A árvore e a floresta

A perseguição a Sócrates, o desejo infrene de ver a sua cabeça exibida numa travessa aos convivas do banquete oligárquico, tem sido o principal – para muitos, exclusivo – alento da elite nacional que já leva 6 anos de achincalhamento. Nessa afã, contam com a aliança do racismo ideológico do PCP e BE, para quem os únicos socialistas bons são os socialistas derrotados.

Se, até 2005, alguém dissesse que um dia apareceria um primeiro-ministro reformista a conseguir congregar, por igual, o ódio da CGTP e do Belmiro, dos professores e do Soares dos Santos, de jornalistas e de magistrados, receberia gargalhadas de desprezo e seria tratado como um maluquinho. Em Portugal esse primeiro-ministro imaginado teria um fim inevitável, fulminante, esmagado sem piedade pelos poderes fácticos e adjectivos. O absurdo de pensar que um português qualquer ousaria enfrentar a nossa colectiva e secular fatalidade não passava de um topos de publicistas especializados em descrever as misérias que lhes inspiram o verbo. O medo de existir, a não inscrição do que se repetia clandestinamente ou que a própria subjectividade reprimia, atingiu o cúmulo com a fuga de Barroso e o circo de Santana. A maioria dada ao PS foi um pedido de socorro sem destino conhecido.

Um dia se farão estas contas com fôlego e detalhe. Estar dentro da floresta não deixa ver certos tipos únicos de árvore.

12 thoughts on “A árvore e a floresta”

  1. Se perder, no dia 05-06.2011, é Portugal que perde. E muito.Penso que será o fim da era pos-25 Abril. Mas ao dizer isto estou a ser optimista, porque esta gente que pode vir a aceder ao poder é tão rasteira, que não lhe reconheço capacidade para construir seja o que for. Poderão ser quatro anos a destruir o que se tinha construido em seis, dividindo os despojos entre os que abandalharam e roubaram o BCP, o BPN e o BPP etc.

  2. Efectivamente, nunca tivemos um Primeiro-Ministro tão estúpido no afã de crispar a sociedade, dividir para reinar, amesquinhar todas as formas de pensar e contribuir para Portugal, mentindo por sistema e sem se rir na direcção inversa dos próprios actos, apropirando-se do Poder como berloque pessoal e intransmissível, mas para esse balanço não necessitamos de esperar por um longínquo dia. Basta-nos o próximo dia cinco.

  3. Caro Val,
    ainda não deveremos ter visto tudo.
    O silêncio que se seguiu ontem ao debate é sintomático. Estão a contar-se espingardas de um e outro lado.
    O discurso de Sócrates, embora verdadeiro, não pode ser o leimotiv da campanha pois corre o risco de se tornar vazio e desinteressante.
    Sócrates só existirá se conseguir que os portugueses entendam que não é tempo de aventuras, experimentalismos ou teorias económicas.
    Deverá não ter medo de ser mais incisivo, dizer quais são os benefícios que teremos e os prejuízos também.
    Falar sobre a justiça, segurança, indústrias que deverão transformar-se, mercados a explorar, o que privatizará e de que maneira, o que manterá sobre a tutela do estado, o que se poderá fazer na saúde, na agricultura, no desenvolvimento harmonioso do território, na descentralização administrativa, nas energias renováveis, desenvolver os temas para que tanto se tem trabalhado, sem medos e de cabeça erguida como já o fez, sem medo dos lóbis e corporações, porque dessas, o zé povo se encrregará de tratar a tempo e modo.

  4. «Se perder, no dia 05-06.2011, é Portugal que perde»
    Como Rui Pedro Soares ou Armando Vara.
    O bloco central na sua margem esquerda.

  5. Temos fome, cada vez mais, de há uns 6 anos para cá. Daí, mesmo correndo o risco de ser muito indigesta, a cabeça de Sócrates numa travessa, já marchava.

  6. Esta imbecil Helena Costa é o mais acabado e abjecto exemplo do que este país pode esperar se, porventura o governo cair nas mãos da direita portuguesa. “A cabeça de Sócrates numa travessa já marchava!”.

    E não se julgue que isto é apenas ironia. Fossem outros os tempos e isto que alguns julgarão uma mera figura de estilo seria a realidade mais nua e crua. Basta-nos recuar ao tempo das Guerras Liberais (D. Miguel e seu irmão D.Pedro)! A direita é, sempre foi e sempre será, a direita! Mas a direita portuguesa tem bem assinalada a sua miserável presença ao longo da História de Portugal.

    Bem precisávamos disto: um estudo comparado entre o que tem sido a direita e a esquerda em Portugal. A ver se aprendemos de uma vez por todas!

  7. Esta besta deste Aniper é besta de mais para perceber uma ironia, quanto mais perceber se sou de direita, centro, esquerda ou anarquista. Muito menos percebe que este Governo nos conduziu ao abismo, e que as suas políticas são de direita. Não, para a besta do Aniper , se o Pm é ou não incompetente ou não, não importa desde que que pertença ao clube, supostamente de esquerda, que é o PS.

  8. Helena Costa, acho que nem vale a pena perder tempo a responder a boys e girls do partido porque pelo tipo de conversa é do que se trata … a cassete é sempre a mesma: incutir medo da direita, qual direita? à qual pertencem eles??? sim, num governo democrático não existe direita nem esquerda, mas sim cidadãos ….. mas esses nem importam, pelo amplo “apoio” aos direitos laborais, que são também direitos universais que é dado!!! a favor da conversa de treta da crise …… e os portugueses estão tão “contentes” …….. por isso é que se vêm na TV manifestações com indianos e paquistaneses …. onde estão os portugueses???????

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