Acessoria jornalística

Mas há ainda uma outra lição a tirar, que muitos resistem a aceitar: é que, do lado dos privados, a acessoria jurídica de que se dotaram soube blindar os termos dos contratos celebrados. O que significa que qualquer tentativa de renegociação acabará, com alto grau de probabilidade, por redundar em aumento de custos para o Estado. Os erros do passado pagam-se caros. De futuro, não podem repetir-se. E fica por se saber quem é verdadeiramente responsável por não saber salvaguardar capazmente nessas PPP passadas o interesse público, em nome do qual foram realizadas.

Editorial do DN

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Há unanimidade partidária à volta desta questão. PSD e CDS fizeram campanha contra o anterior Governo usando as PPP como prova do despesismo irresponsável e fatal dos socialistas e ainda da corrupção de Sócrates e seu bando. PCP e BE consideram que qualquer acto governativo que não vá no caminho da abolição do capitalismo é um acto corrupto, pelo que para eles as PPP serão criminosas logo no plano conceptual. E o actual PS inscreveu uma espécie de combate à corrupção nas suas prioridades, o que, a juntar a várias declarações ao longo dos anos de Seguro e de quem o apoia, sustenta a hipótese de também vir a alinhar numa caça às bruxas nas PPP que consiga satisfazer o desejo manifesto no editorial: identificar aqueles que não foram capazes de salvaguardar o interesse público – que o mesmo é dizer, descobrir os maiores corruptos das maiores corrupções, gritam em coro canalhas e broncos.

Claro que estamos perante uma falácia embrulhada num sofisma. Nem a actividade governativa é imune ao erro, bem pelo contrário, dadas as dificílimas condições em que se tomam decisões e a complexidade dos problemas, nem é suposto que as empresas deixem de tentar alcançar as melhores condições contratuais só porque estão a fazer negócios com o Estado, bem pelo contrário, pois é essa a sua obrigação em todos os contratos celebrados seja com quem for. Logo, colar eventuais pressupostos muito questionáveis ou mesmo errados com o facto de se blindar os termos dos contratos celebrados tanto pode servir para introduzir um problema ainda a ser dilucidado ou para impor uma conclusão da qual se espera obter vantagens.

A opção do Marcelino, ao pedir para rolarem cabeças, é a de continuar a estratégia da difamação contra os governantes que deixaram as suas assinaturas nas parcerias. Caso contrário, usaria os recursos do DN para investigar as infames PPP e fazer luz sobre o assunto com objectividade e profissionalismo jornalísticos. Se o fizesse, até a palavra acessoria, que continua sem ter sido corrigida à hora em que escrevo, passaria a merecer entrar no léxico corrente com o significado de auxílio no acesso aos factos.

11 thoughts on “Acessoria jornalística”

  1. Colar as desastrosas PPP à simples incompetência é uma grande falácia, não é?

    Ganha juízo, para esse peditório já demos.

  2. Moral da história: as companhias têm o dever e obrigação de zelar pelos interesses mesquinhos duma minoria ridícula de argentários egoístas em socialismo e social-democracia; e os leitores de contratos, especialistas pagos pelo Governo, não têm o dever nem a obrigação de zelar pelos interesses do público. Survival of the fittest. Fuck the rest. Perdedor de sempre: a otária maioria chupadora da teta seca do Estado de Direito.

    E ninguém é perfeito, concordo. Aposto que alguns dos conspiradores que assobiavam para o ar enquanto metiam nos bolsos até têm cara de macacos feios como bodes. Outro tema interessante, ser macaco em democracia não é uma desvantagem.

  3. o metanos deu um peido semiótico, claro que ninguém é perfeito, tirando o teu caso que és um perfeito ignorante. relê o que escreveste e vê lá se te consegues aguentar de pé.

  4. Até ao Governo Passos, todos os governantes exerceram as suas funções com dolo e perversão das prioridades, especialmente o último, última aberração consentida por quem vota com o ânus e as respectivas conexões neuronais migrantes do seu lugar natural. Um partido político e um mau líder que se esmeram em pilhar e enganar o seu Povo, enriquecendo à sua custa, passando depois a um sereno exílio dourado, merecem o quê? Não o exílio do luxo, mas a proscrição vergonhosa, no mínimo. Mas esses actos, esse devorismo, essa mentira, esse embuste, que deveriam ser severamente punidos e são, embora só em Países a sério, vêem-se aqui, na modorra nacional, premiados com condecorações e outros benefícios honoríficos em Paris, nos Trópicos, nos Negócios. É como se o violador, depois de passar violando por anos a fio, pudesse finalmente descansar em paz num lugar paradisíaco qualquer à sua escolha. Por isso rechaço os que têm medo de incendiar as consciências dormentes quanto à necessidade de criminalizar a política, não consoante as cores, porque o que valha para Sócrates deverá valer para Jardim e para quem quer seja. Crime é crime. O crime político julga-se nos tribunais e não nas eleições para que gente sem escrúpulos e capacidade de prejudicar populações, enquanto ceva os seus, não se fique a rir com cursos de filosofia para encher e uma vida de luxo após tanto dano causado a terceiros a quem supostamente deveria ter servido pelos caminhos do bom senso e da prudência, não do aventureirismo e da crispação estéril. Não é uma aberração nem um caminho perigoso que se criminalize a maldade contra um Povo, a fraude contra um Povo e o prejuízo do erário de um Povo à pala da política por ser política. Criminalizar a política não se trata de um ataque à democracia e muito menos de um extremo de demagogia ou populismo. Trata-se simplesmente de Justiça e de uma forma de nos protegermos e prevenirmos de actores daninhos, sem escrúpulos, capazes de tudo para si e para a sua facção. A falta dessa Justiça demonstra-se pelo facto de estarmos como estamos. Se há musas a que apelar são as da rectidão e do rigor, do escrutínio democrático e as da transparência, que as da liberdade deram-nos trafulhas e mentecaptos. Não há actividade mais doentia que esconder informação e enganar a opinião pública com um «comportamento teimoso e abrasivo». O que faz Sócrates fora da prisão ou de qualquer acusação fundamentada? Por que tomamos os islandeses e os ucranianos por parvos?

  5. E ninguém vai ao olho a este comentador de merda que eu já não tenho paciência para ler. É só encher chouriços. Julga o estúpido que escreve bem mas o hospital de malucos fica ali já ao virar da esquina.

  6. “Por isso rechaço os que têm medo de incendiar as consciências dormentes quanto à necessidade de criminalizar a política, não consoante as cores, porque o que valha para Sócrates deverá valer para Jardim e para quem quer seja. Crime é crime. O crime político julga-se nos tribunais e não nas eleições para que gente sem escrúpulos e capacidade de prejudicar populações, enquanto ceva os seus, não se fique a rir com cursos de filosofia para encher e uma vida de luxo após tanto dano causado a terceiros a quem supostamente deveria ter servido pelos caminhos do bom senso e da prudência, não do aventureirismo e da crispação estéril”.

    Que pequeninos os mutantes (o anonimo, fêmea, a Anónima, macho, e o jpferra,neutro) devem ter-se sentido perante o excelente naco de prosa do nosso amigo PALAVROSAURUS REX.

  7. oh metanos! nosso amigo uma porra, não dou esmolas pró justicialismo nazi do palavrex. embrulha-te, apaixona-te e vem-te à vontade nos nacos, mas deixa os outros de fora.

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