A SEDES faz muita falta, tem é de ir ainda mais longe

A ida de Campos e Cunha para o CCB levou-me a dar um saltinho à SEDES para ver como param as modas nesse afamado caga-sentenças do laranjal, poiso certo dos colossos intelectuais que dão pelo nome de Medina Carreira, João Duque, Mira Amaral, Henrique Neto, João Salgueiro e o próprio novíssimo director-consultivo do CCB, entre outros. Na secção Tomadas de Posição, a mais actual e a mais política das áreas temáticas expostas, encontramos a última datada de 18 de Maio de 2011, lançada em cima das eleições legislativas. De lá para cá, nicles batatóides, a SEDES ainda não tomou uma qualquer posição a respeito da situação política – talvez por não lhes ocorrer nada para dizer, há fases dessas, ou por considerarem que tudo está a correr às mil maravilhas, sabe-se lá. Mas esse dia chegará, certamente, e muito nos irá ensinar.

Por exemplo, eis um pedacito do que estes paradigmas da honestidade intelectual escreveram nas vésperas de um acto eleitoral:

O País sofre diariamente os maus exemplos que chegam de cima e nenhuma sociedade pode resistir por muito tempo ao impacto negativo dos comportamentos desviantes da ética da verdade e da responsabilidade. A pedagogia do bom governo não é apenas um factor de credibilidade das instituições democráticas, mas uma bitola permanente para o comportamento dos cidadãos. O exemplo é sempre um factor superior do funcionamento das sociedades democráticas mais avançadas e não pode ser menosprezado.

É difícil discordar, mesmo sem compreender patavina do parágrafo. A expressão ética da verdade e da responsabilidade fica bem em qualquer texto, em qualquer entrevista, em qualquer almoçarada. E mesmo para mudar um pneu a meio da noite e a chover, se à vista desarmada não parece de grande ajuda, seguramente que é uma expressão que não atrapalha o processo e até pode servir de alento na ocasião. Por isso, sim. Portanto, pois. Toca de alertar a malta para esse perigo que ameaça a sociedade. E venham os exemplos. Os exemplos exemplares. Aqueles exemplos que só homens (não há mulheres a botar faladura na SEDES, pois continua a ser preciso que alguém esteja a preparar o jantar enquanto decorrem as sessões de laboriosa reflexão) veramente exemplares estão em condições de dar ou, não tendo tempo para tal, em condições de validar através dos seus exemplares juízos a respeito.

Que irá a SEDES dizer, então, deste actual Governo que prometeu o branco e aplica o preto, que diz aos portugueses para emigrar e aos militares para desertar, que repete ser necessário empobrecer tudo e todos à excepção dos seus amiguinhos e que castiga o povo com a arrogância dos brutos e a soberba dos celerados? De que modo esta postura fanática se enquadra na ética da verdade e da responsabilidade que a SEDES generosamente tinha vertido com tanto afinco até às últimas eleições para educação das massas e salvação da Pátria?

Em Fevereiro de 2008, a SEDES saiu a terreiro para denunciar um siciliano “difuso mal-estar” que estaria a pôr em causa a coesão nacional. E pudemos até ler esta profecia:

O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.

Só foi pena que o poderio intelectual da SEDES, e a sua “ética da responsabilidade” que chega a fazer inveja à do Criador, não tivesse complementado o aviso com esta pequena informação: o voto em Cavaco e o voto em Passos Coelho seriam os meios mais rápidos para chegar à temida crise social de contornos difíceis de prever. Na próxima Tomada de Posição, é favor incluir esse tipo de pormenores para termos ainda mais razões para ficarmos agradecidos aos magníficos pensadores que se sacrificam por nossa causa em salas de reunião, quiçá também em restaurantes e bares de hotel, onde a SEDES marca a sua preclara presença.

7 thoughts on “A SEDES faz muita falta, tem é de ir ainda mais longe”

  1. descobriste agora a agência de emprego ministerial que vem do tempo da outra senhora. não percebo qual é o espanto, aquilo só produz quando se adivinham lugares disponíveis, tipo olha-eu-aqui-dava-director-geral-do-caralho. a próxima guerra desses merdas vai ser o nuclear e a demolição do eólico existente.

  2. Apanhei boleia do link e lá fui esgravatar no site do clube dos amigos do Salgueiro. Aquilo está putrefacto há mais de 30 anos. A SEDES dos anos 70 existiu realmente, antes e até depois do 25A. Essa coisa de agora arrasta-se penosamente. O cadáver já teve várias certidões de óbito, mas é reanimado quando o governo é socialista.Para que serve esse trambolho?

    O fundador Salgueiro caminha para gagá. Outros fundadores debandaram há muito, morreram ou estão na fila. Rui Vilar pisgou-se. Gente mais jovem e com valor não vai ou não pára lá. Criaram um blogue onde uma meia dúzia de reformados tagarelam uns com os outros, sem qualquer impacto no público. De dois em dois anos, com oportunismo eleiçoeiro, lá vem uma “tomada de posição” de banalidades que a TV e os jornais citam em duas frases. A SEDES nem para vazadouro de génios incompreendidos e outros falhados da política serve, esses já têm palco permanente na SIC.

    De associação cívica que era, sobrevivendo de quotizações, restar-lhes-ia agora passar (está lá dito no blogue da casa por um membro) a think tank financiado de fora, como nos países ricos. Mas quem estará interessado em pôr dinheiro num clube de marretas e jarretas?

  3. Reparei agora no Artigo “lincado” pelo comentador “§”, que me parece selar com uma chumbada-mestra a ideologia dos cábulas que foderam esta merda toda com promessas que agora se revelam patranhas!

    E agora, quem pagará as favas? Ou quem lhes dará o arroz?

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