A esquerda apodrece Portugal, reconhece Louçã

Louçã escreveu um texto na passada quarta-feira que, sem surpresa, deixou indiferente o mundo político nacional – As três alianças e os meios de as conjurar: a terceira, a da esquerda. Todavia, o seu tema é fascinante, e de estrutural importância para a qualidade da nossa democracia: o bloqueio do sistema partidário à esquerda.

O resumo do problema consiste nisto: a esquerda pura e verdadeira (BE, PCP e grupelhos a escolher pelo Anacleto) não se une por “rotina de fechamento“, “tradição dos partidos” e “falta de vontade e audácia“. Consequentemente, reconhece com humildade merecedora de aplauso, estamos num “situacionismo que apodrece Portugal“. O resto do texto é ocupado com a sua augusta pessoa, tendo chegado ao ponto de largar este delicioso naco da sua exorbitante megalomania:

(e sobre isso não faço agora nenhuma sugestão, para não condicionar nem influenciar ninguém, nem discuto aqui a evidente importância das eleições presidenciais para novos sinais de novos tempos)

Louçã está mais perto dos 60 do que dos 50. Tem uma existência dedicada à política e pode reclamar ter sido um dos mais inovadores dos seus agentes. O que conseguiu com o PSR e com o BE é notável a vários títulos. Pois bem, que tem ele para nos dizer sobre uma das mais graves questões do regime, a tal impossibilidade de termos um PS com alianças à esquerda? Que se trata de um fatalismo onde a única coisa que há para fazer é ir sofrendo até que o País caia de podre.

Não faço ideia de qual possa ser o ideólogo de esquerda, ou tão-só da esquerda que o Louçã se considera proprietário, que recomende a desistência perante a adversidade – por maior que seja a adversidade. Pegando de empréstimo a referida audácia, ouso declarar que não existe ninguém de esquerda que passe tal receita. E é com base nessa convicção que chego ao corolário: Louçã não é de esquerda.

Colocada assim a questão, tudo de repente parece fazer cristalino sentido. Só alguém que abomina a esquerda consegue dedicar uma vida inteira ao boicote da democracia.

51 thoughts on “A esquerda apodrece Portugal, reconhece Louçã”

  1. O grande líder sibilante implodiu no fim do frente a frente com Sócrates quando
    da campanha para as legislativas de 2009 sentiu-se humilhado e nunca mais foi
    o mesmo! Foi um dos responsáveis pela vinda da troika, feroz combatente contra
    o Governo do PS, destruiu o projeto que poderia ter sido o BE! Para satisfação
    própria, só lhe resta escrever as memórias já não é ouvido apesar da mão que lhe
    foi dada pela SIC-N, perde clamorosamente para o ganda nóia!!!

  2. finalmente um momento de verdade no aspirina

    “A esquerda apodrece Portugal”

    Avante camaradas socialistas, passos largos pro abismo.

  3. Pois bem, que tem ele para nos dizer sobre uma das mais graves questões do regime, a tal impossibilidade de termos um PS com alianças à esquerda? Que se trata de um fatalismo onde a única coisa que há para fazer é ir sofrendo até que o País caia de podre.

    Precebeste mal.
    Neste artigo o Louçã só fala da “esquerda” e a “esquerda” não inclui o PS.
    Louçã “reflecte” apenas sobre a coligação de BE-PCP-“movimentos sociais”.
    Isso é que é a esquerda.

    Parece que chegaste ontem a Portugal, não percebes nada…

    miguel

  4. Quando o partido os verdes Alemães se fartaram do bla bla bla ideológico, e resolveram evoluir para o pragmatismo, entrando em coligações de governo com o SPD e liberais, conseguindo influenciar politicas ambientais Alemãs, Louçã numa entrevista ao expresso disse de sua justiça:
    – Eu creio que do ponto de vista da evolução da esquerda
    as politica que os verdes Alemães seguiram foi ERRADA!
    Porque favoreceu guerras contra as quais tinha prometido lutar, permitiu o nuclear contra o seu programa… um partido assim que se alia uma vez com a direita liberal, outras com a social democracia, que apoia um governo entre a social democracia e a direita, pode ser um bom bailarino, e qté pode impressionar com a sua dança, mas não corresponde a problemas sociais fundamentais!
    Nota : Foi a partir daqui que tive a noção que o BE nunca iria a lado nenhum… e como o PC só olha para o seu umbigo uma maioria de esquerda com estas “virgens” é quase impossivel!!!

  5. Sobre Louçã apenas me ocorre dizer que ele esteve na linha da frente para entregar o país a uma corja do pior que se podia imaginar. E, o que é pior de tudo, sabia muito bem o que estava a fazer e não parou. Que a história não lhe perdoe.

  6. Este discurso repetitivo e enjoativo até mais não, sobre a natureza sagrada e a cristalina pureza e superioridade moral da esquerda – e seus divinos e angélicos agentes: mesmo assumindo que o apodrecimento já era visível vai pra muitos anos, tal era o fedor exalado pela quantidade de cagalhoes a boiar e a perorar diária e doutamente sobre os seus planos divinos para nos salvarem das forças maléficas de direita, é assunto que cheira à merda do costume: Cagança e Presunção! E isso faz mal aos meninos aqui do hospicio com alta probabilidade de mijarem outra vez a caminha e falar a dormir do PEC IV. Bom xoninho

  7. Não esqueçam os 44 Terços ao Pai Vosso Santo e Amado Pinoquio D’Évora

  8. gosto do Louçã, aprecio-lhe a honestidade de não dizer – por vício e vaidade – o que sabe que os outros vão gostar de ouvir. e isso pode ler-se na constatação de que o país está a apodrecer e que não parece haver uma fórmula mágica de que dele e da actual oposição forte dependa – o que está à vista de todos. mas ainda há, interpreto assim e não como desistência, resiliência.

  9. Dr Manuel, volte para a escola e aprenda a escrever melhor. Fez a quarta classe para adultos há quantos anos? E na escola da vida, pelo que se lê, aprendeu a ser grosseiro.

  10. Salve Manuel Silva!

    Maria Abril, se calhar o Manuel nao teve hipotese de se inscrever nas Novas Oportunidades do 44, donde sairam portugueses tao bem formados que hoje em dia lideram todas as empresas listadas no PSI 20.

    A Lurdinhas, a tal que foi condenada em tribunal por peculato (uma medalha pelos excelentes servicos pela causa publica concerteza), ja veio pedir a volta deste programa escolar de excelencia, exactamente para dar hipotese aqueles de nos que, nao tendo frequentado estas escolas de elite, podermos tambem ascender socialmente, tornando a sociedade portuguesa mais inclusiva e igualitaria.

  11. JPFerra,

    Basico e chapar um link sobre aplicacao dos programas da troica e dizer que e uma mensagem pros “direitolas” que vem com o seguinte subtitulo:
    “Não é verdade que a abordagem ortodoxa [adoptada na crise da zona euro] nunca funcione”

    E que de seguida, venha logo a seguinte afirmacao: “A Irlanda aplicou mais austeridade antes de a troika chegar ao país e não foi preciso realizar reformas estruturais”

    Esta tambem me parece relevante “A Irlanda já tinha uma boa economia”…

    Assim de repente, so me lembro daquelas personagens do Lucky Luke que davam tiros nos pes com frequencia (e do Ignorantz).

    E o que da sofrer de iliteracia funcional e aprender economia lendo as paragonas do jornais e ouvindo o Louca e inscrevendo-se na Alfama School of Economics (do professor Galamba).

    Queres um chapeuzinho com orelhas para cima, daqueles que costumavam dar aos miudos na escola que se sentavam no canto?

  12. Olha, sobre o Caldeira Cabral, fui repescar esta entrevista de Outubro de 2013.

    “Manuel Caldeira Cabral, ex-assessor do ministro das Finanças de Sócrates, não compreende porque é que o vice-primeiro-ministro está a negociar com os tecnocratas da troika sem ter assento no Ecofin e no Conselho Europeu, onde se traçam as grandes metas para a União Europeia. Acredita que a meio do próximo ano vai começar a ser óbvio que vamos entrar em recessão e no segundo semestre que não vamos cumprir as projecções, porque houve uma sobreavaliação do crescimento interno e das exportações líquidas. O economista constata ainda que há divergências no governo e que os cortes transversais da despesa pública não têm qualquer razoabilidade.”

    “Portugal, no início de 2014, vai estar numa situação muito próxima da do início de 2011. O défice em 2013 vai ficar próximo dos 6% e só no aspecto externo é que melhorámos”

    Este boi via uma recessao obvia a meio de 2014!!!

  13. O criterio para ser assessor do 44 era claramente o mesmo do Mestre, incompetencia nas artes da economia.

    Eis os idolos das hordas socialistas, os professores Karamba que nao acertam uma, cxralho.

    Chapa aqui um link do super consultor da Onu, o Artur Baptista da Silva.

  14. “Portugal, no início de 2014, vai estar numa situação muito próxima da do início de 2011.” – citação de paradeiro desconhecido

    “Este boi via uma recessao obvia a meio de 2014!!!” – leitura bovina e um burro do caralho

    moral: no calendário asinino o ano começa a meio.

  15. pois, competência é apresentar 2 orçamentos rectificativos por cada sessão legislativa, de jun2011 a set2014 já lá vão 8 – rectificativos – 8.

  16. lembrei me de uma coisa enquanto amanhava o robalinho e vim a correr contar: também gosto do Louçã por carregar um til no a. o til é, especificidade sonora, coisa séria de se ouvir. :-)

  17. basico já sabia que ias pescar o que te interessava, mas analisa isto sem palas nos olhos:

    “Por isso, parte da recuperação é explicada pela redução da austeridade e do peso que constitui para a actividade económica.”

  18. O cavaquismo não nos tirou da pobreza e esta é a razão pela qual ainda contamos com a existência do PCP, BE e acessórios neste país pessimista. A estes dois partidos só lhes resta duas soluções dignas: cometer suicídio ou desejar e avançar para o poder. Creio que ambas as soluções poderão dar no mesmo, mas mesmo assim, sempre é melhor que esta quietude de águas paradas.
    Quanto às homilias do padre Louçã, confesso que já não tenho paciência.

  19. analisa basico, analisa…

    “Agora, à medida que a austeridade desaparece, o crescimento potencial continua a ser bastante baixo. É preciso Portugal olhar para outras coisas, como a educação ou a regulação, para tentar que a economia comece a crescer a um ritmo mais alto.”

  20. O ignorantz, ja te disse que essa forma de argumentar so resulta na taberna do Ze das Mocas, em alfeizerao.

    Caldeira Cabral – Burro
    Tu – Burro
    JP Ferra – Burro

    Se tu percebesses um grao de areia que fosse de economia e financas, entenderias que o que se passou em Portugal nos ultimos 4 anos nao tem precedente historico recente. O numero rectificativos seu idiota, tem que ver com os constantes bloqueios levantados pelo TC e pelo partidos politicos a execucao dum programa de ajustamento que Portugal (e os principais partidos) se haviam comprometido. Gente sem honra ou palavra (PS) e nomeacoes politicas para um tribunal constitucional que toma para si decisoes de natureza fiscal e no que da.

    Se tu tivesses dois neuronios que funcionassem, e nao um recto ligado a espinal medula, perceberias tambem, que o que interessa nao e o numero de rectificativos – pagas as contas do supermercado com isso? – mas sim a performance e geracao de riquesa no pais – que isso sim serve para alguma coisa. Era isso que se estava a discutir.

    Agora vai la beber uma bica ao cafe com os teus amigos que estao na pausa de serventia de pedreiro.

  21. JP Ferra, isso vem dalguem relatorio do FMI, UE ou da OCDE, ou e o tal burro Caldeira Cabral, o da recessao de 2014?

  22. analisa basico, analisa…

    “Acha que a austeridade imposta em Portugal foi a adequada?
    Não sou um especialista em relação à situação específica de Portugal. Mas o que acho é que a austeridade, quando é necessária, deve ser aplicada em vários anos e deve levar em conta aquilo que se passa no resto da Europa. Por outras palavras: se o resto da Europa estiver a crescer rapidamente, um país pode aplicar mais austeridade do que se a Europa estiver em recessão. Deve levar também em conta o que se passa no sector financeiro. Se os bancos estiverem com problemas, deve-se apontar para um nível mais suave de austeridade. Se as famílias estiverem muito endividadas, a austeridade também se torna mais problemática. Foi aliás, por causa destes factores que na Irlanda se decidiu que a austeridade deveria ser mais moderada a partir de 2011.”

  23. Boa citacao. Podes dizer-me se a austeridade em Portugal foi aplicada so num ano? Eu era capaz de jurar que comecou com o PEC-1 e ainda nao acabou. Mais suave que isto impossivel.

  24. “O numero rectificativos seu idiota, tem que ver com os constantes bloqueios levantados pelo TC e pelo partidos politicos a execucao dum programa de ajustamento que Portugal (e os principais partidos) se haviam comprometido.”

    governam contra a constituição que juraram na tomada de posse e depois chamam-lhe bloqueio, eu chamo-lhe incompetência, ignorância e deslealdade com portugal. queriam troika e memorando para desculpar o assalto ao pote e políticas não sufragadas, foram incompetentes em todos os domínios, têm um presidente, uma maioria, uma cresap, banca intervencionada, porteiros psd em todos os edifícios públicos e ainda reclamam colaboração do ps para executar políticas que estiveram na origem da demissão do seu último governo. ganhem mazé juízo, o pinsamento único à venda nas prateleiras da fundação pingo doce ainda não é obrigatório.

  25. Básico, que bem te assenta o pseudónimo! Estavas inspirado. Ou humilde. Ou, o que é mais do que provável, não sabias o significado da palavra.

  26. Sim Maria Abril, deve ser essa, nao saber o significado da palavra.

    Olha, ja fizeste a pesquisa que eu te tinha pedido para fazeres, aquela da razao pela qual os governos tiveram de intervir no sector bancario do reino unido, irlanda e espanha, e porque e que tal nao e comparavel com a situacao portuguesa? E que da ultima vez que chapaste aqui um chorrilho de frases feitas e demagogia, a coisa estava toda errada. Repara, desde que encerraram as Novas Oportunidades, nao tiveste grandes oportunidades de avancar o teu conhecimento, CAMARADA.

  27. Ignorantz, tens de ser mais contido na verborreia. Deixa-me editar o teu ultimo post e sublinhar a mensagem que realmente e importante.

    “Em alfeizerão costumo parar na casa do pão de ló para beber uma bica e fazer juz ao proverbio “alimentar um burro a pão de ló”.

  28. “… e fazer juz…”

    yeah meu! eu faço tudo, até professor de adultos analfaburros com tu.

  29. Incluindo pinsar muito.

    Olha, tenho de me retirar temporariamente para actividades mais productivas – trabalho, coisa que voces nao conhecem, so emprego – volto mais tarde para ler as perolas de sabedoria que, sem excepcao, sao vertidas neste blog.

    Proponho uma analise as professias do Caldeira, do Ferreira, do Baptista e, claro, uma revisao das Galambanomics.

  30. JPFERRA, andas sempre atrás do Basico, até pareces o Ignoratz atrás da Olinda… será amor?
    Já não pode o homem dizer as verdades, que te tem á perna? Deixa o homem em paz!

  31. Não aprecio o homem, mas desta vez tem razão. O Costa se quiser ganhar eleições tem de correr com o vigarista, mentiroso, e aldrabão das fileiras do partido.

  32. desde já respondo à tua vil insinuação, não gosto de porcos, abomino vermes e desprezo imbecis.

  33. o basico está a conseguir o que quer.não criticarmos o governo da sua direita.deixem-no falar sozinho.repito deixem-no falar sozinho.fifi

  34. Curiosamente, mas não por acaso, esta série de comentos abre com um estalinista e fecha com alusão a um cretino das direitas.

  35. O Carrilho propõe a expulsão do Socras, tipo purga de vermes, quiçá parasitas, intestinais e politicos! Se fizessem um referendo, tipo primárias, aberto à sociedade e ao maralhal do povo, será que eu podia votar ?

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