Amnésias

Na sua intervenção, o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD António Rodrigues lamentou que o líder da bancada do PS, na sua intervenção inicial, se tivesse “esquecido” de justificar como Portugal chegou à necessidade de ter de celebrar um memorando com a troika.

Após esta breve referência ao passado dos executivos de José Sócrates, António Rodrigues defendeu que agora “é tempo de falar de presente” e congratulou-se com o entendimento alcançado em torno da resolução dos socialistas sobre crescimento e emprego.

Fonte

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Os deputados do PSD e do CDS têm ordens para dizerem todos os dias aos deputados do PS que foi Sócrates quem nos trouxe até aqui por causa dos TGV e aeroportos que andou para aí a construir à maluca sem ter dinheiro algum para os pagar. Resultado: com o País cheio dos TGV e aeroportos por todo o lado, tinha de vir alguém sério, e com dinheiro, para tomar conta disto. Este é o guião que os deputados da maioria estão obrigados a seguir, havendo multas e punições para os prevaricadores. Em ordem a se medir o empenho da direita nesta prática, existem directivas emanadas das lideranças de bancada para que, na impossibilidade de um qualquer deputado maioral não conseguir repetir o estribilho no plenário, que o faça nos corredores, nos bares e nas casas de banho, seguindo os deputados socialistas até aos seus carros ou transportes públicos se tal for necessário para garantir que eles recordem diariamente a verdade.

Ora, até a minha vizinha do 4º andar se lembra que esta mesma direita começou em meados de 2010 a fazer campanha para a vinda do FMI, garantindo que era o que melhor poderia acontecer nesta província. Concomitantemente, a gente séria reunia-se amiúde em hotéis e salões alcatifados para agitar a bandeira dos 20%; ou seja, que o custo do trabalho tinha de descer 20% se a ideia fosse a de proteger aqueles que mais precisam de protecção por serem tão poucos: os ricos. Que fazer, então? Mentir como nunca antes se tinha mentido numa campanha eleitoral: dizer que os impostos não iriam subir, que os sacrifícios iriam acabar, que era desta que o Estado ficava forte e belo, sem uma única gordura. E logo depois de subir ao poleiro, continuar o deboche. Fazer o exacto oposto do prometido, aproveitar a situação extraordinária para explorar extraordinariamente os mais pobres e a classe média e deitar as culpas todas, todos os dias, em cima daqueles que não queriam isto e a quem não deixaram levar-nos por outro caminho.

Esta é a direita que temos, a qual nos trata como retintos imbecis. Mas não somos todos imbecis, essa é que essa. Apenas os seus amigos do BE e do PCP, os quais não faziam a menor ideia do que se preparava em Belém e na São Caetano e foram apanhados de surpresa pela dialéctica do laranjal, é que são imbecis. Não sei se os deputados do PS têm ordens para o lembrar diariamente aos seus colegas da esquerda pura e verdadeira, mas se não têm talvez devessem ter.

3 thoughts on “Amnésias”

  1. Se não tivessem recebidos directivas expressas ou presuntas de Jose Seguro para esquecerem o deboche da governação socialista-socrática, os deputados do PS já teriam, há muito, começado a responder às marteladas “passa-culpas” do laranjal.BPN-Furacão-Monte Branco com a pergunta óbvia: se a actual composição governativa de direita estivesse no poder desde 2005 teria, milagrosamente, feito melhor que a Grécia, a Irlanda, a Espanha, a Itália etc., perante o desvario dos mercados financeiros? Quais foram as provas dadas em governos como os de Barroso e Santana Lopes, governos da direita unida? O indesmentível: deixaram, ao fim de três anos de governação, sem qualquer crise internacional, um defice de 6,8! É obra! Três anos apenas e sem tempestade, muito menos um tsunami financeiro!
    Mas os deputados PSs de Seguro estão mandatados para expiar, em silêncio, os pecados socráticos contra a Santa Direita!
    E como se isso não bastasse, os mesmos deputados PS assistem imapassiveis, como se não fosse nada com eles, ao deboche quase diário sobre aquele que foi seu Secretário Geral por seis anos. Esquecem, suas excelências, que nâo é, sobretudo, a pessoa de Sócrates que está em causa, mas a dignidade do PS e a ridicularizaçâo do nossos sistema judicial, absolutamente submerso pelo poder mafioso do dinheiro. Quem tem dinheiro, tem poder absoluto para comprar jornais, telejornais e fazer ajoelhar todo o sistema judicial. Qualquer individuo que “cheire a PS” e seja potencialemente incómodo para o dominio da total da governaçâo, é sumariamente julgado e condenado na praça pública.
    Mas os deputados do PS ou ainda nâo perceberam isso ou acobardam-se para não verem o tacho em risco. Ou, simplesmente, são uns choninhas.

  2. Não posso estar mais de acordo.Não é só a direita que quer ver Socrates morto e bem morto,José Seguro,ainda é mais perentório… quer Socrates morto,mas, como São Tomé ,quer ver para crer, como tal… a todos os ataques da direita do Bloco e dos social facistas do PCP, responde com um silêncio ensurdecedor!O PS não pode esperar pelas proximas eleiçoes internas tem que as provocar.Com tanta resignação, mais a demagogia que por aí anda,continuarmos neste rumo, é o caminho para o suicidio.Nota: Lembram-se da proposta de Socrates,para nos casos de incumprimento no pagamento de prestação da habitação, se poder temporariamente substituir a compra por um arrendamento com prestaçoes mais suaves? Todos votaram contra.Quantos dramas se tinham evitado? É por estas e outras que eu acho que os sociais facistas do PCP,com o bloco a ajudar, são um cancro na democracia portuguesa.Deitam gasolina na fogueira e depois vestem-se de bombeiros…

  3. Pois, pois. Eu cá por mim, apesar da idade, ainda me lembro muito bem de como a dotora Manela Ferrera Lete se queixou alarvemente do “défice” do Guterres, quando tomou as primeiras medidas que começaram a atolar o País – congelamento de salários na Função Pública, acima de tudo -, e passados alguns anos deixou o País e um défice ainda muito piores do que aquilo de que inicialmente se queixara!

    Agora o que parece mais que certo é que esta desgovernação atual vai deixar o País num estado ainda mais lastimável do que a desgraça (vê-se agora, afinal, relativa…) que Sócrates encontrou em 2005 e o mais construtivo que se pode desde já ir fazendo é tentar ajudar a criar alternativas válidas à desgovernação presente. O que, Seguramente, não será nada fácil…

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