A moral da amoralidade

Estratega partidário que se preze não vê nas vitórias de Isaltino Morais e Valentim Loureiro o triunfo dos porcos, nem antecipa na derrota de Fátima Felgueiras e Ferreira Torres a regeneração da Grei. Basta ter o hábito de tomar café no café para ser especialista em corrupção. Não se fala de outra coisa, da corrupção no desporto à corrupção na política, passando pela corrupção que melhor e mais profundamente se conhece: a da vidinha, a nossa. Assim, votar num político acusado de corrupção, ou deixar de votar, não é assunto de moral. Muito menos da moral de plástico utilizada para brincar aos politólogos.

Talvez Isaltino tenha vencido porque é mesmo um excelente gestor autárquico, pouco interessando ao eleitor que tenha tido o azar de se deixar apanhar a roubar. Talvez Fátima tenha perdido por já não conseguir roubar, pouco interessando ao eleitor a qualidade da sua gestão autárquica.

É preciso ter sempre presente uma noção ancestral: é a lei que faz o criminoso.

3 thoughts on “A moral da amoralidade”

  1. Não percebi, estás a desculpabilizar o Isaltino Condenado por corrupção? estás a querer misturar assuntos do foro da Justiça com assuntos eleitorais?

    Pois é, concordo contigo, acabe-se com a lei e acabando com criminosos que cometem actos pedófilos!

    Por algum motivo existirá a lei, não te parece? Se fossemos todos gajos que vivêssemos mas melhores regras de “civilidade” a lei era inútil, não te parece?

    Achas então que o facto de toda a gente dizer que o Isaltino é um bom autarca, abafa o facto de ser criminoso?

    Eh pá, o problema não é e, regra geral, nunca foi a Grei, antes aqueles que se lhes sobreporem!

  2. Não concordo: a lei não faz, puto, o criminoso. O Val anda baralhado. O criminoso não age ao abrigo da lei, mesmo quando pensa, ou está em condições de pensar e poder, que pode contornar a lei posteriormente.
    Penso até que houve um tempo em que a lei fazia o cidadão e não o criminoso: vide pólis grega.

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