volto a comentar o tema aqui no Aspirina B. Para mim sempre esteve em causa um PM e um país. Ou o que é que costumamos todos pensar de países que foram governados por gente corrupta? E depois do choque da detenção no aeroporto e ainda que desse de barato as câmaras de televisão – o que nunca vai ser o caso, até pelo muito que elucida logo à priori – só havia uma solução boa para a Justiça e sobretudo para Portugal: uma acusação de pronto no dia a seguir. O que não foi manifestamente o caso. Quanto a qualquer investigação em si, já me expliquei no primeiro parágrafo. Basta seguir a tramitação toda normal. Não é por acaso que nascem mitos à volta das dificuldades de prova em casos de corrupção. Que só não se prova quando dá jeito e que é completamente diferente. Ver o PSD que pariu a maior fraude financeira portuguesa – vulgo BPN – e continuou a eleger PRs e PMs. Ou quando não há efectivamente corrupção.

  39. E nem me apetece agora falar de muitos outros expedientes, como as famosas fugas e o nojo do CM. Um esgoto a céu aberto como o próprio Valupi já referiu.

  40. Desde há uma data de tempo deixei de participar nestas discussões sobre a culpa moral de sócrates porque me recusei sempre a ler as fugas de informação e seus subsequentes comentários e análises.
    Fiquei sem argumentos porque não tenho informação e para além disso tenho uma reacção alérgica aos julgamentos morais. Também não me tem apetecido participar desta justiça na praça pública.
    Sobre a culpa legal de sócrates parece-me que estamos na mesma – inocente até prova em contrário.
    Continuo pacientemente à espera do desfecho para que possamos passar ao julgamento seguinte:
    – A actuação da justiça no processo marquês.
    Desconfio que existem “fortes indícios” de que vai sair culpada de corrupção.

  41. Na mouche Martins.

    Nem Sócrates nem ninguém é suspeito ou indiciado do que quer que seja por pedir dinheiro emprestado a um amigo. Muito menos detido. Seja que amigo for. Quanto muito de corrupção. São os crimes que justificam as investigações do MP. E era esse o caminho que o MP tinha que ter feito antes de qualquer manifestação pública.

    Sócrates não foi só preso para investigarem como a defesa diz muitas vezes. Esta “investigação” começou pela condenação na praça pública. Que credibilidade é que isso merece? E a prova disso são precisamente os juízos morais de cada um. Pedir dinheiro emprestado a um amigo não é crime nenhum e mais, é do foro pessoal de cada um e não tem nada que andar a ser servido todos os dias na praça pública. Tenha sido ou não PM. Neste ponto Sócrates podia perfeitamente ser investigado e sem acusação de corrupção – o crime – ninguém tinha nada que saber se Sócrates pediu ou não alguma vez dinheiro emprestado a alguém. Aliás, nem Sócrates tinha sentido necessidade de o pronunciar publicamente. Chama-se devassa da vida privada. Que foi a única coisa que o MP produziu e serviu até aqui. A operação Marquês nunca foi nenhuma investigação judicial. Nunca passou de uma cabala judicial, jornalística e outras.

  42. Jasmim, só precisamos de saber o que é público, isto:

    – A Fernanda testemunhou não ter sido informada da existência de um esquema de financiamento oculto onde Sócrates gastava dinheiro vindo de contas, ou conta, do amigo Santos Silva.

    – Sócrates não a desmentiu.

    A partir daqui, cada um tira as suas próprias conclusões. Tu disparas contra a Fernanda em registo de estupidez e baixaria, como típica fanática. Eu registo que também no campo das suas relações mais próximas havia irresponsabilidade. Isto é, e de acordo com a única versão que merece crédito, a Fernanda não teve a possibilidade de decidir se queria continuar a relação que tinha com alguém que andava a fazer o que Sócrates fez. Por não lhe ter sido dada essa possibilidade é que a Fernanda se viu com a sua privacidade devassada e a sua carreira profissional ameaçada de surpresa.

    Nesta parte do caso, não é seguramente Sócrates quem usa a minissaia.
    __

    Lucas Galuxo, mesmo que a tua descrição fosse perfeitamente exacta, ainda assim tal não ilibaria Sócrates da sua irresponsabilidade na esfera política e pessoal. Aliás, se Sócrates tivesse querido ser realmente esse farol de esperança jamais se teria metido numa situação onde os seus inimigos o poderiam tão facilmente entalar – a si e ao PS por contaminação directa.
    __

    Joe Strummer, não sabes o que é uma calúnia? No caso de Sócrates ter razão, tal daria origem não só ao maior escândalo de sempre na Justiça portuguesa como se abriria uma inaudita e espantosa crise de regime. Sócrates ao se meter nessas andanças ou mata ou morre. Se tem alguma prova que se agarre a ela. Se, ao invés, a ideia for a de espalhar “hipóteses” na praça pública, então estará a fazer exactamente o que lhe têm feito – ou que parece que têm feito. E a sua credibilidade desce para números negativos.

    Outra questão diferente é a de aferir se a Justiça está a agir politicamente contra Sócrates, seja de que forma for. Essa é uma outra conversa, a qual tem tido forte presença neste blogue.
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    P, pois claro, o MP que investigue. Mas quanto ao que Sócrates já reconheceu ter feito, temos o que precisamos para fazer uma reflexão moral. Esta dimensão é distinta da judicial.

    Na parte judicial, estás enganado: quando um ex-primeiro-ministro tenta ocultar uma fonte de financiamento cuja origem é alguém que teve negócios com o Estado e com terceiros que também tiveram negócios com o Estado, tal é um inevitável e escabroso indício. O que pode é não corresponder a qualquer ilegalidade, ou tão-só a ilegalidades fiscais. Algo que neste momento se ignora qual venha a ser o desfecho.
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    ibmartins, não é possível escapar aos julgamentos morais pois eles decorrem da natureza humana e da vida em comunidade. Se fosse Passos a estar no lugar de Sócrates, havendo estes indícios e suspeitas da Operação Marquês, aposto que não te faltariam juízos morais para comentares as acções do Pedro.

  43. Mas é possível não embarcar em julgamentos morais e escolher não os inflamar.

    Verdadeiramente não sei do que falamos – esses indícios e suspeitas deixei de os explorar, parei mais ou menos na história das botas na prisão.
    De resto tenho-me cruzado com ideias vagas – Sócrates aceitava dinheiro de um amigo… ou confiava dinheiro seu a um amigo…? quanto…?

    Se fosse Passos no lugar de Sócrates… Qual seria então esse lugar?

    Teria no curriculo processos judiciais que se arrastaram e não deram em nada, gravíssimas suspeitas de espionagem à presidência da república, teria sido acusado de maquinações para controle do poder financeiro e mediático, jornalistas e outros curiosos teriam espiolhado e relatado a cor molho que acompanha o bife que comeu em Paris, já depois de deixar de ter qualquer influência nos destinos do país.
    E finalmente… ah finalmente!
    Teria sido filmada a sua prisão, ter-nos-iamos rido dos seus pequenos contratempos enquanto preso, não lhe teria sido permitido falar ou sequer conhecer os factos que levaram a que o prendessem, teria visto amigos presos, investigados, difamados, expostos, saberíamos tudo, criteriosamente seleccionado e escarrapachado dia sim dia sim nos jornais e nas conversas de café.
    Ora se fosse o pedro que estivesse nesse lugar… com toda a nula simpatia que me merece… mesmo assim não embarcaria em mais nenhuma indignidade.
    E é indigno discutir o conteúdo das escutas e interrogatórios quando antes de tudo devemos discutir porque é que conhecemos esse conteúdo.

  44. Val, “não ilibaria Sócrates da sua irresponsabilidade na esfera política e pessoal”?
    Qual irresponsabilidade? Defender as suas ideias desprendida e graciosamente enquanto os seus adversários políticos ganham para defender as suas e o vilipendiar mais do que aquilo que um amigo lhe emprestou e ele pagou?
    Se há uma leitura moral a fazer deste processo é, por exemplo, a eficácia na identificação do pecado da inveja na sociedade portuguesa.

  45. Valupi, estares a equiparar o estado ao indivíduo na capacidade investigatória ou em qualqueroutra d é quase a negação do estado de direito. Uma inversão que prolongas quando dizes que a culpa de alguém se mede pela presença/ausência de resposta a factos ou acusações e culmina na culpa moral do dinheiro, não por acaso parecida com a do Passos quando quis empobrecer o País ( “vivemos acima das possibilidades” receita infalivel num pobre pais de moral judaico -crista) e dar o maior golpe de que ha memoria e que caricaturas benevolamente no post seguinte. Se isto honra o liberalismo vou ali já venho.
    Ha uma produção de conteúdos nos jornais e nas redes sociais que faz parte digamos do sistema hepatico-biliar de qualquer sociedade que é constituído por pessoas que emitem opiniões e mexericos e piadas textos,etc O seu valor operativo é grande mas na razão inversa da produção de qualquer tipo de moral valida a não ser a “razão” do ciclo noticioso 24 h nada e sedimentado nem estrutural. Não é aqui nem a este nível de “julgamento” que este caso pertence. Isto é mais cerebro e sistema nervoso central.

  46. “José Sócrates está indiciado pelos crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.”

    Antigamente era em sede de julgamento que se julgavam este tipo de “indiciações”, no entanto vai para dois anos sem qualquer acusação formal.

    Com a instrução do processo a cabo do MP e o julgamento popular a cabo do CM e toda a população em geral. Vai para dois anos!

    Indícios há muitos…

  47. “Se fosse Passos a estar no lugar de Sócrates, havendo estes indícios e suspeitas da Operação Marquês, aposto que não te faltariam juízos morais para comentares as acções do Pedro.”

    o passólas já esteve no lugar do sócras e não aconteceu nada. o ministério público não actuou e a comunicação social publicou as desculpas do gajo sem pestanejar, coisas do género não sabia que era obrigatório pagar a segurança social ou que não se lembrava do que tinha recebido. o gajo continua aí a mentir todos os dias e continuam a dar destaque ao que diz como se ainda fosse primeiro ministro. o sócras esteve preso 22 meses por representar uma ameaça à destruição de provas consolidadas de crimes que andam a ser investigados desde o princípio do século xxi e que ainda hoje ninguém sabe quais são, o tal anexo matriosca que justifica os sucessivos prorrogamentos dos prazos indicativos.

  48. Neste momento José Sócrates fala sobre Globalização e Política externa.
    É livre de o fazer e dará seguramente mais uma lição de inteligência e saber nas matérias para as quais seguramente muito bem se preparou.

    Veremos se os moralistas que abundam nos media escondem bem este acto sobre um tema que a todos implica e interessa.

    Talvez seja bom este blogue mostrar aquilo que os media escondem e guardar o missal dos pecados para quem tem mais autoridade :
    – A Santa Madre Igreja.
    – Assim seja.

  49. Este texto do Valupi é a antitese do que titula. O essencial não é sobre liberdade. Pelo contrário, é sobre censura. Sobretudo censura moral. E desonesta.

    Desonesta porque se apoia numa retórica equivoca sobre a verdade e o valor. Atribui ao visado “verdades” que não demonstra ( exemplos: que admitiu ser candidato à PR; que disse não confiar em bancos ) para depois os valorar em desabono do seu carácter de acordo com um código moral cuja duplicidade é evidente ( exemplos: aos pelintras admitem-se emprestimos entre amigos, aos politicos não; na relação entre Sócrates e Câncio, ( cujos contornos são matéria da esfera intima dos ditos, mas em qualquer caso dois adultos livres e emancipados ), era a ele que competia zelar pela imagem dela ) .

    Alguns comentários apelam ao relativismo. Mas a alegada honestidade de uns não pode ser medida pela desonestidade de outros. Por isso tenho alguma dificuldade em distinguir o essencial do que aqui se escreveu daquilo que tresanda no CM.

  50. Concordo com o Rodrigues, parte tudo do juízo moral da relação com Santos Silva – o empresário que fez negócios com o Estado. E pelos vistos seja o Estado PS ou PSD mas isso nunca interessa nada. E sobretudo nunca o Santo Silva amigo de sempre. A partir do momento em que Sócrates chegou a PM ou Santos Silva deixava de negociar com o Estado ou deixava de ser o amigo de sempre. Sobretudo nunca mais podiam fazer férias juntos, pelos vistos um hábito antigo. Aplica-se a tese do César casado e s/amigos para corruptos. Provar algum crime que era bom é que até hoje nada.

  51. ibmartins, há alturas em que abdicar de fazer julgamentos morais é em si imoral. No caso de Sócrates, não querer ter uma opinião sobre o que ele próprio, e a sua defesa, admitiu é sinal de duplicidade de critérios – portanto, de algo moralmente negativo ou repudiável. Repara: não está em causa o material das escutas e documentos apreendidos pelas autoridades, mas apenas o que o arguido e os seus advogados admitiram publicamente.

    Do que falamos depende de onde se fala, de quem fala e de quando fala. No caso deste texto, que me honras ao vir comentar, falo da liberdade de Sócrates. Para falar dela, como o texto mostra, também falo da imoralidade de Sócrates e das vergonhas e ameaças da Justiça que a Operação Marquês trouxe à luz. O lençol de outros assuntos conexos, que tenho igualmente comentado noutros textos, não é o essencial desta presente, e miserável, reflexão.
    __

    Lucas Galuxo, estás a falar do processo como um todo e ainda da figura de Sócrates como político e eu estou a falar de uma específica conduta do cidadão Sócrates que é aquela que permite a abertura do processo. Se quiseres falar comigo sobre o assunto do texto que vieste comentar, terei o maior gosto.
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    Joe Strummer, tens optado por estar sempre a rabiar nesta conversa. Daí disparares para o ar quando o alvo está aos teus pés: achas que as autoridades não devem investigar ex-primeiros-ministros que se financiem secretamente (leia-se, sem que bancos ou fisco tenham disso registo) junto de pessoas com quem fizeram negócios enquanto foram governantes?

    Isto é simples.
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    ignatz, ai a Operação Marquês diz respeito a umas trafulhices de merda com a segurança social por um fulano a soldo de privados?

    Larga a vinhaça.
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    JRodrigues,

    http://economico.sapo.pt/noticias/socrates-acusa-justica-de-querer-impedir-a-sua-candidatura-presidencial_242151.html

    https://www.noticiasaominuto.com/pais/373875/socrates-pediu-dinheiro-por-nao-confiar-nos-bancos

    Nunca disse que Sócrates pretendia ser candidato presidencial, lembrei foi o que ele disse do MP em relação com essa temática. Declaração que fica como calúnia enquanto não for provada. Também não me leste a censurar empréstimos entre amigos, sejam políticos ou não. Leste foi o contrário, ou poderás ler se subires a página até ao cimo: que me estou a borrifar para a vida privada de Sócrates e para o modo como ele se financia. Porém, e no caso, foi esse modo que permitiu a abertura da investigação pelas autoridades. E isso é da sua exclusiva responsabilidade, dado que não podia ignorar a tempestade política que tal processo iria causar, fora as consequências para terceiros (família, íntimos, amigos, camaradas, apoiantes, simpatizantes). O resto no processo já é da responsabilidade da Justiça, mas esse não era o assunto do actual texto embora também sobre ela faça claros comentários.

    A relação de Sócrates com a Fernanda deixou de ser um assunto estritamente privado quando ela é escutada pelas autoridades e a sua privacidade aparece devassada na praça pública. Igualmente deixa de ser matéria privada quando por causa dessa relação pessoal a sua carreira de jornalista fica ameaçada dadas as calúnias e suspeitas que se lançaram contra ela.

    Abre a pestana, porque me parece que não sabes mesmo onde estás a teclar.

  52. Valupi,

    O teu primeiro link ilustra o que eu afirmo. Sócrates atribui a terceiros uma intenção que não teria fundamento no seu próprio propósito.

    No teu segundo link, reportas a uma citação do advogado, não do próprio, e que está fora do contexto. Procura a gravação da conferência de imprensa e verás que a “explicação” é avançada como hipótese e com uma indisfarçada ironia.

    Não me custaria nada subscrever qualquer texto que criticasse Sócrates por ingenuidade ou mesmo por pura burrice. Outra coisa é atacar-lhe o carácter . Um burro não tem necessariamente mau carácter. Nenhum dos indícios publicados autorizam esse salto lógico. Quanto mais não fosse porque têm sido escolhidos a dedo para alimentar uma tese . Qualquer JMTavares pode atribuir intencionalidades obscuras às mais prosaicas banalidades. Ou lançar suspeições sobre comportamentos triviais.Exemplo: será que Câncio não sabia mesmo quem pagou a factura das férias ? O que torna a sua palavra inatacável ?

    Repara que qualquer das duas questões que deixo são meramente retóricas. A resposta não me interessa pevide. Nem percebo o interesse da senhora em demarcar-se delas. Era o que mais faltava que uma namorada minha me questionasse sobre a legitimidade do dinheiro com que pago as despesas dos programas para que a convidasse. Se não quer, pague a parte dela que eu até agradeço. Ou seja: na falta de uma moral universal, considerações no campo dos usos e dos costumes derivam inevitavelmente para subjectividades que serão discutíveis mas que não autorizam de todo julgamentos de carácter, e é esse e apenas esse o meu ponto. Sobretudo quando estão em causa comportamentos e atitudes cujo contexto objectivo se ignora.

  53. “ignatz, ai a Operação Marquês diz respeito a umas trafulhices de merda com a segurança social por um fulano a soldo de privados?”

    claro que a operação marquês foi montada para engavetar o sócras, portanto nunca poderia o massomólas ou o cavaco e todas as ligações que incriminassem direitolos não são consideradas por não atingirem o objetivo. daí a parvoeira do teu suponhamos passólas no lugar do sócras. limitei-me a comentar o óbvio a uma interrogação estúpida. as tuas recentes opiniões sobre este caso andam muito perto da linha segurelha.

  54. Val, o que permite a abertura do processo é o acto imoral de quem se serviu do aparelho mediático e judicial para atingir um objectivo político. Considerações sobre a maneira como outros gerem a sua vida, sem descumprir a lei, dão indicações sobre a moral de quem as profere, tu ou a esterqueira do Correio da Manhã, por exemplo.

  55. Valupi, isso esta pressuposto desde o meu primeiro comentário. Não é esse o ponto. Mas bem, tu mantens-te irredutível e repetes-te em comentários cruzados e eu não quero contribuir para o teu espectaculo Álamo, apesar de gostar muito de mezcal não sou mexicano.

  56. Há dois aspectos nos comentários do Valupi que me merecem mais duas notas.

    Uma é referir-se a alegados empréstimos particulares como “financiamentos secretos”. É bem achado. Tem outro impacto na formação da percepção da culpa.

    A outra é facilidade com que mistura a legitimidade da finalidade de uma investigação , com a ilegitimidade dos meios colocados ao seu serviço. Sócrates pode ser suspeito e investigado por tudo e mais de um par de botas; pode até ter-se posto irresponsavelmente a jeito para tudo isso; mas nada valida que esteja a ser sujeito aos atropelos ao estado de direito que têm sido protagonizados por quem tem a obrigação de lhe preservar o direito ao bom nome e à vida privada.

  57. JRodrigues, pelos vistos estás com dificuldade em ler o que escrevo: em lado algum disse que Sócrates pretendia candidatar-se, disse foi o que a notícia relata. Quanto ao que disseram os advogados de Sócrates, nunca ouvimos Sócrates a desmentir essa declaração. Pelo que ficou dita com a autoridade de vir dos seus advogados. Se foi dita com ironia ou sem ela, como hipótese ou como certeza, isso é indiferente para o plano desta reflexão: a avaliação moral da conduta de Sócrates.

    O facto de tu preferires atacar a Fernanda, que já demonstrou ser uma vítima, em vez do responsável pelos seus problemas nascidos de uma ocultação danosa – versão que se impõe por não ter sido sequer desmentida – não nos diz nada a respeito da Fernanda, mas diz muito a teu respeito. Tu preferes ignorar que Sócrates não podia moralmente desresponsabilizar-se por uma situação que tinha criado e que era potencialmente muito grave para terceiros – algo que não compara com exemplos de indivíduos sem o seu estatuto e circunstâncias.

    Ficas mal no retrato, ó pá.
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    ignatz, recentes opiniões? Assim que Sócrates admitiu ter recebido empréstimos/financiamentos marados por parte de Santos Silva que de imediato larguei a sentença: deslealdade para com a cidade. Pura estupidez no plano político, embora tudo absolutamente legítimo no plano da sua liberdade individual.

    É procurares, caso ainda estejas sob o efeito do tintol, já que perdes tanto tempo com o que digo neste cu do mundo.
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    Lucas Galuxo, achas que as autoridades não devem investigar ex-primeiros-ministros que se financiem secretamente (leia-se, sem que bancos ou fisco tenham disso registo) junto de pessoas com quem fizeram negócios enquanto foram governantes?
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    Joe Strummer, o que tu não queres admitir é o óbvio de ser possível conciliar uma falha moral (pelo menos, e que seja só isso) por parte de Sócrates com uma série de falhas por parte da Justiça e ainda algo que possa ser considerado pura, ou impura, perseguição política.

    Remember de Alamo, e o facto de os mexicanos terem mesmo ficado sem o Texas.
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    MRocha, os financiamentos não eram secretos, é a tua tese? Se for, explica lá isso que me deixaste curioso.

    Quanto aos atropelos ao Estado de direito, e como tenho repetido à exaustão nesta caixa de comentários, tal não era o objecto do texto e tal tem tido uma presença constante noutros textos no blogue, e não só meus. De resto, neste mesmo texto refiro essa dimensão. Creio que te agarras a isso para não te confrontares com a realidade de Sócrates ter manchado o seu nome e, muito provavelmente, ter destruído a sua carreira política no PS (pelo menos, pois poderá até vir a criar um partido ou concorrer como independente em autarquias ou para a presidência, tudo é possível).

  58. o saloio de mação disse ou insinuou na entrevista da têbê que a prisão preventiva teria sido evitada caso o sócras tivesse confessado aquilo de que o acusava num tom educado. isto demonstra o inquinamento e as intenções do processo, mas parece não afectar a inteligência de alguns puristas e moralistas de merda cuja verticalidade é fazer a papa ao meretíssimo, aceitar todos os vexâmes e atropelos à lei e cagar nos próprios direitos. que eu saiba o onús da prova ainda não foi invertido, se acusaram é bom que provem cumprindo as regras, caso contrário assumam as responsabilidades da merda que fizeram. foi isto que esteve na origem da entrevista do maçaneta, querer saltar do processo antes que fique mais chamuscado.

  59. Val, agora também te foge o pezinho para a calúnia? Qual foi o negócio que José Sócrates fez, enquanto Primeiro-Ministro, com Carlos Santos Silva?

  60. “Assim que Sócrates admitiu ter recebido empréstimos/financiamentos marados por parte de Santos Silva que de imediato larguei a sentença: deslealdade para com a cidade.”

    desde quando é que pedir emprestado a um amigo é deslealdade com a cidade? só se for na parvoeira de mação e na tua tolinha. já agora são financiamentos marados porquê? o dinheiro era falso ou roubado?

  61. Mas o que se passou neste blog?

    Será por o Homem ter ido falar num evento do PS?
    Será porque a turma dos acusadores morais se enterrou demais na tese?
    Será o poder da ana gomes?
    Será que tenho que desandar daqui para fora como do Jugular que baniu José Sócrates de seus posts?

    Não me estou a sentir nada bem com tantos argumentos respeitáveis e lógicos contra uma parede tão rígida que gera imensa perplexidade.

  62. ignatz, essas fases recorrentes em que comes merda às colheres são cansativas. Como já sabes que nada de ilegal se poderá associar aos empréstimos e à origem desse dinheiro, aconselho-te a ir bater à porta do MP para acabar com o circo.
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    Lucas Galuxo, a regressão ao infantilismo não é uma boa estratégia argumentativa. Ou será que não sabes que Santos Silva era, ou ainda é, sócio de empresas que foram contratadas pelo Estado durante o período em que Sócrates foi primeiro-ministro? E será que também não sabes que Santos Silva recebeu dinheiro, diz o MP, de pessoas ou empresas que igualmente são responsáveis por contratos com o Estado durante o período em que Sócrates foi primeiro-ministro?

    A cegueira que demonstras em algo tão básico devia fazer-te pensar.
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    primaveraverão, não sei o que achas que se passou com este blogue, mas daqui donde escrevo este blogue está igual ao que sempre foi: um espaço onde aos autores e comentadores é dada a maior liberdade de expressão.

    Também anoto que não te estás a relacionar com a temática do texto acima, a qual remete para a defesa do direito de Sócrates em participar nas iniciativas políticas que entender e para as quais seja convidado ou se lembre de organizar – apesar de ser arguido como suspeito de corrupção e apesar do que já admitiu ter feito e que foi o que levou a que a Operação Marquês se tornasse legítima.

    Quanto a desandares daqui para fora, o meu conselho é o de sempre e o que dou a mim mesmo: faz o que te der na gana. A liberdade é o que nos salva.

  63. Valupi,

    Pois é, ó pá ! Não ficarei bem no retrato. Mas como não ando cá para cultivar a imagem, esse é o lado para o qual vou dormir melhor. Já em relação ao que tu representas, a saber, uma proposta de moral relativista embrulhada em revisões enviesadas dos factos, para nos ser servida como evidencia de um bom senso sofisticado, ela preocupa-me.

    Detestaria saber-te arregimentado pela loja daqueles que nunca têm dúvidas e raramente se enganam. Nesses, não estranho a tentativa sistemática de distorcer argumentos para fazer passar os seus pontos de vista. De ti, esperava mais. Se estivesses de boa fé neste debate, terias admitido sem rebuço que o meu ponto quando evoquei a Câncio, apenas servia o propósito de ilustrar como a lógica que usas para atacar Socrates ( quando, por exemplo, sugeres que tudo aquilo que ele não desmente é porque admite…), serve por igual para transformar qualquer inocente num culpado de qualquer coisa.

    Como esta é a tua casa, e em casa alheia não tenho por hábito ir além do razoável, por aqui me fico.

  64. JRodrigues, talvez tudo se resuma a um equívoco, tão natural e provável ao se comunicar por escrito com esta informalidade e desatenção, mas a existir algum equívoco ele é teu e só teu. Isto porque eu me limitei a ir buscar factos: é um facto que Sócrates admitiu recorrer a financiamentos de Santos Silva, alegando que eram empréstimos, e que tal se fazia de forma secreta. É um facto que quando saiu a notícia na Sábado, em Julho de 2014, que antecipava o que viria a ser a Operação Marquês, Sócrates foi para a RTP dizer que eram tudo mentiras e que o seu dinheiro gasto em Paris vinha apenas de empréstimos à CGD. Nessa ocasião, ele não assumiu que também recorria ao amigo para se financiar.

    A partir destes factos, cada um tira as suas conclusões. Para ti, pelos vistos, não há aqui nada de estranho, muito menos suspeito. Logo, presumo, nem achas bem que as autoridades estejam a investigar donde veio esse dinheiro na origem. Para mim, com esta história Sócrates mostrou que, pelo menos, é um irresponsável político e moral. Espero que seja só isso para que não se atinja a dimensão de desgraça nacional.

  65. “… é um facto que Sócrates admitiu recorrer a financiamentos de Santos Silva, alegando que eram empréstimos, e que tal se fazia de forma secreta.”

    qual é o crime ou a reprovação moral do facto? desde quando é que o cidadão e ex-primeiro ministro sócras tem obrigação de divulgar detalhes da sua vida privada. pela tua lógica teria de convocar uma conferência de imprensa cada vez que pedisse trezentos ao silva e requisitasse uma equipa da tvmanhólas cada vez que desse uma queca. estamos a falar de factos ocorridos quando já não era primeiro ministro e a cenas inventadas pelas investigações dos repórteres manhólas que o vigiaram em paris.

    “Nessa ocasião, ele não assumiu que também recorria ao amigo para se financiar.”

    nem tinha que o fazer, só tinha que gerir os danos de imagem do que ia sendo publicado. se pedires emprestado a um amigo, achas que ele fica feliz se abrirem um telejornal a dizer: o silva entrou com 5 mil para o sócras ir jantar fora ou que comprou um apartamento na amadora à dona adelaide.

    o problema é o gajo estar de volta à política e o pânico que causa à direita, aos segurelhas e ao projecto de coligação e fusão a longo prazo ps/psd como alternativa à geringonça.

  66. Ignatz, estou a adorar, tiras-me as palavras da boca. Já tinha muita consideracao por ti, mas com a porrada que tu (e outros aqui) estás a dar no taralhoco do Valupi, está a subir em flecha.

    Dá-lhe pá, que nao te doam as maos.

    P.S. – O meu teclado nao tem til, cedilha, e outras merdas.

  67. ignatz, estás a perder o teu rico tempo comigo, até porque também concordo com isso de não termos de divulgar os detalhes da nossa vida privada. A chatice é que há detalhes e detalhes. O MP, um grupo de bacanos pagos com os nossos impostos, tem como obrigação profissional investigar certos detalhes das vidas privadas que possam constituir crimes. Daí a presente cegada, esta chatice de estarem a incomodar o sr. Sócrates quando deviam era assobiar para o lado e fechar os olhos. Pelo que tens de ir lá explicar àquela malta que não há nada de ilegal nos detalhes da vida privada do ex-primeiro-ministro. Tens de ser tu a pôr ordem na tasca como autor da doutrina da ausência de indícios e demais explicações fantásticas que tens divugado.

    Aposto que o Rosário Teixeira até te vai abraçar em lágrimas pelo alívio que lhe vais dar.

  68. VALUPI, ah sim fazer uma “reflexão moral” com base numa campanha de ódio, assente em comprovadas falsidades .
    Vai dar um resultado isento com certeza e nada recheado de preconceitos absurdos.

  69. Val, habilidades de insinuação já tens que chegue na praça. Se sabes de negócios em que José Sócrates interviu directamente para beneficiar CSS em prejuízo do Estado português diz. Se não sabes cala-te. Quem passa pelo governo não fica com lepra e tem vida depois de servir os votos que o elegeram.

  70. Quim Quebra-Nozes, de que falas? Qual campanha de ódio? Quais falsidades? A reflexão moral é sobre os factos que Sócrates já admitiu publicamente. Abre a pestana.
    __

    Lucas Galuxo, continuas a preferir a cegueira. O que está em causa não é o nosso conhecimento de algum ilícito (por mim, não conheço nenhum, embora o ilícito fiscal pareça muito provável à luz dos factos já admitidos por Sócrates). O que está em causa é que a conduta de Sócrates permitiu ao MP abrir um processo judicial. Portanto, das duas uma: ou esse processo irá provar a existência de crimes, e será um choque nacional ainda maior do que aquele em que vivemos, ou esse processo irá ser arquivado, e ficaremos com a estupidez de Sócrates ter oferecido aos seus adversários e inimigos esta munição toda que não param de gastar contra ele, contra o PS e contra o Estado de direito.

    Isto é simples.

  71. “O que está em causa é que a conduta de Sócrates permitiu ao MP abrir um processo judicial.”

    tá bem, agora as condutas, vestimentas, almoços e tons de voz permitem a abertura de processos judiciais. eu pensava era a existência de crimes. bora lá investigar os nós de gravata e as perucas louras da paulette ou a maconde fashion do bolicoiso, com certeza que iremos encontrar, entre outras coisas, amigos de infância da família capelo rego e outras fantasias algarvias.

    “Portanto, das duas uma: ou esse processo irá provar a existência de crimes, e será um choque nacional ainda maior do que aquele em que vivemos, ou esse processo irá ser arquivado, e ficaremos com a estupidez de Sócrates ter oferecido aos seus adversários e inimigos esta munição toda que não param de gastar contra ele, contra o PS e contra o Estado de direito.”

    a conclusão ainda é melhor, parece tirada do manual “como eliminar adversários políticos”, portanto o gajo ficava calado, não se defendia e o resultado era o mesmo. a direita que patrocinou o golpe e a corporação que o pôs em prática já tinha explicado isso anteriormente, aliás o sucesso da casa pia dava todas as garantias do que iria acontecer no processo marquês.

  72. ignatz, talvez o teu problema seja mesmo esse, afinal, o de pensares que as autoridades só devem intervir quando tomam conhecimento da existência de crimes. Para ti, conclui-se, o MP deve ignorar indícios de crimes e só actuar perante evidências.

    É uma ideia. Mas, lá está, esgotas-te neste pardieiro quando devias era estar no Parlamento a fazer aprovar leis nesse sentido.

    Quanto ao “portanto o gajo ficava calado, não se defendia” já nem sei do que falas. Contudo, o fenómeno poderá ter explicação na alta velocidade do teu pensamento.

  73. Como bem lembrou alguém lá atrás, há na argumentação do Valupi resquicios da celebrada teoria da “coutada do macho latino”: como pode a gaja que anda de mini-saia queixar-se de ter sido violada ?!

    Transposto para o caso em apreço, o corolário deste principio, segundo Valupi, é que um ex-PM tem mais obrigações de zelar pelo bom funcionamento do Estado de Direito do que os seus responsáveis em exercício. É isso ?!

    Outro aspecto interessante na argumentação de Valupi é a questão da “santidade”.
    Lendo-o, fica-se com a ideia ( de resto muito popular, nomeadamente entre os seguidores da Morgado… ) de que os governantes deviam ser homens santos. Possivelmente criados desde criancinhas em mosteiros refundidos nos contrafortes dos Himalaias, aos quais seriam obrigatoriamente devolvidos quando terminassem funções.

    Bem, por mim, prefiro ser governado pelos meus pares: gente imperfeita, que tenha dúvidas, que se engane, que erre. É essa a minha ideia de República. Mas admito que possa estar errada.

  74. ò pascacinho:

    1 – indício de crime era tudo o que a pide queria que fosse e servia para julgamento sumário. agora vivemos em liberdade, temos direitos consagrados na constituição, leis para nos proteger destes abusos e a coisa deveria funcionar de acordo com o espírito da lei, mas como o 25 de abril não passou pelos tribunais, a corporação judicial apropriou-se do sistema e o espírito da lei passou a espírito do juiz. portanto tudo é possível, incluíndo perseguições políticas travestidas de “caça aos poderosos” e outras cenas de justiça popular, tipo se-te-safares-da-prisa-a-fama-ninguém-ta-tira. resumindo: o ministério público não deve ignorar indícios, não pode é crimes que não existem. foi o ponto sem retorno onde se chegou e o qual ameaça destruir o estado de direito, caso não consigam culpar o sócras.

    . 2 – leis, há que chegue. o que é preciso é a sua aplicação ser fiscalizada e não sirvam de desculpa para defesa da juízalhada defender a merda que faz com o argumento que são meramente indicativas, que a culpa foi do legislador ou da puta da vírgula que faz de joker quando estão a perder o jogo.

    . 3 – “Quanto ao “portanto o gajo ficava calado, não se defendia” já nem sei do que falas.”
    não te convém saber e eu não tenho paciência para voltar a explicar. ficamos assim, podes levar a bicicleta, que eu já furei os pneus e parti a corrente.

  75. Tenho assistido caladita desde há dois dias para cá a este interessante debate e ainda não entendi as razões do Valupi, em cada comentário tiro uma conclusão diferente, direito que me assiste, claro, sob a liberdade de expressão, opinião, coscuvilhice, ou lá como queiram chamar. E como sou de uma imaginação fértil, realizo os meus filmes. Quase que me parece que o Valupi foi lanchar com a Fernanda Câncio e esta se fartou de chorar no seu ombro fazendo queixas do seu ex, da sua vida devassada, dos segredos escondidos. O Valupi culpa Sócrates por não ter salvaguardado a vida pessoal da namorada. A Fernanda também devia saber que quando se está com uma pessoa famosa, correm-se sempre estes riscos, de se tornar conhecida por outras razões.
    Estou a seguir o mesmo raciocínio que o Valupi quando afirma até a exaustão que JS fez a cama em que se deita e podia ter evitado fazer como fez se tivesse agido de outro modo ou se tivesse revelado publicamente que um amigo lhe emprestou dinheiro a título pessoal, devendo ele ter tornado o facto público..
    A Fernanda Câncio devia ter ficado a recato ou pensado duas vezes antes de se por a namorar com José Sócrates?
    Bahh… Isto assim não vai lá. Hoje já nem sei porque é que prenderam um cidadão durante tanto tempo e com um enxovalho de que não há memória na História de Portugal. Uma vergonha,

  76. Realmente que rica noção de liberdade que para aqui vai e que leva o Valupi a escrever que em certas circunstâncias é imoral não fazer juízos morais?! E estranhamente não foi sobre nenhum magistrado e o lixo do CM.

    Claro que a única coisa que validava ou legitimava a investigação – termos do Valupi – era algum crime nas centenas, para não dizer milhares de decisões, de José Sócrates durante os seis anos em que foi PM. Nomeadamente nos muitos concursos públicos ou em tudo o que já andaram a “cheirar”. E nem era o PM ou quem venceu os concursos que mais interessava ouvir, muito menos deter sem nada de concreto. Pedir dinheiro emprestado a quem quer que seja só por si não é indício de nada. Ou também andam a investigar todos quantos passavam férias nas casas do Salgado? Quanto muito de que ninguém se orgulha muito em transformar num verdadeiro arraial. E com todo o direito, como foi o caso. Acontece que muitos ex-governantes hoje até são mais requisitados que muita estrela pop, o que arrasta sempre muitos milhões depois de findo o exercício público. O que só por si ainda legitima mais qualquer empréstimo.

    E o que aqui fica mais uma vez provado é que até à data o maior pecado de José Sócrates foi sempre o seu enorme carisma! Os que sempre o odiaram já salivavam há muito tempo por uma “Operação Marquês”. De novo mesmo, só alguns daqueles que até o admiravam sentiram-se hoje muito defraudados. Vá-se lá saber porquê… No caso do Valupi porque José Sócrates pediu dinheiro emprestado a um amigo rico de infância. O que até já acontecia muito antes de ter sido PM. Algo que Valupi não valoriza em nada ou melhor, só era normal se fosse o Valupi. Ao contrário de Santos Silva ter realizado negócios com o Estado. Antes, durante e depois de Sócrates PM! Um político com a vida toda investigada de trás para a frente sem uma acusação formal! E o que é que mudou desde o Freeport? A PGR! E quem permite um show off destes na Justiça não está a prestar de certeza um bom serviço à nação. E bastava a entrevista de rendição do saloio de Maçãs. Ou pior, uma detenção sem nada de nada! Depois de anos de investigação, não temos nada mas temos “poder” para humilhá-lo publicamente. Quiçá, destruí-lo. Cheira mal, cheira a Cavaco. Também tenho direito ao meu juízo moral.

  77. JRodrigues, respondendo à tua pergunta, não, não é nada disso. Na analogia com o infame caso da “coutada do macho latino” a “minissaia” e quejandos é invocado como causa da violação. No entanto, a violação, em si mesma, é um violação – ou seja, é um crime. Para usares esse argumento ao falares do que discuto, terás de fazer corresponder o MP ao violador. Será isso que pensas? Pensas mesmo que a abertura do processo – e só me refiro a esse aspecto, o da abertura que dá lugar à investigação, às escutas e à detenção para interrogatório – foi ilegal? Ou foi ou não foi, qual é a tua opinião a respeito? Continuaremos neste terreno depois de responderes.

    Quanto ao teu gosto pelas imperfeições dos nossos governantes, pois bom proveito. Eu prefiro-os dentro da lei e inteligentes se a ideia for a de lhes darmos o poder político máximo . São gostos.
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    ignatz, concordo contigo, estás nesta discussão de pneus furados e sem corrente. O que interessa é saber se a abertura da Operação Marquês foi legítima ou ilegítima. Até hoje nunca ouviste Sócrates, ou os seus advogados, a dizer que foi ilegítima. Do que eles se queixam é de como o processo tem decorrido e dos abusos e crimes que têm sido cometidos a partir da Justiça ou com a sua conivência ou passividade.

    É nisto que deves pensar enquanto esperas pelo mecânico.
    __

    Maria de Sempre, uma coisa é a forma como a Operação Marquês tem decorrido no plano do Estado de direito e da democracia, outra a origem factual deste caso. Que eu saiba, ninguém obrigou Sócrates a aceitar gastar secretamente o dinheiro em nome de Santos Silva. Se tal não tivesse acontecido, esse processo não existia. Qual é a parte que não percebes nesta situação?

    A Fernanda é uma personalidade muito importante para a avaliação moral de Sócrates porque era íntima dele ao tempo em que o processo começa a investigar a privacidade do actual arguido. Ela publicou um texto onde testemunha não ter sido informada da situação que a levou a ter a sua privacidade devassada e a sua carreira em risco. Sócrates não a desmentiu. Portanto, aceitando a sua versão, ela é mais uma vítima da irresponsabilidade de Sócrates pois não sabia do risco que corria. Qual é a parte que não percebes nesta situação?
    __

    Lucas Galuxo, mas que importa o que façam a A ou B para sabermos o que pensar a respeito de C?
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    P, estás a falar do que rodeia a temática do meu argumento. No meu argumento, faço-te a pergunta que fiz ao JRodrigues: pensas mesmo que a abertura do processo – e só me refiro a esse aspecto, o da abertura que dá lugar à investigação, às escutas e à detenção para interrogatório – foi ilegal? Ou foi ou não foi, qual é a tua opinião a respeito?

  78. Valupi, é imoral fazer juízos morais sobre a vida concreta dos outros. Interessa se cumprem ou não cumprem a lei e se a autoridade está ao serviço da lei ou a utiliza arbitrariamente em função de objectivos particulares. Se A e B praticam um acto equivalente e A vê o Estado devassar a sua intimidade, é preso, vilipendiado e linchado na praça pública, e tem dezenas de pessoas no seu encalce, umas pagas pelo erário público (outras pelos jornais), antes de qualquer condenação ou acusação, enquanto B bebe tranquilamente um copo de água, estamos no reino das trevas e quem vem com cantigas morais participa no auto de fé.

    Mas tem graça a tua dualidade de critérios. Fernanda pode fazer férias à pala do namorado . José não pode fazer férias à pala de um amigo.

  79. Eu continuo sem perceber patavina da argumentação do Valupi quando acusa Sócrates de se ter “posto a jeito” e iliba a Fernanda Câncio por se ter “posto a jeito”.
    É que se ele não queria ver a sua vida devassada não se tinha metido a pedir dinheiro emprestado a um amigo de infância (by Valupi) e ela se não queria ter a vida devassada não se tinha metido a namorar o senhor Primeiro-Ministro (namorasse um colega jornalista que já não corria riscos).

    Mas o melhor é a parte que “prova” que é a Fernanda Câncio quem fala toda a verdade.
    A donzela em perigo veio para a praça pública expôr o que lhe deu na veneta, e o cavalheiro calou-se.
    Logo a donzela falou verdade e o cavalheiro não o é.
    Mas o cavalheiro sê-lo-ia se viesse também para a praça pública chamar-lhe mentirosa (ainda que ela o fosse).
    Ó Valupi, aqui estamos a debater amor, lealdade e traição.
    Achas mesmo que é assunto para ser debatido em público ?
    Achas que Sócrates o que deveria fazer ainda que a donzela não seja tão inocente como lhe convém parecer ?

    Sabes uma coisa ? eu também ouvi uma das escutas onde a donzela foi escutada … e “à moda do Manholas” eu também poderia fazer um juízo sumário em que ela podia passar, no mínimo, por interesseira !

  80. Valupi
    Em resposta à pergunta que fazes a outros mais acima:
    – A publicação do inquérito viola o direito do cidadão ao seu bom nome (viola o segredo de justiça).
    – A detenção para interrogatório viola a lei porque Sócrates vinha a chegar ao país e tinha feito saber antecipadamente que pretendia colaborar com as autoridades.

  81. Valupi,

    Não desconversemos ! Ninguém, com um conhecimento mínimo do funcionamento das nossas instituições, pode adoptar a tese da ilegalidade da investigação a JS. Como a têm vindo a fazer, isso já é outra questão, sobre a qual qualquer individuo com dois neurónios funcionais tem legitimas dúvidas.
    Mas a critica que o teu texto original me suscitou, não teve nada a ver com a legalidade da investigação nem com a ilegitimidade dos seus desenvolvimentos processuais. O ponto é o julgamento de carácter que fazes do arguido. Usas a forma pouco ortodoxa como ele tem reagido publicamente a um processo manifestamente heterodoxo para o sujeitares a um crivo analítico cujas malhas morais parecem retiradas de um imperativo categórico que manifestamente não se justifica. JS poderá ser tudo o que quiseres e mais um par de botas. Mas é também um individuo assediado por circunstâncias excepcionais, cujo impacto não devia ser escamoteado, muito menos por quem tem o topete de lhe julgar o carácter tendo por única matéria prima a informação mediada. E menos ainda com a justificação absurda de que tudo aquilo que não desmente, admite. De resto, nada disto é novo na pocilga de comadres da nossa opinião pública ( Veja-se o caso McCann ).

  82. Em primeiro lugar o Valupi está a partir do princípio que o processo seguiu a tramitação toda normal. Que até as escutas foram todas devidamente autorizadas. Então qual foi a borboleta que falou dos empréstimos ao procurador ressabiado? Eu actualmente já não parto do mesmo principio. E volto a dizer que bastou-me ver a pouca vergonha no aeroporto.

    Com o que já se sabe hoje foi tão criminoso como a detenção no aeroporto ou a prisão preventiva. A prova que nunca tiveram nada! Agora rematado com a entrevista de uma mente do mais saloio! Quando o Valupi escreve que para Sócrates conseguir sair impoluto do caso, a Justiça teria de ter cometido erros colossalmente grosseiros?! Ainda mais? O problema é a subjectividade dos magistrados e aqui temos sempre que admitir que os magistrados não são todos iguais. Ou hoje ainda alguém tem dúvidas sobre o melhor PGR, Pinto Monteiro ou a Vidaleira? Quando até da Relação saem comentários como aquele dos “quem cabritos vende” há um clima propício para muita coisa. Sócrates anda a ser investigado há mais de uma década Valupi. Num país em que até El Rei Salgado acabou por cair. Bastava que o dinheiro tivesse conduzido ou coincidisse com alguma queixa ou anomalia num concurso publico ganho pelo grupo Lena e tudo bem. Sem isso, os empréstimos só por si não são indício de coisa nenhuma! Ou porque não valorizar uma fortuna antiga ou empréstimos muito anteriores ao cargo?

    Só para terminar e também independentemente do pensar de cada um, nesta fase já é tão legítimo pensar que o MP nunca vai provar coisa nenhuma como o seu contrário. Para não dizer mais! Depois logo veremos o que foi ou não ilegal.

  83. Lucas Galuxo, a minha dualidade de critérios? Mas alguma vez viste a Fernanda a chefiar um Governo? A Fernanda é suspeita de algum acto de corrupção? A Fernanda, sequer, representa o PS?

    Será que não consegues perceber o que é uma suspeita de corrupção?
    __

    Jasmim, não sei se privas com a Fernanda ou com Sócrates. Se não, tens apenas as informações que vêm a público para tirares conclusões. E tu és pródiga em conclusões sobre a Fernanda mas ficas estranhamente inibida a respeito das conclusões a tirar sobre Sócrates.

    Diria que a honestidade intelectual e a decência não são os teus pontos fortes à luz deste caso.
    __

    JRodrigues, se calhar tu apenas conheces, do que tenho escrito no Aspirina B desde 2005, o texto acima. É a única explicação para vires com esse disco riscado. É que este não é o blogue no mundo onde menos se fala sobre as circunstâncias anómalas e até criminosas da Operação Marquês, bem pelo contrário.

    Creio que tens de reler o que escreveste. Se admites que a investigação a Sócrates é legal, então tens de admitir que ela era inevitável dados os factos que chegaram ao conhecimento das autoridades. Esses factos são da estrita responsabilidade de Sócrates, o resultado de decisões livres que tomou e tentou manter ocultas das autoridades e do público. Discutir se tinha ou não tinha o direito de o fazer, se tal conduta é relevante para a avaliação do que fez como político, não é o ponto central da minha questão. Aquilo que julgo são as consequências para terceiros dos actos individuais de Sócrates que levaram o MP a montar a Operação Marquês.

    Vou recorrer a um exemplo comparativo. Imaginemos que um professor de ginástica numa escola com primária, preparatória e secundária ia para o café falar com um amigo acerca da excitação sexual que sentia com meninas de 10 ou 13 anos, ou com meninos, tanto faz. Esta conversa, por si só, não implica que ele tenha cometido algum crime do foro sexual com crianças, porém obriga quem a oiça a formular um juízo moral. Aquela experiência daquele professor justifica que se investigue o que se passa com ele, e o que se tem passado na sua actividade profissional, ou não há razão para alarme e não nos devemos meter no assunto? Qual seria a tua resposta? Se responderes da forma óbvia, estarás dentro da mesmíssima lógica que deu origem ao caso onde Sócrates é suspeito de crimes vários e gravíssimos.
    __

    P, pelos vistos, ignoras como é que as autoridades começaram a suspeitar de haver uma relação financeira anómala entre Sócrates e Santos Silva. Segundo a versão que corre, tal deveu-se a um aviso automático lançado por um banco a propósito de transferências de dinheiro entre a mãe de Sócrates e Sócrates. O resto vieram a descobrir investigando e escutando. Portanto, não se trata do que eu penso, inclusive porque eu penso que Sócrates é inocente até prova em contrário. Trata-se é do confronto com o que o MP pensa e que tanto prejudicou o PS e a democracia por exclusiva responsabilidade de Sócrates.

  84. O Burroso disse que não vai trabalhar para um cartel de droga, eu acho que o gold men sex ainda é pior que um quartel de droga, é pior que o cartel de Merdelin ( para fazer jus ao cognato )

  85. Ignatz disse que Saltymbanco ficou em casa e com direito a capela e capelão privado e tudo, não havia pulseira electrónica Cartié disponível, terá sido esse o motivo da visita que lhe fez o Conde Coré de La França ? ” Cartié ? Je coné . ”
    Ou teria sido uma tentativa de reaver alguma guita – dele ou de algum conhecido ?
    Ó Abreu, dá cá o meu ?
    Isaltino, também foi muito injustiçado, hehehe, e o Du Arte Lima, é um anjo ( caído ). Loureiro é Valentim ao cubo .

  86. “Segundo a versão que corre, tal deveu-se a um aviso automático lançado por um banco a propósito de transferências de dinheiro entre a mãe de Sócrates e Sócrates”

    Claro. Sempre que há uma transferência de pais para filhos o serviço de escutas telefónicas é accionado por tempo indeterminado. Val, aceitar como válida uma desculpa tão esfarrapada não honra os anos de inteligência que já verteste nestas páginas. Não é necessário nenhum outro elemento para ter a certeza que este processo resulta de uma perseguição pessoal ignóbil. Fazer juízos morais pessoais a partir do que é publicado acerca de um processo com esta origem é uma imoralidade. É encontrar uma carteira no caminho, recheada de dinheiro, e não a devolver, sabendo quem é o proprietário.

  87. Ó snr. Gaúcho e por acaso também nao teria ocorrido uma avultads transf. de um milhão ou de um brasilião, – ainda não havia mexicalhão, acho de que -, da mãe do coiso para o dito ?
    Atão … invéstiguem …

  88. “Segundo a versão que corre, tal deveu-se a um aviso automático lançado por um banco a propósito de transferências de dinheiro entre a mãe de Sócrates e Sócrates.”

    nã tou a perceber. se já não havia sigilo bancário porque é que o costa quer alterar a lei? só se for para legalizar a actuação da investigação. a mãe vendeu património e transferiu dinheiro para a conta do filho, disparou o alarme na caixa e a polícia entrou em cena tendo interceptado conversas telefónicas que indiciavam ilícitos de milhões transportados em malas, foda-se, ainda há saloios da estirpe mação que acreditam nestas cenas. entretanto e à cautela o panasca dos sumarinos mais a mamã constituíram a sociedade “vinciamo” para obviar engulhos à serradura dos cabrais. tudo normal, legau, não há escutas, o moço é livre de usar perucas mota-engil ou da cãibra de comércio e industria, receber ordenados, comissões e despesas por conta de serviços prestados enquanto caixeiro viajante pago pelo estado, portanto não há indícios, nem antecedentes, que justifiquem qualquer investigação.

  89. Valupi,

    As consequências para terceiros que referes, são manifestamente da (ir)responsabilidade do MP. Nada na lei o autoriza a exercer o seu direito a investigar, o que bem entender, na praça pública. Pelo contrário.E a comparação que fazes com as propensões pedófilas de profs imaginários, é uma ideia tão descabelada que mais parece coisa da Ana Gomes. Ou achas mesmo que a forma correcta de lidar com uma situação dessas seria espalhar aos quatro ventos que o prof padecia de propensões pedófilas??

    Nenhum dos teus argumentos conseguiu abalar minimamente a minha impressão inicial: o julgamento moral que fazes de JS é um abuso inaceitável. Interpretas os recortes que te chegam de acordo com uma conclusão prévia cujos fundamentos só tu saberás, usando como bitola critérios morais cuja razoabilidade me transcende.

    Um mau carácter é um tipo que de forma objectiva e deliberada, prejudica outros. Quem prejudique terceiros de outra forma, terá de ser outra coisa. Ainda ontem saí de uma loja sem olhar para os dois lados e atirei uma velhinha ao chão. Distraido, leviano, ingénuo, alvoriado, cabeça no ar ? Decerto ! Mas se partes daí para me chamar canalha, a gente chateia-se!

    Imagina tu que aí há uns tempos me chamaram canalha porque me envolvi com uma senhorita casada e na sequência desse processo estragou-se o matrimónio. Tive de me chatear! É que quem deu o salto lógico esqueceu um detalhe: ela nunca me disse que era casada, detalhe que por uma questão de cavalheirismo eu também nunca usei como argumento de defesa. Limitei-me a afirmar de forma bastante contudente que quem só conhece os resultados deveria ser mais comedido na produção de juízos morais. Ora neste caso de JS, a menos que tenhas tido acesso a matérias que não são públicas, também só conheces os resultados, e não as circunstâncias que os produziram. Até porque naquilo que respeita o impacto dos nossos actos no domínio das nossas relações com terceiros, há limites para o paternalismo.

  90. ninguém fala do mais importante. o diabo voltou a aparecer em setembro e falou numa cena organizada pelas mulheres e juventude socialista. voltaram a disparar os alarmes dos imbecis que só fazem merda no partido socialista e que têm o futuro condicionado com a presença do sócras. quem deu a cara desta vez foi a peixeira gomes, que conseguiu o recorde de perder todos os debates televisivos com o badocha amorim e quem fez eco da teoria está-morto-politicamente foi o tudólogo surfista adão, o resto são ondas do choque com a hipócrisia de algumas vedetas da bloga (valupis, vegas & associados) que só estão bem onde nunca estão.

  91. Lucas Galuxo, se calhar não queres discutir este assunto seriamente, daí a fuga para o infantilismo. Ou se calhar não te queres confrontar com a necessidade de ter uma opinião moralmente negativa a respeito de Sócrates, o qual é igualmente vítima de inimigos e do sistema da Justiça. Seja como for, aqui fica para a tua aprendizagem:

    http://expresso.sapo.pt/economia/como-funciona-o-sistema-bancario-que-tramou-jose-socrates=f899585

    __

    ignatz, estás a dizer que a investigação a Sócrates é ilegal?
    __

    JRodrigues, estás a fugir para questões conexas mas laterais face ao que mais importa nesta conversa. Repara: mesmo que não existisse qualquer violação ao segredo de justiça, e não existisse qualquer CM ou quejandos e toda a imprensa fosse exemplar de decência no tratamento do caso, ainda assim a condição de arguido seria pública e as consequências negativas para terceiros continuariam a existir inevitavelmente.

    Ao dizeres que o meu julgamento moral é baseado em “recortes”, quando o fundamento nas próprias declarações de Sócrates, estás a mostrar que esta é uma conversa inútil, pois tu não respeitas o meu pensamento ainda antes de criticares as minhas conclusões.

  92. Valupi,

    Tudo o que me chegou até hoje sobre a “versão socrática” dos crimes/pecadilhos pelos quais está indiciado/ condenado, foi mediado. Mesmo quando as declarações são do próprio, elas têm um contexto e uma circunstância mediáticas que não me permite a leviandade de pensar que me esclarece cabalmente o sucedido.

    http://observador.pt/opiniao/o-regresso-de-socrates/

    Este artigo, que alinha com o teu na condenação moral, tem uma particularidade que o teu não tem. Ali, já foi JS “GOVERNANTE”, e não o ex-governante,quem recebeu empréstimos do amigo. Estás a ver? Como confiar no mediado ?

    Portanto, não, não é falta de respeito pelo teu pensamento. É falta de informação para o enquadrar com um minimo de rigor, sendo que aquela que tu próprio facultas também não me basta. E é também uma questão de principio : não julgo ninguém. A (des)confiança politica que um politico me (des)mereça, exprimo-a no aconchego da cabine de voto, não em pronunciamentos públicos sobre a sua vida privada. Até porque, se fossemos por aí, onde acabariamos?

    Imagina que JS tinha pedido dinheiro emprestado a SS qd ainda eram apenas estudantes universitários. Imagina que, mais tarde, sendo JS governante , SS ganhava concursos publicos com o estado. Livrava-se JS da suspeita de pagamento de favores? Quando há má-fé tudo é possivel, e são poucas as cenas que resistem a uma urdidura qualquer, sobretudo quando os destinatários estão desejosas de a papar. Achas mesmo que se apertarmos a grelha pela tua exegese, ainda sobraria alguém para governar a cidade ?

  93. “ignatz, estás a dizer que a investigação a Sócrates é ilegal?”

    sim, é ilegal de acordo com a lei existente e ética praticada. do ponto de vista da moral bacoca, usos e costumes do estado novo e da comunicação social, é tudo a bem da nação, defesa da nação e do interesse nacional e da liberdade de cusquice.

  94. “ignatz, estás a dizer que a investigação a Sócrates é ilegal?”

    desde quando é que uma investigação que se arrasta há 15 anos 15, encomendada por políticos com fins políticos, é legal? só na cabeça de iluminados como tu, nem o bronco do saraiva se atreveria a tanto.

  95. Valupi,

    Certo. Agora, quantas transacções bancárias de pais para filhos ocorreram nos últimos 5 anos, quantas foram consideradas suspeitas e a quantas deram origem à colocação do telefone dos envolvidos sob escuta?

  96. Ainda acreditam que tudo começou com um “aviso automático” de uma transferência
    bancária da mãe para o filho? Porque razão foi encarregado da investigação um inspe-
    ctor tributário de Braga? Manda-se para prisão preventiva só por não dizer o que, o
    juíz diz quer ouvir? Porque carga de àgua se deve dizer na televisão que se pediu empréstimos (não se sabe se pediu ou se foi oferecido) a um amigo? Volto a perguntar
    já está determinado o valor total dos empréstimos? Qual a legislação que proíbe alguém
    de aceitar dádivas/empréstimos de amigos? Com que dinheiro Cavaco comprou relógios
    para ofertar ao pessoal da sua campanha? Porque razão o sindicato dos procuradores
    pediu apoio financeiro para um congresso em Vilamoura num hotel de 5* ao BES?
    Estou com o bom Povo quem não deve não teme … mas, que há bruxas há!!!

  97. “Jasmim, não sei se privas com a Fernanda ou com Sócrates. Se não, tens apenas as informações que vêm a público para tirares conclusões. E tu és pródiga em conclusões sobre a Fernanda mas ficas estranhamente inibida a respeito das conclusões a tirar sobre Sócrates.
    Diria que a honestidade intelectual e a decência não são os teus pontos fortes à luz deste caso”.

    Valupi
    Eu devolvo-te a argumentação e a conclusão.
    É só colocar Valupi no lugar de Jasmin, Sócrates no lugar de Fernanda, e Fernanda no lugar de Sócrates.
    Estás a ver ?

  98. JRodrigues, tudo o que dizes apenas tem como finalidade evitares o confronto com as declarações de Sócrates. Ele, em entrevista, disse que os empréstimos de Santos Silva, e a venda de património imobiliário a Santos Silva, resultavam de uma longa e profunda relação de amizade. Também disse que não via nada de mal, fosse mal judicial ou mal moral, nessa sua conduta. É só isto que precisamos de saber para formular um juízo moral, escusas de ir buscar não sei quem no Observador. Alguém, como ele, que se sabia cercado por uma legião de inimigos com anos de calúnias e até espionagem usadas como armas políticas, tinha igualmente de saber que a probabilidade de vir a ser descoberto nesse esquema dos “empréstimos” era altíssima. E sabia que, sendo descoberto, seria um terramoto para o PS e para todos aqueles que sempre o defenderam das calúnias e das golpadas. Apesar de saber disso tudo, fez o que fez. E aí estão as consequências, mais aquelas que hão-de vir sejam elas quais forem.

    Para ti, o que ele fez não te merece a mínima censura. Creio, então, que já te entendi.
    __

    ignatz, se a abertura da investigação é ilegal, por que razão nem Sócrates nem os seus advogados o dizem? Será apenas porque (ainda) não te conhecem e, portanto, estão na ignorância?
    __

    Lucas Galuxo, não faço ideia. Mas tenho também uma pergunta para ti: quantas dessas eventuais tranferências entre pais e filhos acima do valor que faz disparar alertas automáticos envolveram outros ex-primeiro-ministros ou meros ex-ministros?

    E ainda outra: sendo o dinheiro que veio da mãe aquele que ela recebeu de Santos Silva pela venda do apartamento, não será esse dado algo que obriga as autoridades a começarem uma investigação?
    __

    J. Madeira, como é que achas que “tudo começou”?
    __

    Jasmin, estou a ver é que o fanatismo não deve ser coisa boa.

  99. Val,
    “Quantas dessas eventuais tranferências entre pais e filhos acima do valor que faz disparar alertas automáticos envolveram outros ex-primeiro-ministros ou meros ex-ministros?”

    Curioso, não é? Concerteza muito poucos tiveram que vender as casas de família. É compreensível. Muito poucos saiem da política com menos património do que quando entraram.
    É aberta uma investigação sempre que alguém vende um apartamento a um amigo?Mas está tudo doido? Se o dinheiro de Santos Silva pertencesse, em parte, a JS, tinha alguma lógica ele colocar o seu património herdado em nome de outra pessoa?

  100. “ignatz, se a abertura da investigação é ilegal, por que razão nem Sócrates nem os seus advogados o dizem? ”

    a investigação não era oficial e não se pode contestar o que oficialmente não existe. tomaram conhecimento na altura da detenção e nessa altura entraram 7 pedidos de habeas corpus, depois foram os expedientes judiciais que conhecemos, atropelos & ilegalidades processuais, prazos indicativos de um lado e obrigatórios do outro, acordeões de cabras & cabritinhos, reacções corporativas dos sindicatos, associações blogueiras de magistrados e outras cenas que ajudaram a consolidar fortemente os indícios de bandalheira e captura do sistema judicial pela direita.

    “J. Madeira, como é que achas que “tudo começou”?”

    não é comigo, mas respondo repetindo o que já disse lá para cima: este processo é um sucedâneo do freeporcos que começou com uma denúncia supostamente anónima de um tal bual do cds, dum adjunto do santana lopes e duma puta qualquer que trabalhava na judiciária na margem sul, com a finalidade de ganharam umas eleições. foram julgados por isso e deu penas simbólicas.

    “quantas dessas eventuais tranferências entre pais e filhos acima do valor que faz disparar alertas automáticos envolveram outros ex-primeiro-ministros ou meros ex-ministros?”

    nenhumas, até nova lei estão protegidos pelo sigilo bancário e tudo em contrário é ilegal.

    “E ainda outra: sendo o dinheiro que veio da mãe aquele que ela recebeu de Santos Silva pela venda do apartamento, não será esse dado algo que obriga as autoridades a começarem uma investigação?”

    dass… esta é da série lógica da batata, até parece ideia daquele moço de massamá.

  101. Valupi,

    Estamos conversados: tu estás esclarecido, eu não; tu não tens dúvidas, eu tenho; onde tu vês reprováveis falhas morais, eu vejo “burrice” e voyerismo. Como diz o outro, os nossos paradigmas são incomensuráveis. Nada de grave nisso, acontece. O que me espanta, é que a pretexto da “apologia da liberdade”, defendas os teus critérios morais como imperativos categóricos. Mais: espanta-me que num caso que deveria servir a todos os que se batem pelos valores dos direitos, liberdade e garantias, desta pretensa República ,manifestarem o seu mais vivo repúdio pelos atentados que lhes têm sido movidos, tu percas tempo e prosa com a avaliação da performance moral de um cidadão que foi PM, tendo por base o folclore mediático armado em torno da sua vida privada, mesmo se alimentado pelo próprio. Pior: mesmo não sendo essa a tua intenção , e dou de barato que não é, acabas por contribuir para que os néscios tomem a nuvem por Juno, a saber, que se dispensem de olhar criticamente para a novela mexicana da nossa justiça em funcionamento, ocupando-se antes com a comédia da vida privada de um ex PM.

    Como já escrevi noutra oportunidade qualquer, deste caso só me interessam dois esclarecimentos. O primeiro é saber, com prova provada, se a ultima governação do PS foi um despudorado filme mafioso. Mas, sobretudo, saber até quando é que vamos, como cidadãos, avalizar uma justiça que condena mães por homicídio de filhas sem corpo de delito, prende alegados pedófilos por “ressonância de verdade “, promove julgamentos na praça pública, coloca todo e qualquer suspeito na posição de se sentir obrigado a provar ad eterno a sua inocência.

  102. Caro Valupi, nos dias que correm, não me admira que a realidade possa ultrapassar a ficção! No livro do cultor da imagem do Cavaco, estão umas dicas sobre a forma e os medos existentes com o fantasma de Sócrates no Palácio de Belém, por coincidência, o pai Vidal foi diretor da PJ nos tempos de Cavaco p.ministro, os filhos deste são procuradores, o macho foi o validador do atentado contra o estado de direito e, da operação “face oculta” cujo, operacional foi um inspector conhecido pelo “crach” de ouro recebido nos tempos do pai e, destratado mais tarde por um diretor da PJ nomeado pelo PS, com exílio em Cabo Verde! A fêmea é a actual PGR que como se tem visto continua a querer arrastar a investigação com desculpas que parece não colherem como dizem na linguagem jurídica, para além dos terabytes! Na operação acima mencionada foi apanhado o genro, diz o livro que, por intermédio de um magistrado o Cavaco tomou conhecimento … “amassar” com as outras escutas ao Palácio foi a tal inventona para obter efeitos políticos ou não terá sido? Logo, insisto que há muitas coincidências que só serão desfeitas com o conhecimento de quem autorizou/mandou avançar com um processo baseado em “fuchiquice” dos pasquins!?!

  103. Então está explicado porque é Sócrates não confiava nos bancos Valupi. E não me custa nada a admitir que já não me recordava dessa versão. Saíram tantas no CM. Portanto o MP ou o CM, depois de terem constatado vários crimes, decidiram ir prender o homem ao aeroporto. Ok. Tenho que me lembrar de proibir transferências bancárias à minha mãe. E Deus me livre das escutas. Assim de repente, lembro-me de Ricardo Salgado e nem vale a pena entrar pela amplitude das “alegadas” fraudes financeiras, que (só) foi intimado a depor…

    Pensava que já tinha ficado claro que a Operação Marquês vale zero para mim hoje! Já o Valupi retira de tudo quanto já se passou que um ex-PM nunca pode pedir dinheiro emprestado aos amigos. O que não é crime, que eu saiba, nem em Ditadura. Quiçá começar logo no Goldman Sachs em vez de ir “estroinar” para Paris. Porque assim validou a investigação?! Então não foram os alarmes do sistema bancário que validaram a investigação e as escutas?

    Hoje e excepto os seus autores ninguém sabe ao certo os verdadeiros porquês da investigação. Quanto muito suspeitamos. Nem sequer onde começou. Se no MP ou no CM!

    Vou voltar a afirmar que o meu único ponto de interesse é o Estado de Direito Democrático. Ou como ainda é possível acontecer uma coisa destas em Portugal! E nomeadamente a um ex-PM.

  104. Eh pá, ò Valupi, pá, olha que aquela tua entrada a pés juntos em resposta à Jasmin,

    “Jasmim, não sei se privas com a Fernanda ou com Sócrates. Se não, tens apenas as informações que vêm a público para tirares conclusões. E tu és pródiga em conclusões sobre a Fernanda mas ficas estranhamente inibida a respeito das conclusões a tirar sobre Sócrates.
    Diria que a honestidade intelectual e a decência não são os teus pontos fortes à luz deste caso”.

    Eh pá, nem sei que te diga! Quer dizer, até sei: “Diria que a honestidade intelectual e a decência não são os teus pontos fortes à luz deste caso”, pois ela está tapadinha de razão: com a informação disponível ( e a menos que tenhas outra que não partilhas ) qualquer abordagem “moralista” do caso pode ter duas leituras, consoante o preconceito que se escolha. O teu, já percebemos qual é. Portanto, não se percebe porque achas desonesto quem usa a mesma lógica que tu, apenas porque escolhe outro ângulo.

  105. Lucas Galuxo, continuas a querer falar de outras dimensões do caso que não a que estritamente concerne à responsabilidade de Sócrates e que fica como a causa material para o processo.

    Diria, então, que essa é a tua forma de reconheceres que a posição de Sócrates nesse âmbito é indefensável.
    __

    ignatz, a investigação não era oficial? De que falas? E quando é que entram em palco os elefantes cor-de-rosa?
    __

    JRodrigues, de facto, não te posso obrigar a formular um juízo moral acerca da conduta de Sócrates que está na origem do processo. Creio também que tu não sabes como funciona, e muito menos para que serve, o Ministério Público.
    __

    J.Madeira, pois sim, mas essa conversa não passa de uma especulação. Tem interesse e importância, no entanto carece de provas para ultrapassar o nível das teorias da conspiração e das calúnias.

    Entretanto, sobre a conduta de Sócrates, não tens opinião?
    __

    P, se pedir dinheiro emprestado a um amigo não é crime – e talvez tenha mesmo de ser no plano fiscal nos moldes em que corre estes empréstimos terem sido feitos – então Sócrates não será acusado ou, a ser, irá ser absolvido pelo tribunal, ou, a não ser, irá ganhar os recursos na Justiça, até ao último possível.

    Porém, eu não questionei a inocência ou culpabilidade de Sócrates, como farás a justiça de reconhecer. Tanto no texto como nos comentários repito que ele é inocente até prova em contrário. Então, para quê vires falar comigo como se isso estivesse em causa? Só encontro uma explicação: tu és mais um que não se quer confrontar com a responsabilidade de Sócrates neste processo.
    __

    MRocha, do que escreveste, percebi que dás razão à Jasmim. Não percebi foi porquê, mas podes voltar a tentar que não pagas mais por isso.

    Quanto ao caso, que eu saiba a Fernanda Câncio não é arguida nem é ex-primeira-ministra. Logo, não há nada na sua conduta privada que tenha chegado ao nosso conhecimento que justifique avaliação moralmente negativa. Também sabemos que a Fernanda, por causa de uma relação de intimidade com Sócrates, se viu envolvida num caso de que não é responsável e que ameaça o seu bom nome, o seu prestígio e, portanto, a sua carreira profissional como jornalista, para além de muitas outras consequências em diferentes planos da sua pessoa e da sua vida. Finalmente, o relato que fez da sua relação com Sócrates não foi desmentido pelo próprio.

    Perante isto, quem escolhe atacar a vítima, que na actual situação vinda a público é a Fernanda, não pode logicamente estar do lado da honestidade intelectual e da decência.

  106. as anas gomes, as adoas e silva e os vesgos9000 já deixaram cair o assumpto, tu continuas a trabalhar para o branqueamento do ministério público. deves estar a marcar território para a rusga do ró-ró aos ipês nas caixas de aspirina. a érica e a óbimba assistem de camarote à sessão de rabos & orelhas.

  107. “a investigação não era oficial e não se pode contestar o que oficialmente não existe.”

    substituis o oficial por secreta ou clandestina e vais dar ao mesmo. uma data de ilegalidades que de tão ilegais não podem ser contestadas porque não são reconhecidas oficialmente. deves tar lembrado dos tempos em que o gato constipado, em substituição dos elefantes cor-de-rosa, entrava em palco todos os dias para confirmar ou desconfirmar investigações a suspeitos ou não suspeitos daquela cena pia denúnciada por uma tia de alvalade.

  108. Normalmente são os crimes que abrem as investigações e o Valupi afirma no post que Sócrates validou a abertura da investigação com os empréstimos.

  109. Vejo que o Valupi agora quer fazer o Julgamento Moral do Sócrates e acaba completamente encostado às tábuas.

    Será isto a causa do desassossego ? … !
    https://www.noticiasaominuto.com/politica/659264/marques-mendes-socrates-quer-candidatar-se-a-presidencia-da-republica
    Talvez o meia-Leca tenha razão, talvez já ande meio PS aflito com medo do fantasma, e a pedido do Costa queira, à falta de melhor, fazer o Julgamento Moral.
    Não percebem que para isso a Direita chegou primeiro (o Cavacoiso, a Achadeira-Mor, a Dupla Patilhas e Ventoinha, e claro … o Manholas). Isso, e que o Sócrates há muito está em campo a cortar-lhes o jogo, … e cheio de pica.

  110. Val, num julgamento moral, qual o critério que permite classificar como condenável o empréstimo de dinheiro entre amigos, além da inveja?

  111. ignatz, larga o tintol.
    __

    P, tens de melhorar esses conhecimentos a respeito da actuação das polícias, do Ministério Público e dos tribunais. Mas tu preferes a cegueira, né?
    __

    Jasmim, larga o vinho.
    __

    Lucas Galuxo, confesso que me causa estranheza ver-te nesse papel, mas prontos. É tudo misterioso, afinal.

    Ora bem, na Operação Marquês não se está a querer condenar alguém por ter pedido e obtido empréstimos de amigos. Como não sei se apanhaste a ideia à primeira vou repetir: na Operação Marquês não se está a querer condenar alguém por ter pedido e obtido empréstimos de amigos.

    Uma vez assimilado este facto, e é de um facto que se trata, poderás largar a seguinte exclamação “Ah, então se não querem meter o homem na prisão por causa dos empréstimos do amigo, do que se trata afinal esta cegada toda da Operação Marquês?!…”

    E eis a resposta: as autoridades suspeitam que o dinheiro “emprestado” tenha chegado à conta de Santos Silva em resultado de actos de corrupção onde Sócrates tenha sido corrompido no exercício das suas funções de primeiro-ministro.

    Chocante, não é? É que, aparentemente, a Justiça portuguesa não está mesmo interessada nos empréstimos entre amigos.

  112. Val, não te desvies do assunto. Que dezenas de inspectores, detectives, procuradores, polícias, juízes e jornalistas, à conta do erário público, utilizando todos os meios ao seus alcance, incluindo prisão, tortura mediática, escutas telefónicas, coacção de testemunhas, apreensão e investigação milhões de ficheiros informáticos, andam há muitos anos à procura de um só acto de corrupção que possa justificar uma acusação e, ao que parece, ainda não encontraram, já tinhamos percebido. Tu é que trouxeste a posta de, independentemente do desfecho processo e utilizando apenas actos já assumidos por José Sócrates, nomeadamente os empréstimos do amigo, podermos fazer um juízo moral da sua conduta desfavorável. Perguntei-te, e como não respondeste volto a perguntar-te, que outro critério além da inveja te permite chegar a essa conclusão.

  113. Muito bom dia caro Valupi,

    Se eu fosse cego não conseguia ler o post ou os juízos morais do Valupi. E também já afirmei que o MP serve para investigar. O problema – diga-se antigo – é quando as investigações se resumem muitas vezes a escutas e muitas vezes ilegais. Assim como a todo o tipo de violações através dos seus aliados na Comunicação Social. O que denota no mínimo preguiça. Que eles salteiam com julgamentos populares e outras falsidades nos tablóides do costume. O que denota no mínimo muita malvadez. Os empréstimos nunca validaram coisa nenhuma porque se assim fosse já havia uma acusação formal há muito tempo. E não há! Era preciso o tal crime que justificasse os empréstimos e validasse a “investigação”. Enfim, uma carga de trabalhos e uma chatice do caraças.

    E com tanta coisa importante para discutir em Portugal…

  114. “E com tanta coisa importante para discutir em Portugal”, como por exemplo o sistema de justissa todo, de alto a baixo…

  115. Interessante e longa discussão sobre o sexo dos anjos. Os Turcos tomarão Bizâncio dentro de momentos.

    Pobre José Sócrates, com “adeptos ferrenhos” como este Valupi, cegos primeiro por amor e depois por despeito…

  116. Lucas Galuxo, pelos vistos, pretendes que me repita. Seja: Sócrates, independentemente de haver acusação ou não, condenação ou não, é moralmente responsável por ter permitido que este caso existisse, um caso onde por causa das suas acções privadas há gravíssimas consequências negativas para terceiros, para o PS e para a democracia. Essas consequências resultam de Sócrates ser um ex-primeiro-ministro, não de Sócrates ter amigos.

    Esta avaliação é autónoma de outras que possamos fazer, que já tenhamos feito e que venhamos a fazer a respeito da actuação da Justiça, da imprensa e do sistema político acerca do mesmo caso.

  117. P, tu é que quiseste discutir a minha opinião, o que muito me honra mas de cuja vontade, a tua, não sou responsável. E discutir um assunto não impede que se discutam outros. Por exemplo, tu insistes em discutir aspectos que não dizem respeito ao teor do texto que abriu esta caixa de comentários. Vês? Dá para tudo.

  118. Por amor de Deus Valupi. Como por exemplo que os empréstimos é que validaram uma investigação que até já tinha autorizado escutas?

  119. Valupi, entendi. Um ex-primeiro ministro é um cidadão com menos direitos que os outros. Não pode passar dificuldades financeiras nem ter amigos que lhe emprestem dinheiro, nem pode agir de acordo com o seu interesse pessoal. As suas acções privadas estão condicionadas pelo interesse de terceiros. Os mesmos que, entre muitas outras sevícias, o vêm na prisão meses a fio, sem uma acusação formal, e lhe voltam as costas, encolhendo os ombros.
    A mais grave consequência que resultou deste processo para o PS e para a democracia portuguesa foi a de escancarar a sua envergadura moral, e a de todos os seus actores, para quem ainda não a conhecia.

  120. P, explica lá melhor o teu pensamento: defendes que as autoridades policiais e judiciais portuguesas não devem investigar indícios de crimes?
    __

    Lucas Galuxo, um ex-primeiro-ministro é um cidadão com mais responsabilidades do que os outros. Porque a ele foram dados poderes que não se deram a quase ninguém. As suas acções privadas, quando dão azo ao surgimento de suspeitas do foro criminal, têm também um peso moral que resulta do estatuto alcançado pelo exercício dos principais cargos na hierarquia do Estado. Se passar por dificuldades financeiras, é sua obrigação moral, cívica e política ter em conta as consequências potencialmente negativas das soluções que encontrar para resolver os seus problemas.

    Foi assim que vimos, no Verão de 2014, um ex-primeiro-ministro na televisão a desmentir uma notícia com o recurso a uma informação factual e benigna: ele tinha pedido um empréstimo à CGD para ir estudar para Paris, logo a notícia que falava de suspeitas de corrupção não fazia qualquer sentido. Infelizmente, nessa mesma ocasião esse ex-primeiro-ministro não admitiu o que só veio a admitir mais tarde e forçado pela exposição judicial das provas relativas aos empréstimos ou dádivas de dinheiro em nome de Santos Silva. Essa tentativa de ocultamento da realidade contribuiu para a censura moral a respeito da sua vida privada. Precisamente pela importância que a comunidade, a sociedade e o regime deram e dão a Sócrates.

    Qual é a parte que não estás a perceber nesta análise tão básica?

  121. Escreve o Senhor Valupi:«… as autoridades suspeitam que o dinheiro “emprestado” tenha chegado à conta de Santos Silva em resultado de actos de corrupção onde Sócrates tenha sido corrompido no exercício das suas funções de primeiro-ministro.»

    Cristalino ! As autoridades têm legitimidade para suspeitar. Na verdade as autoridades estão cada vez mais legitimadas no exercício da suspeição. A coisa já chegou ao ponto de não me deixarem levar sabonete liquido no necessaire quando viajo de avião, por óbvias suspeitas de que sob o meu traje de sptuagenária manca se disfarce uma perigosa terrorista ao serviço do ISIS. Vivemos sob o signo da suspeição generalizada, cultiva-se a suspeição, respira-se suspeição, desde logo nas escolinhas, onde os nossos meninos são instruídos a suspeitar de tudo o que lhes possa parecer “anormal””. Há dias suspeitaram de um senhor que “estava havia demasiado tempo” dentro do carro, no parque de estacionamento em frente à escola. Chamada a PSP, verificou-se tratar-se do namorado de uma colega, que a esperava, sendo que esta estava em reunião e atrasada por isso. Mas à autoridade a explicação do senhor não bastou, foi preciso aguardar pela colega para confirmar. Portanto, é assim que estamos e, segundo Valupi, estamos bem. Bom, meu Caro Senhor, eu não aceito esta “normalidade”. E digo-o com a mesma frontalidade com que condenei os tribunais plenários do antigo-regime, arcando por isso com as respectivas consequências. Entendo que a criminalidade não pode ser branqueada e tem de ser combatida. Mas isso não pode suceder à revelia dos direitos, liberdades e garantias que a Constituição dos que fizeram Abril instituiu. Não sou ingénua, sei que os poderosos são criativos nas suas estratégias de enriquecimento ilícito. Mas sei também que não falta criatividade nos jogos de poder entre poderosos, que muitos deles não olham a meios para atingir os seus fins. Mas, dito isso, também não posso aceitar que, a pretexto de os combater, as autoridades desenvolvam práticas equivalentes, não olhando a meios para realizar os seus intentos. Nada me garante que não seja o caso, nesta “caça ao Marquês” e no “estado a que isto chegou”. Por garantido, tenho que o clima me faz lembrar o de outros tempos, quando ser comunista também era uma questão moral, quando imperavam os processos de intenção, e o ónus da prova de inocência era do suspeito. Portanto, e em sintese, qual o seu ponto, senhor Valupi? Entre a boa tradição salazarista e o Estado de Direito, qual a sua dama ?

  122. Valupi, essa técnica de dexcontextualizar afirmações para justificar preconceitos é velha. Sócrates revelou ter pedido empréstimos à CGD em resposta à insinuação de que era possuidor de uma grande fortuna. Deu um exemplo, até sem precisar. Ou estaria obrigado a mostrar, em directo, o extracto das suas contas bancárias?
    Um ex-primeiro ministro é um cidadão como os outros. Os seus poderes foram atribuídos pelo voto e é às propostas e políticas que submeteu a votação que deve fidelidade. Repito: Observações morais sobre aspectos da vida privada que não ferem a lei fazem parte da linha editorial do esgoto a céu aberto. Fico um bocado surpreendido de te ver a correr para aí.

  123. Lucas, não insistas. Está à vista que o Valupi está a candidatar-se a preencher a vacatura do Kenneth Starr. O dito também conseguiu a proeza de transformar um pecadilho privado num assunto de Estado, transformando numa “mentira” a defesa do direito à intimidade. Aqui estamos na mesma. Acha-se que o problema é a resposta, e não a pergunta. Claro que tudo isto teria sido evitado se quem tem o direito ( e o dever ) de investigar suspeitas, tivesse cumprido com as suas obrigações. Alarme social, falta de confiança nas instituições democráticas ? Amendoins ! O que importa é a questão moral, as vitimas do Diabo ! Fernanda Câncio usa mais de 2/3 do seu texto para desancar o comportamento inquisitorial do MP. Mas que interessa isso se não é esse o ponto ? Portanto, Lucas, não insistas meu ! Discutir preferências sexuais não leva a lado nenhum. Cada um satisfaz-se como lhe dá mais jeito.

  124. Maria R Horta, trazes questões interessantes e importantes, mas que ultrapassam o âmbito desta discussão relativa à moralidade das acções privadas de Sócrates que estão na origem da Operação Marquês – que são a matéria sem a qual este processo não existiria. Já agora, qual é a tua opinião a respeito delas? Que dirias se fosse Passos Coelho, ou Santana Lopes, ou Durão Barroso, ou Cavaco, a estarem numa situação semelhante quanto a indícios de corrupção?

    A tua pergunta final faz supor que, provavelmente, apenas conheces do que tenho escrito neste blogue o texto acima. Se for esse o caso, recomendo prudência nas ilações.
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    Lucas Galuxo, como é que sabes que o fluxo do dinheiro de Santos Silva para Sócrates não fere a lei? Qual é a fonte da tua informação? Como justificas a tua certeza?
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    MRocha, larga a vinhaça.

  125. Senhor Valupi:

    Agradecendo ter-me respondido directamente, é com o maior gosto que respondo directamente às suas questões.

    Não me sinto competente para produzir publicamente juizos morais sobre quem quer que seja. E muito menos juizos criminais. Em consequência, se os nomes que refere fossem objecto de processo semelhante, diria exactamente a mesma coisa. Concretizo com um exemplo: acho inaceitável o que a Senhora Ana Gomes tem dito publicamente sobre o Senhor Paulo Portas, a pretexto do caso dos submarinos. Entendo que o bom nome é um direito demasiado precioso para servir de alvo de baixa politica, ou como dano colateral da incompetência das policias e das magistraturas.

    Tenho ainda o maior gosto em dizer que acompanho regularmente o que o Senhor Valupi publica neste blogue, e não é a primeira vez que discordo dos seus pontos de vista, nomeadamente sobre o estado a que isto chegou na caça ao Marquês. Julgo que todos nós teriamos neste caso uma oportunidade de ouro para ponderar as nossas prioridades de cidadania. Não podemos exigir que os dirigentes sejam tratados como qualquer cidadão e ao mesmo tempo não lhes desculpar o que toleramos aos nossos iguais. Responsabilidades excepcionais, essas, apenas cabem ao Estado, nomeadamente na defesa daquilo que temos Constitucionalmente instituído. E não tem sido o caso.

    Muito obrigada.

  126. Val, Não sei se fere a lei se não. O Estado de Direito em que acredito, e pensava que tu também, diz-me para não aceitar conclusões antes de um julgamento, e sem apreciar uma acusação e o seu contraditório. Acho estranho a maior, mais prolongada e mais violenta investigação jamais realizada a um político, ex-primeiro ministro, tenha permitido o seu linchamento público sem ter apresentado uma singela prova disso. E acho perdida a oportunidade de apresentar uma prova evidente. Agora talvez só com malabarismos, ressonâncias de verdade ou esmagamento processual e exaustão.

  127. Maria R Horta, estás então a defender que, calhando Passos Coelho pedir dinheiro emprestado a um amigo que tenha feito fortuna com a venda da EDP aos chineses, privatização da responsabilidade do Governo de Passos, por exemplo, as autoridades não devem sequer investigar? Atenção, não se trata de constituírem o Pedro como arguido, refiro-me só à abertura da investigação.
    __

    Lucas Galuxo, o Estado de direito não tem outra moral para além da lei. No entanto, não esgota a moral, pois as diferentes dimensões da experiência humana não estão todas reguladas e circunscritas por leis. Por exemplo, não há nenhuma lei que te obrigue a comer algo, ou a passares férias num certo sítio ou a beijares alguém de uma certa maneira. Há é leis que te impedem de comer algo (se estiver estragado), de passares férias em certos sítios (se forem protegidos por lei) e a não atentares contra os direitos físicos e morais de terceiros (violando ou desprezando a sua liberdade).

    No caso, nesta conversa, não está em causa a componente estritamente judicial. Do que falamos é daquilo sobre o qual a Justiça até poderá acabar por se declarar desinteressada, arquivando o caso. E perante isso tu continuas a falar de aspectos laterais e do processo judicial. Ora, como declaras que não sabes se aquilo que Sócrates fez é ilegal ou não, devias acreditar nisso mesmo que escreves e tirar daí a seguinte conclusão: se não sabes, estás exactamente como o Ministério Público, o qual tenta (supomos) abandonar esse estado de incerteza e dar por finda a investigação.

  128. Val, depos de tudo o que viste e ouviste, achas mesmo que quem comanda esta investigação quer apenas saber se um cidadão cometeu ou não algum crime?
    Vai ler aquilo que já escreveste. Podes começar pelo post do dia de hoje.

    Mas, caramba, ainda não respondeste. Que outra atitude que não a inveja pode determinar condenável o acto de pedir dinheiro emprestado a um amigo, num momento de necessidade?

  129. Eu estou convencido que já todos percebemos o ponto de vista do Valupi. Apesar das dúvidas do próprio Valupi sobre o verdadeiro motivo que abriu a investigação. Se o alarme do sistema bancário ou como ainda hoje às 18:19 outra vez os famosos empréstimos. Porque para esclarecer o alerta bancário bastava ouvir a mãe e filho mas claro que não era a mesma coisa que a lama toda que grassou na imprensa meses a fio. Ao ponto de pelos vistos justificar a autorização de escutas?!

    Já o Valupi parece que está com muitas dificuldades para compreender outros pontos de vista. Da mesma forma que continua a querer discutir a investigação sem falar dos moldes da “investigação” propriamente dita ou as sucessivas “fugas”!? Dito isto vou voltar a afirmar que claro que as autoridades devem investigar indícios de crimes. E como também já foi dito, seguindo toda a tramitação legal e nunca fazendo tábua rasa dos direitos de cada um. Sobretudo nunca deviam usar tablóides para passar uma série de “suspeições” e por essa via tentar julgar os “suspeitos” logo na praça pública. Até porque as autoridades também podem e devem ouvir os “suspeitos”. E pelos vistos era outra vez quanto bastava para começarmos logo a falar dos empréstimos. Mas lá se ia a censura pela tentativa de ocultação no Verão de 2014 numa televisão. Sem dúvida nenhuma, o sítio mais indicado para qualquer português se confessar.

    E mais uma vez os empréstimos só por si não são indício de crime nenhum ou se o Valupi preferir, podem ser de muita coisa. Caso contrário quer-me parecer que há muito tempo que conhecíamos alguma acusação. Pelos vistos o ex-PM pediu dinheiro a um amigo rico de infância. Riqueza essa muito anterior a qualquer negócio com o Estado. Antes, durante ou depois de Sócrates PM. Parece que até sempre passaram férias juntos. Mas parece que para o Valupi, o MP e o CM os empréstimos só podiam ser um indício de batota nalgum concurso público. E assim sendo, nada como o CM para realizar logo o julgamento. No mínimo alguém vai achar que os ex-PMs que pedem dinheiro a amigos são gente moralmente indigna.

  130. … e os Presidentes da República que passam férias na casa dos banqueiros do regime (e patrões da namorada), já esses são, obviamente, gente moralmente intocável !

  131. qual alarme bancário qual caralho, dizem que existe uma espécie de lei que obriga os bancos a comunicarem depósitos em numerário superiores a € 11,500.oo, com a finalidade de evitar lavagem de dinheiro e identificar os intervenientes. as transferências não estão abrangidas por esta treta pois os intervenientes estão identificados. existe outra treta sobre doações superiores a um montante que ninguém sabe qual que serviria para o fisco arrecadar algum. nenhuma destas cenas funciona e não consta que tenha sido posta em prática, tirando o caso marquês.

  132. Lucas Galuxo, o teu problema nesta discussão, curiosamente, nasce da tua incompreensão do que seja um Estado de direito. Se te focares nessa definição, verás que está aí a chave para avaliar Sócrates moralmente. É que Sócrates sabia que, num Estado de direito democrático e de acordo com a nossa Constituição e Código Penal, a sua conduta de financiamento pessoal através de Santos Silva teria sempre de ser investigada. Porque se constitui como um indício, incontornável, de corrupção e fraude fiscal.

    Isto liga-se com a tua pergunta, a qual faz referência a um amigo e ao acto de pedir um empréstimo, mas que se coloca num plano abstracto. Ora, avaliar moralmente a situação implica concretizar o exemplo. É que podem existir várias circunstâncias que façam com que seja imoral pedir um empréstimo a um amigo. Por exemplo, se eu pedir um empréstimo a um amigo que está com dificuldades financeiras, e usar a relação de amizade para ele ficar ainda com dificuldades maiores por causa do meu pedido, tu dirás que a minha acção é imoral, espero. De igual modo, se pedir um empréstimo a alguém sem ter verdadeira necessidade desse empréstimo e sabendo que o pedido irá incomodar e prejudicar, seja em que grau for, essa pessoa, tu também dirás que moralmente eu não fui correcto. E se eu pedir um empréstimo a um tipo que trafica droga, vende armas ilegais ou produz pornografia infantil, que dirias tu da minha decisão?
    __

    P, se aceitas que as autoridades devem investigar indícios de crimes, então já tens tudo de que necessitas para fazer um juízo moral de Sócrates. O resto, a forma como decorre a investigação e como os magistrados responsáveis estão a fazer a condução do processo, é outra conversa.
    __

    Jasmim, estás a disparar para o ar.

  133. A epístola que antecede, de Valipu a Gaúcho, deixou-me estupedefacto …
    Parece o samba do crioulo louco …
    Ora,
    A coisa só tem andante, com base numa acusação do estilo, ” enquanto detentor de cargo público, engendrou um esquema de corrupção, escondendo o dinheiro na conta de um amigo”.
    Isso é SOP (Standard Operation Procedure ) para um funcionário da Brutalidade Tributária. Levanta um auto de notícia, e com base no mesmo, é efectuada liquidação para arrecadação do imposto em falta . O apuramento fo imposto é feito por metodos incendiários, whoops, ” digo, “métodos indiciários ” . E a coisa sobrevive se a vitima for o Zé das iscas . Claro que um cidadão que tenha disponibilidade contrata um advogado e leva o caso para um tribunal tributário. E, evidentemente, que nem aí, num simples tribunal tributário, se safa, o juiz dirá logo, mas que diabo é isto ??? A sentença sai rápida: não está nem devidamente qualificado, nem quantificado . Não há book que tenha a previsão legal do crime de ” engendrou um esquema, té té té, té té té, etc. ” a que corresponde a pena de, tal . Tem que estar tudo escarripchado, facto tal, crime tal, sanção tal. E por aí adiante, para os vários crimes . Para estabelecer os nexos, entre os actos de corrupção e os pagamentos, vai ser um Deus lhes acuda . Ora se nem se safa num tribunal tributário, muito menos num tribunal judicial, onde a haver acusação, decorrerá o julgamento .
    Já dizia o velho Elias : a corrupção é muitíssimo difícil de provar, porque corruptor e corrupto têm que confessar ambos . E existindo o princípio na não ” auto-incriminação ” nem por aí tem pernas . Para muitos, confissões são indícios, há que a partir daí, investigar ainda mais para aprofundar . O ónus está sempre na acusação ( e o bónus na defesa ) .
    Disse e repito : o crime de corrupção, só pode ser combatido quando existir uma lei que obrigue os corruptos a terem contabilidade organizada . Só aí, poderão ser apanhados e punidos. Género: formula-se uma acusação a um sujeito que suspeitamos ser corrupto ( a partir de indícios financeiros, como diz o(a) Valupi ) e convidamo-lo a exibir a dita escrita organizada de onde constam os registos detalhados dos actos de corrupção e respectivos pagamentos . Se o bacano ou a bacana não apresentar a escrita, é punido por falta de exibição, o que equivale ( isso é fácil, põe-se na lei ) a ocultação de actos de corrupção. E pronto, tá feito .
    Tudo perfeitamente inconstitucional, hehehe . Mas se a a lei fosse aprovada e aplicada, – estou-me a lembrar dum país de loucos, um manicómio, que por exemplo, é para onde este País caminha – seria, uma vez aprovada e publicada, e aplicada por juizes independentes dos outros poderes, mormente do poder executivo, uma lei dum ” estado de direito formal ” …
    Corrupto da Fonseca .

  134. Valupi, onde isto já vai! Um empréstimo é um indício, incontornável de corrupção e fraude fiscal? Todo o dinheiro acumulado neste país é obtido através de corrupção? Se o empréstimo foi pago e não deu origem a rendimentos pessoais nem a um nem a outro em que é que o fisco foi lesado? Se alguém suspeita que isso constitui crime pois que se investigue e esclareça, sem condenação antes de acusação ou julgamento. Considerar a abertura de investigação (que falta saber se não resulta de uma arbitrariedade e perseguição pessoal) é suficiente para fazer uma condenação moral perante a sociedade é uma imoralidade. O critério moral da primeira é a inveja, o da segunda é a presunção de inocência.

  135. Ok Valupi. O facto de eu ter escrito que os empréstimos em causa só por si nunca foram indício de crime nenhum e muito menos podiam ser responsáveis pela abertura de qualquer investigação sem a identificação do acto criminoso em si que justificasse as transferências de dinheiro, não deve valer nada. Então seja feita a vontade do Valupi. Independentemente também da própria bastonária dos advogados já ter respondido à outra grande interrogação do Valupi, sobre a ilegalidade das investigações. Isto a mim desde o princípio que só me faz lembrar a história do funcionário público que chegou ao trabalho de Porsche. E agora já nem me lembro muito bem de quem era o Porsche. Corrupção ou fuga ao fisco? Que se foda, é moralmente reprovável. Onde é que já se viu um funcionário público de Porshe?

  136. “Maria R Horta, estás então a defender que, calhando Passos Coelho pedir dinheiro emprestado a um amigo que tenha feito fortuna com a venda da EDP aos chineses, privatização da responsabilidade do Governo de Passos, por exemplo, as autoridades não devem sequer investigar? Atenção, não se trata de constituírem o Pedro como arguido, refiro-me só à abertura da investigação.”

    Senhor Valupi,

    Agradeço ter-me incluido neste interessante debate. Mas se a sua argumentação passa por me atribuir afirmações que não produzi, nem tão pouco sugeri, retiro-me de cena.

  137. Corrupto da Fonseca, tenho só de te fazer uma correcção: não do que “diz o(a) Valupi”, mas sim do que disse e vai dizendo o MP.

    Tens de largar o vinho.
    __

    Lucas Galuxo, vais chafurdando numa mixórdia de conceitos e dimensões. Neste país os empréstimos não são crime, podes ficar descansado. No entanto, e apesar disso, as autoridades são pagas com o dinheiro dos nossos impostos para investigar crimes que – imagina lá tu! – até podem ocorrer sob a forma de aparentes empréstimos. É disso que se trata, da suspeita que o dinheiro usado por Sócrates tivesse chegado a Santos Silva como resultado de algum crime. Qual é a parte que não estás a perceber? Isto é simples.

    Quanto ao aspecto estritamente moral desses empréstimos, és capaz de, e finalmente, lá chegares se responderes a esta pergunta: achas que Sócrates ignorava o que lhe poderia acontecer, tanto no plano judicial como mediático, caso esses empréstimos fossem do conhecimento das autoridades?
    __

    P, se o que agora escreveste é que é para valer, então isso implica que transferências de dinheiro resultantes de actos criminosos só podem ser investigadas depois de os criminosos, ou terceiros, terem alertado as autoridades para os crimes que estão a cometer. Nesse caso, o MP tomaria conhecimento dos empréstimos concedidos por um empresário que fez negócios com o Estado, e que recebeu dinheiro de outros empresários que fizeram negócios com o Estado, a um ex-primeiro ministro, entre outras transferências de capital com o mesmo sentido, mas ficaria passivamente à espera de um telefonema de alguém que tivesse feito “a identificação do acto criminoso em si”, é isso?

    Diria, nesse caso, que é uma sorte para todos nós tu não fazeres leis nem trabalhares no MP como magistrado.
    __

    Maria R Horta, há aí um grande equívoco. Nada te atribuí nessa citação, estou é a lançar uma questão para melhor defender o meu argumento e para melhor entender o teu.

  138. Val,
    “achas que Sócrates ignorava o que lhe poderia acontecer, tanto no plano judicial como mediático, caso esses empréstimos fossem do conhecimento das autoridades?”

    Se sabia estar a cometer algum acto reprovável, não.
    Acho que se agiu de Boa Fé, e tinha consciencia de não estar a praticar algo ilícito, nada tinha a temer. Ficou, como nós, a saber que aquela não chega a todos os cantos das autoridades judiciais, é rara no espaço mediático, é rara numa parte da sociedade, e até na tua cabeça tem dias que se evapora.

  139. Mas a regra do respeito pela vida privada, que se aplica até aos jornalistas, aplica-se, naturalmente, a todos nós. A decência passa pela não invasão da vida privada alheia e pelo respeito das confidências que nos são feitas, pela discrição, em nome da reserva da intimidade da vida privada e familiar, da protecção da liberdade alheia e da confiança necessária às relações entre as pessoas. Mas isto, claro, quando se trata de pessoas decentes, que se preocupam com o seu bom nome e o dos seus concidadãos. Os outros não têm direito ao nome.

    jvmalheiros@gmail.com

    https://www.publico.pt/sociedade/noticia/revelacoes-indiscricoes-e-decencia-1745345?page=2

  140. Lucas Galuxo, se bem li a tua resposta, estás a afirmar que Sócrates ignorava o que lhe podia acontecer na Justiça e na comunicação social pela simples razão de estar a agir de “Boa Fé”. Donde, e apesar de ter tentado ocultar das autoridades, do público e das relações próximas tais actos de “Boa Fé”, terá ficado surpreendido com a dimensão e consequências que essa “Boa Fé” veio a ter e continuará a ter não se sabe por mais quantos anos nem com que desfecho e respectivos impactos políticos, pessoais e sociais.

    Em suma, para ti Sócrates perdeu por completo a memória e sofre de um colossal défice cognitivo.
    __

    MRocha, não percebi do que falas nem com quem falas, pois não é o respeito pela privacidade da vida privada que está aqui em discussão a respeito da responsabilidade moral de Sócrates.

  141. Val,

    Ok. “Não revelar” significa “tentativa de ocultar” e “o respeito pela privacidade não está aqui em discussão”. Belo.
    Os impactos políticos, pessoais e sociais da sua Boa Fé são interessantes. Todos ficamos a conhecer melhor a sociedade em que vivemos e o carácter daqueles que nos rodeiam. Não é um martírio em vão.

  142. O raciocino com que Valupi nos presenteia é mais ou menos este : é perfeitamente legitimo criticar moralmente o padre que tem uma amante; o que não faz sentido é criticar quem o expôs publicamente nem quem lhe exige o absurdo da castidade. Ou seja, condena-se o efeito, iliba-se a causa e a devassa. Por mim, estou esclarecido.

  143. Lucas Galuxo, estás definitivamente enterrado na cegueira. Sócrates, “ao não revelar” que usava dinheiro de Santos Silva, fazia com que as autoridades, o público e até as suas relações mais próximas ignorassem o que se passava. Acontece que o que se passava tinha potencial interesse tanto para as autoridades, como para o público e ainda para as suas relações mais próximas. O interesse resulta de essas actividades privadas de Sócrates terem o potencial de desencadear a sucessão de eventos que, efectivamente, vieram a gerar. Esses eventos têm gravíssimas consequências, as quais ultrapassam a esfera estritamente individual ou privada da sua pessoa. Mas tu preferes ignorar esta realidade, e estás agora agarrado a uma alucinação, a da “Boa Fé”.

    O que se passou com Sócrates é equivalente a alguém encher um carro com material explosivo e dar boleia a amigos seus para virem todos passear na cidade. Não revelando aos seus próximos que leva explosivos no carro, os passageiros não podem escolher entre entrar num carro cheio de explosivos ou fugirem dali para fora. No caso desse carro ser parado pela polícia, começam por passar por cúmplices do condutor que encheu o carro de explosivos. Igualmente, as autoridades não podem avisar os habitantes da cidade para se afastarem de um carro cheio de explosivos que pode rebentar a qualquer momento na cidade ou numa estrada qualquer. Se, afinal, o condutor não leva explosivos, mas apenas uma imitação de explosivos que não fazem mal nenhum, ainda assim, ao não ter avisado ninguém da brincadeira, é o responsável pelas consequências de não ter previsto que poderia ser confundido com um bombista.

    Isto é simples.
    __

    MRocha, larga a vinhaça.

  144. “MRocha, não percebi do que falas nem com quem falas, pois não é o respeito pela privacidade da vida privada que está aqui em discussão a respeito da responsabilidade moral de Sócrates.”

    Eu explico, Valupi:

    Numa sociedade de gente decente, não passa pela cabeça de ninguém pedir à mulher de César que prove ser honesta. Já nas sociedades de gentinha mesquinha, é o que se vê: um actor com arremedos de estrelato medita em lotus num aeroporto, tem de provar que não é turra, e perde o avião; um gajo espera pela namorada à porta da escola desta, tem de provar que não é pedófilo e sai da esquadra com processo por injuria à autoridade; qualquer cagadeira de auto-estrada onde um aflito vá arrear, nos manda sorrir, pois, “para nossa segurança”, estamos a ser filmados; vai um tipo a conduzir e tem de soprar o balão, suspeito de ir aviado.

    Continuo ?

    Em tese , numa sociedade onde tudo é suspeito e todos são suspeitos, onde se instala o perímetro para aferir a credibilidade moral do politico? No exercício de álgebra que copiou do colega do lado no exame da 4ªa classe? As vezes em que a senhora deputada se pinocou por fora do matrimónio antes de ser eleita, contam? E se foi depois ? Qual o numero de vezes que achas aceitável um ministro masturbar-se por dia ? E se for solteiro, tem direito a algum extra em relação ao casado ? Mais: perguntado pela Teresa Guilherme, “- O Sr Ministro, quantas vezes se masturba por dia ?”, que deve o gajo responder ?

    Falas ali em cima do empréstimo do Passos ao amigo que ganhou dinheiro na privatização da EDP. Ok ! E se o amigo do Passos for o outro, aquele que ganhou dinheiro fazendo negocio com um gajo que o Passos nem conhece mas que ganhou muito com a privatização da EDP. Conta ? Então e eu , que fiz um jardim para o Cavaco, achas que foi pagamento encapotado pela aprovação do 797 que aprovei ao pai no tempo em que fui tarefeiro da função pública?

  145. Valupi, acho que tu é que ficaste cego por preconceitos moralistas rupestres. O que se passava não é da conta de mais ninguém além dos directamente envolvidos. Se as autoridade tinham dúvidas pediam esclarecimentos. Não foi isso que fizeram. Procuraram, ou permitiram, uma condenação pública antes mesmo de, ao que se sabe agora, terem elementos suficientes para formular uma acusação.
    Se ninguém pode ser condenado em tribunal utilizando prova obtidas ilegalmente, também não é moralmente aceitável formular juízos sobre alguém através de informações (ou insinuações) obtida por procedimentos imorais. Pára com essa merda!

  146. A tua analogia dos explosivos é muito boa, Valupi.
    Mas dou-te outra que não precisas imaginar, pois passou-se em Estremoz e está documentada.
    Um gajo, como o do teu exemplo, leva no porta bagagens uma saca de farinha de trigo, cinco kilos num saco a granel, que comprou sem factura a um moleiro amador. Imagina que a GNR o manda parar numa operação STOP e o jovem fardado de fresco suspeita que aquela merda é coca. Imagina que vai tudo dentro, noite inteira, ele e os amigos, até que, manhã seguinte, chega o perito para testar o produto. Achas que o gajo tinha a obrigação de ter informado os amigos com quem ia no carro que transportava farinha ? É que eles também não puderam optar, e ficaram com a noite estragada…Fodido, não é ?

  147. MRocha, pegas no exercício de imaginarmos que Passos pediu um empréstimo a um amigo que fez negócios com alguém que Passos não conhecia e que, por sua vez, tinha feito negócio com o Estado durante o período em que Passos foi primeiro-ministro. Ora, tens aí uma situação em que, do ponto de vista das autoridades, há que esclarecer se estamos perante um caso de corrupção. Porque as autoridades não podem ignorar essa possibilidade. Isto é simples.

    Quanto ao teu exemplo da farinha, o problema parece-me estar do lado desse soldado da GNR e dos critérios que permitiram a sua entrada na instituição.
    __

    Lucas Galuxo, as autoridades pediram esclarecimentos. E daí resultou a prisão preventiva durante quase um ano.

    Quanto ao “o que se passava não é da conta de mais ninguém além dos directamente envolvidos” és tu quem tem de sair da Idade da Pedra. Daqui a um bocado estás a validar a violência doméstica como uma coisa entre marido e mulher, não é para metermos a colher.

  148. Foda-se, Valupi !!!!

    Não li ninguém a contestar abertamente a legitimidade da investigação ! Esquece lá isso ! Aquilo que todos te criticamos é o juizo moral de um comportamento que não tens cabalmente esclarecido , dado que a ecologia dos média não autoriza ninguém de bom senso a usar o que veiculam para o efeito que te propões, o que ainda assim fazes, e ignorando ostensivamente as condições concretas ( e ilegítimas – Relação dixit. ..) , em que o processo tem decorrido, o que naturalmente poderá ( pelo menos no campo das hipóteses ) ter suscitado respostas menos avisadas dos envolvidos.

    Sabe-se que todos nós gostamos de interpretar os acontecimentos de acordo com o nosso sistema pessoal de crenças. Só assim o mundinho nos faz sentido. Há mesmo milharas que acreditam (PR incluido …)que em certo dia de maio de há uns anitos atrás, houve tres putos, que moravam ali para as bandas de Fátima, que deram de caras com a mãezinha do JCristo ao rebusco de bolota em cima dum chaparro da Cova da Iria. Portanto, és completamente livre para construíres uma narrativa que te faça sentido sobre a responsabilidade moral do JSocrates. O que não podes é pretender que adoptemos por universais, válidos e categóricos, os teus critérios morais. Mais : é abusivo que o faças publicamente, quando não detens a verdade dos acontecimentos, mas apenas excertos e interpretações contaminadas pelo ambiente em que têm sido produzidos.

    Nesta discussão pareces um daqueles gajos que defende que um relógio parado está certo porque o vê a dar as horas certas duas vezes por dia. Diz o outro que apenas os peixes mortos não nadam contra as correntes. Mas a tua é um fastio.

  149. MRocha, não precisa. Deixa Nossa Senhora de Fátima em paz. E todos os que se revêem no acto de caminhar ao encontro de outros que também sentem curiosidade e fascínio pelo mistério de existir e deixar de existir.

    Valupi,
    Bom, se pedir esclarecimentos, para ti, consiste em prender as pessoas para investigar, verter insinuações para os jornais e permitir a sua humilhação pública, estás certo.
    Tudo isto tem muito graça. Uma cagunfas de meia leca que nem coragem tem para dar a cara por aquilo que escreve a dar lições de moral a quem anda de peito aberto na cidade, sujeitando as ideias em que acredita ao escrutínio público e sofrendo na carne o ódio dos inimigos que por as defender criou.

  150. “P, se o que agora escreveste é que é para valer…”

    Eu escrevi sempre o mesmo. E nunca nada que implicasse que transferências de dinheiro resultantes de actos criminosos só podiam ser investigadas depois de os criminosos, ou terceiros, terem alertado as autoridades para os crimes que estão a cometer. O que eu ainda não escrevi e só para dizer mesmo algo de novo desta vez, fazer juízos morais sobre algo que nós também admitimos praticar é que é imoral.

  151. Da mesma forma que não é possível dissociar qualquer juízo da investigação dos moldes que a bastonária acabou de admitir: Ou seja, que há mesmo processos em que os investigados sabem que o estão a ser pela comunicação social. Porque como devia ser sem acusação e se só daqui a duas décadas é que se viesse a saber por acaso que chegámos a ter um PM investigado por pedir dinheiro a um amigo de infância não havia cá lugar a juízo moral nenhum.

    A Justiça e as leis em Portugal não são administradas por nenhum computador mas por juízos racionais. Ou pensávamos nós. O que faz de cada caso um caso. E Santos Silva nunca foi só um empresário que fez negócios com o Estado enquanto Sócrates foi PM como o Valupi insiste. Não se importando sequer com a influência ou não do PM nos tais negócios. Para além de uma fortuna muito antiga os negócios com o Estado já aconteciam antes de Sócrates PM e continuaram a acontecer depois. E também acontece que alguns de nós, independentemente de qualquer função, nunca deixamos os amigos para trás. Sem termos que nos sentir mal com isso na medida em que não significam nada de errado! E como eu dizia, qualquer juiz tem sempre que tentar abarcar a realidade toda. Ao invés de pespegar as partes que mais lhe convém nalgum tablóide, por exemplo. Ao fim e ao cabo, a ilegalidade monstruosa que atenta contra tudo e contra todos num Estado de Direito e que é a única origem da tal “fraqueza moral” que ainda não parou de se discutir aqui. Basta ver quanto da denominada operação Marquês tem afinal a ver com os famosos empréstimos. O tal grande indício.

    O que abriu a “investigação” não foi nenhum indício Valupi. E mais uma vez, depois de anos a virarem a vida de alguém do avesso nos jornais e nada. Ok, um juízo moral que um verdadeiro atentado ao Estado de Direito permitiu. E viver bem com isso.

  152. MRocha, constato que reconheces estarmos perante uma investigação legítima. Agora já só tens de te perguntar como foi que tal aconteceu. O resto, esse mundo de questões acerca do modo como tem decorrido o processo, não interessa para a avaliação moral de Sócrates neste caso.
    __

    Lucas Galuxo, Sócrates e Santos Silva foram detidos para interrogatório, tiveram direito a advogado, foram constituídos arguidos e ficaram presos preventivamente. Isto é o Estado de direito a funcionar quando os esclarecimentos não são suficientes para acabar com as suspeitas. Podemos questionar todos os elementos do processo, e as decisões dos diferentes magistrados envolvidos, mas o facto principal continua o mesmo: Sócrates fez algo que permitiu esta intervenção da Justiça. É isso que podemos avaliar moralmente, independentemente do desfecho judicial do caso.

    Entretanto, parece que tens a ideia de que não dou a cara e que sou cobarde, seja lá o que for que queiras dizer com isso. Creio que o afirmas porque escrevo com um pseudónimo que não tenta fingir que não é um pseudónimo, o que aconteceria se assinasse António Costa, ou João Costa, ou Nuno Costa ou mesmo Paulo Costa, presumo. O que te levou para essa conclusão parece ter sido só esta discussão acerca de Sócrates num pardieiro da Internet, mas fica a saber que a respeito. Não te esqueças é do seguinte: não passa da tua opinião.
    __

    P, se não foi um indício que abriu a investigação, o que foi, então? Conta-nos o que sabes dessas matérias.

  153. “Sócrates fez algo que permitiu esta intervenção da Justiça.”

    o calex deu uma entrevista onde se queixou que o sócras tinha retirado privilégios aos juízes.

  154. “Sócrates e Santos Silva foram detidos para interrogatório, tiveram direito a advogado, foram constituídos arguidos e ficaram presos preventivamente. Isto é o Estado de direito a funcionar ”

    É. Ser constitudo arguido e ir para a prisão rodeado de holofotes, sem saber qual o ilícito de que é acusado, é um Estado de Direito maravilha.

  155. “Sócrates e Santos Silva foram detidos para interrogatório, tiveram direito a advogado, foram constituídos arguidos e ficaram presos preventivamente. ISTO É O ESTADO DE DIREITO A FUNCIONAR QUANDO OS ESCLARECIMENTOS NÃO SÃO SUFICIENTES PARA ACABAR COM AS SUSPEITAS. Podemos questionar todos os elementos do processo, e as decisões dos diferentes magistrados envolvidos, mas o facto principal continua o mesmo: Sócrates fez algo que permitiu esta intervenção da Justiça. É isso que podemos AVALIAR MORALMENTE, independentemente do desfecho judicial do caso”.

    PORRA VALUPI,
    Agora quem te diz para largar as drogas duras sou EU.
    Lê bem a aberração que acabaste de escrever !!!!!!!!!
    Estás completamente alucinado ou juntaste-te à Santa Inquisição ?

  156. Ó Valupi

    Então agora tu defendes os JULGAMENTOS SUMÁRIOS pelo juiz de Instrução e o início imediato do cumprimento de pena baseado numa avaliação MORAL ?
    Mas que puto de simulacro de justiça vem a ser isso ?
    E és tu quem vem para aqui armado em socialista dizer que defendes o Estado de Direito Democrático ????
    Afinal tu não passas de um salazarista disfarçado !
    Ficas bem ao lado da ala direita do PS, esse cano de esgoto inquinado por gente do calibre intelectual e moral de uma Ana Gomes, de um Tozé Seguro ou de um Álvaro Beleza.
    Caiu-te a máscara !!!
    E tudo isto agora, PORQUÉ ?
    Dói-te a barriga pelo António Costa e pela sua postura cínica que fica cada vez mais exposta e ameaçada ?

  157. “Sócrates e Santos Silva foram detidos para interrogatório, tiveram direito a advogado, foram constituídos arguidos e ficaram presos preventivamente. Isto é o Estado de direito a funcionar quando os esclarecimentos não são suficientes para acabar com as suspeitas.”

    Primeiro lembrei-me de escrever que o labrego do JMT não diria melhor. Sem qualquer tipo de ofensa para além do dito cujo como é óbvio. Mas o que eu queria mesmo perguntar é se não descontextualiza um bocadinho o post da Elina Fraga. De qualquer maneira parabéns por finalmente uma opinião clara sobre a investigação e o Estado de Direito. Num post em que claro não era o tema. De qualquer maneira e como diz o post é a liberdade que nos salva. Só foi pena chegar depois de quase 200 comentários.

    Quanto à última pergunta e como hoje é quinta-feira talvez o alarme do sistema central de informação da CGD Valupi.

  158. dá-lhes!, Val, afinfa-lhes com essa tua inteligência. :-)

    Val, querido, a Olinda está contigo!
    Val, querido, a Olinda está contigo! :-)

  159. P, ainda não percebi qual é a conexão que insistes em fazer sobre as declarações da Elina Fraga que cito noutra entrada e esta discussão sobre a avaliação moral do financiamento de Sócrates a partir de dinheiro em nome de Santos Silva. Acaso a Elina fala ali da Operação Marquês? Sequer refere o nome Sócrates? E mais: tens algum registo onde se possa ler ou ouvir a Elina Fraga a dizer que Sócrates foi alvo de uma investigação, detenção e/ou prisão ilegais?

    Um dos problemas do fanatismo é a facilidade com que os fanáticos mostram só querer falar consigo próprios.

  160. “MRocha, constato que reconheces estarmos perante uma investigação legítima. ”

    Em abstracto, todas as investigações são legitimas desde que para elas haja fundadas suspeitas de ilícitos criminais. Em concreto, eu não sei se foi o caso. E tu também não.

    “Agora já só tens de te perguntar como foi que tal aconteceu. ”

    Como de concreto só temos a admissão de empréstimos pessoais entre dois amigos , não será legitimo que qualquer espírito dotado de um mínimo de sentido critico se questione como foi possivel chegar a este ponto ? Não teriam os investigadores forma de desmontar sem alarido mediatico nem alarme publico o histórico financeiro dos envolvidos? Não poderiam té-los confrontado discretamente com o que tivessem por mal esclarecido?
    É que a historieta das transferências de dinheiro da mãe, nem para adormecer criancinhas serve, quanto mais para prender um gajo. A suspeita de que a venda de património familiar a SS seria um esquema de lavagem de dinheiro de JS ( até foi tema de um Sexta às 9 ) na posse de SS, é tão estúpida que só convence néscios.

    “O resto, esse mundo de questões acerca do modo como tem decorrido o processo, não interessa para a avaliação moral de Sócrates neste caso.”

    A única coisa que pelos vistos não te interessa para a avaliação moral de Sócrates que elaboras, deve ser o calibre da minha pila. Separares os factos mediáticos e processuais produzidos do contexto que os gerou, é a mesma coisa que tentares explicar o funcionamento do mundo pela existência da mão de Deus. Essa tua deriva linear, convencerá os crentes. Não é o meu caso. Sei que o mundo é complexo e admito a minha incapacidade para o compreender. Mas a solução para compreender o que ignoro não é enveredando pelo simplismo de que nos dás mostras.

    __

  161. “E mais: tens algum registo onde se possa ler ou ouvir a Elina Fraga a dizer que Sócrates foi alvo de uma investigação, detenção e/ou prisão ilegais?”

    Aqui: http://www.dn.pt/portugal/interior/bastonaria-diz-que-justica-enfrenta-uma-depressao-catatonica-4823659.html

    Apontando ainda o dedo, numa clara referência à Operação Marquês, que envolve José Sócrates em suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude fiscal, às “fugas cirúrgicas para a comunicação social e a violação do segredo de justiça”.

  162. ò pascácio, aquilo que tu não percebes ou melhor dizendo, o contorcionismo que fazes para não perceber, são todas as ilegalidades processuais, atropelos à lei e o sistemático cagando nos prazos que inquinaram a investigação e a tornam ilegal, para não falar da prisão sem motivo que o juíz das liberdades e garantias já admitiu que poderia ter sido evitada se não tivesse embirrado com o tom das respostas do sócras ou se este tivesse corroborado as teses de acusação do ficcionista ró-ró. tudo pode ser investigado, mas há regras a cumprir e a primeira é verificar a credibilidade e importância das suspeitas.

  163. MRocha, discordo de ti: em concreto, todos sabemos, porque Sócrates o admitiu, quais são os indícios legítimos que estão na origem do processo. Podes é continuar a fazer de burro, se isso te agrada, mas a questão é simples. Não se trata da figura do “empréstimo entre amigos” em si que está em causa, trata-se é da conjugação de vários factores – onde se incluem os valores em causa (centenas de milhares de euros, também de acordo com Sócrates e os seus advogados), a ausência de registos que permitam aferir o total em causa (Santos Silva terá dito que não se lembra nem conservou por escrito os montantes, Sócrates idem), a pessoa de Santos Silva (alguém que fez negócios com o Estado durante o período em que Sócrates foi primeiro-ministro e que também recebeu dinheiro de terceiros nas mesmas condições), a ocultação desses empréstimos até para as pessoas da intimidade de Sócrates, a rede de outros financiamentos que Santos Silva fez a pessoas ligadas a Sócrates.

    Sócrates e Santos Silva poderão estar inocentes. Ou o ilícito ser só de natureza fiscal. Poderá não haver sequer qualquer acusação e o processo ser arquivado por falta de provas. Ou as provas poderão ainda vir a aparecer, ou já chegarem para uma acusação e, eventualmente, para uma condenação. Não sabemos. Mas sabemos isto: assim como Sócrates foi livre na decisão de pedir empréstimos a Santos Silva, assim continuaria a ser livre se tivesse escolhido outra solução para se financiar, fosse num banco ou num particular que não pudesse ser associado a ganhos com o Estado. Inclusive, Sócrates poderia na sua liberdade ter optado por um estilo de vida onde não precisasse de tanto dinheiro como aquele que o levou para o dinheiro de Santos Silva. É daqui que nasce a capacidade para qualquer um de nós fazer uma avaliação moral da conduta de Sócrates, seja lá o que tenha acontecido e venha a acontecer no processo.
    __

    ignatz, queres falar do processo em vez de falares da responsabilidade de Sócrates. Percebo-te. És um fanático, azarex,

  164. Pois claro. O direito a escolher o que fazer, estudar, trabalhar, candidatar-se a um cargo electivo e o direito a escolher o seu modo de financiamento não beneficia todos os cidadãos. Há uns cidadãos mais cidadãos que outros. Um ex-Primeiro Ministro, por exemplo, tem o direito a ficar calado, não dar opinião sobre a actualidade política, viver na Bobadela, vestir flanelas da Feira de Carcavelos e, com sorte, não ser vergastado, em penitência, todas as noites.

    Val, uma coisa é fazer negócios com o Estado. Todos temos, de uma forma ou de outra. Outra coisa é obter um benefício, em prejuízo do erário público, de decisões directamente tuteladas por um amigo. Podemos esperar, ad infinitum, a conclusão da investigação a essa dúvida. Na minha opinião, os meios empregues, o tempo que já passou, e as intervenções dos envolvidos são suficientes para tornar legítima a suspeita que que não estão tão interessados em fazer justiça como em obter a condenação pública do investigado, seja pela insinuação permanente, seja por apelo a juízos morais de trouxas anónimos nas redes sociais.

    Não renunciar ao que se quer fazer, por temer aquilo que outros vão dizer dos seus actos, é um acto de coragem moral e desprendimento. E é graças a essa atitude que uma parte daquilo que se já se criou na humanidade tem interesse.

  165. “Sócrates e Santos Silva poderão estar inocentes. ”

    Ou seja: admites que o castelo de cartas armado pode ser meramente circunstancial, mas…” Sócrates poderia na sua liberdade ter optado por um estilo de vida onde não precisasse de tanto dinheiro como aquele que o levou para o dinheiro de Santos Silva”.

    Aleluia ! Fiat lux! Rejubilemos, irmãos! Então o problema é o estilo de vida . Bem, eu também penso coisas pouco abonatórias dos gajos que apreciam levar na peida, mas não descambo daí para lhes vir zurzir o carácter na praça pública.Contudo, como “é daqui que nasce a capacidade para qualquer um de nós fazer uma avaliação moral da conduta de Sócrates,”, sou forçado a concluir que continuamos uma sociedade de padrecos. Ou seja: isto não é uma questão de justiça ou da sua negação. Qual Estado de Direito, qual caralho! O que está em causa é a legitimidade da boa prática inquisitorial e a sua secularização.
    Bravo , Valupi, o CM e o JMT devem exultar de júbilo : converteram-te !Pum !

  166. MRocha, a tua referência aos gajos que apreciam levar na peida parece-me um bom remate para o nosso diálogo.
    __

    P, não percebi o teu último comentário. Mas não é para perceber, certo? Tudo bem.

  167. “ignatz, queres falar do processo em vez de falares da responsabilidade de Sócrates. Percebo-te. És um fanático, azarex,”

    óbvio. o processo foi inventado para isso mesmo, falar da responsabilade do sócras, que ninguém sabe qual é, nem do que se trata, mas vai vendendo bem e tem cada vez mais adeptos. ainda te hei-de ouvir dizer que o sócras forçou estas cenas todas e foi preso para colher popularidade necessária para se candidatar a presidente da república, caso o estado de direito resista até lá. claro que sou fantástico, mas não era caso para elogio público. não tarda tens aí o bacoco abichanado a fazer cenas de ciúmes.

  168. ignatz, o processo foi inventado para falarmos da responsabilidade de Sócrates? Então, sempre reconheces que Sócrates é o responsável moral pelo processo, é a conclusão lógica. Custou mas foi.

  169. Valupi agora que te converteste num padre da Santa Inquisição já podes ir fazer julgamentos morais para a redacção do Correio Manholas.
    E podes pegar em toda a tua “literacia” para julgar as capacidades cognitivas, os conhecimentos científicos, e o banho de cultura, da fina flor do entulho da investigação criminal e da Justiça portuguesas.
    A mim chegas ZERO, zerinho vezes zerinho.

  170. [Valupi, passadas 24 horas crês se quiseres: o “efeito Tony Carreira” no Aspirina B estará definitivamente a zero, mesmo no zerinho, diria eu que está definitivamente zerado como diz ali o Seu Jorge.]

    […]
    Tentei ligar pra você
    O orelhão da minha rua
    Estava escangalhado
    Meu cartão tava zerado
    Mas você crê se quiser…

  171. [De 21 SETEMBRO 2016 ÀS 18:49 a 29 DE SETEMBRO DE 2016 ÀS 17:19, poder-se-á dizer passados estes dias que foi mesmo o ponto final. Crê se quiseres mas, no próximo ano, a data deste post comemorar-se-á republicanamente como se fosse o Dia da Árvore. E, se depender de mim, o/a convidado/a de honra fará um dos discursos. Anota, Valupi.]

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