A direita é da Joana

Todos sabemos que não são assim tantas as pessoas competentes, sérias e independentes para preencher os altos lugares do Estado. E, sobretudo, todos sabemos que não falta quem queira preencher esses mesmos altos lugares com pessoas, no mínimo, pouco independentes.

O lugar de procurador-geral da República, nos tempos em que vivemos, é central na nossa vida em sociedade e, na minha opinião, Joana Marques Vidal tem sabido exercer esse lugar com competência, seriedade e independência. Não faltarão candidatos a esse lugar e seguramente que, neste momento, forças e interesses diversos, alguns certamente pouco recomendáveis, já estarão a porfiar para conseguir colocar no lugar da actual procuradora-geral uma pessoa que lhes seja útil.


Francisco Teixeira da Mota

É verdade que não se percebe bem porque é que Francisca Van Dunem se lembrou de dizer tal coisa numa altura destas — para mais, com a infelicidade acrescida de ter concedido a entrevista um dia depois de o Presidente de Angola se ter atirado de forma desbragada à justiça portuguesa. Até admito que tenha sido apenas ingenuidade e inépcia. Às vezes acontece. O que não admito é que Van Dunem não saiba de cor e salteado qual a opinião de António Costa sobre o tema. Logo, 1) as suas declarações comprometem todo o Governo, 2) o desejo de afastar a procuradora é bem real, e 3) Joana Marques Vidal precisa de ser defendida.

Dir-me-ão: não haverá outros magistrados habilitados para desempenhar o cargo com idêntica competência? A minha resposta é simples: em 44 (curioso número) anos de democracia não houve. Se fosse fácil ser independente, outros teriam sido. Não foram. Portugal precisa que Joana Marques Vidal continue até 2024. Doze anos de magistrados livres para investigar a corrupção que há décadas sufoca o país não é muito — é muito pouco.


João Miguel Tavares

Uma das principais especialidades do primeiro-ministro António Costa consiste em fazer dos cidadãos parvos. Anteontem abri o PÚBLICO online e deparei com a notícia — “Ministra da Justiça abre porta de saída à actual PGR”. Bingo! Há meses que se especulava se António Costa teria a coragem — ou o desplante — de não reconduzir a actual procuradora-geral, Joana Marques Vidal, empossada no cargo em Outubro de 2012. Van Dunem, ministra da Justiça, essa limitou-se a fazer de porta-voz da decisão de António Costa de expelir Joana Marques Vidal da PGR (o argumento invocado é risível, e lá irei mais adiante). Ou mais exactamente: coube à ministra ir preparando o terreno para a decisão talvez mais controversa e suspeita de todas quantas decisões controversas e suspeitas Costa já tomou até hoje.

Tudo aconselhava o prolongamento do mandato de Marques Vidal, desde a sua competência, lisura e coragem, até à notória inconveniência de a remover numa circunstância em que a Justiça portuguesa passa pela sua maior prova. Paradoxalmente, é precisamente por causa desta circunstância e por causa das raras qualidades da procuradora-geral que esta se torna um estorvo para António Costa.


M. Fátima Bonifácio

No mínimo, é uma questão de elegância: quando nos despedimos de alguém, não lhe batemos com a porta na cara. Despedimo-nos e dizemos: “Foi bom. Obrigado.”

No limite, podemos dizer que a dúvida não chega em boa hora: é que o MP está prestes a levar a julgamento o ex-primeiro-ministro José Sócrates, o ex-banqueiro Ricardo Salgado e o ex-vice-presidente de Angola, com uma promessa de represálias pendente.

Apesar de tudo, apesar do limbo, as reacções à polémica deixam-nos uma certeza: até Outubro, a actual líder do Ministério Público terá o apoio do sector para manter a independência e determinação que tem mostrado ter para proteger a Justiça. O que ficámos foi com esta dúvida: depois de Outubro, que tipo de PGR quer António Costa?


David Dinis

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Quatro excertos de quatro publicistas notáveis num jornal dito de referência. E mais não tivemos no semipasquim porque rapidamente se descobriu que não ia ser possível contar com o cinismo de Marcelo para transformar o fogaréu num incêndio descontrolado, e ainda porque se foi buscar Joana Marques Vidal a dar razão a Francisca Eugénia da Silva Dias Van Dunem. Entretanto, o próprio Marcelo de 2018 vai ter alguma dificuldade em contrariar o de 1997 se estiver para aí virado. Que fica desta exaltação dos caluniadores do costume?

Para começar, a facilidade com que tratam António Costa como um primeiro-ministro corrupto ao serviço de um partido corrupto que, berram, vai tentar perverter a Procuradoria-Geral da República para alcançar objectivos corruptos. Esta mensagem desmiolada e paranóide é comum aos quatro textos, oscilando entre o registo bronco e raivoso de Fátima Bonifácio e JMT e o registo difamante e sonso de Teixeira da Mota e David Dinis. Para continuar, o exibicionismo com que assumem querer um Procurador-Geral da República politicamente orientado e especialista em José Sócrates e demais socialistas que se possam arrebanhar na larga malha de um Ministério Público que opera em parelha com a aberração Carlos Alexandre, actuando este como um super-procurador em vez de juiz dos direitos, liberdades e garantias. E para acabar, a luminosa percepção de que a actual procuradora-geral da República tem uma tribo à sua espera para vir salvar a direita decadente.

Com a poderosíssima indústria da calúnia a fazer-lhe a campanha, a santa Joana é uma espectacular promessa política. Pode lançar uma cruzada contra a “corrupção socialista”, garantir que vai limpar Portugal dos bandidos socráticos que andam para aí a esbanjar dinheiro em obras públicas e fundações, aeroportos e TGV, escolas e formação de adultos só para encher os bolsos dos amigos e jurar que conseguirá ilegalizar o partido do Rato pois aquilo não passa de uma escola de crime. Com isso, esvaziaria o CDS e talvez metesse o PSD em condições de causar problemas ao PS, pois para além da monopolização do voto à direita ainda iria buscar votos de protesto e populistas à abstenção.

Força nisso. É o que vocês merecem, é o que vocês são.

18 thoughts on “A direita é da Joana”

  1. Os cães já foram soltos! Há que defender a todo o custo esta comissária política. A única que presentemente ainda pode dar algumas alegrias a esta direita enraivecida.

  2. Eu cá quero que a Senhora procuradora JMV se mantenha no cargo, pois tenho medo que venha um outro igual ao anterior: Aquele que foi jantar com Socas e só falaram de literatura…o que mandou queimar as escutas, lembram-se?
    Haja decência,
    a verdadeira anónima

  3. Aquilo que verdadeiramente está nas entrelinhas, e que este blogue não percebeu, é um agradecimento à PGR pelo arquivamento dos submarinos, das tecnoformas, BPN’s, offshores, BES (pois, não está esquecida a fronda do PSD a apelar ao investimento no banco, quando, na mesma altura, já sabiam, eles e a happy few, do destino do mesmo) e etc e tal.
    Tal foi o fartar à vilanagem que há que retribuir as omissões e falhas processuais e arquivamentos e etc.
    (seria bastante interessante perceber o montante envolvido na investigação ao Sócrates e aos submarinos e tecnoformas, entre outros (SLN é mais um belo exemplo). Uma espécie de gráfico para percebermos melhor estes artigos)

  4. eu não sei se percebi bem , penso que não , era ridículo demais achar que no post se confunde a Justiça em Portugal com o caso zézito e os 40 ladrões e ca Joana não tens mais que fazer , devo estar com um fusível avariado ,só pode.

  5. foi esta procuradora que salvou o cavacal do assalto ao bpn, que travou investigações ao relvas e ao passólas, que tem protegido assassino da rosalina da justiça brasileira e este caramelo vem invocar julgamentos impossíveis. para o salgado ir dentro têm de prender metade do país. a totalidade do psd e cds, cavaco, portas e marcelo à cabeça. o sócras acaba como começou, sem provas e milhares de páginas de ficção científica. o manel vicente é mais um caso de bebedeira colectiva da procuradoria da república, julgam que mandam em angola como chantageiam o governo português.

  6. “Joana Marques Vidal precisa ser defendida.”
    JMT
    Este medricas de boca caudalosa de esterco é que define bem o estado medroso que já se está entranhando no corpo do bando dos 4. E muitos outros ainda virão fazer apelos iguais cheios de tremores.
    Defender a qualquer preço a Vidal é para os quatro opinadores e muitos muitos mais outros a sua bóia de salvação para para não se afogarem desacreditados na onda fictícia que inventaram. Eles sabem bem a falsa narrativa que inventaram para transferir por exorcismo a corrupção e culpa do cavaquismo cometida por dezenas de alunos do dito para uma única pessoa que para cometimento de tudo o que é acusado e ninguém mais ver ou saber teria de ser simultaneamente omnipresente e omniausente.
    Só o facto de um MP que promove uma tal investigação às apalpadelas de assédio judicial e à última hora pesca um tal de Salgado ddt que ainda na penúltima hora era o padrinho do regime e do próprio MP, que gasta mais dinheiro do erário público que o atribuído à corrupção de Sócrates para parir um monstro processual sem provas e tornado um absurdo injulgável para própria defesa.
    A ideia seria a de que entretanto morriam e assim não seriam julgados pela opinião pública revoltada contra tal monstruosa maldade. Sentem agora que pode não ser assim e que um PGR justo e honesto que leve a justiça a sério pode estragar toda a manhosa estratégia montada pelos verdadeiros beneficiários de ser um bode expiatório a pagar a corrupção alheia.
    A ficcionada narrativa inventada pelos culpados para se safarem com um novo PGR e agora também com Marcelo, amigo de casa de Salgado, companheiro de férias e empregador da mulher pode desfazer-se como boneco de neve e depois os muitos bandos dos 4, dos 16, dos 256, … ficarão sujeitos, eles próprios, a provar à justica as acusações que pintaram.
    Claro, é preciso defender a Vidal de unhas, dentes, caneta e língua quanta tenham.

  7. Epá, Valupi, continuas a descer na consideração de quem se interessa por
    (queres que eu te pague uma sopinha quente, que sempre evitavas fazer essas figuras de lambe-botas assim à frente de toda a gente?)

    _______

    Eric
    16 DE JANEIRO DE 2018 ÀS 19:54
    O seu comentário aguarda moderação.

    Grrrrrrr, vivó Sócrates-com-mistela!
    (e o resto são cantigas, Valupi)

    … e abaixo o Estado de Direito e a separação de poderes e outras balelas, entretanto.

  8. A procuradora vai para um cargo melhor europeu, talvez o TEDH, eis a razão porque a ministra disse o que disse ( situação conhecida como de “ amiga disfarçada de inimiga “ ).
    Podem os caluniadores aqui presentes ficaram não-descansados porque não é preciso comissários políticos para tratar das trapalhadas do Sócrates ( conforme factos relatados pela comunicação social e comentados pela melhor opinião nacional ).
    Lá mais para cima, um conhecido tontinho, diz que arquivou isto e aquilo . O palerma desconhece o instituto da prescrição .

  9. A verdade é esta: se este Governo não conseguir pôr na rua esta cabra, ficará definitivamente provado que não tem tomates para atacar o pior cancro da Democracia portuguesa, que nunca foi verdadeiramente tratado desde o 25 de Abril!

    E se for assim, pois para além de resolver os problemas económicos, o que já é muito, não está lá a fazer mais nada, o que torna o muito pouco.

  10. O Instituto da Prescrição fica ali no Beco dos Enrascados, n.º zero (à esquerda), muito perto do Campus da Injustissa, 1974-254 BRUTOGAL.

  11. É melhor os direitolas começarem a encaixar esta informação:
    – A Procuradeira-Mor do Reino vai sentar a peidola numa cadeira de uma das salas da Assembleia da República, para responder a uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
    A renovação do mandato da nefanda criatura está completamente fora de questão.

    E está cheia de sorte por fazer parte dos protegidos do Correio Manholas. Se este usasse o mesmo critério que usa para os suspeitos socialistas a esta hora a criatura já estaria acusada e condenada em praça pública por corrupção num processo de tráfico de menores.

    Eu “não adoto este silêncio”.

    E, a propósito, alguém sabe aonde anda o Presidente da República ? o Povo elegeu-o para tratar destas questões, não para dar beijinhos e tirar selfies.

  12. Ó jota pentilheira, fica fica, o Beco dos Enrascados, também conhecido por Viela dos Causídicos Aflictos, local onde foi erguida a capela de N.ª Senhora dos Arguídos, perto do Largo da Chicana Processual, não muito longe do Largo do Arquivamento dos Processos ( do tempo do consulado Sócrates, também conhecido por Largo dos Inocentados ) à beira da rua sem saída/projecto Avenida do Enriquecimento Ilícito ( nunca construída, projecto inviabilizado pela vereação chucha, por entender que seria inconstitucional, visto o nome conflictuar com a empresa Enrique Cimento & Lícito ) .

  13. Pimpampulha esgrouviada,
    o teu catre no Pavilhão 6 da Rua das Murtas (ali logo a seguir ao LNEC) é para usufruicto vatalíssio, pobre despentelhado da córnea. Deixa as pessoas normais em paz…

    E fica sabendo que daí já só mudas é para o Apartamento n.º Pi do Crematório de Barcarena (um Condomínio fechado e de Luxe), com vista para o subsolo dos terrenos onde o Duarte Lima, nos tempos áureos das aventuras cavaconas com a SLN, BPP e kejandas, ia construír o novo IPO…
    PODENGO!

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