A inacção do pensamento

O João Galamba brinda os seus leitores com uma regular didascália de matérias filosóficas. O que perde em popularidade, pois são muito poucos os que o acompanham nas referências, ganha em originalidade. Numa situação em que o próprio ensino da filosofia está ameaçado no Secundário (conversa que já vem dos anos 80, contudo), e não está melhor na universidade, merecem gratidão os divulgadores do corpo de saber onde se funda a política, o direito, a teologia, a epistemologia e uma miríade de disciplinas e discursos; e no qual se inclui também um conjunto muito jeitoso de conversas cujo propósito sempre pertenceu à philosophia perennis: o paleio de saltar para a cueca. Dito isto, cumpre anunciar que o João Galamba é um imbecil. E aproveito o calibre da figura para praticar um dos desportos favoritos dos filósofos, a etimologia. Imbecil vem do latim imbecillus, começando por significar fraqueza do físico e dos materiais. Só a partir do século XVIII, por via do francês, a palavra ganhou o significado de estúpido. Mas é na procura da mais remota origem que a etimologia nos oferece a heideggeriana delícia de encontrar iluminações semânticas: imbecillu permite chegar a baculum, bastão, cajado ou bengala. Então, imbecil é aquele a quem faltam as forças e um ponto de apoio, uma sustentação, a bengala. Ou seja, aquele que não se aguenta nas canetas. Na fonte, a palavra não tem nada a ver com a inteligência, e podemos recorrer ao João Galamba como magnífico exemplo deste significado primevo. Ele não é estúpido quando afirma que a Igreja prefere refugiar-se nos dogmas em vez de acudir aos sofrimentos dos homens, nada disso. Vai nesta consideração complexidade suficiente para colocar o seu autor num plano superior de intelecção, seja qual for o critério técnico escolhido para a avaliar. Mas, igualmente, não há forma de escapar ao título de imbecil, pois está a fazer uma afirmação que é mais fraca do que o Benfica de Artur Jorge.


A Igreja calcula existirem mil e trezentos milhões de fiéis. Como é um número grosseiro, fiquemos pelos 400 mil sacerdotes em todo o Mundo. Agora, marquemos um encontro entre o exército dos tontinhos e o João Galamba. Ocasião para os padrecos serem confrontados com esta má nova:

O Reino de Deus pode não ser deste mundo, mas tal não justifica que a Igreja e o Papa se esqueçam dele. O próprio Deus não existe sem a esperança dos homens. E é essa mesma esperança que a Igreja, ao fazer o que faz, ajuda a destruir.

Temos então que há 400 mil especialistas e praticantes do catolicismo ignorantes do facto de a Igreja e o Papa estarem a esquecer-se do Reino de Deus. Como se não bastasse, igualmente desconhecerão que a Igreja está a ajudar a destruir as esperanças dos homens, portanto a matar Deus (uma invenção da esperança dos homens, como esclarece o escriba). Ora, se para um gajo se esquecer do Reino de Deus basta a querida lembrança de uma chispalhada, já a tarefa de destruir a esperança dos homens pede muita engenharia e mão-de-obra, se pensarmos na quantidade de homens e respectivas esperanças. Aqui chegados, o João Galamba talvez se dê conta de que, vai na volta, eles andam todos feitos uns com os outros. Não é só o Papa, apenas um indivíduo apesar do guarda-roupa variado e uma invejável colecção de barretes, serão todos os sacerdotes que estarão mancomunados para extorquir e amarfanhar as esperanças dos homens. Como farão eles tal coisa? Será só por defenderem a exclusão do preservativo adentro do matrimónio católico? Não, há coisas muito mais graves, horrores.

25% do cuidado mundial prestado a doentes com SIDA é providenciado por organizações católicas. Isto quer dizer que não há outra entidade que se lhe possa comparar, fazendo da Igreja e do seu pessoal, muito dele voluntário, um agente permanente de cuidados, informação e formação nas estratégias de combate à doença. Mas os malandros dos católicos não se limitam a estas brincadeiras de deixar um João Galamba enfastiado. No caso de África, o continente onde a miséria é mais extrema e de mais difícil erradicação, a Igreja proporciona noções de higiene, alfabetiza e ensina as populações, fornece cuidados médicos generalizados, introduz noções de civilidade, medeia conflitos civis e militares, forma quadros técnicos e… ah, e alimenta. Obviamente, isto não chega, é muito pouco ou nada. Afinal, para quem tem Deus Todo-Poderoso à disposição, estes católicos de merda estão é a gozar com a malta, só pode. O que o João Galamba gostava de ver, e tem nisso legitimidade intocável, era o milagre da multiplicação dos preservativos. O tempo que a Igreja gasta a dar alimentos, remédios, educação e apoio social é inútil, porque o que é preciso é distribuir preservativos, reza a tese. Que se lixem todas os outras organizações que já o fazem, mais os Estados que têm a obrigação de o fazer, porque enquanto a Igreja não aceitar que a problemática da SIDA em África é primeiro que tudo uma questão de distribuição de preservativos, ela estará a ser irresponsável. Ai daqueles que não andem sempre com uma sacada de preservativos às costas, porque nunca se sabe quando é que um africano levanta o pau! Como é que se combate este argumento que tem a beleza e o hipnotismo da simplicidade, tão do agrado dos imbecis?

Imaginemos que existia uma religião chamada cu-sentadismo e que o João Galamba era o seu Papa. Suponhamos que eu dizia que o Papa do cu-sentadismo era um irresponsável por estar tanto tempo a escrever para o blogue da sua religião, enquanto na sua cidade, quiçá no seu bairro, havia pessoas carentes dos mais desvairados tipos de ajuda. Se eu perguntasse perante quem/o quê responde o cu-sentadismo? que resposta me chegaria? E se depois citasse o António Costa na parte em que ele denunciava o cu-sentadismo como sendo um submundo imundo, como iria essa passagem autoral afectar o mundo do João Galamba? Que sentiriam os familiares e amigos do Papa do cu-sentadismo perante a acusação de se estar a ligar mais aos dogmas do cu-sentadismo do que às pessoas do bairro? São coisas muito chatas, pois são, não são?

Voltemos ao confronto entre os 400 mil padres e o nosso herói. Os bacanos de saiote estão em desvantagem, porque o Galamba conta com a sua imaginação como substância primeira e inesgotável. Do outro lado eles podem ser muitos, e ter cara de quem se apresta para destruir as esperanças dos homens, mas apenas têm a realidade ao seu dispor. E a realidade, como é sobejamente conhecido, ninguém a quer, cheira mal e dá uma trabalheira que faxavor. Que irá acontecer? Quem fará o próximo movimento? Tendo em conta que o homem, à hora em que publico, nem se dignou responder a quem apareceu para a conversa no seu desafio (o que se compreende, pois ele queria era ter uma converseta tu-cá-tu-lá só com Deus e um Lobo), é provável que a sui generis inacção da Igreja venha a ser suplantada pela vexata inacção do pensamento.

37 thoughts on “A inacção do pensamento”

  1. Boa bordoada no Galamba (electricista de serviço nos cinco dias) mas por cada um apanha um choque como esse que você lhe deu levantam-se milhares doutros imbecis de báculo que andam pelos rocios das aldeias portuguesas muito instruídas com livrinhios cheios de informação de caca sobre a Sida ou planos papais para controlo das consciências que será uma maneira minha muito malcriada de dizer que nunca tiveram tempo nem oportunidade para ler os trabalhos de Alan Cantwell (Queer Blood) ou Leonard Horowitz (Emerging Virus) ou sequer ler opiniões de senhoras como Wangari Maathai uma africana que não gosta que lhe façam ninhos atrás da orelha.

    Quanto ao resto do seu escrito adoralvelmente calibrado a nota dos 400 mil sacerdotes foi aquilo que mais me impressionou não apenas por me ter lembrado que são quase tantos (repare) como os advogados nos Estados Unidos mas também porque penso que os sacerdotes têm menos influência nas decisões papais que os juristas (pela via maçonal-judoca) na política americana com as repercussões internacionais cujas provas andam agora por aí aos pontapés.

  2. Valupi,

    Também acho que o João Galamba tem tendência para abusar de citações(*). Agora esta crítica é muito estranha vinda de ti, e mais ainda quando é seguida de uma longa dissertação sobre o sexo dos anjos em que continuas a coibir-te de responder às três questões seguintes, que são as fundamentais :

    1/ Ao emitir uma mensagem que é (ou pelo menos pode ser) percebida como « o bom cristão não usa o preservativo », o Papa está ou não está a fortalecer os preconceitos que fazem com que muitos cristãos (ainda que seja por perversão) não usem o preservativo nas alturas em que seria essencial usarem, por motivos de saúde pública e de respeito da vida própria e dos outros ? Pode ser que não esteja e, neste caso, somos nós que estamos a exagerar e ponto final. Mas não vejo nada nos teus argumentos que me tranquilize a esse respeito.

    2/ Se não estivermos a exagerar e se existe o risco que mencionei acima, então será verdadeiramente cristão o Papa contentar-se com dizer : « se esses perversos perceberam mal a minha mensagem, ou se fingiram que a perceberam mal, então que se danem ; e se morrerem melhor, que assim os outros ficam a saber que quem peca pela carne sujeita-se a isso mesmo » ? O texto do João Galamba é acerca desse ponto específico e eu concordo inteiramente com ele. Mais, acho que o que ele diz sobre o assunto é muito mais próximo dos preceitos cristãos do que a tua posição, que assenta no sofisma dito da « economia da salvação » (mais vale tratar de salvar os justos do que perder tempo com os pecadores). Por mais impropérios que profiras, apenas mostras nesse ponto o teu total desconhecimento da mensagem de amor (e de abertura) do Evangelho. E não estranhes eu referir-me ao Evangelho quando me afirmo ateu e de esquerda. Não tenho nenhuma dificuldade em dizer que a minha formação ética deve muito ao Evangelho e que me reconheço em muito do que lá vem dito.

    3/ No mundo actual, qual é a urgência : tratar de evitar que os bons católicos cedam à tentação da carne no matrimónio (em detrimento da função reprodutora do coito), ou evitar a epidemia de SIDA ? Esta questão é de facto teológica e eu admito que o Papa ache que que a primeira questão é mais urgente que a segunda. Mas a resposta será reveladora e mostrará até que ponto a Igreja está disposta a separar-se do mundo real…

    Enquanto recusares responder a estas três perguntas, estarás mostrar-te mais preocupado em participar numa cruzada desnecessária, do que em responder às questões legítimas dos que criticaram a intervenção do Papa.

    (*) Nisso, o João Galamba é vítima duma tradição bem portuguesa e lamentável a todos os pontos de vista. Quem estudou filosofia não precisa de encher a boca com Platão, nem de chamar Aristóteles para provar que dois mais dois são quatro. As citações são apelos à autoridade perfeitamente escusados e, quanto a mim, as únicas que poderiam ser eficazes, ainda seriam as que se referem às palavras do adversário. Acresce que quem cita com abundância mostra apenas que não sabe citar e dá dele mesmo a pior das impressões. Mahler não precisou de enfiar à força trechos de Wagner nas suas sinfonias para nós percebermos que ele ouviu muito Wagner e que foi profundamente influenciado por ele… Mas enfim, isto é só a minha modesta opinião, cada um cuida de si…

  3. devia ter-se abstido de falar nisso sim, João, como disseste atrás, e remeter à consciência de cada um pelo silêncio. Era o mínimo. Usa-se preservativo para evitar ou pelo menos contrariar fazer mal ao nosso irmão. Mas eu sou pagão, gosto dos ensinamentos de Cristo mas olho os padres como iguais, como pessoas, às tantas ainda tenho eu de perdoar-lhes os pecados

    eu agora ainda tenho uma coisa ali para escrever com teoria da informação, mas ao mesmo tempo vou cair em cima desses enunciados, a questão da perversão está a fazer muitas vítimas e só há pouco é que percebi o peso que tinha em tantos, via Epístola de Paulo aos romanos

  4. há aí uma questão de citação com que não concordo pá: dar o seu a seu dono é honestidade intelectual básica, pretender quem quem pensou aquilo pela primeira vez foi o próprio, em muita coisa que inconscientemente ou não, cita, só é perdoável num ego imaturo, senão é perversão sabidinha,

    citar pode ser ser humilde, remeter à fonte,

    e quanto às minhas idéias de merda de hoje e sempre: vamos lá tricheuse, aos três, tempo de perder os três, rica, nem o valupi te salva

  5. Quem não pensa como tu, é imbecil. Bem resumidinho, é isso.

    Pois olha, acabo de ver a discussão nos 5dias estão lá factos que só um imbecil não aceitará. A entrevista do arcebispo de Nairobi, que gostaria que acabasse o fabrico de preservativos em todo o mundo (as leis de Deus são para todos, crentes e não crentes, diz ele). Ou a queima de preservativos ordenada pelo cardeal Otunga… Fantástico.

  6. Seja em qualquer instituição, agremiação, civil, militar ou religiosa, pressupõe-se que para ser integrante, necessário é a adesão inquestionável aos seus princípios, regulamentos, dogmas ou que mais seja.

    Quando a Igreja se pronuncia “Roma locuta, causa finita”, o faz, com toda propriedade e autoridade, aos seus membros e seguidores. As decisões emanadas pelo Sumo Pontífice são válidas apenas e tão somente para os que o seguem. Portanto, os que não comungam da fé católica, não deveriam se incomodar, não é para eles que a Igreja fala.

    É mesmo muito interessante notar toda a grita que se levanta quando a Igreja emite alguma opinião sobre todo e qualquer assunto. Usando o termo empregado pelo Valupi, ora, se qualquer imbecil tem direito a externar sua opinião, por mais idiota que seja, pois então, a Igreja Católica, uma instituição bi-milenar, não o teria?

    Xico Lopes

  7. Xico Lopes Xico Lopes falaste com muito finura e acerto é que nem o Valupi poderia ser mais sintéctico que tu que soubeste meter o dedo na ferida logo à primeira e pena foi não teres aproveitado para perguntares aos materialistas modernistas ateus e quejandos que aqui vêm pingar as lamúrias antipapais onde é que eles adquirem as suas camisas de língua pois numa democracia com pelo menos 69 deveres e direitos como a nossa as precauções nunca serão demais.

  8. Z, quem sabe o Tricheur também nos lê, e ainda vai na tua conversa.
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    Miguel Mata, gostei muito da conspiração maçonal-judoca. Isso promete dar luta.
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    joão viegas, vamos lá para mais um round, então:

    1. Qualquer mensagem pode ser percebida de mil e uma maneiras diferentes, mas a mensagem em causa não é essa de haver uma proibição do preservativo. Isso é uma deturpação e uma aberração. Peço-te que me digas em que países, e em que grupos, tal fenómeno aconteceu. Se não obtiveres essa informação (e não vais obter), peço-te que me digas quais os casos individuais que conheces onde tal aconteceu. Aposto que não tens nem um para amostra. A mensagem da Igreja é esta: “Ide virgens e castos para o casamento, e participai no plano criativo de Deus recorrendo a métodos anticoncepcionais naturais.” Pode-se pensar o que se quiser desta proposta, a começar por a recusar liminarmente. O que não se pode é dizer que ela impede o uso do preservativo seja a quem for, pois isso equivale a dizer que esse eventual sujeito é um doente mental. Ser católico não é uma condenação, é um acto da vontade livre. A mesma que está sempre presente para avaliar cada situação. Quem optar por não usar preservativo numa relação não-matrimonial, ou com esposo que saiba ter SIDA, não pode justificar a sua decisão em nenhuma declaração das autoridades eclesiásticas. Isto é óbvio, e ofende a inteligência daqueles que teimam em não o entender.

    2. Do Evangelho podes conhecer muito, mas do espírito que anima as suas palavras não conheces nada. Primeiro: a Igreja defende a virgindade, a abstinência, a fidelidade, a castidade e até o celibato em certos casos. Estas mensagens estão no centro da catequese e ensino do catolicismo. Isso significa que os católicos serão aqueles que com maior probabilidade terão um comportamento que não será promíscuo nem infiel. Segundo: pessoas que não entenderão qual é o contexto da referência ao preservativo, nem as consequências do sexo de risco sem protecção, não podem ser consideradas católicas pois não estão em condições cognitivas para serem seja o que for de responsável.

    3. A urgência maior deste mundo é reduzir a quantidade de imbecis. A tua questão é supinamente imbecil, ao te referires a indivíduos ditos católicos que iriam contra a fé, a fidelidade, o respeito e o amor matrimonial, mas continuariam a respeitar um aspecto doutrinário que poria a sua saúde e vida em risco, mais a da sua mulher, o que, ainda por cima, não faria qualquer sentido por não ser relativo ao amor conjugal mas sim à concupiscência, luxúria e infidelidade. Aqui entre nós, o teu caso é grave.
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    Nik, não me digas que só descobriste agora que a Igreja é feita de homens, e que alguns são velhos africanos.
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    Xico Lopes, tu sabes.
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    Grunho, antes isso que dar em beata.
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    Nuno Santo, e fazes muito bem.
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    Rui Castro, toma lá outro.

  9. Valupi,

    1/ O que tu dizes equivale a dizer que nunca houve, nem pode haver, catolicos infectados com SIDA por não terem usado o preservativo. Se acreditas nisso, então de facto não ha nada a fazer. Eu, sinceramente, acho que nem o Papa acredita num tal disparate. A menos que subentendas que o numero de catolicos é muitissimo menor do que aquele que indicas…

    2/ Não se trata de criticar o que a Igreja diz sobre a castidade. Estou so a lembrar que a moral cristã (mesmo na catequese) não é propriamente favoravel à lapidação da mulher (ou do homem) adultera(o), ainda que esse não tenha usado o preservativo. Mas é verdade que existem interpretações fundamentalistas como a tua.

    3/ Quanto a ser urgente acabar com os imbecis, ia escrever que isto esta em completa contradicção com o teu texto mas depois li melhor e acho que estas a ser coerente. Acho até que essa ideia resume bem a tua posição : a propagação da SIDA é a melhor maneira de se acabar de vez com os imbecis.

    z,

    Estava apenas a falar do excesso de citações e admito que nesse ponto a minha posição é bastante isolada. Para não passar por desonesto, dou-te a fonte “não devemos dar mais atenções a um homem do que à verdade” (Platão Republica X)

  10. z,

    No texto citado, deve obviamente entender-se “no debate filosofico”. Como se vê, as citações (mesmo de Platão) podem ter inconvenientes.

  11. O João Viegas sugere meio que jocoso, para invalidar a opinião de Valupi, que nunca houve, não há, nem haverá católicos portadores de HIV.

    Pois bem, esta é a verdade. Nunca houve, há ou haverá católico, ou qualquer cristão, portador de HIV. Desde que consideremos que a transmissibilidade do vírus tenha se dado pela via sexual, ou o compartilhamento de seringas e outros quejandos. Isto é a mais absoluta e rematada verdade, pois aquele que realmente, eu escrevi -realmente-, seguem os preceitos da Igreja, por obediência a tais preceitos, jamais está exposto a uma situação de contágio desta espécie.

    Senão vejamos: ele não teria relacionamentos fora do casamento, ele não seria viciado em qualquer tipo de drogas, seus hábitos seriam frugais e regidos pela temperança.

    Mas, para que tal aconteça, não é preciso que o indivíduo seja santo, necessário apenas que o seja praticante da religião.

    O que temos é que, a sociedade, especialmente a ocidental, em nome de uma certa “liberdade”, relativiza todos os outros valores. E assim, muitos católicos e cristãos de outras denominações, deixam-se levar por esta relativização. Mas ao abraçar este modo de ver a realidade, não percebem, ou se o percebem, já não dão a importância inicial que davam (afinal tudo é relativo!), que já não são os verdadeiros e autênticos seguidores de sua religião.

    Voltando pois ao fio da meada, o Valupi está correto!

  12. Xico Lopes,

    Como todos sabemos e vem nos Evangelhos, so ha catolicos impecaveis… Os unicos que pecaram foram Adão e Eva e eram Judeus !

  13. joão, escreveste:

    “O que tu dizes equivale a dizer que nunca houve, nem pode haver, catolicos infectados com SIDA por não terem usado o preservativo.”

    Isto é imbecil. Ou disparatado. Ou ilógico. Ou falacioso. Ou parvo. Ou errado. Ou mentiroso. Escolhe a variante que mais te agradar. A nossa discussão não poderia ser sobre os casos de católicos com SIDA, porque a SIDA não se contrai pelo catolicismo. O teu desespero deu a volta ao texto, e o que se passa é o contrário: o catolicismo pode ser um factor que diminua os casos de transmissão ao promover a fidelidade e/ou a abstinência. Porém, qualquer católico está tão sujeito a ser contaminado como qualquer outra pessoa, e pelas mesmas razões.

    Tu nada dizes de concreto, estatístico ou testemunhal. Deliras situações em que um indivíduo se recusaria a usar preservativos numa relação de risco invocando a doutrina católica para o matrimónio, e com isso atribuis à Igreja uma qualquer falha. No entanto, a Igreja e seus membros, que todos os dias estão presentes junto dos mais miseráveis e dos que mais estão em risco, é uma das maiores forças contra a epidemia, directa e indirectamente. Devias ter vergonha do que dizes, pois é escandalosa a leviandade com que se fala dos que sacrificam a sua vida pela salvação da vida, saúde, futuro e dignidade dos mais pobres.

  14. Não tenhas dúvidas Valupi que o que se diz aqui conta. Já nem é efeito borboleta mas sim pirilampo:

    Dénes Petz: Quantum Information Theory and Quantum Statistics, Springer, 2008

    mas a madame tricheuse é dura de roer,

    Cristo amava João, sem preservativo creio – nesse tempo os homens, e os guerreiros em particular, davam-se leite de macho uns aos outros, agora é antidepressivos,

    sim, João, só queria chamar a atenção que citar é muitas vezes não fazer apropriação indevida

    PS: V., neste país de brandos costumes eu acho piada que te atires a morder canela atrás de canela, mas não cometas a imbecilidade de te arvorares em supremo (menor dos majorantes) da inteligência, é muito melhor uma floresta de inteligências de espécies diferentes do que um ermitão numa gruta de montanha. Convoco-te para seres mais inteligente

  15. que tu próprio, basta calculares a tua potência ou seja o conjunto das tuas partes, ou ainda o conjunto de todos os subconjuntos em ti contidos,

  16. Valupi,

    Talvez seja imbecil, ilogico, parvo, etc., haver catolicos infectados por não terem usado o preservativo… mas é a triste realidade. Ninguém diz que eles foram infectados por causa do seu catolicismo. Dizemos apenas que eles não teriam sido infectados se tivessem usado o preservativo.

    E so isso. Mas tu não queres perceber e preferes ficar no teu filme sobre guerras de religião. E pena.

    Agora despacha-te ou vais chegar tarde para a missa.

    Um abraço

  17. Agora desculpas a doutrina anti-preservativo da Igreja acusando os supostos excessos de uns velhos seres humanos, ainda por cima africanos, que por acaso fazem de príncipes da Igreja. Estarás imbecil, Val? Falta-te o báculo, a bengala ou o bastão? A continuares assim, vais precisar é de uma moca. E de uma caverna.

    O senhor arcebispo de Nairobi, pessoa nada imbecil, defende, valendo-se da lógica valupina da doutrina papalina, que o preservativo contribui para espalhar a SIDA (sic!). O cardeal Otunga, que, segundo a mesma lógica, também não é imbecil, organizou uma queima de preservativos para esconjurar o mal diabólico. De facto, através destas cabecinhas de “velhos africanos” é que se percebe melhor o efeito da condenação papal da camisa de Vénus. Em muitos países africanos, onde não há welfare state nem sequer, por vezes, hospitais do Estado, é a Igreja católica que está no terreno a inspirar directamente a política de prevenção contra a epidemia. Ora sabes, porque não és imbecil, que a Igreja só tem uma política de prevenção: abstinência e castidade.

  18. Z, a luta contra a imbecilidade começa em mim: eu contra a minha imbecilidade. Portanto, se vier alguém de fora para me ajudar, não poderei ficar mais agradecido.
    __

    joão, se tu admites que os supostos católicos com SIDA não teriam sido infectados caso tivessem usado preservativo, então admites que o problema não está no serem católicos, mas no uso do preservativo. E daqui, estou certo, chegarás a uma surpreendente e brilhante conclusão: à Igreja não interessa que os seus fiéis adoeçam com SIDA.
    __

    Nik, não tenho de desculpar aquilo que não me aparece culpado. Duas pessoas casadas pela Igreja católica, que não tenham doenças sexualmente transmissíveis e não tenham outros parceiros, poderão passar o resto da vida a tentar ficar infectadas por não usarem o preservativo que nunca o conseguirão, nem com a ajuda de Deus.

    Quanto aos exemplos desses dois velhos africanos, vou ser um gajo porreiro para a tua inteligência e não os comentar.

  19. Valupi

    “à Igreja não interessa que os seus fiéis adoeçam com SIDA”. Afinal parece que concordamos com alguma coisa. Eis exactamente o que me choca, por duas razões: 1/ por me parecer contrario aos principios dos quais a Igreja se reclama (nomeadamente ao Evangelho) e 2/ porque os fieis da Igreja vivem na mesma sociedade do que eu e são meus irmãos…

    E vou acabar a conversa como a comecei, com Camões (dedicado a z), que me parece ter apanhado muito melhor do que tu a essência do cristiansimo :

    “Não querer mais que bem querer”…

  20. O teu problema nesta questão, joão, é a tua concepção demente de que ser católico se sobrepõe a ser humano. Tu da Igreja és um profundíssimo ignorante, e isso deve-se não a estares menos capacitado para o pensamento complexo, mas ao preconceito imbecil que resulta de não teres contacto nem com os fiéis nem com as obras da Igreja.

  21. Ignorante, demente e imbecil. Toma joão, estás convencido?

    Val, o exemplo que dás é tão coxo que não lhe chega a bengala, só cadeira de rodas.

    E porque é que eu não posso citar os malefícios doutrinários dos príncipes da Igreja queniana? Ora essa! A Igreja é só o palavreado tortuoso do Ratzinger? O resto são gaffes de pretos velhos?

    Os cardeais apostaram no alemão em 2005, mas tinham lá o grande cardeal Martini, um grande líder para uma Igreja actualizada. Aquele mesmo que, sem deixar de ser fiel à doutrina da castidade, aceita o preservativo como “mal menor” para combater a epidemia. Ratzinger prefere enfiar o nariz na camisinha e a cabeça na areia. A única coisa que desenterra são textos do século XV que lançam acusações ao Islão. Ratzinger não presta. A Igreja é só ele? Pior para ela.

  22. Nik, estás muito mal informado. Mas eu tenho uma excelente notícia para ti: o Al Gore parece que inventou uma coisa chamada Internet há um par de anos, ou coisa assim.

    Para além disso, também terás vantagem em renegares o cu-sentadismo e ires ver com os teus próprios olhinhos o que se passa no terreno. Prepara-te para grandes surpresas. É que tens toda a razão, a Igreja é de todos.

  23. Bem dito Nik,

    Eu acho que quando o Valupi nos chama pobres de espirito, é uma forma de nos desejar uma entrada no Reino dos Céus. Mas nos somos mal agradecidos e teimamos em tudo fazer para la chegar o mais tarde possivel…

  24. Então mas tu afinal és um cruzado ou quê, Valupi? Andas a distribuir fruta que até estala, à esquerda e à direita, sem ofereceres a outra face e o camandro…
    Dá lá uma folga às tuas tropas interiores mesmo que se revolvam a tripas quando te deparas com os múltiplos alvos do teu poderoso canhângulo verbal (esta foi propositadamente fálica, para acentuar a tua postura viril).
    Fora de piada, preocupa-me esta tua insistente e vigorosa cruzada e estou com o z mas convoco-te para a paciência senão qualquer dia ninguém gosta de ti por te julgarem azedo e mal fodido.
    Azedo ainda vá, um gajo mete mais açúcar…
    :)

  25. Vá, amigo, fica bem. Algures vais ter de descansar uns tempinhos, toda a gente merece e tu, por maioria de razão, também. Obrigado por tudo o que me suscitaste a pensar. A euribor já desceu e com ela o garrote sobre tantos, mas paradoxalmente esse não existe para mim.

    Para não seres imbecil basta não quereres ser o mais inteligente, porque inteligente já sabemos que és, o que além de ser um absurdo porque suporia que a inteligência seria um conjunto completamente ordenável segundo uma dada métrica, em vez de ser uma floresta onde podes ser um viçoso e belo carvalho ou outra árvore que escolhas.

    bacances, once again…

  26. joão, ser pobre de espírito dá muito trabalho. E vocês insistem em não levantar o rabo da cadeira.
    __

    shark, “canhângulo verbal” está exacto, quando muito só pecando pela modéstia. Mas eu aproveito a tua generosidade e interrogo: mas paciência para o quê?

    Acusar o Papa e a Igreja de serem criminosos é facto que pede atenção. Se for verdade, temos de os impedir de continuarem a repetir o crime, não achas? Se for mentira, temos de denunciar o mentiroso, acho eu.
    __

    y, não queres que eu seja o mais inteligente? Então, já somos dois. O inferno também deve ser isso de já não se conseguir aprender com mais ninguém.

  27. A paciência consiste nisto de estarmos aqui a conversar. Enquanto conseguirmos conversar, estaremos como irmãos. E há irmãos muito diferentes.

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