A terceira força de oposição interna no PSD

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Para além de um Passos Coelho que está a fazer tudo bem para suceder sem espinhas à Manela, para azar da política nacional, e de um Santana que está a fazer tudo o que pode para se suceder a si próprio, para sorte da nacional-politiquice, há uma terceira força de oposição interna no PSD: o ódio às mulheres. O PSD é o partido que mais exuberantemente representa o homem português medíocre e bimbalhão. Claro, homens medíocres e bimbalhões encontram-se em todos os partidos, mas não na frequência com que eles ocupam funções de militantes e dirigentes sociais-democratas.

O traço que consagra a mediocridade e bimbalhice do homem português comum é a redução da mulher a veículo sexual e mão-de-obra escrava, e esse processo mantem-se hoje igual ao que era no passado. Não é um acaso que, 34 anos depois do 25 de Abril, não se conheça da intelligentsia social-democrata qualquer especial preocupação com a condição feminina. De Marcelo a Pulido Valente, passando por Pacheco Pereira, José Miguel Júdice, Miguel Sousa Tavares e qualquer outro nome de referência, o estado calamitoso em que vivem as mulheres portuguesas é ignorado. Desemprego, diferenças salariais, acesso a cargos directivos, representação política, violência doméstica e abandono social, eis um primeiro rol de indicadores que não tiram o sono à social-democracia publicada. Sim, falar de mulheres enquanto cidadãs não tem graça nenhuma, quão mais agradável é continuar a vê-las como bonecas disponíveis e infantilóides ou mães solícitas e sacrificadas. Assim, ter 109 mulheres em mais de mil congressistas, em Guimarães, não incomoda ninguém. Esta proporção, 10 para 1, é o exacto retrato da realidade nacional no que diz respeito à influência política e cultural das mulheres.

Muita coisa mudou nos últimos 25 anos, muita. Há muito mais mulheres com muito mais dinheiro, liberdade, opções. E, por causa disso mesmo, a sua inércia e demissão em face da responsabilidade política própria é trágica para todos, até para os medíocres e bimbos. É a calamidade das calamidades, isto das mulheres não ambicionarem a mais do que serem omnipotentes consumidoras.

62 thoughts on “A terceira força de oposição interna no PSD”

  1. Valupi, estás a querer o quê? Uma coça? Então mas nós precisamos de mais chatices? Só faltava agora termos de descascar os tremoços, abrir as cervejas e ir aos congressos.
    Veículo sexual e mão de obra escrava? Mas tu pensas que a malta não se safa sozinha sem precisa do Ribau para nos defender? Credo, só de imaginar o Esteves a fazer um discurso inflamado sobre os direitos das gaijas, fico com vontade de ir lavar umas ceroulas e engomar uma camisa.

  2. Se fosse só o PSD que dorme tranquilamente enquanto muitas mulheres fazem trabalho escravo e são agredidas… Às tantas uma mulher nem sabe como dar uso ao direito de voto, pois não há um conjunto de propostas políticas que lhe agrade.

    É dificil para uma mulher ambicionar mais quando a «mediocridade e bimbalhice do homem português comum» se encontra espalhada pela política e pelos lugares de topo do mercado português.

  3. Valupi, concordo contigo em tudo, contudo no respeitante à demissão em face da responsabilidade política, o problema estende-se a toda a sociedade. O desinteresse é geral.

    “É a calamidade das calamidades, isto das mulheres não ambicionarem a mais do que serem omnipotentes consumidoras.”
    Todos nós, homens e mulheres, ambicionamos ao consumo omnipotente. No quotidiano, somos bombardeados de imagens e sons no incentivo ao consumo: ou consomes ou não és ninguém.
    Valoriza-se a beleza, a juventude, a potência. Que fazemos de nós de quem nasceu feio, de quem arrasta a velhice pouco desejável e a quem se lhe sumiram as forças por razões de saúde?
    Vivemos numa sociedade de miragens e de mentiras. A solidariedade, o altruísmo passaram a ser valores obsoletos. O bom selvagem, metido nesta balbúrdia de sociedade, não se corromperia: suicidar-se-ia.
    Mas consolemo-nos: consumamos. Ainda há esperança.

  4. É verdade, Valupi, anda por aí muito gajo nos partidos – especialmente nesse hiper-super-reaccionário-chauvinista que tem feito sombra ao PS desde a invenção da Liberdad por Encomenda, e fora deles também – que pensa que a mulher é o animal político mais perigoso deste planeta.

    Felizmente todas as medalhas têm un reverso. Mas mesmo que não tivessem, que homem, bimbalhão ou não, socialista, social democrata ou comunista, vira a cara à oportunidade de brincar e conviver com o perigo?

    A tua visão é simultâneamente paternalista da velha escola marxo-humanista para encantar serpentes (“homens medíocres” … reduzem a “a mulher a veículo sexual e mão-de-obra escrava, bonecas disponíveis e infantilóides”) e acusatória em relação às senhoras (”calamidade das calamidades, isto das mulheres não ambicionarem a mais do que serem omnipotentes consumidoras”). Melhor que isto só economia mixta.

    Por outras palavras, de acordo contigo: é do Homem, pelo menos em parte, a responsabilidade do estado em que a Mulher vive, vegeta ou conta nos negócios do país, mas as bonecas dominadas também não andam assim lá muito motivadas, apesar da Constituição lhes conferir os mesmos direitos. A mim não me incomoda que continuem consumindo as nossas paciências à razão de 10 por cento, em congressos ou em governos. Elas lá sabem as linhas com que se cosem e os trunfos que têm em mãos. Quem sabe se as espertalhonas detêm algum segredo, se obedecem a um instinto natural de preservação que as premiará a longo prazo com o poder absoluto sobre nós, emasculados macacos doidos por futebol e muito bimbalheiros.

    Essa é a minha visão complicada dum futuro improvável. Mais à mão está o argumento de que esta preocupação do homem exactamente moderno pelos direitos políticos da mulher é hipócrita, rançosa e mal-intencionada nas suas origens. Visa, acima de tudo, à destruição da família (assoberbada já com outras dificuldades), à discórdia na República com dois presidentes e quatro assoalhadas.

  5. Cláudia, tens razão quando falas na demissão face à responsabilidade política, mas acho que a sociedade não está tão mal como dizes. Noto pelos miúdos e pela vontade que têm de intervir, de colaborar, de se fazerem ouvir. Acho que o que não atrai novos actores para a arena é a desilusão que se vive em relação às estruturas partidárias. Já poucos acreditam na bondade da intervenção política tal como ela existe actualmente e isto é uma guerra de poder – quem está evita partilhar, dificulta ao máximo a concorrência, seja ela de mulheres, que pouca voz activa têm, seja de gente mais nova.
    Disse, há pouco tempo, que em Espanha foi dado um dos passos mais importantes para a mudança que tem de ser feita, principalmente a mudança de mentalidades, e esse passo chama-se Carme Chacon. http://cabradeservico.blogspot.com/2008/04/d-afonso-henriques-pzinho-cada-vez-mais.html
    Mas continuo a insistir que por cá o grande problema não é só a falta de mulheres na política, mas o enorme desinteresse dos mais novos. E não me parece que se consiga alterar o que quer que seja, que as regras estão feitas para os excluir e não para incluir. Nas escolas, onde seria suposto começar a criar-lhes alguma consciencia civica e a despertar a necessidade de participação, estão impedidos de ter qualquer voz mais activa até ao 9º ano. Ou seja, quando começam a ter vontade de fazer algo dizemos-lhes que não podem. Quando têm mais que fazer, com 14 e 15 anos, queremos que comecem de repente a participar.
    Com oito anos, no 4º ano, uma das minhas filhas e os amigos queriam formar uma “associação” de estudantes. Tinham programa e objectivos, entre eles reabilitar a biblioteca da escola. Apresentaram a proposta ao Conselho Directivo e sairam de lá vergados ao peso da lei – não são permitidas associações de estudantes antes do tal 9º ano… Grande futuro o deste país, sem dúvida.
    Por isso, Valupi, continuo a dizer que a perspectiva de ouvir o Ribau a defender os meus direitos me dá uma vontade enorme de ser mulherzinha e estoirar com um cartão de crédito. Pode ser o teu, se tiveres a amabilidade de o deixares onde lhe possa chegar.

  6. Carmen, não podes negar que há diferenças assinaláveis. Nesse campo, a esquerda dá baile à direita. Porém, só em 2008 foi possível uma mulher chegar à chefia de um grande partido. Isto, e o resto onde não se vêem mulheres a marcar a agenda política em lado algum, diz bem da hipocrisia e miséria dos nossos partidos.

    Uma coisa te posso dizer: não é difícil ambicionar. O difícil está em realizar, e as mulheres têm um poder de realização que poderia renovar o aparelho partidário de fio a pavio, à esquerda, à direita e ao centro.
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    claudia, tens razão no diagnóstico: é toda a sociedade que está inerte, num certo sentido. Mas, também por isso, das mulheres poderia vir uma energia que poria toda a gente em movimento. A redução ao consumismo material, ou psicológico, resulta de uma aprendizagem, não é uma fatalidade. Podes passar a consumir outros bens. Bens do mais absoluto luxo, tão valiosos que não há dinheiro no Mundo que os possa comprar. A escolha do que vais fazer com o corpo, a inteligência e o tempo que te restam, tenhas 10 ou 100 anos, é a essência da política.
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    SUBSTANTIA, excelente comentário. Sim senhor. E acabas em grande, com “punch”.
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    teresa, é isso mesmo, e tal e qual como dizes: começar a ensinar política (e economia!) logo na primária. Estudos já provaram como isso é benéfico para o desenvolvimento das capacidades cognitivas e comunicacionais. A criança desenvolve-se melhor quando lhe dão responsabilidades e a introduzem na complexidade do real.

    Quanto ao Ribau, acho que aí é a tua má-consciência a falar. A ideia seria a de que fosses tu a botar discurso, não a de ficares apenas a olhar para o boi a partir do teu palácio.

    Queres o meu cartão de crédito? És modesta na ambição – o que nunca é bom sinal.

  7. Teresa,

    Montes de cabras no seu blogue de caldinhos de galinha não impediram que você parecesse duas pessoas no seu colorido comentário:

    “Noto pelos miúdos e pela vontade que têm de intervir, de colaborar, de se fazerem ouvir.”

    “o grande problema não é só a falta de mulheres na política, mas o enorme desinteresse dos mais novos”.

    A sua exemplar ministra espanhola da defesa a passar revista à tropa em estado interessante é um infame golpe de propaganda psicológica para contentar fracos de espírito. Alguns notam, você não, como era de esperar. Fico ansioso à espera da república das ministras de marcar passo. Esquerdo, direito….

  8. Substantia,

    Gostei dos caldinhos de galinha, que mal não fazem antes pelo contrario. Já agora, pode dizer-me, que desconheço mas deve ser falta minha, sem dúvida, onde posso encontrar o livro de estilo dos blogs? É que deve estar a falhar-me alguma coisa.

    Quanto à “minha” ministra, diga-me – acha que política sobrevive sem propaganda?

    (já agora, gosto muito das suas conclusões… indicam pessoa avisada e cautelosa…)

    Valupi,
    Pronto, fui pobre a pedir, mas quem tem palácios pode dar-se a esses luxos…
    Continuo é a dizer o mesmo – a organização partidária actual não é minimamente atractiva para quem queira intervir politica ou socialmente. Podemos não encontrar muitas mulheres na vida activa partidária, mas seguramente que encontramos muitas em dezenas de ONG’s, associações, Fundações, Comités de Bairro, e muitas muitas outras organizações interventivas. Se olharmos para Portugal não há, nos últimos anos, grandes estadistas nem politicos de fibra. Sim, talvez faça falta sangue feminino, mas eu acho que faz falta é sangue novo. Venha ele de onde vier, que não são só as mulheres que se abstêem – encontro muito pouca gente com vontade e garra suficiente para voltar a mesa ao contrário.

  9. Esse argumento da organização partidária, teresa, não colhe: em que altura foi ela “minimamente atractiva para quem queira intervir politica ou socialmente”? Qualquer período que indiques, se algum, não mostra mulheres a exercer o poder, nem juventude participativa para além dos comícios.

    A política é isso tudo que referes, das ONG’s às reuniões de condóminos. Mas também, e essencialmente, a política é o que fazemos em casa, com os nossos e connosco. Por aí, o sangue novo é todo aquele que nos faça virar a mesa ao contrário. Primeira viragem: do pessimismo (sempre imbecil) ao optimismo (sempre criativo).

  10. Valupi, deve ter havido por aqui um zig que não percebi – os tais 10% de mulheres. Estavas a falar de quê? Da politica feita em casa, connosco e com os nossos? Se fôr assim, cá em casa fazemos o pleno, que para além de sermos só mulheres viramos muitas mesas.
    Quanto a estruturas partidárias, sim, já foram muito mais aliciantes. Passei por lá e o cinzentismo não era propriamente a cor dominante. E ainda se sonhava que era assim que se mudava o mundo.
    Quanto ao meu suposto pessimismo estás muito enganado. Por todas as razões e mais uma a vida ensinou-me a ser optimista. O meu copo nunca está meio vazio.

  11. teresa, a política faz-se em casa, e é esse o seu local primeiro. Mas não estava a sugerir que tu não a fizesses em tua casa, apenas relacionava com o teu raciocínio genérico. Que tu a faças, em casa e fora dela, aceito com gáudio.

    Mas repara como o teu discurso se fragiliza quando falas de partidos. Afinal, que era isso do “já foram muito mais aliciantes”? Que quer isso dizer? Eu não sei, obviamente, mas desconfio que te estás a reportar a uma época da tua vida onde tudo era mais aliciante, por razões individuais e colectivas, mas onde os partidos não diferiam das lógicas actualmente em vigor. Apenas se dava o caso de, para quase todos, a ingenuidade e inexperiência ser muito maior – e daí o mito do paraíso perdido.

    Tenho a certeza de seres optimista. Por isso te acho o discurso contraditório com a tua alma.

  12. Valupi,

    A minha melhor época é sempre a que estou a viver, que isso do antigamente é que era bom é demasiado redutor para me seduzir. Que eramos mais românticos disso não tenho dúvidas, mas queres comparar a estrutura partidaria de hoje com a de há vinte anos? Hoje o drama é se as quotas (cotas?) se pagam por multibanco ou em cash e um Ribau – não suporto mesmo esse homem – é (era) dirigente do maior partido da oposição. Isto para não falar de um Zé Luis Arnaut ministro ou de um Ferreira Torres a dizer candidato-me sim senhor. Do Sócrates discute-se o grau académico, da MFL o neto, do Portas ( quem é este gajo?) as gravatas e o PCP desapareceu na CGTP. Temos o BE, essencialmente urbano, que os nossos circulos eleitorais tornam inútil qualquer voto num pequeno partido fora das grandes cidades, e não resta nada. Longe vai o tempo do Olhe que não doutor, ou das mocas em Rio Maior. Voltámos à politica de corregedores e aos anjos que só não caem porque já ninguém sabe onde é o chão.
    Tenho uma filha que não faz a mais pequena ideia do que é o PS ou o PSD, mas que consegue defender as suas crenças num referendo sobre o aborto. Que de sindicatos pouco ou nada sabe, mas que manda emails ao Ministério da Educação a pedir ajuda para a escola e termina a dizer – “sei que devem ter muito trabalho, mas se pudessem fazer alguma coisa, é que eu e os meus amigos já não sabemos que fazer mais.” TInha oito anos e nem os erros ortograficos lhe corrigi. Tinha razão em tudo o que escreveu. Rebento de orgulho, mas se me dissesse que se ia inscrever uma juventude partidaria dir-lhe-ia o mesmo que lhe disse quando quis ir para a catequese – tens mesmo a certeza?
    Se a politica passa por tudo o que já foi dito a intervenção partidária, numa democracia consolidada como a nossa, passa ou pela razão ou pela paixão. A razão, neste momento, só pode ser a dos mediocres, que de gravata ao peito e tailleurs de modista, fazem discursos inflamados e ocos à espera da aberta no aparelho, já que os numerus clausulus da vida lhes negaram os BMW dos sonhos. A paixão há muito que já lá vai. Não há lideres para seguir, teses para defender, políticas para “implementar” (também gosto muito do implementar…). Há orçamentos para equilibrar, ministros para nomear e croquetes para comer. Reviravoltas? Talvez assim http://meumundoeste.blogspot.com/2008/05/blog-post_15.html (obrigada Claudia… este foi visto cá em casa muitas vezes. E debulhei-me em lágrimas cada vez que o vi, mesmo que tenha de pedir desculpa ali ao Substantia pela galinhice…)

  13. sou só z sem susana
    e é para repetir que aquilo é lobo que comeu a avó,
    e ainda fica mais avisado porque o capucho era número 1 da lista
    depois queixem-se

  14. Se formos ver, nenhum partido político português tem mulheres emancipadas, combativas e determinadas, qualidades essenciais para a política. Parece que neste capítulo estamos a andar para trás, o que muitas vezes acontece na História e a nossa época não deve ser excepção. O PCP menosprezou a Odete Santos, a única mulher com capacidade para angariar votos fora dos bairros e vielas do partido e para passar uma imagem humana dos comunistas. Ela era convidada para a televisão pelo seu carisma pessoal, logo nunca podia ser dirigente comunista. Ao lado dela o Jerónimo não vale um caracol e, dos outros, nem sei o nome. O PS tem a Ana Gomes, mas arrumaram-na a um canto por impertinente e inconveniente, se bem que a rapariga também é bastante afunilada para as questões de política externa e para o MNE, a firma dela. O PSD só tem o Cavaco de saias, é assim que ela é conhecida no próprio meio. Havia a senhora Teixeira Pinto, não m’arrecorda agoro o nome, mas foi um ar que lhe deu. Até dá vertigens pensar que o partido de Sá Carneiro teve lá mulheres como Helena Roseta e, sobretudo, Natália Correia (que saudades dela!) No PP a mais combativa é a Catherine, mas não conta para as estatísticas. O BE, por fim, tem a Ana Drago, mas é como se não tivesse e ela, também, é como se não fosse. Com tais representantes, as mulheres portuguesas é melhor virarem-se para outra paisagem. No mercado, sim senhor, elas estão a dar cartas. É uma silent revolution de que os machõezinhos serôdios, muito reaccionariozinhos e orgulhosos disso, tipo substância negra, só tarde e más horas se vão aperceber, atentos que estão só às revistas de tropas por mulheres “em estado interessante”. Grande cabotino… E com esta me vou, que tenho de fazer.

  15. Desculpe lá Valupi, mas uma mulher tem que ter cuidado com as companhias e esses tipos da política cheiram mal (além disso não há nenhum que valha um chavo – bom, o Manel era lindo e o Judas também). Quando os homens bons (honestos e competentes) resolverem tomar conta do país quase apostava que nos juntaremos a eles. Ou estão, os bons, à espera que sejamos umas maria da fonte e lhes façamos o trabalhinho?
    Ps) não sou dada ao consumo. Ando até numa de espartana. Aos meninos lá de casa digo: tás a ver aquele na tv? é politico, mais nada a não ser politico, não presta. Lá diz o Eça que politicos e fraldas se devem mudar frequentemente e pela mesma razão.

  16. Teresa,

    Corrige-me se estou errado: o discurso dessa criança no Rio abriu-te os olhos e fê-los chorar. Nunca é tarde para nos comovermos. Da Alice desiludida com o Partido das Maravilhas transformaste-te na Mulher muito crente nas iniciativas das Nações Unidas para protecção deste Planeta e dos seus habitantes.

    Esqueceste-te foi duma coisa que acho importante e que talvez seja relevante lembrar-te aqui. São esses mesmos partidos cujos lideres acusas de indigentes em várias capacidades quem nomeia os seus representantes nesse grémio internacional cujo emblema se vê no teu video por cima da cabeça da menina várias vezes.

    Baseada nisso fico morto por saber o que é pensas fazer à vida? Fundar o Partido da Criança com Dotes Oratórios, dar o teu voto aos Verdes, ou tirar um curso muito engraçado que te ensine a quem se deve realmente bater palmas? Não te vou aconselhar, mas cuidado com os alçapões na viagem pelo labirinto. Lembra-te que é possivel aprender com os que não concordam com as nossas ideias. Não era o Staline que chamava “idiotas úteis” a todos os que pensavam que sabiam bem quem realmente andavam a servir?

    Cuidadinho…

  17. Substantia,
    Sabes qual foi a primeira coisa que pensei quando vi este vídeo? Quem lhes pagou as viagens e escreveu os discursos. A seguir tentei convencer-me que talvez isso fosse o menos importante.
    Acho que temos estado a dizer o mesmo, só embirrámos um com o outro. A tal paixão que me queixo de ter desaparecido.

    (o cuidadinho final é que me parece um pouco macho… ou será pidesco? ou só tonto?)

  18. Eu acho que uma gaja fica bem em qualquer posição, na política como em qualquer outra actividade humana.
    E também acho piada à evidente miúfa que muitos dos meus homólogos exibem perante o progressivo equilíbrio de forças que entendem como uma ameaça a um predomínio secular que lhes desaba aos poucos sobre as moleirinhas, como os vários exemplos aqui citados comprovam.
    O Nik já se tornou para mim um componente tão vital no Aspirina como os respectivos autores, sem desprimor algum pois do calibre do único gajo capaz de me mandar à merda duas vezes e ainda assim conquistar o meu respeito está tudo registado por aí.
    Ao comentador do nick complexo não acho piada alguma mas acredito que temos ambos a sorte de ser recíproco o sentimento, até porque poderá algures permitir-nos uma azeda mas interessante desconversa em torno de uma das muitas divergências que sempre que ele intervém me suscita. Foi assim com o Nik descomplexado no respectivo que tudo começou e hoje, repito, já não dispenso o fino e acutilante recorte das suas entradas.
    Quanto a ti, Valupi, homem das mil opiniões, gosto de ver-te abandonar o futebol e falares de gajas. Fica-te bem, embeleza-te a prosa e é muito cativador para nós, audiências.
    Da Manuela Ferreira Leite digo que tenho pena de antever-lhe um desgosto parecido com o que deram aos antecessores.
    E pronto, tudo isto para enviar calorosas saudações a toda a rapaziada que abancou nesta caixa tão bem encaminhada.

  19. Eu gosto da Angela Merckel, ou seja gosto da cara porque raramente sei o que ela propõe. Mas a desigualdade salarial lá é muito menor que cá, cooperam entre si e são competitivos no exterior, cá trocou-se tudo com o paradigma do escalitral. E acho que se a Paula Teixeira da Cruz desapareceu e eu também lhe achava graça é que aquilo está tudo é para as hienas. Vá lá que anda um mistério na Maia.

    Teresa: olha que o gajo fica com ciúmes num instante, mas tu ris-te, eu sei

  20. hum, mete culinária, o roubo das receitas, … Agora no Verão sou gamado em saladas de queijo feta com salmão fumado, e filetes de polvo, sardinha de vez em quando e febras vai que não vai. Tu diverte-te menina mas olha lá os tais papéis,

  21. pois é isso mesmo, aí está uma mulher que nos deixava calminhos e bem dispostos, pelo menos uns tempos – uma sensação de abundância e um ar celta. Não temos sorte nenhuma por cá.

  22. é isso z. e mete uma cabra gaga e um coelho ladrão e uma avó radical e lá me vou rindo assim.
    Também gosto da Angela, que acho que tem um efeito de Adeus Lenine!, com um ar muito ossi. Se puserem a televisão a preto e branco dá para matar saudades.

  23. teresa, se admitires que os partidos valem o que valerem os seus militantes, só depende de ti acrescentares qualidade a um qualquer partido da tua preferência – daqueles que existam ou, até, de um que venhas a fundar.

    Por mim falo quando te garanto que ninguém me pode tirar a paixão. Tal como não há Ribau que (me) corte a raiz ao pensamento. E, pegando no exemplo da tua filha, é essa sua atitude que ela espera de nós. Apesar de tudo e, precisamente, por causa de tudo.
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    Suzana com z, um terço escolheu. Um terço escolheu o Passos. E um terço escolheu o bimbo. Mas nas eleições anteriores, menos de um ano antes, a maioria tinha escolhido o bimbo. Se calhar, as coisas estão a melhorar.
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    Nik, muito bem lembrada, a irrepetível Natália Correia. A Helena Roseta é um caso de mérito, mas também de desilusão. A Nogueira Pinto tem medalhas, e poderia ser a salvação do CDS. Aliás, seria lindo ver uma nova AD de saias.

    E faço meu o elogio do shark.
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    c, se te entendo com finura, queres estar junto dos homens bons. É um gosto que não me parece nada pernicioso para a motivação desses mesmos homens. Esperemos que te oiçam, pois.
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    shark, és grande. Mas não queres que fale de futebol? Preferes que fale do gajedo? Não dá para ser espetada mista?
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    z, também gosto da Angela. Aliás, quem não gosta?
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    Toninha, larga o vinho.
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    Hospital, claro que há. Ora começa lá falar.

  24. e tudo vale a pena se a alma não é pequena, não é Valupi?
    Concedo que tens razão em muito do que dizes e defendes, mas continuo a dizer que os partidos políticos, de momento, parecem a selecção nacional – podem-nos pôr a todos a empurrar o autocarro, mas quem mandou o Ronaldo jogar no lado contrário, deixou o Quaresma no banco e meteu um Postiga para a defesa, nos últimos minutos, quando estavamos a perder, foi o teu amigo Scolari e não os milhares de treinadores de bancada que lhe chamaram nomes o tempo todo. Com muita alma, com o coração nas mãos e cheios de paixão e boas intenções.

  25. Não há para onde fugir, teresa. O poder nunca fica vazio, há sempre alguém na lista à espera de vez. Podes fingir que passas ao lado da política, cobrindo-te com a maldade alheia, mas é só isso. Um fingimento.
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    shark, obrigados.

  26. Valupi,

    Da política nunca se foge, que mesmo a fuga é uma posição. O que discuto, desde o principio, são os partidos políticos do hoje.
    E, já agora, nem penses que preciso de maldade alheia. A minha chega, sobra e dá ainda para cobrir quem tenha sido menos bafejado pela sorte.
    Mas diz-me lá a sério, aqui e ao meu ouvido que ninguém nos ouve, é por ser mulher que tenho mais obrigação de mudar o mundo? Ou criar um partido? Ou ter cartão de militante de um destes? É que sabes, avança tu, que talvez eu repense esta minha posição e ainda me vejas em congressos e a botar discurso e tudo.

  27. teresa, fazes-me perguntas difíceis, de resposta variável. Diria que isso de seres mulher não te obriga a mudar o mundo. Mas isso de seres cidadã, sim. Por mudar o mundo, quero dizer: fazeres o bem.

    Tens falado dos partidos, mas de uma forma que é mais a assinatura da tua ausência do que a campainha da tua chegada. E se és capaz de apontar o mal, então serás capaz de indicar o bem. É só isso, essa nada e esse tanto.

    Quanto a mim, curto a política. Venham velhos e novos partidos, todos juntos não seremos demais.

  28. Nik,

    Já estava a estranhar a ausência das tuas besteiras muito feias entre os comentários. E, com efeito, foste “a ver” e entras logo com uma muito demolidora e terminante dizendo que “nenhum partido político português tem mulheres emancipadas, combativas e determinadas”. Digo: Se isso é nos partidos, imagine-se como andarão as pobres marias que não se dedicam à política, espalhadas por essas fábricas, escritórios e cozinhas de Portugal.

    Mas como essa alarvaria (que ignora homens para não abalar o sistema em que te apoias) não bastou para deixares o assunto arrumado e convencer os que te lêm, concluis com precaução de Rodasnepervil barato que te “parece” que nessa área “estamos a andar para trás”. Mas afinal, pergunto eu, que mais precisas para que tenhas a certeza, depois do retrato que pintas das mulheres nos partidos? Pior que tu em dedução lógica só o saloio que vê um carro enfeixado contra uma árvore e comenta: “é pá, parece que houve aqui um acidente”. Falas a seguir na História para passares na escrita muito bem e não ires à oral. Até os comentadores que gostam de ti devem calcular a afeição que sentes por esse animalzinho que nunca compreendeste nem estudaste superficialmente. História para ti, aposto, são nacos dispersos que encontras semanalmente nos dois quilos do Expresso onde pões a comida do gato para não sujares um prato.

    Depois, sempre de bicicleta como é teu estilo, vens com uma análise corrediça, tipo a freguesa deu ao rol, desinspirada e a morrer de doida com a razão que habitualmente te vem à boca quando alças a perna.. Pegas nas tuas memórias de borda dºágua de várias mulheres politicas que admiraste por um ou outro motivo, e que por coincidência também foram os motivos dos articulistas que te inculcaram isso na tola porque nunca tiveste contacto directo com essas senhoras.

    Pedalando mais, páras para meter água no PSD, mas és vítima de vertigens inexplicáveis que quase te fazem perder o equilíbrio. Contudo, mesmo a cambaleares, ainda tens forças nas canetas para aconselhar apoteoticamente a espécie política com saias a virar-se para outra “paisagem”, sem dizeres quem a pinta e com que tinta, mas creio que deve ter sido uma das várias que manjaste sobre o selim com a aragem a bater-te na fronha.. Foi a impressão que me deste com essa historiação de homem entendido através de relato de jornais e mexerico político. De facto, no campo das ideias originais e acusações com algum sumo, levantaste menos lebres de consciência que um contabilista corrupto. Enfim, não conseguiste produzir um único paposeco em primeira mão sem ajuda de chavão. Mas tens jeito para cicerone-adjunto, lá isso tens!

    Quanto ao resto da tua papa-comentário, fizeste-me sorrir com alusões malucas a “silent revolutions” femininas e suas conotações com certos “markets” que as favorecem. Problema, suponho, dalgum curso universitário que atamancaste a favor da corrente. Ao que não achei piada nenhuma foi à pele de lagarto “desumanizada” dos comunistas que descobriste ao acaso no teu evangelho de rótulos e etiquetas. Falas de comunistas como se o António, 27 anos, membro do PC, que guia o tractor do patrão em Alpiarça, tenha alguma culpa dos crimes cometidos por “comunistas” no passado ou de andar enleado e a perder tempo com críticos do “comunismo” com culpas no cartório e parte do mesmo processo. Essa da “imagem humana” dos comunistas, devo dizer-te, põe-te sem favor ao mesmo nivel dos deuses nestes comentários, pela selva dentro por sobre as copas das palmeiras, que é o mesmo que dizer: confere-te o ceptro do papagaio sem necessidade de mais subsídios ou certificados do Shark. Prémio: desisto de te aconselhar a comprar um termometrozito para medires as febres sazonais.

    Teresa,

    É isso, a coisa pidesca. Agora tem outro nome, mas não é tonta.

  29. Nota uma coisa, substância: quando falei de ti, não estava a falar para ti. Sem embargo, sempre que escreveres aqui as habituais cabotinices de corcunda enganado de século, poderei fazer-te mercê de uma ou outra rabecada. A título de esmola, lançada para o teu chapéu roto de uma distância nunca inferior a três passos.

  30. (Fónix que está mesmo em grande forma…
    Armo-me em carapau e ainda levo umas vergastadas virtuais na barbatana.)

    Ò Nik, que tens mais jeito prá cena, para vai-te a ele méne!

  31. Eu li “para vai-te a ele” e pensei: “Lá está este tubarão a dar cartas e a exibir-se para as chavalas com o seu domínio da gíria mais actual entre os moinas”. Afinal, vieste desmentir. Não te perdoo.

  32. Eu não me exibo para as chavalas. Elas, tão refinadas na intuição como no bom gosto, topam tudo sem necessidade de espalhafato.
    As que percebem do assunto, pelo menos…

  33. E claro que perdoas. Perdoas tudo.
    Depois de um gajo se deixar endrominar, nós os dados às emoções, desculpamos tudo e ficamos uns coisas moles, pá…

    Continuo a ser um moinas com muito domínio da gíria. Anda aqui controladinha que só mexem os olhinhos.

  34. Olá shark. Já gostava de ti antes de me elogiares. Não te preocupes, só amo mulheres.

    Não bato em corcundas de unhas encurvadas nem me aproximo deles, não vá apanhar uma doença. Corcunda no sentido político, sem ofensa para os da bossa. Só me ri foi de ver o fulano todo empertigado a fingir que defendia o jovem tractorista comunista de Alpiarça (de 27 anos!) das minhas pérfidas insinuações. É certo que, desde que o comunismo acabou, os naxionalistas e fascistóides tugas acham muito mais graça aos comunistas, agora totalmente inofensivos e aparvalhados. Não seria a primeira vez na História que a extrema direita sonha em ter a extrema esquerda como apoio ou massa de manobra. Como estão sempre do mesmo lado da barricada contra o governo (vide o conúbio da CNA e CAP), não tarda muito passam aos beijos na boca. Suspeito mesmo que o tal tractorista de Alpiarça é mantilhão da latifundiária. Nada mais merece menção no enjoativo desarrazoado do gajo. A despropositada defesa das marias ofendidas parece conversa de taberna após a quinta rodada. O humor do fulano, então, dá calafrios.

  35. sharky,
    acontece aos melhores, pázito, que a coisa não te tire o sono; poupa as energias que agora te fazem falta para a praia, para desfilares esse caparrão tarzânico mesmo por baixo da narigueta das bifas encharcadas, todas pingando, babando, salivando à mera aproximação do macho alfa. Todas te querem, todas te adoram, és o máióre e mainada, ponto final. É assim que eu faço e a coisa resulta, vai por mim mas pouco, só nesta: morrerás tarde e enganado, assim, mas marchas feliz e de papo cheio. De ilusões.
    Toma abraço.

    subnig,
    bato palmas e descubro-me, levemente inclinado. (E vou pensando, o tempo todo: “Esta voz … este falar é-me familiar, mas onde é que eu já ouvi esta voz?!…”). Não se trata sequer de concordar ou não com o que ficou dito, nem me chego por aí, fico antes, por aqui: assim se faz valer a pena uma conversa.
    Saio as arrecuas.

    nik,
    a última luvada, das 14:48, não tem, é, toda ela, um requinte de malvadez. Estamos em forma, portanto. Não se trata sequer de concordar ou não com o que ficou dito, nem me chego por aí, fico antes, por aqui: assim se faz valer a pena uma conversa.
    Saio as arrecuas.

  36. Olha, o rvn também está em forma (está sempre, o magano…). Para o Euro já não dá, presunto eu, pelo que isto deve ser malta que vai às Olimpíadas chinocas.

  37. Nik,

    Continuas a descarregar o entulho pela lateral e depois ofendes-te com a minha candura em te responder directamente. Isso é alguma especialidade que andas a tirar, um romance que tens planeado, coisa do género?
    E depois essa linguagem de circo que me enfurece. Não digo “taberna” porque isso seria plagiar o Valupi, e não quero convidar-te a largares nada. Pois claro que me empertiguei, sim senhor, com essa coisa da “imagem humana”, como se estivesses a falar de animais. Haja respeito. E até nem gostei agora desta tua expressão muito desenvolta “sem ofensa para os da bossa”. Se eu fosse marreco a valer, tinhas-me à perna.

    Mas fingir é que não fingi nada, estás muito enganado… De facto, aponta aí na tua agenda para futuros apartes, tenho amigos que são membros do PC, e alguns deles já passaram a casa dos setenta e até oitenta – onde é que tu estarias quando eles abraçaram o credo! Talvez ainda indeciso se serias enzima ou ácido gordo, suponho.

    Também conto alguns amigos no departamento que tu, por tudo e por nada, apelidas de “reaccionário” e “nacionalista” nas tuas febres de rotulador-geral e padeiro de chavão. Mas também te digo que tenho uma tremenda dificuldade para os convencer de alguma coisa. A uns e a outros, à Esquerda e à Reacção. Poderia ser diferente se fosse pai deles, mas tal é, na prática, impossível, dada a corrente legislação que regula a adopção de crianças políticas abandonadas.

    Há dois ou três pontos comuns entre nós, que não nos conhecemos, benza-nos Deus (estou a partir do princípio que não vais a missas de nenhum tipo, como aqui há tempo confessaste). Quando te leio, todo excitado, noto que as tuas posições em debate enfermam dum eclectismo político meio forçado com pendor para a canhota, aparentemente engordado com leitura de jornais, conversas televisivas e livros fantásticos da Livraria Lisboa. E cheira-me que também andarás influenciado por mais umas quantas merdas pouco específicas que te meteram na cabeça até à idade em que deixaste de usar calções. Como de pequenino é que se torce o pepino e o regime não mudou, imagino o que te teria acontecido quando começaste a ser um homenzinho. Tudo isso traumatiza, molda. Muito, muito difícil de expurgar.

    Por meu lado, também gosto muito de escolher e comparar. Desculpa, mas afinal eram só estes dois pontos.

    Notre Dame, hoje, às sete.

  38. Bifas, Rui? Bifas?
    Não precisei de mais do que duas ou três internacionalizações para perceber que o da Pátria é o campeonato certo para mim. Só se fosse parvo é que trocava o despautério intenso da sensualidade das garinas portugas pela tesão polaroid da bifalhada mais fácil de acamar do que um doente em condição terminal.
    Ilusões? Tenho-as no sítio…
    :)

  39. Só na paródia e sem má onda, Sub. Se eu fosse ao Nik respondia-te assim:

    Votre Dame, ontem, depois de saíres para o trabalho.

    Abraço.
    :-)

  40. sub, és mesmo marreco a valer, mas da tola.

    É a última vez que te premeio com uma resposta.

    Do teu palavreado fica nada, como sempre. A não ser uma coisa que me dá gozo: a incapacidade total para me classificares ou encaixares numa daquelas tipologias binárias que te agrilhoam o cérebro. Como essa que parece que te dá mais tesão: católico ou maçon? Depois chamas ecletismo ao que escapa ao primarismo destas análises simplórias. Se o gajo não é católico, nem maçon, nem comunista, atão é… eclético! Há mais mundo além do teu toutiço, sub.

    Já me imaginaste perfis familiares (falsos), cursos superiores (não tenho) e militâncias canhotas (jamais tive, mete na tua pinha). Andas a atirar às cegas, o que, repito, me diverte. Com isso estás a fazer o retrato não de mim, mas dum fantasma qualquer que atormenta as tuas noites em branco. Mas eu a ti julgo-te e rotulo-te pelo que dizes: é isso que te dói e te faz escoucear em todas as direcções.

  41. Vá lá, vá lá, Nikito, estamos a fazer algum progresso nesta viva e informativa discussão. O véu começa a levantar-se um pouco revelando a natureza sub-académica da questão. Vou pedir à minha secretária para meter, já, mais estes dados no teu processo curriculeiro de “free t(h)inker” – your words, by the way.

    E é mesmo verdade que não tens um curso universitário? Olha que surpreendente surpresa! E tu que me andavas a fazer pensar no fantástico João da Ega. E que desgosto, com raiva à mistura, ter subestimado o facto, verificado tantas vezes na experiência quotidiana dos cidadãos normais, de que a má criação nem sempre anda de mãos dadas com educações superiores. Então o que é andaste a fazer no liceu, menino? Desististe de “marrar” assim sem mais nem menos? Morro de curiosidade. Nem sequer num desses institutos paralelos para pobres, sequer uma Bela Arte, calcetaria, ou simplesmente decidiste optar por ciência atómica popular? Não te entristeças, filho. Nunca é tarde para te livrares do enorme barretão político que envergas e enfiares o verdadeiro gorro. Aproveita o Aspirina: aqui os cursos são baratos e nem precisas de dizer quem é teu pai ou onde nasceste. Tudo muito democrático.

    Vou então desistir de especular a teu respeito e prometo que no futuro cingir-me-ei apenas às anedotas de raciocínio que vais pespegando por aqui com a desenvoltura do tanso presumido.

    Tipologia. Bonita palavra. Binária, idem, idem, aspas, aspas. Só um problema: a única sugestão binária que vejo nisto tudo é quando te fixo a testa e noto duas protuberâncias de marfim que um homem entendido em cernes poderia usar muito bem para calcular a tua idade.

    E em que parte do meu discurso, antigo ou recente, te coloquei eu, ou alguem aqui neste blogue, perante o dilema “binário” maçon-católico, seguido de conclusão e corolário. Se tu me tivesses acusado de ter dito que um maçon é um manga de alpaca esotérico duma facção do “judaismo” (não te vou explicar a intenção das aspas), com todos os diabos, ainda daria o braço a torcer, muito embora nunca tenha posto issso nesses termos. No que há binariedade, como termo de comparação, é, primeiramente, nas pessoas que querem ou não querem aprender, entre elas, tu serás, possivelmente, o 0, e depois múltiplas outras “binariedades” que nem vale a pena listar aqui. Terias feito melhor não quereres ter sido tão “criativo”. Tiro de culatra.

    E atenta na semântica, malandro. Eu nunca te atribuí a qualidade de militante pois até duvido que tenhas fôlego para isso. Há uma grande diferença entre “pendor” e “militância”, qualquer miudo do oitavo sabe disso. Deves ter um na família, pergunta-lhe. E depois não são só as militâncias que contam. Há também as simpatias – pelos partidos e nas pessoas como tu.

  42. sub, quanto mais palavrório gastas comigo, mais julgo que, por detrás da bossa mental, tens um nódulo de substância cinzenta que me idolatra. Como és um estupidão binário, sim-não, preto-branco, católico-maçon, etc., não te lembras do que por aqui vais escrevinhando, levado pelas tuas obsessões de corcunda enganado de século. Nem to vou lembrar, para castigo. És o meu palhaço. Faz-me rir.

  43. Não querendo estragar o fim dos comentários, não resisto em deixar uma palavra. Eu acho que a solução está na educação. E não é nas escolas mas em casa de cada um de nós. Não é só a capacidade de expressar as nossas opiniões, mas sim a de não formatarmos o mundo em cor-de-rosa e azul, de dizermos aos meninos que não podem chorar porque são homens, e de darmos vassorinhas e tábuas de engomar às nossas meninas porque são queridas e elas gostam, e começam a moldar-se os papéis do futuro. Passa por partilharmos licenças de maternidade/paternidade e fazer com que os nossos filhos olhem para homens e mulheres como seres humanos. E por isso continuo a achar, com optimismo, que a solução está na Educação. Para isto, como para quase tudo.

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