A minha carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Como é que está a Mãe Natal? Na cozinha ou a embrulhar presentes, né? Pois, alguém tem de trabalhar. Olha, para este Natal quero receber um Presidente da República que respeite a Constituição. Caso não seja possível, porque imagino que nem aí na Lapónia se fabriquem bonecos desses, já me consolo com um cidadão que respeite o juramento que assina ao tomar posse do cargo para que foi eleito em nome do Povo.

Prontos, é só isto, pá. Se não couber pela chaminé, deixa à porta que ninguém rouba uma coisa dessas.

E, já agora, Feliz Natal para ti também,

V

8 thoughts on “A minha carta ao Pai Natal”

  1. tás com azar, meu! este ano não sobrou nada. fartei-me de distribuir refugo ideológico tipo cravalho da silva, zé manéis telecomandados e marcelos a pilhas (duracell), se tens pedido mais cedo ainda te arranjava um soares dos santos original, apesar de ser uma imitação foleira do benny hill. não t’acanhes e amanda sempre.
    http://www.youtube.com/watch?v=cn9v4KS7FMA

  2. Feliz natal Valupi, e ja agora, se não conheces, fica a saber que existe um conto muito interessante do Michel Tournier, chamado “la mère Noël” (salvo erro, é um dos contos do livro “Le Coq de Bruyère”).

    Boas

  3. Val feliz Natal:

    A noite de Natal:
    Nunca mais passava. O relógio não fazia os ponteiros movimentarem-se como o Diogo desejava. Nos seus “míseros” sete anos custava-lhe compreender porque os minutos tinham sessenta segundos as horas sessenta minutos e os dias vinte e quatro horas. Para alguns momentos vá que não vá. Agora numa noite de natal! Isso não. São muitos minutos e horas. Ou havia de estarem munidos com outro ponteiro para situações como estas. Ah se estivesse! Há muito que tinha ido ali mexer e o manobrava à sua feição.
    Neste momento o relógio da igreja matriz de La Ricamarrie acabou de dar as cinco horas. Que lentidão. O espaço entre uma e outra badalada parecia uma eternidade. É impossível que não esteja com “fome” e custe-lhe “trabalhar”. Quando acabar as férias da catequese vai pôr este problema à catequista. Ou ao padre. Não pode ser tão molengão. Ou será que a ânsia de receber os presentes do pai natal o leve a adjectivar o relógio da igreja.
    De certeza que não o merece. Está ali há vários anos. Lembra-se de o ver sempre ali. Também só tem uns “míseros” sete anos. Mas ainda se recorda de alguns meninos lhe atirar pedras. E… ele sem resmungar continuava na sua lenta agonia de subir e descer. Para mais até alcançar a hora os últimos trinta minutos são a subir. Por isso lhe custe dar as badaladas. Vê-se que está ofegante pelo sacrifício dos últimos trinta minutos.
    A continuar assim nunca mais chega a hora de clarear o dia. Sim! Noutros anos só ia buscar as prendas ao sapatinho com o dia já “levantado”. É que lhe dizia a sua mãe se o fizesse ainda com a noite a “pé” no ano seguinte não era contemplado. Por isso o aguentar todos os minutos e horas para no ano seguinte não ser rejeitado. Mas que dá vontade de o fazer isso dá.
    Deram as sete horas. A lentidão com que foram badaladas trouxera o clarear do dia. Agora a ânsia que tinha passou a receio. Não sabia qual a sua prenda. Em casa ouvia dizer que o pai natal dava conforme recebia. E o que ele tinha dado ao pai natal! Só aborrecimentos? Não. Na escola não era dos melhores mas dos piores também não. Na catequese era assim, assim. O pior era nas lides de casa e nos recados que a mãe lhe mandava fazer. Mas isto não era o bastante para estar com receio. Então os meninos que atiraram pedras ao relógio da igreja matriz ainda tinham que dar prendas ao pai natal pelas malfeitorias. Não! O pai natal não é vingativo. É uma espécie de avô materno ou paterno. Assim como o meu. Que só vê o mal julgando-o bem.
    Agora as horas no relógio da igreja matriz passam normalmente. Os minutos tem sessenta segundos as horas sessenta minutos e o dia vinte e quatro horas. Já antes o tinham. Só que as suas precisões queriam se sobrepor à normalidade da vida. Agora pensa assim porque já viu a sua prenda. E que prenda! Ali está ela ao pé do seu sapatinho. Sabe que é dele porque é filho único. Que linda! Era assim que via a sua bicicleta. Toda azul.

  4. De facto seria a prenda maior despachar o cavaco na fogueira do Natal (tradição beirã). Boas Festas para ti e um Ano Novo repleto de textos lúcidos, com saúde. Abraços também ao teu heterónimo. R.

  5. Val… magina eu em Penamacor a ver o Cavaco a arder, tal e qual…
    Magina agora, em vez de ser um peru, eu “tava” a comer um coelho com passas.
    Ó Val, eu já chamei tudo à mãe deles, mas mãe Natal acho que não…boas festas para ti também…

  6. Do Pére Noel

    Já estou muito cansado de repetir a mesma coisa a uma série de maduros dessas lusas paragens. Inclusive tive de ouvir um estarola insuportável que depois de mais de 2horas a desfiar o seu currículo de pai de qualquer coisa, ter prometido que realizava mais uma ou duas missas na aula magna para eu lhe satisfazer os caprichos de miúdo e lhe oferecer a constituição à medida dele, senão ainda ia buscar a prenda dele à paulada; e vens agora tu tb insistir na mesma fantasia de garoto mimado?

    Tens de fazer um esforço maior, muito maior, porque constato que persistes na mesma preguiça e infantilidade do costume. Queres e pronto. Tu e os teus coleguinhas de recreio. Vocês é que sabem e mais nada. Sem pensares que existem mais cidadãos que desejam o contrário e que houve uma eleição democrática que as vossas leis constitucionais garantem. E que o ciclo eleitoral está a decorrer. Eu sou o Papai Noel, mas tenho de respeitar as leis dos homens. E se me apetecesse pedir ao papai Noel mandar acabar com a democracia, só porque Sim? Só porque não gosto da cara dela e não me apetece atura_la e não concordo com ela.

    Neste Natal, pra castigo levas uns digestivos ultra-hiper-mega fortes extra de enzimas de tolerância. Tomar todos os 10 em 10 minutos. 5 anos a fio, tal é a tua doença degenerativa.

    De resto, cresce e apareçe.

  7. a mãe natal pediu-me para dizer que o papai noel depois de se meter nos abafadinhos, moscatel com banana, nunca mais foi o mesmo – parece que anda com ovos frescos nas axilas. mas que agora, ressaca passada, vai pô-lo a mexer como só uma mulher sabe fazer. é aguardar resultados. palavra de mãe natal. :-)

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