A charrua do pensamento

Filipe Nunes Vicente serve-se das tabelas para a carambola. Será um geómetra, um físico. Um engenheiro, pois. Mais um. Tamanha é a complexidade das suas jogadas que o risco de falhar é enorme. E, no bilhar, falhar por pouco pode ser até mais embaraçante do que falhar por muito. Revela falta de mão onde o rigor é tudo. Repare-se neste 1984. Liga o Jugular ao Aspirina B, a Fernanda Câncio ao Marinho Pinto, Orwell ao Charrua. Pelo meio, ainda polvilha com a caixa de comentários onde o Fernando Venâncio, autor do post onde estão citações do Bastonário, conversa sobre diferentes assuntos. E, assim, o Filipe entretém-se a mandar para o caldeirão outros ingredientes secretos, pois as memórias que alega ter recuperado não foram identificadas. Onde quer chegar? Não viremos a saber, bem sei.

O caso Charrua ficará como exemplo maior da desonestidade intelectual da oposição e dos demagogos. Continua a ser explorado por todos aqueles em quem não podemos confiar as chaves da Cidade. Curiosamente, só numa sociedade onde não há qualquer perseguição política, e a liberdade de expressão é desfrutada na sua plenitude, é que um conflito banal se poderia tornar bandeira corporativa e matéria de calúnia. É porque não há mais nada para pôr no prato, lá está. Contudo, a verdade continua a mesma, com ou sem Sócrates na equação: para discutirmos as opções de Margarida Moreira, e do director de serviço que denunciou o professor, não é preciso ofender a inteligência própria, quanto mais a alheia. Ou será que os bravos defensores do Charrua garantem, sendo poder, umas máquinas já mais 2084 que anulem o livre-arbítrio das margaridas moreiras desta e doutras administrações públicas? Porque do caso, ironia das ironias, o que fica é uma única evidência: em 4 anos e meio de perseguição feroz aos coitadinhos dos professores, os velhacos socráticos apenas conseguiram apanhar um – e foi preciso esse mártir da resistência ter usado o espaço laboral para ameaçar os pilares do regime no renovo do estatuto da senhora mãe do Primeiro-Ministro.

Não comprem um tractor, não.

18 thoughts on “A charrua do pensamento”

  1. Val
    Bom texto e devemos de nos habituar a chamar os bois pelo seu nome. Antigamente quem fazia oposição, usava o fair-play e não o insulto como este (mártir) que se intitula de charrua, mas como bem diz devia chamar-se tractor.
    Vou contar uma situação passada comigo num julgamento:
    Um dia nas declarações finais de um julgamento que interpus a uma pessoa pelo mesmo facto, o causídico da outra parte, que reside na mesma terra que nós (eu e o réu) argumentou como defesa, que era normal cumprimentarmo-nos por filho da…
    Acabado o julgamento fui ter com esse advogado, somos conhecidos, e disse-lhe que ali não lhe chamava filho da… porque ambos estávamos fora da nossa terra, que a primeira coisa que ia fazer, era cumprimentá-lo da mesma maneira quando lá o encontrasse. E acredite que o fiz, só não se sente quem não é filho de boa gente.

  2. «(…) só numa sociedade onde não há qualquer perseguição política, e a liberdade de expressão é desfrutada na sua plenitude, é que um conflito banal se poderia tornar bandeira corporativa e matéria de calúnia.»
    Está a referir-se certamente a Itália, onde nem os primeiros-ministros donos de um império mediático escapam à Justiça…

  3. Ou talvez ao Reino Unido, onde os ministros se demitem, sem ninguém lhes pedir, por os seus cônjuges terem incluídos a compra de filmes pornográficos nas despesas de representação da mulher…

  4. Ou aos EUA, onde os jornais pedem desculpa, em editorial, sempre que publicaram inverdades ou calúnias (para além de indemnizarem generosamente os visados).

  5. Ou ao Brasil, onde todos sabem que o seu vizinho é pedreiro-livre (à porta está o compasso e o esquadro, brilhantes, a melhor das declarações de interesse do cidadão).
    Em Portugal, não há declarações de interesses de políticos, jornalistas, sindicalistas, empresários, gestores públicos. Nenhum é da Maçonaria, do Opus Dei, do Bilderberg, dos Illuminati, da Carbonária, do LGBT. Nada. Todos livres e independentes. Todos bons rapazes…

  6. A carambola que falta, parece-me a mim, é a que faz a óbvia ligação da Fernanda Câncio ao surgimento no Diário de Notícias de correspondência privada entre jornalistas de outros jornais para entalar Cavaco Silva e Fernando Lima. Também faltou, pensado bem, a que faz a ligação dos blogues Simplex e Câmara Corporativa. Entre si, ao Jugular, ao João Coisas ou Cóias, ao Miguel Abrantes, ao Valupi e ao Luis Paixão Martins. E, a carambola final, que liga todos a Sócrates. E outras, e outras.

    Tão limpinho, como dois e dois serem quatro.

    E o tempo o mostrará.

  7. Núncio, desculpa que eu agora passo aqui menos vezes e já não conheço a maioria dos comentadores aspirínicos… portanto, só para confirmar, tu és um revoltado com a merda de país que temos, repleto de inverdades, certo? Lá fora é que é bom, é isso?… e por isso já emigraste, por estas razões e não outras, claro…?

  8. E se, em vez de me insultar, comentasse as minhas opinões?
    .
    Declaração de interesses: não sou emigrante nem imigrante. Vivo onde nasci. Dito isto, qual é a sua declaração de interesses, sininho?

  9. Tanto quanto sei, o caso Charrua só é alegado em desabono de Sócrates porque a senhora não foi exemplarmente desautorizada ou até substituída pela ministra. Não foi por a senhora ter sido parva ou ter tomado uma decisão ilegítima, mas sim porque o governo resolveu pôr uma pedra sobre o assunto, depois de comprovado o abuso, como se perdoa um pecadilho a um jogador do nosso clube. Foi um erro, porque se deixou passar a imagem de conivência do governo com o abuso da senhora. Depois o caso foi explorado histericamente pela cáfila do costume, mas isso é outra conversa.

    Ao representante da monarquia vaticana: em república não há cidadãos de primeira nem primeiros cidadãos. O cidadão presidente da dita não deixa de ser um cidadão, tão imputável e criticável como os outros. Maravilhosa, a república.

  10. Eu gosto de viver neste país onde nasci e que, esse sim, insultei porque tenho uma costela do norte e às vezes… dá-me para isto.

    … ou chamar-te revoltado é um insulto?

  11. Vampiresca essa foto, Nik!
    Acho que a Manela está à espera do Santana para não ir embora sozinha.

    E, já agora, a propósito do teu post anterior sobre a Madeira porque não fazer aqui um brainstorming para um novo nome para esse arquipélago?

  12. muito bem Valupi!
    a questão, para mim é: os gajinhos (sócretinhos) com a maioria absoluta fizeram o que fizeram.
    isto tá de patanas.
    em 2005 queixaram-se da herança dos do PSD e agora queixam-se de quem?
    isto, se calhar não tá bem composto. assim, nem a claudia nem a sinhã ou a guidinha me safam, não tenho, ou tenho falta de jeito para a escrita.
    mesmo assim hoje de manhã pego o Alfa em Tunes e estarei em Almada para votar neles (socretinhos).
    sempre, com os meus respeitosos cumprimentos.

  13. nunca perdi a esperança de perceber com o que se deve preocupar um cidadão de segunda. parece-me que estou perto.

  14. É esta falta de respeito pelas instituições e pelos seus titulares, esta revolta mansa de quem acha que somos todos iguais e “eles” também o são que menoriza a nossa cidadania, tornando-nos acríticos, nuns casos, e inconsequentes, noutros.

  15. Ena…
    Não é que o “Alerta” Google me manda uma “notify” com este comentário do—> jdias.
    Altamente, man….
    Já me tinha esquecido do SIMpleX e do que me diverti (e amarguei…) durante esses 3 meses.
    Muito poucos não perceberam que o “João Coisas” era eu.
    Usei a deturpação do próprio Google, que acha que me chamo “Coisas”….
    Claro que sempre fui do…>Jugular, e aceitei participar no SIMpleX, não por ser do PS, mas por apoiar o Sócrates.
    Os Deuses já escreveram a história e já todos perceberam que não houve “blogers profissionais”(basta ver os meus posts seguintes, no local do costume).
    É sempre bom ver que a Web “rula”.
    Abraços, amigo Valupi (& keep on the good work)…

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