A direita a devorar-se a si própria

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Há uma protecção à figura institucional do Presidente da República que quase não carece de ser explicada por se compreender e aceitar intuitivamente. O regime precisa, a Assembleia da República necessita, os cidadãos esperam, que o garante do regular funcionamento das instituições democráticas mantenha a sua autoridade política e moral (não sendo o mesmo podem ser a mesma) num plano imaculadamente soberano. Por exemplo, do próprio Marcelo, então comentador, muitas vezes nos chegaram declarações com sorrisos de escárnio ao lembrar que Sócrates e o PS nada poderiam fazer contra os desvairados boicotes e ataques de Cavaco; pois quando os Governos e os partidos hostilizam o Presidente, acabam os primeiros por perder sempre o braço-de-ferro com o último. O povo está com a Presidência, advindo da eleição directa deste especialíssimo representante um poder único, plástico, críptico na arquitectura da República.

Será? Para mim, o episódio da “Inventona de Belém” marca a data em que tal complacência deixa de ser patriótica (ou decente, ou democrática, ou republicana, é escolher). O que se seguiu, o comportamento de Cavaco na noite da reeleição em que atacou os restantes candidatos após ter vencido, e o seu comício no discurso solene da tomada de posse, em que pré-anunciou o afundanço de Portugal na crise devastadora que promoveu sonsa e cinicamente, crise resultante do chumbo do PEC IV que até Merkel achou inacreditável não se ter evitado, confirmaram os idos do Verão de 2009. Um Presidente que não respeita o bem comum nem se dá ao respeito, um Presidente que prefere o interesse pessoal ao interesse nacional, não é apenas inepto para a função, acumula com ser um dos maiores perigos políticos e sociais para a comunidade.

É só por não termos imprensa, e a comunicação social estar na sua enorme maioria na mão da direita, que o episódio de Marcelo Rebelo de Sousa em despique verbal com uma popular, acima exposto, não provoca um escândalo para a História. Do princípio ao fim, incluindo as justificações aos jornalistas, vemos um sujeito amedrontado, impaciente, confuso e desleixado. Claro, o sujeito que preenche a figura institucional de Presidente da República pode, em variegadas circunstâncias, mostrar-se em público desleixado, confuso, impaciente e amedrontado sem que tal nos deva afligir dado concordarmos em ter um ser humano a desempenhar essas funções. Mas é preciso que a realidade em causa confirme essa bondade. No caso da Feira do Livro do Porto, a brutal realidade infirma-a e deixa-nos com um pavoroso diagnóstico entre mãos: o Professor de Direito esqueceu o dito, o católico não se lembra do Evangelho nem da catequese, o político odeia o Parlamento e o chefe de Estado não faz ideia de quando é que se aumentou o salário mínimo. Perante uma pessoa num estado mental exaltado, com um discurso provocatório e a passos demente, o “presidente dos afectos”, que fica tão bem nas fotografias popularuchas e populistas, colocou-se ao nível psicologicamente miserável de quem o acossava, primeiro, e depois deu por si afundado no vazio, ao nada encontrar para responder a quem lhe perguntou se conseguiria viver com 580 euros por mês e se aceitaria trocar de casa. Este vazio imprevistamente exposto no espaço público está saturado de outros vazios, é um vazio asfixiante e esmagador. Usar os mortos e a destruição dos fogos de 2017 para fazer brilharetes frente às câmaras e deixar os direitolas em êxtase com mais uma cabeça cortada na Hidra socialista é fácil num artista deste calibre, saber o que dizer a quem aponta um telemóvel e dispara rajadas de desigualdade de tudo e por tudo já não é matéria que se ensine no circuito das melhores famílias de Cascais.

Cavaco foi o líder da direita durante três décadas. Marcelo tem sido o líder da direita desde que entrou em Belém. Os decadentes estão em campanha para que Passos Coelho volte como líder da direita. E André Ventura, no seu deboche crescente, vai angariando pilha-galinhas, rufias, trafulhas e psicopatas para brincar aos líderes da direita posto que ele vem desde Loures a constatar que vale tudo nesse deserto de ideias e de ética onde montou a barraca. O que Marcelo mostrou, numa insólita tarde de final de Agosto, é que não há grandes diferenças entre estas quatro figuras. No essencial, nem conseguem viver com 580 euros por mês nem tencionam sujeitar os pobrezinhos ao incómodo de trocarem de casa com eles.

10 thoughts on “A direita a devorar-se a si própria”

  1. o ventura começou oficialmente a campanha, montou uma espera ao tio celinho na feira do livro e contratou uma ajudante para lhe dar uma carga de porrada. sim, porque uma gaja com aquele paleio, má educação e declaração pública de irs não foi à feira para comprar livros, foi lá para malhar no representante eleito dos portugueses e na democracia. sinto-me ofendido por o presidente ter dado trela à gaja e a segurança pessoal não ter corrido com a gaja. levou uma bela carga de porrada e ficou mudo, tendo recuperado parcialmente da barraca algumas barracas mais à frente para entaramelar umas justificações tipo jesus quando perde o jogo. é especialista a falar sozinho e a tirar selfies, confrontos é pânico e telemóveis apontados é desastre, já anticipo a palhaçada do frente-a-frente presidenciais marcelo vs ventura. o costa meteu o gajo no bolso e deve rir bué com estas cenas “eu é que sou o presidente”.

  2. Valupi: deixa-te de merdices, que a tua desfaçatez intelectual não tem limites e, por isso, nunca te falta clientela…

    Mas, não stressem e acalmem-se por aí: o que o episódio revela, e o PR sabe disso (e tu e a Estrela Seerani, honestamente, também deveriam lembrar-se da disponibilidade do Mário Soares para ouvir a voz do povo…) é que este governo minoritário do Costismo II envelheceu em meses que parecem anos, que o aparelho partidário dos PS’s empregados nas tetas do Estado e as suas gajas apaixonadas são, neste momento e tal como acontece no PSD, uma merda mais frágil do que esse penico que usas….
    Aliás, fosses tu o outrora jornalista Duarte Moral, que não és, e com esse corpanzil e gordura mórbida já terias escaqueirado o receptáculo se lata e rebolado, com estrondo, com essas nalgas e os costados por cima da merda que escreves.

    “E André Ventura, no seu deboche crescente, vai angariando pilha-galinhas, rufias, trafulhas e psicopatas para brincar aos líderes”, se a razzia do Chega fosse efectiva, organizadamente miliciana e hierarquizada, por entre os órfãos do pós-Socratismo tens alguns.

    Olha em volta, há gente capaz decrudo…

  3. Ratazana voadora, piolhosa e missionária, o tempo que ela perde a missionar infiéis, Deus meu… ou dela, para ser rigoroso! Não converte ponta de corno, coitada, mas insiste e persiste, falha missas sobre missas para não abandonar os incréus, sacanas de mal-agradecidos dum cabrão, que teimam em não ver a luz! Pior, recusam vê-la, cegos pelo Grão-Tinhoso, e anseiam pela Frigideira do Inferno. Orai por eles, pecadores, porque deles não será o Reino dos Céus, nem cabrão de reino nenhum, já que teimam em escolher a república, essa vaca malparida de tetas incertas!

  4. Aquela de povo só devia ter as unhas, de resto era uma avençada pronta a fazer peixeirada quando tivesse a plateia composta.
    Nada que dois pares de estalos não pusessem a galinácea na linha.

  5. Não percebo. O cérebro da Pomba Branca não é suposto comportar tanta merda. Será que esta pomba se abastece continuamente no cú do merdoso chegófilo?

  6. Ó paneleiro ( ou vaca, consoante o caso ) o Presidente é uma pessoa com alto sentido do cargo que exerce, que entende como, PARA SERVIR ( e não para ser servido, como sucede com os parasitas socialistas ) e como tal, entendeu que devia e deve ouvir o Povo, a quem serve, portanto escutou as queixas que a cidadã tinha para expor, fez muito bem, e assim demonstrou que é um autêntico democrata, ó panasca, ou entendes que “democraticamente” a devia mandar silenciar ?
    E fala este roto ( ou rota ) no soberano …
    Quem é o soberano, não é o Povo ó idiota ?

  7. A ratazana voadora é muito homem, diz que não gostou nada, mas mesmo nada nadinha de nadona, de todas as vezes que comeu no cu! Como a esperança é a última a morrer, porém, continua experimentando… e não gostando… e voltando a experimentar… e continuando a não gostar… mas sempre, sempre, sempre, sem parar de tentar. Nada que um lanchinho de Ratak vitaminado pela goela abaixo (ou pelo cu acima) não resolva com eficácia e rapidez.

  8. «Será? Para mim, o episódio da “Inventona de Belém” marca a data em que tal complacência deixa de ser patriótica (ou decente, ou democrática, ou republicana, é escolher).»

    Para um qualquer cidadão mínimo o sórdido episódio da “Inventona de Belém” promovida pelo “público” de JMF e Belém teria sido suficiente para definir definitivamente junto do povão quão incompetente e sacana era o desconfiado mental Cavaco para ser presidente da junta freguesia de Boliqueime quanto mais Presidente do país.
    Mas, ironia do destino, foi só quando Cavaco teve uma tirada ao estilo pulha-manhoso tal qual como a tipa que interpelou agora o Marcelo na feira do livro do Porto que o povão, finalmente sentiu e apreendeu quem realmente era aquela meliflua persona que disfarçava a mesquinha corrupção sob a capa de rural austero ou montaheiro académico.
    Quando o tipo resolveu ser o que realmente sempre foi e respondeu ao povão que o interpelava que a pensão (pensões) que recebia não chegavam para as suas despesas o mundo simulado de Cavaco caiu do alto para o precipício mental da maioria silenciosa dos portugueses observadores políticos sempre apoiantes do que lhes dão a observar.
    A resposta de Cavaco é, precisamente, o equivalente político da pergunta que a tipa do Porto fez a Marcelo; são perguntas e respostas contra a qual não há argumento, desculpa ou resposta que salve da vergonha popular o ‘mais forte’ que impõe face ao ‘mais fraco’ que suporta.
    Nem a farta retórica de lata sofística, normalmente usada em expoentes altos por Marcelo, nem o disfarce de figura austera usada por Cavaco anos e anos a fio, duram sempre.
    De tanto se repetirem tornam-se um vício depois um cromo e por fim um ‘chato’ que já ninguém escuta ou pode ouvir.

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