A Operação Marquês vai a banhos

O Expresso inaugurou a silly season, na edição passada, com a oferta de uma leitura a preceito, ideal para folhear debaixo do toldo, ou ainda melhor dentro da barraca, antes ou depois de atacar sandes de queijo e bolas de Berlim (não necessariamente ao mesmo tempo). Para a promover, deu trabalho a um ilustrador que criou imagens impressivas e impressionantes, talvez mesmo impressionistas, uma delas a ocupar uns 25 a 30% das colunas disponíveis na capa do jornal:

A capa da revista, onde está a peça, é um tour de force muito bem conseguido, a que é impossível ficar indiferente. Tomai e tremei:

Mas se pela estética estamos num filme de gangsters, assim que entramos no texto descobrimos que o enredo, afinal, é de terror:

«Episódio um

“É preciso é partir a espinha ao Ministério Público, para alguma coisa isto deve dar gozo…”, desabafou José Sócrates, já perto da escadaria da residência oficial de São Bento, quando conduzia a delegação do PSD à porta do palacete, segundo a memória de Paula Teixeira da Cruz, então vice-presidente do PSD. A futura ministra da Justiça diz ao Expresso ter-lhe respondido: “Isso não é propriamente adequado para um primeiro-ministro.” Estaríamos em abril de 2006. Luís Marques Mendes, líder do PSD presente naqueles encontros, confirma ao Expresso que Sócrates usou essa expressão e outras semelhantes quando, nessa época, ainda negociavam discretamente o pacto para a Justiça em bloco central. Alberto Costa, ministro da Justiça que participou em todas aquelas reuniões, não se recorda desta em particular, por isso também não se lembra de uma frase assim. Já veremos como Sócrates nega tê-la dito nas respostas que deu ao Expresso. Mas estas palavras apareceriam em público mais tarde...»

Paula Teixeira da Cruz, Marques Mendes e respectivas memórias de bocas ditas aqui e ali, inclusive perto de escadarias. Quem pode duvidar? Quem se atreverá a pôr em causa a honestidade intelectual, o espírito democrático, o respeito republicano, a decência cívica e o sentido de Estado da autora do “Fim da impunidade” e do autor do “Acabou José Sócrates, agora temos Rui Rio”? É gente do melhor, de uma seriedade que aterroriza a malandragem socialista à espera de ser encarcerada pela dupla Rosário-Carlos.

Nos episódios seguintes aparecem estrelas dos linchamentos e autos-de-fé de socráticos como Luís Campos e Cunha, José António Saraiva, Cavaco Silva, outra vez Marques Mendes, Nuno Garoupa, Teófilo Santiago, António Cluny, João Palma, Manuela Moura Guedes, Joana Marques Vidal, Helena Garrido, Álvaro Beleza, José Eduardo Moniz e Marcelo Rebelo de Sousa. A carne toda no grelhador. Vítor Matos, um direitola fanático que o mano Costa foi buscar ao Observador, reúne todas as difamações e calúnias de que se conseguiu lembrar e gasta mais de 50 mil caracteres a insultar os socialistas do costume. Não há uma única informação nova, não há o mínimo simulacro de cumprimento do código deontológico do jornalista, não há vestígios de jornalismo.

A Operação Marquês e o filme do monstro que tinha um plano para “controlar tudo” parece, assim, ter encontrado o seu destino final. Ser matéria de leituras na praia, quando só há cabeça para fantasias e diversão.

34 thoughts on “A Operação Marquês vai a banhos”

  1. Já mo passado dia 18 tinha comentado, aqui no Aspirina, a miséria deste artigo sobre o ex-primeiro ministro José Sócrates, que o Expresso não teve vergonha de publicar. Repito o que então perguntei: Porquê tanto medo? Que mal lhes fez o Homem? E acrescento: Porquê tanto ódio?

  2. O Grupo Impresa proprietário do Expresso, há muito que passa por grandes dificuldades, que se tornaram mais evidentes, quando o ex-empregado e depois grande amigo do Dr. Balsemão, deixou de ser CEO do BPI.
    Se a este grande contratempo, aduzirmos a crise económica, a Pandemia a colagem ao Governo Passos Coelho, que originou uma quebra muito acentuada nas vendas do Expresso que era a jóia da coroa do Grupo juntamente com a SIC a quem a TVI faz uma concorrência feroz, estão criadas as condições para o desnorte na Impresa.
    É um manicómio onde ninguém se entende e tudo é possível por mais absurdo que seja. A Cofina que se cuide que em breve será ultrapassada pelo Grupo do Dr. Balsemão.
    Há muito que deixei de contribuir para a sobrevivência da Impresa…….

  3. e falta aí o martin plot ” El Kitsch Político” , a queixar-se do plágio do artigo publicado no expresso pelo aprendiz de marionetista.

  4. gozam com os leitores e ninguém lhes pergunta se a peixeira da cruz soprou no balão antes de confirmar a alucinação auditiva.

    “Insuspeito de simpatias socialistas, Nuno Garoupa, professor na Universidade George Mason, Washington, nos Estados Unidos, adverte que, “olhar para o passado com os olhos do presente gera um enviesamento” para se “reescrever a história”, podendo concluir-se facilmente que Sócrates “queria concentrar imenso poder”

    aqui não suspeitam de nada, se dissesse o contrário era garoupa estragada.

  5. Kitsch político é o que nos serve o/a yo, ave-rara que há muito tomou a pílula vermelha do Matrix.
    yo é um singular produto do tropismo identitário e individualista em voga nos nossos dias. Subjetivismo exacerbado, radicalização discursiva e fechamento cognitivo. Em yo a “deep ecology » não é apenas naturalização da cultura e das identidades, mas também rejeição da modernidade.

  6. Sim.
    Mesmo para o nojo em que, aos poucos, se foi tornando esta (muuuito) antiga “referência” do Jornalismo português, isto é francamente mau demais…
    Já cancelei a subscrição de toda a merda que ainda recebia diariamente: Expresso Curto, Blitz e Tribuna Expresso, porque
    O QUE É DEMAIS, CHEIRA MAL!

  7. Há uma muito curiosa similitude entre as conclusões das experiências comportamentais do Dr. Milgram, conduzidas nos anos 60 e 70, com as convicções enraizadas na generalidade da população portuguesa sobre, entre outros e mais sintomaticamente, José Sócrates.
    Em especial a experiência em que todos num elevador (previamente combinados) se viram de frente para as paredes do mesmo, deixando ao único passageiro que não fazia parte da experiência a “inevitabilidade” de, lentamente, ir adoptando o mesmo comportamento, sem saber bem porquê.
    Ou as experiências em que todos os participantes num inquérito presencial respondem propositadamente errado, ao fim de algumas respostas certas iniciais, a questões simples e óbvias, levando assim a que a única “cobaia”, sempre colocada na ponta terminal dos inquiridos e não sabendo que se trata de uma experiência, dê a mesma resposta manifestamente errada que todos os outros, para não aparentar ser “anormal”…

  8. «Imputava-se, então, ao primeiro-ministro o crime de ter ordenado a compra de um jornal e de um canal televisivo que o criticavam: isto era o crime!
    Com isto – dizia-se – o estado de direito tinha sido posto em perigo porque se quis condicionar ou eliminar a liberdade de imprensa e de Informação que são pilares fundadores da democracia moderna.
    Em nenhuma escuta ou sms (repetimos, em nenhuma) em que intervinha o então primeiro-ministro se abordava a compra de qualquer jornal ou canal televisivo: havia um deserto probatório total quanto a isso. Mas se abordasse, que significado teria isso? Nenhum. »

    Luís Noronha do Nascimento “O vermelho e o Negro” in Referêncial nº 138″

    Todas as insinuações de acusação a Sócrates no “processo” de intenções denominado marquês são o mesmo e valem o mesmo, exactamente, que esta referida por Noronha do Nascimento e inseridas no processo Face Oculta onde constava a inédita acusação de “atentado contra o estado de direito por meios pacíficos”; NADA.
    A prova de que tais ficções são mesmo ficções com que se pretende ocultar a realidade são construções jornalísticas como esta do “expresso” que só vendidos da vida podem conceber e idiotas irracionais podem levar a sério.
    O medo de serem descobertos, algum dia, pela opinião pública nas suas incriminações falsas trá-los em estado de pavor o que os leva a inventar ficções cada vez mais anedóticas e risíveis que só os desmascaram face a qualquer pessoa honesta racional comum.
    Todas as insinuações para prova de crime são “ideias pensadas” e nunca “actos cometidos”; são do foro da imaginação e não de acção de facto ou facto executado; são parte de um “plano” diabólico idealizado por um omnipotente e omnisciente deus-diabo que, apesar dessas qualidades únicas, nunca conseguiu levar a cabo com êxito nenhum desses “golpes” perfeitos, antes pelo contrário, afinal foi sempre derrotado pelos pequenos humanos que o acusam, e representam nos media como neste caso, como um diabo com poderes de deus.
    Os seus poderes diabólicos são bem representados neste gigantesco “Plano que Sócrates Montou Para Controlar Tudo” e deu em nada; tal como outros planos megalómanos e faraónicos que planeou e os pequenos, pequeninos e homens anões deste país boicotaram para nosso mal.

  9. Pode-se enganar muita gente o tempo todo, ou enganar toda a gente durante algum tempo.
    O que não se pode é enganar toda a gente o tempo todo.

  10. Acho cómica essa ilustração, de tão débil mental. Nem para meter medo às criancinhas serve, pelos menos às mais espertas.

    O papão Sócrates a tentar “controlar” a comunicação social e os capitalistas (atente-se no charuto)!

    E a iluminação inferior da cara de Sócrates, como um personagem maligno diante de uma candeia, numa cave tenebrosa? Coisa tão ridícula!

    Isto é, de facto, um regresso a certos modelos pictóricos dos anos 1920-30-40, usados em capas de livros policiais rascas, cartazes de filmes de mau gosto e propaganda política marada.

  11. Um “plano” diabólico idealizado por um omnipotente e omnisciente deus-diabo” (jose neves)

    Aqui está um parágrafo perfeito para subtítulo duma biografia crítica do abade Barruel.

  12. — Ó filha – disse o primeiro-ministro, num arroubo de familiaridade, à deputada da oposição – e se partíssemos a espinha ao ministério público?
    — Não sei, chavalo — respondeu ela — nós achamos mais adequada a palavra asfixiar…

  13. Uma parte da minoria de jornalistas e comentadores honestos que ainda pisam os palcos acobarda-se (não raras vezes deteta-se em direto). Nas televisões então é flagrantíssimo. Há um comité de direita que emite diretrizes para as pessoas certas nas redações. Os auriculares dos pivots de televisão fervilham de instruções… Lembro-me do final do célebre debate Sócrates/P.Coelho com a Avilez acelerada a dizer quem tinha ganho o debate, deixando o saudoso E. Rangel e o MSTavares(?) assarapantados e a serem arrastados e a diretriz a voar para todas as redações. A RTP está cada vez pior, até o J. Teixeira claudica cada vez mais. A extrema-direita está a abocanhar a imprensa em Portugal, porque a extrema-direita coabitou desde o 25 de Abril no PSD e no CDS. José Sócrates tinha a particularidade de os enfrentar, arreganhava-lhes os dentes, gritava-lhes e amedrontava-os. Nesses dias o tribuno da direita era Francisco Loução, o das comédias ao ar livre no PREC, cujo jeitinho está a ser aproveitado agora na sua intervenção semanal na SIC com movimentações da direita baixa para a esquerda alta, passagem pela direita baixa, pose no proscénio– um ator de fraquíssima qualidade que, não raras vezes, merece o desdém das figurantes.

  14. é sem dúvida uma ilustração parola… mas para representar um parolo o que é queriam, um picasso?

  15. li a revista, encaixa tudo na perfeição, recordo esses tempos, figurinhas meramente institucionais, como estendal de noronha, pinto desde os 23, e constâncio

    fiscalizar bancos ? Um absurdo, é tudo gente de bem . Viu-se !
    pinto, que não tinha nada que cheirar nas escutas, mas sim remetê-las ao noronha, ouviu e disse “mas não há lá nada” e acrescentou até gostava que elas fossem escutadas publicamente . Também eu .
    noronha, que ganhou não sei como, fama de “muito bom tecnicamente”, escutou e repetiu “não há lá nada”. Há quem defenda que nem devia ter sido ele a escrutinar a gravação, mas sim um juiz do supremo, duma secção qualquer .
    depois escreveu um estendal, na associação 25 de abril, que foi puxado para este blog, associação essa presidida pelo mais mal-educado de todos os militares de abril, um sujeito gordo e sem porte militar, com ar de lateiro, que nem papel operacional teve . Falou o grosseirão, no pós revolução, em partir o toutiço ao marcelo . não conheço nenhum paralelo em outros militares de abril .
    no estendal, noronha, esvazia de conteúdo o conceito/preceito de atentado contra o estado de direito, restringindo-o a mero golpe militar .
    se um qualquer PM estiver a conspirar com o ceme, genaral matias, o cema, almirante tubarão, e o cemfa, general gaivota, pode fazê-lo à vontade ( e se calhar, pela bitola de noronha, até em público e à mesa do restaurante, porque o golpe pode sempre não se vir a concretizar, ou ser derrotado, e das testemunhas, umas ouviram, umas dizem que não se lembram de ter ouvido ) porque por via telefónica, pode fazê-lo à vontade, qualquer escuta carece de autorização prévia do noronha de serviço, e este não a dá, sem certezas fortes de que está em preparação um golpe, certezas estas que, dado o secretismo habitual dessas coisas, só pode ser obtido mediante … adivinharam, escutas prévias.
    em suma, reunidos aqui, para a inocentação publica, transformistas de vários quadrantes, que têm certezas transitadas em julgado ( por exemplo, algumas pessoas não são consideradas idóneas como testemunhas ) e mutação do principio da presunção de inocência, em certeza de inocência.
    pelo meio, um pratinho de falácias : por exemplo, a falácia da redução ao absurdo, assim sugerida “como é possível um PM ser corrupto?”
    enfim …

  16. Não é que não percebas. No afã hipócrita de branquear as filhas-de-putice do nazionismo (esse proxeneta indigno das vítimas judaicas do nazismo), finges é não perceber que o que está na raiz do meu (e de milhões) antinazionismo é o que está, e sempre esteve, na raiz do meu antinazismo e do meu antifascismo, que é tomar sempre, instintivamente, indignadamente, visceralmente, o partido das vítimas contra os algozes, dos assassinados contra os assassinos, dos oprimidos contra os opressores, dos roubados contra os ladrões, dos sacaneados contra todos os sacanas e cabrões. Mas é claro que isso é coisa que estás farto de saber, nesse pasmo fingido de aldrabão de feira, fiel seguidor do honestíssimo lema: “Ora muito boa tarde, senhoras e senhores! Eu não estou aqui para enganar um, dois ou três! Estou aqui para enganar todos ao mesmo tempo, que é para isso que a fábrica me paga!”

  17. Um racista nazionista é um racista nazionista é um racista nazionista, e “a única democracia do Médio Oriente” tem agora um como primeiro-ministro, tal como já antes tinha outro como primeiro-ministro.

    https://youtu.be/Png17wB_omA

    N.B. — Para quem não sabe, e principalmente para quem não leu, a Bíblia tem valor de escritura notarial.

  18. camacho a ser camacho, ou seja, a dormir, sem vergonha na cara, na mesma cama de assassinos nos atos e nas palavras, partilhando lençóis e penico com os apóstolos do antisionismo demonológico de extrema-direita.
    camacho aldrabão, que faz discurso de ultra-esquerda negacionista, impregnada da mitologia heróica do terceiro-mundismo e do anti-imperialismo, vesgo na indignação e selectivo na verdade.
    camacho mula-russa da propaganda que é, por escolha própria, o palhaço maior do circo Cardinalli, a entreter o pagode com as suas piruetas.

  19. Rui Tavares, “Psicopatologia da vida política”, hoje no Público, ou de como a gente serena, sensata, qualificada e de espírito dialogante se autoexclui do comentariado político mediático (incluindo o do Público, digo eu), cedendo o lugar à monocultura dos ferrabrases “hiperassertivos com opiniões pré-congeladas, reacções instantâneas, gosto pelo conflito e uma tendência para o autoritarismo ou o absolutismo moral”.

  20. E para quando o desmontar dessa fraude colossal chamada carlos costa, cujo comportamento enquanto maestro da “supervisão bancária” acaba de ser mais arrasado do que a “acusação” ronceira do teixeiroso e do alexandúpede?

    E ninguém faz uma bonecada com esse javardola?

    Mas para o megafone merdiático, “isso agora não interessa para nada”, como diz a outra…

    O que interessa é malhar no Constâncio!

    Ai, se fosse ele o alvo da porrada que o carlinhos levou pela calada (por enquanto), o que não se teria já escrito, dito, garatijado e grafitado por aí na pasquinada de reverência e na televisite mercantil…

  21. caro comentador das 16 horas eu gostava e muito de malhar no costa bp mas o Valupi não puxa para aqui o tema …
    costa, o outro costa, o pm, não gosta dele e deixou bem claro que gostava de o ver pelas costas e que se dele dependesse …
    sucede que o bce se intrometeu e ditatoriou que costa bp depende do bce, e que este é que o nomeia e desnomeia .
    eu, se fosse costa pm, perguntaria ao bce quem é que paga a costa bp, e se não é o bce ( como me parece que não seja ) quem paga a ração de costa bp, então, argumentaria, que patrão, no caso, é o estado português, e é ele quem paga, e a este compete, portanto, nomear e exonerar os seus empregados .
    quando existir futuro ensejo para malhar em costa bp, vamos a isso .

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