A escola dos murmúrios

Lídia Jorge, que não consta ter dificuldades de maior para lidar com a complexidade, deu a sua opinião acerca do acordo entre ME e sindicatos. O que escreveu é um condensado da secreta vivência da maior parte dos professores; e, especialmente, das professoras. Vejamos parágrafo a parágrafo:

Este acordo é histórico porque ele permite salvar da humilhação alguns milhares de professores e restabelecer um clima de paz num momento em que a escola pública portuguesa precisa de proceder a uma revolução nos métodos de trabalho. Ele permite salvar a escola dum inferno burocrático incompatível com uma boa convivência entre colegas e um ensino livre e feliz. Além disso, regressar a uma carreira única, mas em que se progrida por mérito, era indispensável e esse princípio manteve-se.

A celebérrima escritora informa a população de que os professores estavam a ser humilhados. Humilhados, repita-se para que a ninguém escape a dimensão do ataque. Quem os estava a humilhar? Ela não identifica o verdugo, mas só poderia ser uma entidade tenebrosa, um ente já supra-político, ontologicamente maligno – por exemplo, a Ministra Sinistra. Com esse ser não há diálogo possível, só visceral ódio despejado em cima de todos os mentores e cúmplices da grande humilhação.

Nesta lógica, lógico era que o Governo anterior quisesse enfiar os professores num inferno burocrático. É só nisso que os demónios pensam, tratar de encher os infernos com as almas dos puros. Daí a pergunta: pode alguém ser livre e feliz no inferno? Claro que não, Lídia, importa é manter intacto o princípio da progressão por mérito, esse céu na terra onde se avança na carreira ao ritmo natural e naturante das circunvoluções solares.

Mas é preciso ter em conta – e nem sempre a população está bem informada – que os professores e os médicos são as classes mais directamente escrutinadas da sociedade. Cada dia, em cada hora, o professor passa pelo escrutínio cerrado de dezenas de crianças e adolescentes. Basta imaginar uma sala de aula. Não é pouca coisa.

De facto, a população não está nada bem informada a respeito do que se passa numa sala de aula. Nem a população, nem a sociedade, nem o Estado. Nisso, Lídia, não podias ter sido mais certeira. E fica também patente qual o tipo de mérito necessário para a tal progressão feliz na carreira: apenas a mera acção de aparecer para trabalhar na escola que nos paga o salário – ou seja, esse heroísmo que consiste em estar numa sala de aula enfrentando adolescentes, e crianças, às dezenas, ali sentados a olhar para professores assustados e confusos com tão intenso escrutínio.

É por isso que este acordo histórico ainda não terminou. Ele só ficará selado quando Isabel Alçada verificar a que professores, durante estes dois anos, foram atribuídas as notas de excelente, e tirar daí as suas conclusões. Talvez resolva anular os seus efeitos. É que os professores duma escola constituem uma família. Experimentem criar um escalão de avaliação entre os membros duma mesma família que se autovigia. Sobre os métodos de avaliação desejo a Isabel Alçada e aos sindicatos muitas noites de boa maratona.

Cá está: os professores duma escola constituem uma família. A quem favorece a desestabilização desta família? Quem anda a espalhar a discórdia dentro de uma família que se ama e só quer que a deixem viver feliz? Isabel Alçada, com a ajuda dos sindicatos, que trate de acabar com esses professores ditos excelentes que só servem para causar chatices na família. Numa família não há excelentes porque os membros das famílias não se autovigiam, o que leva a que não seja possível fazer comparações. E é assim o amor familiar, explica a Lídia.

Isto é tão simples de perceber, os murmúrios das donas de escola.

64 thoughts on “A escola dos murmúrios”

  1. não sei a propósito de quê lembrei-me do mário nogueira do comunismo de utopias de super e infra estruturas económicas de médicos cubanos mendigos em portugal por trezentos euros que o governo cubano é que o sabe amealhar e de professores com problemas em identificar objectivos e competencias numa qualquer avaliação no sócrates culpado de aprovar projectos em três dias furando a médias dos demais engenheiros que demoravam para aí uns trinta e um na maria de lurdes rodrigues que maltratou de uma assentada cento e muitos mil professores e nesta citação “aspirar neste mundo, à realização dum estado perfeito, é aspirar a um fim apocalíptico e quimérico” …e deixai vir a mim as criancinhas para eu contar a estória da carochinha

  2. Ela deveria, antes de tudo e mais alguma coisa, dedicar-se à literatura tragável. Aquela palidez mansa de convento, aqueles ais suspirosos de quietude domininal, assomam-me de tédio. Nunca fui capaz de ler um livro desta respeitosa e notabilíssima senhora até ao fim.

  3. Acabar com os excelentes para que vivam os medianos! Grande programa, dava um livro, mediano. Prof. Lídia Jorge, escreva mais esse livro, não precisa agora de preocupar- se com adolescentes escrutinadores e cruéis. Vá em paz!

  4. Já nem a Lídia Jorge (PS desde sempre e seja com que chefe for) escapa. Uma traidora que além do mais é professora e gaja e ainda por cima escreve ilegivelmente – que a Cláudia tem tanta dificuldade com ela como o Cavaco com o Saramago.

  5. E viva a normalização=mediocridade. Era desta merda de mentalidade que o Orwell falava, deste totalitarismo igualitarista com uma moralidade cor-de-rosa.Big Sister Jorge falou.

  6. A Lídia Jorge limitou-se a opinar, tal como nós o fizemos por aqui. A sua opinião merecer comentários jocosos, parece-me lamentável, principalmente quando esses comentários vão para além da opinião dada e atingem a obra duma das melhores escritoras portuguesas de sempre.

    Podemos não concordar com a opinião, mas tenham paciência. Esses comentários à obra produzida da artista em causa são totalmente inaceitáveis.

  7. Carmen Miranda das Bananas, perdão, Maria! Não me vais obrigar a ler a Lidiazinha, pois não? Se gostas daquelas merendas literárias insossas com que ela nos vem brindando desde o século passado, então come e bom apetite!

  8. Dizes bem, pá: «ditos excelentes». Porque no sistema de avaliação sócretino os professores «excelentes» são mais «ditos» do que «excelentes». Em que me baseio para dizer isto? Baseio-me naquilo que os meus melhores professores universitários me disseram àcerca do «eduquês» e naquilo que me mostraram com a sua prática (e era esta que fazia deles os melhores). E se as críticas ao «eduquês» são mais frequentes à direita (devido a razões ideológicas, principalmente) do que à esquerda, a verdade é que esses meus professores eram de esquerda: da esquerda que não aderiu ao pós-modernismo nem anda hipnotizada com a linguagem burocrático-tecnocrata.. Mas se isto não bastasse, o exemplo dos meus piores professores também me ajudou a perceber como este sistema de avaliação sócretino não premeia os melhores professores, mas sim os melhores burocratas e, isso sim, piores professores: coincidência ou não, a verdade é que os meus piores professores eram aqueles que costumavam defender o «eduquês» e que até o punham em prática e por isso as suas aulas costumavam ser vazias de conteúdo(s), descambavam em divagações e na conversa da treta. Mas na avaliação sócretina está-se mesmo a ver que as aulas destes piores eram as «melhores»: porque, segundo o eduquês» a conversa da treta vai ao encontro dos «interesses dos alunos»; porque as divagações revelam «dinamismo» e «interacção»; porque mais importante que o(s) conteúdo(s) seria a forma como se dão as aulas, sendo que aulas sem conteúdos só podem ser aulas dadas de forma original e inovadora, e que por isso atraem, imediatamente, a atenção dos alunos.
    Assim, os meus melhores professores, coitados, seriam maus porque «só» tinham um dom: o dom de atrair os outros pela palavra. Os maus professores, «porreiro, pá», seriam bons porque tinham diversos «dons» que camuflavam e mascaravam a falta do dom da palavra. Como é que se pode mascarar tal coisa? Fácil: através da tal burocracia que avalia e regista tudo menos o dom da palavra…

  9. Claudia,

    Não obrigo ninguém a nada. O único apelo que fiz foi não se confundir a obra com a opinião dada sobre um determinado assunto. Foi só.

    Edie,

    É claro que a obra da Lídia Jorge não está imune a criticas. Todavia, arrastar para o lodo uma obra porque a sua autora deu uma opinião com a qual não concordamos, parece-me uma atitude medíocre.

  10. medíocre mesmo.

    Fado do retorno
    Amor, é muito cedo
    E tarde uma palavra
    A noite uma lembrança
    Que não escurece nada

    Voltaste, já voltaste
    Já entras como sempre
    Abrandas os teus passos
    E páras no tapete

    Então que uma luz arda
    E assim o fogo aqueça
    Os dedos bem unidos
    Movidos pela pressa

    Amor, é muito cedo
    E tarde uma palavra
    A noite uma lembrança
    Que não escurece nada

    Voltaste, já voltei
    Também cheia de pressa
    De dar-te, na parede
    O beijo que me peças

    Então que a sombra agite
    E assim a imagem faça
    Os rostos de nós dois
    Tocados pela graça.

    Amor, é muito cedo
    E tarde uma palavra
    A noite uma lembrança
    Que não escurece nada

    Amor, o que será
    Mais certo que o futuro
    Se nele é para habitar
    A escolha do mais puro

    Já fuma o nosso fumo
    Já sobra a nossa manta
    Já veio o nosso sono
    Fechar-nos a garganta

    Então que os cílios olhem
    E assim a casa seja
    A árvore do Outono
    Coberta de cereja.

    Lídia Jorge

  11. Carmen,

    mas já consideraste a hipótese de haver pessoas que não gostam da obra da Lídia Jorge, independentemente das opiniões que ela tem sobre o ensino?

  12. Sinhã,

    Pois é.

    Foi bom teres publicado este poema.
    Goste-se ou não, existem outros artistas, para além dos que são apadrinhados pelo sistema, que merecem o nosso respeito.

  13. Escritora portuguesa, natural de Boliqueime (Algarve) – OUTRA!. Estudou Filologia Românica na Universidade de Lisboa, dedicando-se, depois, ao ensino liceal. É professora universitária e colaboradora de vários jornais e revistas. Membro de diversos júris de prémios literários e da Alta Autoridade para a Comunicação Social, os seus romances têm uma grande variedade temática.

    Além dos cargos, o sistema atribuiu-lhe vários prémios…
    Onde foste buscar essa de que ela é marginal ao sistema?

  14. Edie,

    Considero essa hipotese que referes, e respeito-a.

    Não ser do sistema, não é sinónimo de trabalho não reconhecido (nesse caso, Saramago nunca teria sido Nobel).

    Lamento Edie, mas raramente se chega a conclusões interessantes quando se discute tudo (sem sinceridade) e nada (com muita objectivide).

  15. Carmen,

    disseste “existem outros artistas, para além dos que são apadrinhados pelo sistema”.
    Agora dizes que não ser apadrinhado pelo sistema não quer dizer “não ser reconhecido pelo sistema” ??

    A discussão, para ter conclusões interessantes precisa de coerência, que é outra forma de sinceridade. Não concordas?

  16. é urgente que escrevas, também, com coerência, edie

    (ora vê lá: se retirares o que colocaste entre vírgulas, a frase faz sentido?). sincera, eu. :-D

  17. Edie,

    E mantenho tudo o que disse, e o que está dito tem coerência.

    Convém ler, mas também saber interpretar o que está escrito.

    Mas vou tentar ser mais explicita. O trabalho de Lídia Jorge é reconhecido em circuitos restritos, à margem do sistema.

  18. Pois são, os professores são como uma família, e das boas, sem ovelhas ranhosas…
    Bem, agora é que vai ser, com tanta paz e tranquilidade, os resultados vão disparar. Os rankings internacionais que se preparem.

  19. Os rankins também são uma boa coisa, guida.

    Basta olhar para aqueles que existem, que dão o primeiro lugar ao colégio mira rio, que tem meia dúzia de alunas e que está em comparação por exemplo com o Pedro Nunes que tem para cima de 1500 alunos. Isto são analises desvirtuadas e sem correspondência com a realidade.

  20. Por favor, alguém (mesmo sem ser professor universitario) explique ao DS que um professor do ensino publico, na medida em que participa na execução de um serviço publico administrativo, é, para todos os efeitos, também ele, um burocrata !

    E, ja agora, se (como provavel) ele se mostrar reticente em compreender esta evidência, expliquem-lhe que por isso mesmo é que os professores auferem um vencimento publico ao fim do mês, têm garantia de emprego, etc. Situação que so acontece desde que existe um sector publico da educação (financiado por nos todos).

    Desculpem dizer isso de forma um pouco brusca, mas quanto mais realizo que estas evidências são problematicas para muitos docentes, mais fico convencido que, afinal, são capazes de ter razão aqueles que dizem que os professores do ensino publico são os unicos profissionais que não fazem a mais palida ideia do que andam ca a fazer…

  21. Carmen Maria, provavelmente, na comparação dos resultados obtidos entre países também há injustiças, contudo essa comparação faz-se. De qualquer forma, eu estava a ironizar. Este clima de paz que o acordo veio restabelecer, deve ser sol de pouca dura…

    Já agora, por que terá a Lídia Jorge dito ‘restabelecer’? Quando é que foi que os professores tiveram paz, no passado? Até parece que o ensino era livre e feliz, e que os professores nunca tinham tido problema nenhum com ministros, até chegar a Maria de Lurdes Rodrigues. :)

  22. …e convenhamos que nenhum ministro se tinha lembrado antes dessa ideia infernal de estabelecer um sistema baseado no mérito em vez de baseado na antiguidade. E inventar as aulas de substituição, sei lá, o rol é imenso…Vade retro, demónio dos infernos.

    O que me parece é que a senhora percebe tanto de qualidade do ensino como eu de criação de caracois. O que é preocupante, sendo professora. Mas são tantos assim, não é?

  23. Tens razão, Edie. Estamos todos muito mais felizes. Só foi pena o Nogueira não ter exigido também o fim das condições meteorológicas adversas, nos dias de aulas. Se calhar, estou a dar-lhe ideias para a próxima luta. :)

  24. Não sei o que é que ela percebe de ensino, mas a progressão por mérito, o escrutínio feito pelos alunos.. é para rir, no mínimo.

    No rol, esqueceste-te do demoníaco Magalhães. A verdadeira prova de que o anterior Governo estava possuído pelas forças do Mal. Não confundir com o programa e-escola que permitiu a milhares de professores adquirirem computadores ao preço da uva mijona, esse não, esse foi uma boa ideia. :)

  25. O que está em causa é reduzir 30% (ou pr’aí) dos custos com a educação. É um objectivo imposto ao governo pelo patrão do governo (os bancos credores da dívida portuguesa).
    Se eu fosse ao Sócras explicava isto à cabeça, e os profs que fizessem a reforma que entendessem, desde que cumprissem a cláusula dos 30% (quem melhor que os professores tem condições para isso?).
    De facto, o que os profs têm feito até agora é defender direitos adquiridos, de entre os quais, o mais apetitoso, é a mordomia de poderem reformar-se com mais de 2500 euros por mês com 55 anos de idade. Todo o professor que seja assíduo e pontual tem “excelente” de classificação (se não for apanhado em mais que uma emboscada do tipo “dá cá o telemóvel”), como os outros funcionários públicos.
    Seria mais fácil, talvez, fazer quadros do tipo Forças Armadas, em que o cabo, mesmo com antiguidade na carreira e com excelente de classificação, só é promovido a sargento quando este último se reformar.

  26. Edie, eu disse que o e-escola foi uma ‘boa’ ideia e não excelente de propósito, porque excelente era se tivessem sido oferecidos, assim como o topo da carreira…

  27. guida,

    mesmo assim, e por uma questão de coerência, não deveria ser excelente, porque isso não é muito democrático, e podia ofender as outras medidas :).

  28. Manolo,

    também tu com essas ideias diabólicas…estás a querer insinuar que as vagas de promoção só deviam ser preenchidas quando de facto existissem??? Tem lá cabimento!

  29. Estou triste. Eu a pensar que estávamos já no caminho da felicidade familiar na escola e só vejo comentários como este (comentário no link indicado pelo valupi):
    “Para os preocupados com o ordenado dos professores… Já pensaram quanto vai custar implementar a avaliação. Será que o tempo e os recursos não teriam melhor aplicação na melhoria da prática e resultados dos ensino. Eu quero lá ter formação sobre avaliação de professores. Agradecia era formação na minha área disciplinar, nas novas práticas e tecnologias. Mas quanto a isso pouco ou nada. Agora vai chover formação para relatores. Eu quero é ter tempo para melhorar a minha prática lectiva e não andar em competição burocrática com os meus colegas. O ambiente nas escolas vai passar de mau a pior, os alunos vão passar para segundo plano.”

    Só se enganou no plano dos alunos, vão passar para terceiro plano. Bolas! A luta continua e a felicidade ainda não chegou.

  30. Já não é preciso, joão viegas! Você mesmo já pôs os pontos nos is! Para si é uma «evidência» que um professor é um burocrata, e por isso um bom professor é o tal que mascara as suas incapacidades e deficiências enquanto professor. Mas deixe-me fazer-lhe uma pergunta: os seus melhores professores eram burocratas ou eram professores?

  31. O Manolo Heredia disse uma grande verdade: o que está em causa é a redução dos custos com educação (mas não só), que os patrões (bem dito) do Pinto de Sousa lhe impuseram como prioridade. Agora, quando ele diz que era isso que o tipo devia explicar, está a esquecer-se de uma coisa: que uma explicação dessas desmascarava a propaganda a que ele tem recorrido para justificar as suas decisões ou medidas em tudo o que diz respeito aos serviços do Estado, assim como no que diz respeito às suas politicas económicas e financeiras. Era o fim de um «mito»! Era o fim da «esquerda» moderna: tanto da componente «esquerda», pois tais medidas não visam qualquer progresso ou justiça social, como da componente «moderna», pois tais medidas recuperam práticas pré-estado social, e nessa medida «pré-modernas». Aliás, se virmos bem estamos a voltar ao tempo e à lógica do Estado Novo, pois, como é sabido, o que o Salazar fez foi pôr as contas do Estado em ordem, e, por outro lado, havia uma série de grupos económicos que tinham relações privilegiadas com o Estado (Champalimaus, Mellos, etc), o que não é muito diferente dos dias de hoje (em que para além dos Mellos, são os Coelhones da nossa praça quem tira proveito dessas relações). Salazar volta, que estás perdoado!

  32. não percebo o que move toda esta gente contra os professores! Já não basta não nos pagarem as horas que passamos a avaliar os alunos e a participar em reuniões (agora, ainda por cima, com esta avaliação inutil). A profissão de professor é a que apresenta maior desgaste, porque os pais não sabem educar os filhos em casa. Que todos cheguem a topo de carreira? Primeiro, não é bem assim e depois, se querem o mesmo, que lutem por isso!

  33. ds,

    não percebo o que quer dizer com isso. Mas quanto ao seu comentário anterior, concordo com o que diz, embora não defenda o Salazar.

  34. DS,

    Pode ter a certeza de que os melhores professores que tive sabiam que as suas qualidades cientificas e pedagogicas estavam ao serviço de um fim e que isto implicava que eles se preocupassem com a organização e o serviço em que estavam inseridos. Esses, não so compreendiam que ha tarefas administrativas que têm que ser cumpridas, como eram perfeitamente capazes, quando necessario, ou quando oportuno, de assumir responsabilidades administrativas e de as exercer com brio.

    Os outros, os génios desconhecidos fechados na sua torre de marfim, também os tive. Todos tivemos. Esses eram os ficavam logo histéricos se o quadro não tinha sido bem limpo antes da sua aula e que passavam a vida em queixumes contra “os incompetentes da secretaria” ou contra “os incompetentes do ministério”, e às vezes também contra “os incompetentes da Carris”. Esses eram também, regra geral, os que enchiam a boca com palavras caras para colmatar o que compreendiamos, por muito jovens que fôssemos, serem lacunas graves sobre a matéria que deviam dar. Claro que esses olhavam para nos como seres indignos do privilégio de assistir às suas aulas. Claro também que o unico resultado positivo que obtinham, era fazer com que uma parte signficativa dos seus alunos ganhasse um asco irremediavel à disciplina que leccionavam…

    Para ser honesto, devo reconhecer que também aprendi com os professores da segunda espécie. Aprendi, por exemplo, a “desconfiar dos mestres que não o sabem ser primarios” (como diz Fernando Pessoa). Aprendi também que, por maior que fossem o meu interesse para determinada disciplina teorica e a minha admiração para com os professores da primeira espécie, quando constatava a importância dos da segunda, não tinha bem a certeza de querer ingressar num corpo docente…

    Agora uma coisa é certa, o que aprendi com os professores da segunda espécie, não o atribuo à sua competência.

    Espero ter respondido à sua pergunta.

  35. Não, não respondeu. joão viegas. Eu perguntei-lhe quem foram, ou como eram, os seus melhores professores. O João Viegas fugiu, deliberadamente, à questão e falou de uma entidade abstracta que se caracterizaria por saber que a sua obrigação é cumprir determinadas tarefas administrativas. Falou de uma entidade abstracta com que nunca se deparou nas salas de aula, que não fez parte da sua experiência como aluno, mas a que o joão viegas recorreu para justificar a sua ideia pré-concebida de que um bom professor é um burocrata. Mas note-se, também, que nesta entidade abstracta não fez qualquer referência à sua capacidade para ensinar.
    Já no que diz respeito aos maus professores de que se recorda, esses já parecem bem concretos, mas aquilo de que fala tem mais que ver com as suas personalidades (que lembram mais as tias de cascais, e que podiam ser professoras como outra coisa qualquer) do que com a sua função propriamente dita. Agora, a verdade é que esses professores de que você não gostou, podiam muito bem ser considerados excelentes de acordo com a avaliação sócretina. Porquê? Porque, de acordo com a sua ideia pré-concebida, as personalidades arrogantes deles, não entram em contradição com cumprimento das tais tarefas administrativas. Como eu disse, através da burocracia ser-lhes-ia muito fácil apresentarem-se como cumpridores. Bastar-lhes-ia usar muitos power-points, passar filmes, servirem-se de muita conversa da treta, inflacionar as notas, etc, etc, para cumprirem com as determinações burocráticas, e esconderem a sua incapacidade para ensinar. Mas como eu disse, isto é algo a que você nem se referiu para caracterizar os seus «bons» professores. Portanto, o seu bom e mau nem tem nada que ver com ser-se professor.

  36. Olhe que não DS, olhe que não.

    Um exemplo : os meus melhores professores, ensinaram-me a ler, e a reler, sempre com o maximo cuidado, e a ler tudo, mesmo aquilo com que não concordo (eu diria mesmo : SOBRETUDO aquilo com que não concordo).

    Ora bem, relendo o primeiro paragrafo do seu ultimo comentario, que pretende descrever ou resumir o primeiro paragrafo do meu, constato que não coincidem nada. Faça o exercicio e vera, uma vez que não duvido que você tenha tido tão bons professores como eu, que não coincidem mesmo…

    E ja agora, se tiver paciência, releia também a pergunta que você colocou no seu ante-penultimo comentario, à qual procurei responder, e leia depois a forma como a reformulou no seu ultimo comentario. Vera que também não coincidem…

    Ca para mim, falta-lhe algum espirito burocratico…

  37. Pondo em pratica : onde digo no seu “ante-penultimo”, leia por favor “penultimo”.

    Desculpe uma ou outra gralha (provaveis).

  38. qualquer professor tem também que ser um burocrata, o problema é o peso relativo das suas componentes,

    quanto à questão das quotas, de facto deve ser a única profissão pública sem quotas, há aí algo de estranho. Quando eu era estudante do liceu os professores eram eventuais e podiam passar a efectivos depois de fazerem um tal estágio e exame, senão ficavam sempre eventuais, mas também não iam para a rua por causa disso.

    O Heredia foi directo à questão, esse é o busílis. Como solução mesmo que provisória o BCE terá que comprar parte da dívida pública dos Estados a caminho de ficarem sufocados senão há uma grande convulsão social à espreita. O Tratado de Lisboa assinou-se em nome de que valores?

  39. Edie e guida,

    Não escrevi em lado nenhum que concordava ou discordava das palavras da Lídia Jorge, relativamente ao assunto em questão.

    A única coisa que tentei fazer, pelos visto sem sucesso, foi lançar a ideia de que a obra de um determinado autor não deve ser arrastada para a desgraça quando não concordamos com a opinião dele sobre assuntos relativamente aos quais ele tem todo os direito de emitir a sua opinião.

    Eu dou um exemplo:

    A obra de Salvador Dali é muito apreciada. No entanto, o autor apoiava ideias fascistas. E agora ??? Vamos por isso desvalorizar a obra ?

  40. Carmen Maria, não percebo porque é que me dirigiste este comentário. E também não percebi quem é que arrastou a obra da Lídia Jorge para o lodo ou para a desgraça nem de que forma, neste post e caixa de comentários. :)

  41. Vamos reler os dois, joão viegas? Eu faço então de professor e você de aluno… No seu primeiro parágrafo você fala do «professor» que está ao serviço de um fim, mas de um fim que fica indeterminado, que não é concretizado, sendo que a única coisa que se aproxima de algo mais concreto é esse fim implicar tarefas administrativas. E que é que isto tem que ver com a sua experiência enquanto aluno na sala de aula? Nada! Que é que isto tem que ver com ensinar? Nada! Você omitiu o fim que devia ser ensinar (na minha opinião, claro), e omitiu porque isso estragava a sua resposta defensora do professor-burocrata. O seu fim seria, assim, cumprir com as ordens definidas pela burocracia, e independentemente de isso entrar em choque com o que são os deveres éticos de um professor.
    Quanto à minha pergunta é na essência a mesma: eu perguntei-lhe como eram os seus melhores professores, pondo a alternativa de se encaixavam na sua ideia pré-concebida de burocratas ou se eram sobretudo aqueles que eram professores, ou seja, que tinham o dom da palavra, e a capacidade para ensinar de que falei. E você respondeu, com a fé própria dos religiosos, que os seus melhores professores corresponderiam de certeza à entidade abstracta-burocrática da qual nunca teve qualquer experiência.
    A mim falta-me o espírito burocrático, diz você; pois a si está visto que lhe falta o essencial do ensino. Mas como eu tenho falta do tal espírito burocrático, o joão viegas que não esteja à espera que eu lhe faça qualquer desenho, porque as minhas explicações ficam por aqui…

  42. &, que eu saiba isso hoje continua a ser assim: há professores efectivos e há professores contratados. A única diferença é que os contratados já têm um estágio feito porque está integrado no curso, o que não acontecia antigamente. Actualmente em cerca de 130000 professores, 30 mil são contratados, à espera de entrarem para o quadro, muitos há mais de 10 anos. Não porque não haja lugares, mas porque o estado não quer gastar mais dinheiro, claro.

  43. Vamos mesmo reler e, se não se importa, sem partir da premissa de que você é meu professor, premissa que não se coaduna com aquilo que de melhor me foi transmitido pelos meus professores (os quais me ensinaram a tratar Platão por tu quando o leio), nem com certeza ao que lhe ensinaram os seus.

    Você perguntou “os seus melhores professores eram burocratas ou eram professores?”. Ao que eu respondi “Pode ter a certeza de que os melhores professores que tive sabiam que as suas qualidades cientificas e pedagogicas estavam ao serviço de um fim e que isto implicava que eles se preocupassem com a organização e o serviço em que estavam inseridos”.

    Ou seja : os melhores professores que tive eram ao mesmo tempo bons pedagogos e bons burocratas e não separavam as duas funções como você faz.

    Como posso saber ? pergunta você. Ora bem, sei porque com eles participei em muitas actividades complementares, saindo do cubiculo da sala de aulas, o que implicava (e penso que continua a implicar) que eles mostrassem aptidões importantes para resolver problemas (alguns bem burocraticos por sinal) que não têm nada a ver com proferir palestras ex cathedra. Sei também porque fui delegado de turma e participei, ainda que de longe, na vida administrativa do estabelecimento que frequentei. Sei finalmente porque alguns dos meus melhores professores, quiça por terem sido tão bons professores, tornaram-se meus amigos e pude seguir-lhes as carreiras, alguns tendo de facto exercido actividades “burocraticas” (e mesmo actividades privadas), outras que estar a dar aulas, o que so lhes fez bem, e so tera contribuido para melhorar as suas competências pedagogicas.

    E sei, finalmente, pelo seguinte : com 20 anos de trabalho, julgo saber que os profissionais que têm uma visão estreita do seu ministério e se refugiam na pureza da sua arte, são muitas vezes aqueles que se dão mal. Um advogado que concebe o seu oficio como o de um jurisconsulto etéreo, que não se preocupa com a logistica do seu gabinete, ou alias com a preparação logistica das suas audiencias (o que implica aceder a servir-de de uma fotocopiadora, de um fax, descer à realidade material do seu dossiê) vai ter problemas quando estiver a pleitear. Um médico que não se preocupa com os aspectos logisticos do hospital onde trabalha, e com as questões corriqueiras de organização do serviço, vai ter problemas no momento em que tiver de fazer uma intervenção a doer, etc.

    Posso também dizer que pude verificar isto tudo no ensino porque, embora nunca tenha sido professor, fui aluno muitos anos e que sei hoje (contrariamente a alguns professores, lamento dizê-lo, e lamento acrescentar que os mais conscientes dessa falha são geralmente os que fazem parte dos melhores) para o que é que me serve, na pratica, aquilo que os meus professores me ensinaram.

    E aquilo que os meus melhores professores me ensinaram é isto : quando exercemos uma profissão intelectual, por muito que sejamos os descendentes remotos dos clérigos, temos o dever imperativo de procurar ser mais do que isso.

    De contrario, então, seremos apenas “burocratas” no pior sentido do termo.

  44. O que salta à vista é que os professores NÂO querem nenhuma avaliação, seja de que tipo for!
    Só aceitam a auto-avaliação e ponto!
    De resto querem é receber bem e trabalhar o mínimo.
    Rejeitam qq relação entre avaliação e progressão na carreira.
    Para isso já insultaram a melhor ministra que tiveram e se esta não se precata…
    Não têm pejo de se nivelarem pelo mínimo esforço, pelas máximas regalias e truques para enganarem o contribuinte e os outros colegas, que isto das mordomias não é para todos.
    Escola organizada e com hierarquia? Nem pensar. Somos todos iguais e só aceitamos avalições externas. Quanto custam? Milhões? Isso é o quê?
    Caso a avaliação tenha duas folhas a preencher, lá está! É burocrática e impossível de realizar.
    E agora descobriram que cabe ao governo a gestão dos dinheiros públicos …Mais vale tarde do que nunca!
    Os seus comentários azedos e insultuosos contra quem tem por obrigação controlar o dinheiro dos nossos impostos ilustra bem em que mundo de ignorância e de egoísmo anti-social em que se cristalizaram!
    E sentem-se insultados quando os mandam cumprir horários, obter resultados com os alunos e com os meios postos à disposição! Consideram um desprestígio alguém lembrar-se de mandar colocar um relógio de ponto para controlar as suas faltas. Ou requerer atestados médicos válidos e coerentes? Ou mandar regressar às escolas os milhares de professores com horário zero “destacados” anos a fio nos mais estranhos cantos da burocracia estatal…
    Alguma vez se preocuparam ou exigiram medidas para acabar com o absentismo dos alunos, ou sobre o insucesso e o abandono escolar?
    Que me lembre só os vi mobilizados foi contra o inglês nos primeiros anos, contra as aulas de substituição, foi contra a escola a tempo inteiro, o magalhães…as Novas Oportunidades.
    Disso lembro-me!
    E também me lembro de que TODA a avaliação em vigor até agora era feita nas escolas, decidida pelos professores de cada escola e com a burocracia que eles próprios definiam. Colocaram demasiada areia na máquina?
    E, basta ouvi-los falar sobre os seus próprios colegas que querem ser trabalhadores e que assumem responsabilidades, para os avaliarmos como de facto são.
    O resto vou fazer por esquecer!

  45. Querida Claudia,

    Ninguém te pediu não não teres a tua opinião, mais, cada um aprecia quem quer, ou quem pode.

    Apenas sugeri que houvesse respeito pela obra da Lidia Jorge,pese embora se possa não concordar com a sua opinião.

    Porra !

    É dicifil percer isto ???

  46. Carmen Maria,

    em resposta ao comentário que me dirigiste (e à guida).

    Já te perguntei antes: as pessoas não têm direito de dizer mal da obra de um autor, sem que isso seja atribuído à sua discordância face às opiniões desse autor? Porque insistes esta tecla?

    Basicamente, o que aconteceu foi isto:

    Escritora dá opiniões sobre o ensino
    Comentador(a) diz que não gosta da literatura dessa escritora
    Carmen diz que não “não são aceitáveis” esses argumentos nem que se arraste pela lama uma obra só porque não concordamos com as ideias da autora fora da obra
    Comentador reaje dizendo que têm direito de emitir a sua opinião sem que isso seja considerado arrastar a autora pela lama
    Comentador tenta explicar que é possível ter opinião negativa da obra , sem que isso seja interpretado como vingança sobre opiniões da autora

    É difícil perceber isto???

  47. Bem… Disse que não dava mais explicações, mas não resisto à frase que os «melhores» professores do joão viegas lhe ensinaram. É que essa frase aplicada ao ensino o que é que quer dizer? Quer dizer que os professores não se devem limitar a ser professores, não se devem limitar a ensinar, mas devem ser também o seguinte: em primeiro lugar burocratas, claro; mas também psicólogos, assistentes sociais, auxiliares educativos, polícias, animadores culturais, etc, etc, e cada vez mais também pais e mães. Ora cá está o «eduquês» na sua plenitude! Um professor tem de ser tudo e mais qualquer coisa, sendo que o ser professor e ensinar acaba por ser o menos importante: até porque com tantas funções pouco tempo restará para se o ser de facto. Aliás, consultando-se o novo ECD a verdade é que a palavra «ensinar» quase que nem aparece.
    E deixemo-nos de tretas: regra geral, a maioria dos professores que se dedicam quase em exclusivo às tarefas administrativas e burocráticas, são aqueles que são conhecidos por querem fugir das salas de aula e por não querem ensinar. A experiência do joão viegas de que os seus melhores professores eram também os melhores burocratas, só pode ser portanto uma anormalidade. Ou então uma normalidade, se ser melhor professor significa ser melhor funcionário do «eduquês»…

    PS: E esse tal de Platão que o joão viegas trata por tu, quem é? Algum discípulo do Pinto de Sousa? Só pode ser, porque o outro Platão (o verdadeiro) ficou conhecido por atacar o saber sofistico, o «saber» pouco preocupado com a verdade, e mais preocupado com a relativização da verdade e com o negócio e burocratização do saber… O «eduquês» da antiguidade…

  48. Sim, os professores que “se limitam”(*) não estão à altura do serviço publico da educação. Assumo perfeitamente o que escrevi, e também o paralelo com os clérigos.

    Houve um tempo em que se pensava que era bom alimentar (com esmolas) uma classe de homens que viviam voltados para o céu, orando pela salvação dos outros.

    Isto acabou, meu amigo. Acorde.

    Ou então, pelo menos não diga que é de esquerda…

    (*) Não so os professores, mas qualquer pessoa que “se limita”. Ja ouviu falar de advogados que “se limitam” a advogar e não querem saber dos meios necessarios para exercer o seu oficio, ou de médicos que “se limitam” a ser médicos ? Os Sofistas, esses sim, “limitavam-se” a falar, sem a preocupação de dizer nada, ao que Platão/Socrates respondia : não tenhas mais respeito por um homem (se vivesse hoje, diria por um doutor) do que pela verdade…

  49. Agora agarrou-se à palavra «limitam-se», esquecendo tudo o que eu escrevi no seguimento disso. Mas não vou voltar a explicar, nem fazer qualquer desenho. Mas eu espero bem que os médicos se limitem a ser apenas médicos, caso contrário ainda temos funcionários ou burocratas formados em medicina, muito preocupados em cumprir com os objectivos financeiros estabelecidos pelas empresas para que trabalham (como o filme «sicko» tão bem revela).
    Quanto aos sofistas e ao Platão bem me estava a parecer que o joão viegas estava a ver tudo ao contrário no que diz respeito a quem é que defendia o saber contra a sua burocratização e seu esvaziamento de conteúdos, como novamente se confirma. Está com dificuldades em perceber o que é o «eduquês»…

  50. Nada se muda de um dia para o outro, ficando a funcionar bem.

    Confesso que não encontro justificação para uma certa rebaldaria que se vinha vivendo nas escolas publicas. Tal só foi possível por via duma certa “secundarização” social a que se votou o ensino. Está claro, que os sindicatos, todos, ajudaram à festa, e os prejudicados fomos nós, os nossos filhos, duas gerações (pelo menos).

    A Anterior ministra colocou a mão na massa para fazer algo. Conseguiu. Abalou as estruturas existentes e colocou na mente dos professores que competência é preciso e que a avaliação nos termos em que era feita, não podia continuar.

    As tácticas politicas têm timings precisos. Convém aguardar para saber o que vai acontecer a seguir.

    Do anterior modelo, aquilo que sei por conversa com pessoas que são professores do secundário, não era fácil. Alguém me disse que tinha de avaliar outro alguém que reconhecidamente era mau professor. Mas como eram “visita de casa”, o que poderia fazer? Uma avaliação desta natureza continua a não ter validade e com o tempo fica esburacada.

    Mas a avaliação é apenas uma parte do problema que empurra os sindicatos para este circo mediático. Existem outros problemas que eles, sindicatos, nem sequer tocam, como seja o caso de um individuo terminar a faculdade, candidatar-se ao ensino, entrar numa determinada escola e os professores residentes da escola terem o direito de escolher as turmas que querem e o professor que acabou de entrar, sem experiência de ensino entre outros factores, ficar com as turmas de 12º ano, por exemplo. São vários os aspectos que os professores criaram para seu próprio desprestigio.

    Uma coisa é certa, as analise feitas com bases factuais reduzidas podem originar distorções da realidade. Por isso entendo que temos de aguardar para saber se este não seria mesmo o caminho. Eu também tenho dúvidas. Mas na falta de melhor…

    Quanto ao que está dito pela Lídia Jorge, creio que ela terá alguma razão, sobretudo quando afirma que os professores são uma família. De facto, se imaginarmos determinados meios pequenos, de província, acredito que a atitude seja mesmo essa.

    A produção literária de Lídia Jorge é magnífica.

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