Στρατηγός

Esperei pela última Quadratura para saber qual seria o desfecho do imbróglio em que Costa se meteu por causa das suas críticas à utilização do QREN, tanto a actual como a prevista no Orçamento para 2015. O prognóstico era reservado depois de uma semana em que Poiares Maduro e, em especial, Manuel Castro Almeida saíram vencedores imaculados da contenda. Foi até do secretário de Estado que veio a eficaz analogia da confusão entre quilos e metros que Poiares repetiu ao voltar à carga.

Nesta quinta-feira o assunto foi discutido no programa. Confirmou-se o pior, tendo Lobo Xavier feito aquela que ficará como a mais dura acusação que lançou contra Costa na sua vida, a de ele não estar a ser intelectualmente honesto nem ter a coragem moral para assumir que errou. As imagens registam um António Costa incapaz de anular essa percepção.

Tal como escreveu Ricardo Paes Mamede logo em cima do início do caso – A gaffe de António Costa não é tecnicamente colossal, politicamente… – este assunto passa por entre as gotas da chuva para a quase totalidade dos portugueses que têm mais em que pensar e são alérgicos à complexidade técnica e processual que está aqui em causa. Rapidamente a coisa ficará esquecida. Contudo, para quem não estiver reduzido ao sectarismo ou ao tribalismo, para quem ame a cidade, o episódio é relevante e merece reflexão.

Que Costa é mil vez melhor do que Seguro para os interesses do PS e da democracia e que é o primeiro-ministro de que o País precisa para começar a recuperar a sanidade económica e social vai sem discussão. Não por ser um D. Sebastião, felizmente, mas por ser o que de mais parecido com um Nuno Álvares Pereira nós temos no horizonte dos candidatos a chefe de Governo. De facto, após uma direita que ocupou o poder recorrendo à invasão estrangeira e que se serviu dos estrangeiros para explorar o povo (foi assim, não foi?), está em causa encontrar quem esteja disposto a enfrentar um exército muito mais forte recorrendo à astúcia militar. Costa promete ser esse líder, o embaraço com as contas do QREN levanta dúvidas sobre a sua capacidade.

Um dado biográfico poderá explicar algumas das características mais desconcertantes que ficaram expostas na campanha das primárias. Ele terá dito algures, há anos e anos, que jamais pretenderia ser primeiro-ministro. A ser exacta esta memória, tal poderia dar sentido à displicência com que foi para a disputa com Seguro e a displicência com que tem tratado a conquista do PS. Uma displicência com laivos paradoxais, seja na rapidez e generosidade com que dentro do partido se abraçou a quem o carimbou como corrupto, seja na lentidão em dar ao PS um discurso estratégico que reposicione a oposição, a esquerda e a opinião pública para o período eleitoral já em curso. Não se entende a amoralidade interna e o desconcerto externo, só factores subjectivos poderão explicar tal conduta.

Há vários tipos de líder. Costa é, e o seu currículo o comprova, um líder poderoso e tarimbado. Mas será um general? Ou estaremos perante um tenente? A forma como se lançou numa ataque ao Governo que de imediato se revelou pífio e que de seguida lhe deixa exposto o flanco para investidas do adversário é particularmente grave por ocorrer em matérias onde o seu perfil de estadista está na berlinda. Donde, se acaso se souber mais tenente do que general, o que isso implica é a necessidade de fazer um exercício de humildade que o leve a confiar num estado-maior donde nasça a estratégia. Sem estratégia não há general.

34 thoughts on “Στρατηγός”

  1. o costa disse que a utilização do qren foi menor com base nos fluxos de transferências e o poiares escuda-se em burocracias de tesouraria para dizer que uma coisa não tem a ver com a outra, mas não divulga os montantes investidos. ora porra, assim é fácil ter razão e enganar os parolos do costume.

  2. ah é! então bota aí os valores investidos à pála do qren para comparar ver quem aldraba. ah pois, não é linear, o coiso é fazeado e os numeros não correspondem a anos, tem mais a ver com programas e depois os montantes não significam qualidade e rebéubéubéu, concluíndo não se pode confundir quilos com metros porque nunca se investiu tanto como agora e o tanto, é tanto, que não é quantificável.

  3. “Este post apenas dá ampliação à gaffe! Ainda o vou ver “linkado” nos direitolas do costume.”

    se houvesse alguma gaffe a direita não falava doutra coisa. há para aí umas teses pífias para desviar o assumpto para outro lado e acabar com a conversa, antes que tenham que admitir com estrondo o que o costa disse. depois há uns artistas na área socialista que se põem em bicos de pés para assessorar e outros que ainda não digeriram o trambolhão do tózero.

  4. costa é complexado e, intelectualmente, vulgar. veja-se quem escolheu para líder parlamentar. pedro da silva pereira é um tipo de grande categoria, não sei do que o ps está à espera.

  5. eu li, o medina diz aquilo que todos sabemos, a rapaziada que nos governa, além de mentir, tamém martela os números. acabei do ouvir o mini mendes sobre o assumpto, pegou-lhe com pinças, desvalorizou e atirou para o lado. moral: nem a direita quer falar da coisa, enquanto uns tótós de esquerda vêem vitórias imaculadas da direita com gaffes do costa.

  6. Sempre ouvi dizer que o óptimo por vezes, é inimigo
    do bom! Mesmo que exista uma gaffe, não é caso pa-
    ra lhe dar uma importância tão grande, os ataques a
    António Costa virão de toda a direita e, dos seus co-
    mentadeiros avençados, como aconteceu com o xavier
    e, hoje mesmo, com o ganda nóia que, viu no debate do
    O.E. uma grande vitória do governo e da maioria!
    Eles estão todos borrados, sabem que a pancada vai
    ser grande que, falar do Sócrates já não resulta por isso,
    a campanha vai ser dura e começar com todos os meios
    que possam usar do Estado e muitas promessas a ver
    se a queda não será muito dolorosa! É nesta fase que,
    se deve fazer sentir a Belém que, deve marcar eleições o
    mais cedo possível … já basta de bagunça !!!

  7. Costa. Seguro. Coelho, Portas, nenhum vale um chavo.

    Em Portugal é preciso um terramoto politico, como o que está a suceder em Espanha.

    O Podemos , segundo as sondagens, já é o primeiro partido espanhol.

    E isso sucede , porque a Justiça espanhola combate a corrupção , e os corruptos vão para a prisão.

  8. Não estou a par do que se passa nessa discussão pois apenas ouvia a explicação de A.Costa na quadratura,
    E claro, acredito inteiramente que a explicação dada esteja correta e sobretudo por que é dada por pessoa fiável contra gente que mente, aldraba e mistifica e adultera datas, dados, números e factos para dar a ideia de ter razão aos pacóvios.
    Só isso, a incomparável correção e honestidade de Costa, são para mim garantia de que é incomparavelmente mais admissível ele estar certo quanto é de desconfiar e admitir que os estarolas mentirosos mentem sempre.
    E, nesta discussão, o que é de estranhar é, mais uma vez, o Valupi, tender para ver verdade em seres mentirosos descarados e ver em Costa um político leviano que não estuda os assuntos e, parece, segundo Valupi, não sabe do que fala.
    Será que o síndrome pachecóide anti-Sócrates pegou-se au Valupi como anti-Costa!

  9. Habituemo-nos! Os ataques ao Costa virão de todos os quadrantes, aliás, já não é o primeiro vindo do Valupi. Acredito que o Costa tenha a mesma envergadura que o Sócrates, para os aguentar.

  10. “O fanatismo não é bom conselheiro.”

    ainda pensei que irias explicar em que consistem a gaffe e desonestidade intelectual do costa, já táva a ver o que é que pesava mais nos pratos da balança do oe 2015, se os quilos do costa na pág. 104 ou os metros adicionais do caldas no artº 122, mas não, afinal é fanatismo de quem não acredita em orçamentos de miragem.

  11. ignatz, se tiveres uma ligação à Internet (se não tiveres, não é assim tão difícil conseguires uma, mesmo que emprestada), poderás ver ou rever os dois programas em que Costa fala do QREN e comparares o que foi dito. Se não souberes o que significa o verbo “comparar”, podes recorrer à mesma solução: arranjas uma ligação à Internet e depois consultas um dicionário e esperas sentado, ou deitado no teu caso, até que se faça luz semântica.

  12. ignatz, repara: eu compreendo-te. Tu estás realmente interessado no meu pensamento político. Como dizer… serás um fã. Preocupas-te com as minhas ideias. Tudo bem.

    Mas agora, presta muita atenção: um dia, que não tem de ser já amanhã, tu vais ter de aceitar o facto de não ser quem está à frente do PS, da oposição ou mesmo do Lobo Xavier. Por mais difícil que este exercício te pareça agora, é para o teu bem.

  13. val, deixa-te de onanices e responde ao que perguntei: o investimento do qren aumentou ou diminuiu? depois podemos discutir quem está à frente, ao lado e atrás ou mesmo as histórias do lobinho.

  14. ignatz, se mostrares as fontes donde estás a fazer a pergunta, poderei responder-te. Caso contrário, parto do princípio de que não pescas mesmo nada do que está em causa na questão.

  15. “Caso contrário, parto do princípio de que não pescas mesmo nada do que está em causa na questão.”

    pelos vistos, nem eu, nem ninguém. o marcelo acaba de dizer que ambos, costa e maduro, têm razão e o sócras que o costa está ser vítima de ataques de carácter da direita por ter dito que o qren encolheu. o costa abanou com a realidade das transferências e o maduro acena com as supostas intenções dum governo mentiroso e dum secretário de estado que martela números. tu embarcas nesta merda e dedicas 3.000 caracteres ao carácter do costa, baseado no mamede que engoliu as explicações do gajo que tutela o filme e na qualidade de gajo entendido queres que apresente fontes, olha vai ao oe 2015, pág. 104 vs artº. 122, adicional que deve ter sido metido a martelo para suportar a campanha eleitoral que aí vem.

  16. ignatz, como sou um optimista, vou explicar-te o caso para que possas adormecer sem esta questão a latejar-te na moleirinha:

    – Costa fez um ataque ao Governo que consistiu em dizer que o Orçamento para 2015 exibia uma redução de 50% no investimento de dinheiros do QREN face a 2014, e que daí viriam graves consequências para as contas públicas e para o emprego.

    – O Governo respondeu que os dados onde ele se baseou para esse ataque eram incompletos dado que o Governo investe mais do que aquilo que vem nos Orçamentos relativo ao QREN, sendo que esse dinheiro chega mais tarde.

    – O Governo também chamou a atenção para o erro de Costa, pois a redução nos valores citados não era de 50% mas de menos de 30%.

    – O Governo também chamou a atenção para o facto de Portugal liderar a aplicação do QREN na Europa e para o facto de só no final de 2015 acabar o calendário para o programa, estando ele neste momento acima dos 80% e sendo certo que chegará aos 100% (palavras do Governo).

    – Finalmente, o Governo aproveitou para zurzir em Sócrates à pala desta questão.

    – Perante isto, Costa repetiu e adaptou o que tinha dito, chegando ao ponto de não assumir que se tinha referido a um corte de 50% para 2015.

    – Resultado: Costa perdeu no confronto com o Governo, um confronto que ele iniciou e sendo o que de mais notável disse desde que ganhou as primárias.

    Pronto. No caso de continuares sem conseguir adormecer, leitinho quente é a receita.

  17. Proposta:
    Seria muito interessante que a Isabel Moreira, deputada do PS e postante neste blog, que certamente conhece todos os pontos dos ii sobre este assunto, viesse aqui informar os comentadores qual é a verdade dos factos.
    Valupi, como disputante do lado do governo, desagradado certamente, teria todo interesse no cabal esclarecimento dos números e de que lado está a razão.
    Vamos a isso?
    dirimir esta querela com yirar-nos explicar-nos

  18. josé neves, a questão não é só de números, embora por aí Costa não tenha defesa. A questão é de previsões de execução. E a questão é política, nesse sentido em que Costa permitiu ao Governo uma vitória inesperada no que à percepção pública concerne.

  19. a questão é mesmo números, que não batem certo e que o governo disfarça com intenções de fazer lá mais para a frente. a questão política é o carácter do costa, argumento habitual da direita quando leva na tromba e que neste caso tem como seguidores os visionários tridimensionais que querem derrubar o próximo governo antes de ser eleito.

  20. Como diria o Guterres, não era de 50% mas de menos de 30%, estando ele neste momento acima dos 80% e sendo certo que chegará aos 100%. Bem é só fazer as contas… Ai Costa, a vida costa.!

  21. oh campus, os 30% referem-se a kg ou km? os 80% devem de ser estimativas para 2014 quando comparadas com as previsões para 2015? tudo na base do se deus quiser e a massa não for desviada para a tecnoforma ou pra qrenar a campanha eleitoral do pedrocas.

  22. No caso da investigação científica, o corte de 50% é real e indesmentido pelo governo.

    No entanto, a investigação científica é uma área em que poucos duvidam que o dinheiro tem sido gasto com critério (basta consultar os últimos rankings das universidades portuguesas).

    Mau grado os bons resultados, o governo português aceitou as condições impostas pela ESF (European Science Foundation) que determinam um corte de 50% do financiamento à ciência.

  23. “Esperei pela última Quadratura para saber qual seria o desfecho do imbróglio em que Costa se meteu por causa das suas críticas à utilização do QREN, tanto a actual como a prevista no Orçamento para 2015.”

    pois é, se tens esperado pela sessão seguinte, vias o imaculado levar no qren a toda força. mas parece que a festa ainda não acabou, ouvi dizer que além de números martelados, há tamém umas utilizações indevidas e uns reembolsos endossados para o próximo governo.

    https://www.youtube.com/watch?v=PVAqqI30kMI

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