Ainda teremos saudades desta direita

Em matérias de salubridade da acção política, não se aplica o cliché com que os homens do futebol racionalizam a depauperação dos plantéis. Neste Portugal, quem não está faz mesmo muita falta. Porque muito nos falta. E porque não parece haver quem nos valha.

Repare-se como foi possível ver Cavaco, no desfecho da palhaçada em que embrulhou o Governo e os partidos, a pavonear-se como o messias da “cultura política de compromisso” sem que, concomitantemente, o Sol se tenha apagado ao meio-dia e um estrondo cavernoso tenha percorrido cidades, estradas, parques de campismo e baldios. O fulano que a partir de meados de 2008 tudo fez para destruir qualquer possibilidade de compromisso entre o PS e o PSD lançando-se numa estratégia de difamação e ataques de carácter em que sugeria abertamente que o Governo socialista mentia aos portugueses e era corrupto, o beltrano que enganou o eleitorado e violou a Constituição, o sicrano que abriu uma crise política com a intenção de entregar o País aos credores internacionais e levar uma direita de pulhas ao poder, é o sonso-mor que trata os cidadãos como servos da gleba. Eis a única coerência que dá conta da oportunista e cínica variedade dos seus critérios.

Não há dúvidas, não há hesitações. Cavaco é a figura maior da direita após o 25 de Abril. Tutela e simboliza um modo de fazer política caracterizado por uma singela regra: vale tudo desde que não sejas apanhado. A regra vem com esta adenda: mesmo que sejas apanhado, continua tudo a valer a pena. Por isso a indústria da calúnia, as campanhas negras e as conspirações são o arsenal utilizado preferencialmente pela oligarquia – e tão mais e ferozmente utilizado quão mais forte for o adversário.

Será que a direita portuguesa está condenada a esta decadência? A avaliar pelo que se vê nas juventudes partidárias do PSD e CDS, ainda teremos saudades da actual miséria.

7 thoughts on “Ainda teremos saudades desta direita”

  1. do gajo que mandou escutar o sócras e inventou que era ele o escutado podem esperar tudo, até mesmo ter posto o ps sobre escuta e ter sido embarretado com informações erradas sobre o recente desacordo e agora ninguém entende o mistério de tanto optimismo de sexa.

  2. E se a iniciativa presidencial foi uma perfeita encenação para dar tempo a preparar a aceitaçâo do governo remodelado de Passos? Era de todo o interesse garantir que o PS não aceitasse o acordo e por isso foi colocado sob escuta…Assim também se explica a displicência manifestada em momento de uma gravidade extrema, como Cavaco pintou a situação, ao fazer a viagem turistica às Selvagens. Neste hipotético contexto, as “boas notícias” que recebia de Lisboa, como dizia nas Selvagens, eram as referentes à recusa de acordo por parte do PS. Notícias provenientes da espionagem montada. Cavaco. Passos e Portas tiveram dez dias para remodelar o governo. Como se confirma, está tudo feitinho..Agora é tudo a despachar…

  3. Neste blog vale tudo, desde que não sejam apanhados.. e depois de serem apanhados continua a valer tudo. Vamos lá inventar mais umas teorias da conspiração para passar o tempo que se tem de sobra..

  4. ” e tão mais e ferozmente utilizado quão mais forte for o adversário.” E quanto ao adversário actual, ultrapassar mais uma vez os direitos da presidência foi rotina ordinária…Mas foi demasiado forte para o adversário fraquito, sendo assim. Não? Ultrapassou os poderes constitucionais.

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