Aperta com eles, Macron

O episódio do aperto de mão entre Macron e Trump, para ser desfrutado no seu significado político, precisa de ficar devidamente enquadrado nos anteriores episódios de Trump com Mike Pence e Neil Gorsuch, entre outros que entraram para o anedotário do trumpismo. Macron já veio reclamar plena e prévia intencionalidade na ocorrência, pouco importando se está a ser sincero ou a aproveitar a fama obtida. O facto permanece: Macron deixou Trump a sofrer, mano a mano. É o que vemos nas imagens da mão e do rosto de Trump. Qual a importância política do que parece não ter absolutamente importância nenhuma?

Eis o que não significa: que Macron tenha saído como mais “viril”, mais “macho”, do que Trump; que Macron tenha querido passar por “homem forte”, “másculo”, à maneira caricatural de Putin; que Macron tenha dado algum sinal de que passará a usar os códigos de uma masculinidade estereotipada na expressão da força física para efeitos de imagem e retórica políticas. Nada de nada de nadinha disso.

Eis o que pode significar: que Trump se sentiu humilhado ao perder num jogo primário onde julgava não ter competição à altura; que os apoiantes de Trump definidos com precisão atómica por Hillary como “deplorables” igualmente se sentirão perdedores ao tropeçarem no falhanço do seu ídolo televisivo; que parte das audiências europeias, e parte das norte-americanas, reencontraram uma dimensão da política onde a expressão “o mundo é um palco” remete neste caso não para a estética da hipocrisia mas para o espectáculo da realização – Macron tornou real a ideia que o próprio Trump trazia como potencialidade, a de por um simples aperto de mão se simbolizar uma hierarquia de poder.

Pouco tempo depois, Merkel igualmente apertou os gasganetes a Trump, atingindo-o com força e pontaria. Para quem se queixava de andarmos a passar por uma longa crise de lideranças na Europa, podemos estar a assistir ao começo de uma belíssima amizade entre todos aqueles que não se importam de suportar estes 4 anos de profunda decadência norte-americana à conta de um fulano politicamente desvairado sem perderem o pé ou lhe darem a mão.

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12 thoughts on “Aperta com eles, Macron”

  1. Foi batido nos seus próprios códigos. Não é difícil, a cumplicidade com a câmara ( a Imprensa) está sempre do lado do “adversário” e depois ainda por cima todos já foram crianças e cresceram, o que lhes dá uma vantagem enorme sobre um bully congelado.

    O Macron também esteve bem com o Putin ao denunciar a propaganda do Kremlin e apelar aos direitos humanos e das minorias, sem mé-més…emasculou dois bullys numa semana. Finesse.

  2. Macron the little poopy

    To be or not to be… comes back to haunt the world :

    Schulz is now singing : if we play Wagner the Duck invades Germany !

    Achtuuungggg !

    Haha ! Ernst Lubitsch was a genius, like Charle C in Great Dictator !

    Both made fun of Populist unilateralists… guess whoooooo !

  3. Boa noute
    Ainda não entendi o pensamento político do Macarron, e, sinceramente, também não estou muito interessado .
    Por isso, profusas desculpas, por nem comentar nem descomentar .
    Apenas uma dúvida me assola e, me desperta, nanica curiosidade : tudo bem espremido, dará fettuccine ou tagliatelle ?
    É que lí que o cavalheiro trabalhou no banco Rotschild .
    Mas qual Rotschild ?
    Sabe-se que existem 3 ramos ( ou quatro ) a raíz é um alemão, mas também há um ramo francês, um inglês, e um americano ( neste, trabalha o Burroso, e embora seja Rotschild, oficialmente chama-se Goldman Sachs . Burroso, é papardelle, massa achatada, e muito mais larga . Digamos assim, é uma casa espécie de esparguete de banda larga, – atendendo até à abrangência sócio-proficiental do figurão ).
    Agora, quanto ao macarrão em questão: terá trabalhado no banco Edmond de Rothschild, que é suíço ?
    Então afinal quantos ramos são ?..

  4. Três-dois-um, Valupi?! Pior, muito pior: e agora são os “inimigos” de classe que têm de vir em teu auxílio como bons cristãos que serão, porque a antiga troupe do Aspirina B tem mais que fazer do que andar a ler-te?

    Nota, levas 4 valores. Isto do vai de mal a pior, quem te avisa.

  5. de facto o corpo fala através de microexpressões. adoro. há ali um diálogo invisível:

    estás a ouvir bem, meu cabrão, vamos ver quem é mais forte
    não, isto não me está a acontecer
    chama-se efeito espelho, cabrão
    tenho de ter cuidado com este francês da merda

  6. aeiou
    31 DE MAIO DE 2017 ÀS 1:47
    O seu comentário aguarda moderação.

    Três-dois-um, Valupi?! Pior, muito pior: e agora são os “inimigos” de classe que têm de vir em teu auxílio como bons cristãos que serão, porque a antiga troupe do Aspirina B tem mais que fazer do que andar a ler-te?

    Nota, levas 4 valores. Isto do vai de mal a pior, quem te avisa.

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    Ai-ai. Valupi. Bem diz o aeiou que assim nâm vais à orral!
    Inscrreva-se no Pesadelo na Cozinha, da TVI, que eu tênho uma solução parra si também.

  7. Esteve muito bem com Putin. Sim.
    Mas, para comentar com rigor JS deveria ter visto a conferência de imprensa em directo.
    A histeria anti-rússia com tendência para acabar se Macron e Merkel pensarem nos interesses económicos da Europa.
    A ida a Paris de Putin teve por pano de fundo um exposição sobre o Grande Pedro o Grande e, de como há 300 anos os dois países se consideravam.
    A Rússia é imensa.
    Sua história grandiosa.
    Sua cultura gigante .
    Sua coragem com 27 milhões de mortos para travar Hitler um abanão de coragem para quem sabe sobre a 2WW.
    Tempo de acabar com a propaganda anti-Rússia que não se entende quem serve.
    Será prestação de serviços à democracia que se vive na Ucrânia?

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