A deontologia nunca fez farinha

Crespo, num espaço denominado Jornal das 9, e com aquela cara de ódio à beira da explosão que se tornou usual nos últimos 2 anos, noticia-se. Informa que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social arquivou a sua queixa contra o director do Jornal de Notícias; por alegada censura ao recusar, ou questionar, a publicação da crónica “O Fim da Linha”, na edição de 1 de Fevereiro de 2010. Faz uma pausa e especifica, funéreo, ter a decisão sido unânime. Faz nova pausa. E remata com outra notícia, esta de 16 de Abril, quase dois meses passados: o parecer do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas acerca do mesmo caso, no qual se conclui pela existência de atitude censória. Fim de opinião em causa própria mascarada de jornalismo.

Talvez se deva deixar de falar no Crespo, ele é apenas mais um egomaníaco que representa o papel de semideus anti-regime. Enquanto for útil a Balsemão, continuará nas nuvens a espalhar a sua verrina contra os políticos, os partidos, o Estado, a sociedade. Que quer, que ideias e valores defende, que tipo de jornalismo é este que vive de insinuações e suspeições? Ninguém adivinha, ninguém vai perder uma caloria a tentar descobrir. O modo como não se inibiu de pôr em causa os nomes de Nuno Santos e Bárbara Guimarães, subitamente suspeitos de serem cúmplices ou testemunhas de conspiração governativa para o afastar, chegaria para arrumar a figura e esquecê-la de imediato. A forma como explorou comercialmente o caso, primeiro escrevendo uma crónica baseada em declarações não provadas, e depois aproveitando a responsabilidade de José Leite Pereira para uma vitimização canalha, então, prova que Crespo é um bufão venenoso e patético. Nem a Assembleia da República escapou à sua hipocrisia megalómana.

Todavia, devemos falar cada vez mais daqueles que se servem destas tristezas cívicas e alinham na conspurcação de pessoas e instituições. Como o Sindicato dos Jornalistas, cujo Conselho Deontológico fez um parecer que deve ser lido com toda a atenção. A argumentação fundamental está condensada na primeira frase:

Analisados o texto e os esclarecimentos do Director e Conselho de Redacção, o CD concluiu, por unanimidade, que a crónica é um género opinativo cuja responsabilidade cabe ao seu autor, não sendo por isso exigível a “audição das partes atendíveis”.

Não se remete, neste raciocínio supra, para nenhuma outra fonte que não o Conselho Deontológico ele próprio, pelo que estamos perante um arbítrio que deve ser aceite literalmente: a crónica é da responsabilidade exclusiva do seu autor, podendo conter qualquer tipo de afirmação. Muito bem. E parabéns à vossa prima. É que as consequências deste pressuposto são as seguintes:

– Sendo a crónica da responsabilidade do autor, daqui decorre que a mesma se sujeita ao meio onde é veiculada. A crónica não pode ter maior valor do que, no caso, o jornal onde é publicada.

– Se não o tem, e não tem porque não se pode impor ao meio, daqui decorre que é ao director que cabe orientar, superintender e determinar o conteúdo da publicação. Isto é, o director é quem decide quais os formatos e autores que irão colaborar nas edições.

– Se o director decide, daqui decorre que pode decidir a qualquer momento incluir um novo cronista ou acabar a ligação com um actual. Cessar a colaboração com um autor ou jornalista, respeitando direitos respectivos, é o que se admite ao director se se lhe reconhece o poder de orientar, superintender e determinar o conteúdo da publicação.

Não espanta, sendo inevitável esta causalidade, que os membros do Conselho Deontológico tenham de imediato, logo na segunda frase, agarrado com as favolas uma petição de princípio, declarando a sua hostilidade ao Primeiro-Ministro: podia dizer-se mal do Engenheiro, difamá-lo, caluniá-lo, porque, afinal, ele andava a dizer mal dos jornalistas e a atacar a sua liberdade – logo, a crónica do Crespo era uma legítima, e justa, denúncia que não podia ser questionada, muito menos impedida de ser publicada.

A falácia leva-nos para um outro documento que também importa conhecer com detalhe: Código Deontológico dos Jornalistas. Notavelmente, os notáveis do Sindicato dos Jornalistas remetem para esse texto para justificar a violação do mesmo. É que o caso que acabou com uma queixa do Crespo contra Sócrates, o qual era seu dever analisar e ponderar com isenção e rigor, começa única e exclusivamente porque Crespo, Moura Guedes, Zé Manel, coadjuvados por uma legião de araras, não respeitaram os pontos 1, 2, 4, 5, 6, 7, 9 e 10 do Código que, putativamente, devia reger deontologicamente a sua actividade como jornalistas. Os jornalistas atacam o governante, o político e o cidadão, ao arrepio do respeito cívico e dos mínimos éticos, cuspindo e pisando nas regras metodológicas da profissão, e o culpado é o alvo, diz-nos o sindicato desta malandragem. Que os envolvidos na conversa privada em causa tenham desmentido o cronista inimputável, isso nem sequer aparece referido pelos doutos deliberantes. Crespo é rei; o director do jornal onde calhe escrever, um seu capacho.

O parecer é assim, pois, uma peça canhestra de baixa política, uma espasmo corporativo e uma indignidade institucional. Pior do que isto, porém, só o espectáculo degradante de Luís Gonçalves da Silva, o qual faltou à deliberação da ERC e veio questioná-la por fora. Este senhor fez parte dos Governos de Durão e Santana, pelo que não há coincidências: a farinha é toda do mesmo saco.

16 thoughts on “A deontologia nunca fez farinha”

  1. Simplesmente arrazador! Esta página é um bálsamo perante tanta velhacaria…
    Imperdível. Passo por aqui várias vezes ao dia. Continue a desancar nessa cambada que nos pretende “embrulhar” com as suas patranhas. Já agora, o que se passa com o nosso amigo Nik e as suas Nikadas de que já tenho tantas saudades. Abraço e coragem que a luta vale a pena.

  2. É uma liturgia da treta, tudo aquilo cheira a esturro, arroz queimado. Nem deveria ter «pegado» na noticia pois deveria ter sido outro a dá-la. Muito menos armado em juiz, em julgador. Por mais que tentem disfarçar tudo aquilo é sórdido, tenebroso, repugnante. Só falta a carta «anónima» tipo Freeport que toda a gente sabe de onde veio e quem a redigiu…

  3. Boa noite Valupi,
    é como dizes : “deixemos de falar no Crespo”.
    Quanto ao tal de Luis Gonçalves da Silva apenas um comentário : um asco.
    Bom fim de semana

  4. Ok, Ok Val, o Crespo é para esquecer.
    Mas estás a ser algo injusto:
    Foi o Crespo que não escapou à hipocrisia megalómana da Comissão de Inquérito do Parlamento…
    Abraço!

  5. Quanto mais mexer na merda, pior ela cheira. É importante ler o que o Valupi escreveu desse rato de boeiro, mas é dar-lhe demasiada importância. Julgo que a grande maioria da população nem sequer o conhece, porque não tem TV Cabo e, pelo menos isso, conforta-me.Por aqui me fico.

  6. O sr Crespo diz ele, tem corrido o mundo, e se esteve na Ilha da Pascoa, só pode ser isso; está infuenciado pela magia do PITÓ TÉ “umbigo do mundo”, vai daí pode reconstituir exactamente para a RTP em 1992, a cena em que o gigante Pedro Caldeira da BVL, caiu aos pés do FBI num quarto de hotel em Atlanta.

    O sujeito tem pinta de feiticeiro e está ao serviço da tribo, o Tótem é poderoso; o visado que se cuide.

  7. Val, como sempre brilhante. Mas esqueçamos o pigmeu do Crespo, pois os portugueses já perceberam de que farinha ele é feito…
    Venho também fazer coro com os que aqui hoje perguntam pelo NIK. “Quê se passa?”. Dê noticias dele, pois as nikadas eram “certeiras” e de grande humor.

  8. O tipo ainda hoje deve estar a tentar ler alguma notícia no bocado de papel higiénico usado que lhe puseram diante do nariz.
    Boa sugestão , deixe-se de falar desse asco ambulante porque pode começar a cheirar mal do lado de cá do monitor…..

  9. Neste caso, José Leite Pereira, Director do Jornal de Notícias, comportou-se de forma exemplar, como um grande Jornalista.
    O código deontológico dos jornaslistas já deve vir estampado no papel higiénico de M. Crespo, pelo menos, desde que ele veio recambiado das Américas, mas depois de usado por este o respectivo sindicato ainda diz que tem partes que pode ser utilizado. Bom proveito.

  10. Se «a crónica é um género opinativo cuja responsabilidade cabe ao seu autor, não sendo por isso exigível a “audição das partes atendíveis”.» [CDSJ] e se os jornais são livres de publicar “opinião” – ou não -, então “a crónica” não é “jornalismo”, feito por jornalistas, não lhe é aplicável o conceito de “liberdade de imprensa”, é mera opinião – possivelmente injustificada -, está fora da alçada do Conselho Deontológico do SJ, e, claro, o Director do jornal julgará como entender sobre a sua relevância para publicação.
    Parece claro.
    Parece claro que os membros do CD do SJ não regulam bem da cabecinha, pequenina.

  11. Ser é ser percebido.

    Se a coisa não é percebida, não existe: é a opinião de Berkeley e tanto vale para o homem como para a Comissão de Inquérito.

    Nenhuma empresa antecipadamente informa que vai negociar. Se no processo ocorre uma fuga de informação toda a gente fica a saber, mas apenas o que o bufão pretende que se saiba.

    Que informação é esta? É informal, formal, oficial ou não oficial? Não,,,,,,,,, é bufona!
    É evidente que o sr deputado quando questiona Sócrates, só pode pretender saber se este tem ou não conhecimento oficial, é a esta resposta que o PM tem de responder.

    As gravações de escutas são um meio auxiliar de investigação muito importantes, concordo, mas apenas para isso e mais nada. Podem ser marteladas na versão bufanista, para fazer passar o que serve apenas à sua visada política; neste caso seria deitar abaixo o PM por concluirem, ser este o único meio para o conseguirem.

  12. “Todos vivemos sob o mesmo céu, mas ninguém tem o mesmo horizonte”
    Konrad Adenauer

    Mário Crespo arrasta consigo a tragédia dos engaiolados; vive enjaulado na mediocridade da sua inteligência, na má formação do seu carácter, na frustração de quem vive com a consciência clara que nunca alcançará a “liberdade” por meios próprios. O seu olhar implora. A sua alma está á venda. O seu horizonte termina no seu umbigo.
    Sem auto-confiança, olha para trás sempre que ouve um murmúrio. Teme o que de si possam dizer.
    Encetou, há muito, uma caçada. Vai no bando dos mabecos.
    De rabo alçado, as hienas espreitam. Ele ri.
    Tenho pena dele.

  13. O Nik foi dançar salsa com a velha. A tarefa é tão árdua e dura que já nem tem forças para as nikadas.

  14. Não sei nada do Nik, a não ser que desapareceu. Também sinto a sua falta, pois ele malha nos ranhosos e nos imbecis com fulgor e mestria.

    Quanto ao Crespo, apesar de estar remetido a um canal por cabo, tem influência política, como se viu por este caso em particular. A sua manobra foi utilizada pela decadente oposição que andamos a suportar com votos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.