A braçadeira do C e do R

Ao ter começado a sair de campo com o jogo ainda a decorrer, Cristiano Ronaldo sabia que poderia ser expulso. Por acaso, o árbitro do Sérvia-Portugal, sem se ter apercebido da situação, terminou o jogo com ele ainda em campo. Esta é a mais grave falha da sua carreira na Selecção Nacional porque poderia ter prejudicado a equipa para os próximos jogos de apuramento por sua intencional e estouvada iniciativa.

Ter mandado a braçadeira ao chão, num gesto de frustração e descontrolo emocional, não prejudica os interesses da Selecção Nacional. Apenas insulta a malta e mostra que o herói passou a acreditar no mito. O “C” da braçadeira já não é de Capitão para ele, é de Cristiano. Pelo que pode fazer dela o que quiser. Mandá-la ao chão. E deixá-la aí ficar para quem a quiser apanhar. Como vedeta mimada e adolescente.

Que não espante, então, a cena maravilhosa que vimos no Luxemburgo-Portugal. CR7 sozinho frente a um guarda-redes que joga na 2ª Divisão da Bélgica. E sem conseguir marcar golo com um remate e uma recarga. Não é para qualquer um – e concorre com o também miraculoso feito de Bernardo Silva no jogo anterior, quando este craque que vale mais de 100 milhões de euros conseguiu acertar no pé de um defesa tendo uma baliza sem guarda-redes à sua frente. O episódio Golias-Moris deveria levar a que no próximo jogo dessem ao melhor do Mundo em quase tudo do pontapé na bola uma nova braçadeira, com um “R”. É que o histórico Capitão despromoveu-se a si próprio a soldado raso, devíamos oficializar a situação.

16 thoughts on “A braçadeira do C e do R”

  1. Valupi:

    Sem prejuízo de reconhecer alguma razão que possa ter no seu comentário, a verdade é que, só muito, mas mesmo muito dificilmente, um jogador com o currículo de Cristiano Ronaldo, poderá, mesmo que o queira, despromover-se a ele próprio. Mesmo que mande para o chão a braçadeira, num gesto de revolta perante o esbulho de um golo que valia a vitória ou falhe uma clara oportunidade de golo, negada por um guarda-redes que joga na 2.ª divisão belga, mas que não é coxo nem maneta, como provou com a sua exibição. Por isso, a putativa autodespromoção de Cristiano Ronaldo não é oficial nem oficiosa.

  2. Oh Valupi
    Não me diga que a braçadeira de capitão da selecção da Federação Portuguesa de Futebol passou a ser símbolo nacional? Pensava que eram apenas o hino e a bandeira nacionais.
    Lembro apenas que o Cristiano Ronaldo também já atirou com a braçadeira de capitão para o relvado, após eufórico ter marcado o 3.º golo contra a Suécia , no célebre Suécia/Portugal, mais conhecido pelo Ibra 2 /CR7 3, que nos apurou para o europeu, do qual sairíamos vencedores.
    Na altura, não vi ninguém indignado!
    Não me diga que o Valupi também faz parte daqueles que não perdoam ter sido o CR7 formado no Sporting e a assumir-se como sportinguista!
    SL

  3. O Cristiano era um puto de uma família pobre da Madeira, com um pai alcoólico, que saiu de casa para ir para o Sporting com 12 anos. Deve ter chorado muitas noites por estar sozinho na capital e isso deve ter ajudado a moldar o seu carácter. Essa força mental brutal fê-lo trabalhar que nem um galego, o que, aliado ao seu talento natural, lhe permitiu atingir o estatuto de melhor futebolista do mundo. Como qualquer pessoa, está longe da perfeição, e isso vai-se começando a notar mais à medida que começa a decair, por força da lei da vida que a todos condena ao envelhecimento (excepto a quem morre novo, o que é muito pior). Espero que ele saiba aceitar a sua inevitável decadência, mas isso não vai apagar o que está para trás. Continuo a ver praticamente todos os jogos em que ele participa, embora com cada vez menos esperança de voltar a ver as maravilhas a que ele nos habituou. Ele merece por enquanto, pelo menos, esse benefício da dúvida. O episódio da braçadeira é uma gota de água no oceano da sua carreira e eu sinto-me muito feliz por ter tido a oportunidade de ver na televisão, sobretudo, mas também ao vivo, aquele que para mim é o melhor jogador do mundo de todos os tempos.

  4. Não tenho visto ninguém tentar interpretar o gesto de Ronaldo. Como capitão, ele pode conversar com o árbitro em seu nome e da sua equipa, caso algum conflito surja. Quando o Ronaldo sustentou que tinha marcado um golo legítimo, que dava a vitória a Portugal, estava ou não a exercer a sua legítima função de capitão? O árbitro entendeu que não e mostrou-lhe o cartão amarelo. Ronaldo entendeu isso como um desrespeito da sua função de capitão e tirou a braçadeira. Lançou-a depois para o chão, o que me parece que já foi escusado. De qualquer maneira, como aí alguém diz, a braçadeira não é um símbolo nacional nem um objecto sagrado.

    No fim do jogo, o árbitro, depois de ter tirado a vitória a Portugal sem poder ter a certeza de que estava a decidir correctamente, reconheceu o erro da sua equipa de arbitragem e foi pedir desculpa (não ao Ronaldo, mas ao treinador). Como oficialmente não havia VAR, o árbitro só pode ter reconhecido o seu erro porque alguém dentro do estádio que viu o lance lho disse ou porque ele próprio reviu num monitor dentro do estádio o lance do golo que nós vimos em nossa casa. Quer dizer: o árbitro constatou, tarde e a más horas, usando meios que existiam dentro do estádio, aquilo que um VAR teria constatado atempadamente se oficialmente existisse um VAR . Tudo isto me parece bizarro nos tempos que correm.

  5. Francisco Ribeiro, ok.
    __

    Carlos Antunes, a braçadeira de capitão da selecção da Federação Portuguesa de Futebol é símbolo da selecção da Federação Portuguesa de Futebol. A partir daqui, cada um tira as suas ilações.
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    Mário, assino por baixo quase todas as tuas palavras.
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    Júlio, até por não haver VAR, a atitude de Ronaldo foi especialmente perniciosa. Com VAR, a intensidade do seu protesto iria contribuir para que se revisse o lance. Sem VAR, o árbitro estava obrigado a sancionar disciplinarmente o jogador considerando que este tinha abusado mesmo sendo capitão (ou por causa de ser capitão, no que tal função aumenta a responsabilidade do jogador que tem a obrigação de servir de exemplo de boa conduta).

  6. a equipe de arbitragem deveria ser investigada para saber se recebeu compensação pelo benefício aos sérvios e o fernando santos devia meter uma ação de indemnização pelo prejuízo. assim é só nacional porreirismo dos otários do costume que não fazem ondas na esperança duma atençãozinha no futuro.

  7. “… a responsabilidade do jogador que tem a obrigação de servir de exemplo de boa conduta…”

    dass… a responsabilidade dos jogadores é meter golos. exemplos de boa conduta nem a júlia andrius educada num convento de salesburgo que acabou a foder com o patrão.

  8. Esxrevi a reflexão abaixo no dia seguinte ao episódio. Espero que poss ser um contributo:

    Pés de merda
    Titula hoje na primeira página o jornal desportivo “O Jogo” que o estatuto de Ronaldo não sai beliscado depois do lindo gesto que teve na última partida de futebol em representação da seleção nacional. A princípio, concordei, visto a atitude só confirmar o estatuto de um jogador de futebol mal-educado, mesquinho e vigarista, como é o caso de Cristiano Ronaldo.
    No entanto, percebi depois não ser essa a intenção das gordas de “O Jogo” ou, para esse efeito, da maioria da comunicação social portuguesa e dos respetivos paineleiros de serviço. O que Ronaldo fez é absolutamente inadmissível e, tivesse sido outro o jogador a cometer esse ato, provavelmente nunca mais seria convocado.
    Todavia, para mim, a atitude de Ronaldo, um mau-caráter certificado, não veio com qualquer surpresa. Desde os primórdios da sua carreira e acesso ao estrelato, que Ronaldo é reincidente nos seus comportamentos. Assim, já no mundial de 2010, quando a seleção foi eliminada, Ronaldo respondeu aos jornalistas, ao ser questionado sobre o fiasco, o seguinte: “Perguntem ao Queiróz!”, numa inteira desresponsabilização de si mesmo e num ataque soez àquele que era, então, o selecionador e, para todos os efeitos, o seu superior direto. Ronaldo seguiu com a sua carreira de vedeta parola e Queiróz teve de ir tratar da vida para outras latitudes.
    Mais tarde e fora do campo, Ronaldo teve a atitude surreal de comprar filhos a uma ou mais senhoras norte-americanas, obrigando-as contratualmente a jamais contactarem os seus próprios filhos biológicos, em simultâneo privando estes da sua mãe/mães naturais. Ainda antes, haviam feito as delícias dos tabloides britânicos histórias de orgias e, muito mais grave, alegações de violação sexual envolvendo o então menino prodígio do Manchester United. O caso caiu, por ser falso ou, possivelmente, ter sido alvo de acordo extrajudicial, algo que permanece por esclarecer.
    Com o tempo, tornou-se igualmente pública outra faceta de Ronaldo, a de um corrupto condenado pela justiça espanhola por um crime que levaria qualquer espanhol comum para trás das grades em menos de um ui. Soube-se que Ronaldo, então já multimilionário, tinha esquemas organizados para fugir ao pagamento de impostos e que só se safou mediante o pagamento dos mesmos e de multas chorudas. Na sequência, foi também dado o conhecer o Cristiano Ronaldo egoísta e ingrato. O Cristiano Ronaldo que (quando a terra que lhe dedicou um aeroporto, busto, museu e estátua a condizer em vida) foi assolada por uma catástrofe natural, recebeu do jogador a seguinte solidariedade: zero, nem declarações nem donativos.
    Porém, há também o caso do Ronaldo oportunista, o mesmo que faz visitas acompanhado de televisões a meninos com cancro em fase terminal e a quem foi vendida a ideia de que Ronaldo é um herói; que o futebol, à semelhança dos jogos de gladiadores de antanho, é o verdadeiro palco dos heróis.
    Voltando à má educação de Ronaldo, há a registar ainda a atitude que teve na final do Europeu de futebol de 2016. Nesse jogo épico, que Portugal venceu (provavelmente porque Ronaldo abandonou a partida cedo, por alegada “lesão”) a prima-donna não se conteve e, no último terço do desafio, “substituiu-se” ao treinador legítimo, um patarata chamado Fernando Santos. Isto em flagrante violação dos regulamentos da UEFA e do respeito que deve ao seu papel enquanto jogador de futebol (imagine-se que virava moda). Consequentemente, usurpou de forma declarada o protagonismo e a glória dos seus companheiros, aqueles que realmente ganharam essa partida.
    Agora, sucedeu o que sucedeu, irritado com uma decisão, abandonou o campo antes do apito final sem água vem nem água vai (o que só por si seria para qualquer outro uma suspensão imediata de 4 ou 5 jogos) e, não contente, atirou a braçadeira da seleção de Portugal ao chão. Sem que conste que, entretanto, de alguma forma ou por qualquer meio, tenha justificado as suas ações ou tenha pedido desculpa pelas mesmas.
    Num país digno, ou melhor, num país que tivesse uma federação de futebol digna, Ronaldo nunca mais seria convocado. Tal não sucede por um único motivo, Ronaldo é um símbolo, um símbolo de decadência moral e de corrupção.

  9. Oh Valupi
    Por mais que queira, símbolos nacionais são apenas os que constam do artigo 11.º da Constituição.
    «Símbolos nacionais e língua oficial
    1. A Bandeira Nacional, símbolo da soberania da República, da independência, unidade e integridade de Portugal, é a adotada pela República instaurada pela Revolução de 5 de Outubro de 1910.
    2. O Hino Nacional é A Portuguesa.
    3. A língua oficial é o Português.»
    Por mais que vasculhe, não consigo descortinar qual a lei onde a a braçadeira de capitão da selecção é considerada como símbolo nacional!!!
    SL

  10. Concordo com o que dizes, Val, acerca de não haver VAR e de que o Ronaldo devia ter tomado isso em consideração. Mas continuo a achar que o árbitro, precisamente por não haver VAR, deveria ter sido mais cauteloso e tolerante para com o protesto do capitão, até porque corria o risco de ter de pedir desculpa, como aconteceu.
    Acho sobretudo muito bizarro que não haja VAR nestes jogos internacionais, quando os jogadores já se habituaram a ele no dia a dia e quando há dentro do estádio os meios de averiguação de que o VAR se serve e de que o árbitro se serviu no fim do jogo.
    Tentar interpretar a reacção do Ronaldo não é o mesmo que achá-la legítima. Posso graduar a minha reprovação do gesto de Ronaldo se a compreender bem.
    Quanto à braçadeira, não é a braçadeira da selecção nem da FPF, é a braçadeira do capitão, neste caso o Ronaldo.

  11. Carlos Antunes, a ideia de que a braçadeira de capitão da selecção é um símbolo nacional foste tu que a trouxeste.

    Porém, como insistes, diria que os símbolos nacionais não se esgotam no texto da Constituição. Por exemplo, o Galo de Barcelos é um símbolo nacional, e dos mais populares, e não aparece na tua listagem.
    __

    Júlio, sem dúvida, o VAR fez-se especialmente para estas situações de golos mal anulados. É bizarro não se aplicar no apuramento para o Mundial.

    O árbitro tinha de confiar no fiscal-de-linha, dada o ângulo de visão respectivo, e este não considerou ter entrado (o que se aceita como algo possível pela rapidez dos movimentos e proximidade à linha de golo). A partir daqui, seria impossível ao fiscal-de-linha mudar de opinião só porque um jogador, mesmo que se chamasse Cristiano Ronaldo, fosse gritar para cima dele com cara de mau. É simples e é o essencial do episódio. O golo jamais teria sido marcado, fizesse o Ronaldo o que fizesse. Donde, o que ele acrescentou à situação foi pura e absolutamente negativo.

    Eu também compreendo a reacção de frustração dele. É exactamente por isso que a critico e acho inadmissível por tudo que ele já foi, é e representa.

  12. “O árbitro tinha de confiar no fiscal-de-linha, dada o ângulo de visão respectivo, e este não considerou ter entrado (o que se aceita como algo possível pela rapidez dos movimentos e proximidade à linha de golo).”

    nem percebo porque é que foram rever o filme se não aceitam reclamações. o filme deveria ser destruído e quem insistisse no erro da arbitragem punido até ao degredo e expulso do campeonato. vendo bem a coisa, nem há motivo para haver jogo, basta alinhar as equipas e o gajo do apito decide quem ganha. o que se poupava nas sinergias do ritual dava créditos de carbono para mais uma refinaria tipo sines.

  13. Val, os gestos excessivos do Ronaldo, 1.º tirar a braçadeira, 2.º atirá-la ao chão, foram uma reacção não ao facto de a equipa de arbitragem não ter visto o golo, mas sim ao facto de o seu protesto ter sido tratado pelo árbitro como um mero acto de indisciplina e punido com um cartão.
    O árbitro, não podendo ter a certeza de que a bola não entrou na baliza, deveria ter tido a paciência de explicar ao Ronaldo que a equipa de arbitragem não viu o golo, o qual mudava o resultado do jogo a segundos do fim. Dirás que não era preciso explicar isso, porque se o árbitro não assinalou o golo, é porque, logicamente, nem ele nem o fiscal de linha o viram. Todos sabemos porém que, na prática, essas coisas não são tão simples e lineares, porque se está a lidar com pessoas e num momento particularmente emotivo. Quero crer que se o árbitro tivesse pacientemente dado essa explicação “desnecessária” , fazendo ver ao Ronaldo que lhe era impossível assinalar golo, ele teria reagido diferentemente.
    Dizes também que protestar não adianta, porque sem VAR o árbitro não muda a decisão. Ok, mas qual é o jogador que fica impassível perante uma situação daquelas? Não conheço nenhum. Tenho visto reacções piores, com uma equipa inteira a cercar o árbitro, etc, etc. A um profissional de arbitragem não basta conhecer as regras, também precisa de saber lidar com pessoas em situações dúbias e emotivas como esta. Este árbitro não agiu bem, a meu ver, apesar de as reações do Ronaldo terem infringido as regras de disciplina do futebol.

  14. ó rosnaldo, fora o árbitro que é ladrão? Isso é que era, como antigamente, recordas? Uma boa invasão de campo, pitons de alumínio reforçado, uns bons slogans, pastilhas, porrada neles, folgo em perceber que és dos que acham que o futebol não é um jogo de meninas.
    Desculpe Valupi, não resisti. ^_^

  15. Oh Valupi
    Por amor de Deus, a braçadeira de capitão da selecção nacional equiparada ao galo de Barcelos!
    Então e já agora porque não é símbolo nacional também o boneco das Caldas do Rafael Bordalo Pinheiro?
    Da próxima vez que o Cristiano Ronaldo envergar a braçadeira, sugiro à Federação Portuguesa de Futebol que insira na mesma os símbolos nacionais do galo de Barcelos e do “manguito” das Caldas.
    Assim da próxima vez que o árbitro anular um golo limpo ao CR7, este em vez de atirar a braçadeira para o chão, limita-se a mostrá-la fazendo o “manguito” ao árbitro e mostrar a nossa superioridade nacional ínsita no galo de Barcelos.
    SL

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