Silly me, não percebo nada do lifestyle

À gaja que se preze já não basta vestir bem: tem que ser fashion. Sem guarda-roupa anglófono não vai lá. Para um look adequado há obrigatoriedades que são um must.
Nesta saison, perdão!, season, que o espaço das tradicionais franco fonias se cinge à couture, as calças são skinny, os camisolões chunky, as saias pencil. Nas malhas, impera o cardigan (de sotaque inglês, presumo). E ainda não passei das primeiras páginas. Compreendo que a compra de revistas fenininas seja actualmente pautada pelo jeito que der o saco, o cinto, ou as sabrinas do brinde.

73 thoughts on “Silly me, não percebo nada do lifestyle”

  1. Pois, aí está o problema: puseste-te a ler :-) Mas atenção, sei o que são sabrinas (uf! Não sou assim tão ignorante). A minha única fashionada deste Inverno foi o capricho em arranjar um casaco absolutamente berrante xadrez preto e branco. claudia in jail, jesus.

  2. achas que é o anglófono? a França continua a dominar a moda. Mas, estivesse eu na saison e com money para tal, quem vestia Galliano, sei eu. É mesmo algo que me agrada muito- a dita fashion. O que acabou no cinema subsiste nela. Até as estrelas, que deixaram de existir no cinema, trocadas pela representação, estão hoje em dia na passerelle.

    “:O))

    Há estilistas geniais, hoje em dia. E os chinocas estão a passar a perna a toda a gente. As miudinhas mais bem-vestidas do mundo são as chinezitas.

  3. pois sim, isabela, mas o josé castelo branco tem um sotaque de merda. :D

    claudia, oops.

    zazie, estava mais a ver-te de vivienne westwood. quanto ao domínio da frança, estarás a falar na couture. a fashion é mais street wise, hehehe.
    as estrelas do cinema tinham um olhar mais glamour, tem lá paciência.
    o oriente sempre soube fazer peças de vestuário, grande verdade. adolescente, nos anos 80, gostava imenso do yohji yamamoto e depois do miyake, primeiro designer de moda a ter uma peça num museu de arte contemporânea, e de quem tenho algumas estimadas peças. coisas chinesas de agora encontras algumas no e-bay.

    e pois, não era questão de moda, mas sim de linguagem. ;)

  4. “Romeo and Juliet”, William Shakespeare, Londres, Oxford Press
    Dois adolescentes com problemas mentais apaixonam-se, mas as famílias proibem o namoro, não vá ela engravidar e pôr outro monga no mundo. Dá-se início a uma guerra entre famílias, começando a haver mortes. Quem salva a região é um padre que dá a beber aos dois deficientes mentais um sumo, dizendo-lhes que é de laranja. Eles bebem e morrem. Era veneno

  5. narciso, hum…?

    :D :D, mana! não, era mesmo numa revista portuga. mas mais adiante também encontrei uma referência à allure parisience – a propósito de couture, voila…

  6. hahahahahahaha! ó fernando, sempre escrevi os posts com caixas altas! nos comentários é que não me dou ao trabalho de carregar no «shift»…

  7. … ou será que estás a falar do título? só agora reparei. degenerescência, sim…

    espera… espera. já o tinha feito antes. em A maravilha do cesto, pelo menos. por vezes distraio-me. e há outro inteiramente caixaltado, mas isso não conta.

  8. Só espero é que percebam que isto tudo é para pagar o avião a jacto do dono da marca xpto , e que se são feias , feias ficaraõ; e são bonitas não precisam de nada destas cenas(os gajos nem reparam). Limpinhas , cheirosas , nuas , e está o prato preferido servido.Ou seja , sabonete e cabide chega para o que queremos , eh , eh.

    Ps) têm para aí um link para um site de lìngua galega que não tem nada a ver com aquela em que o Manuel Rivas escreve , ou o Suso del Toro , ou a Rosalia, ou Castelao. O galego tem uma musicalidade e um mistério que não estou disposta a perder para um português atravessado. Uma aventura ler em galego( sempre com dicionário ao lado) sem semelhanças ao portuguès ou ao castelhano, pela qual estou disposta a lutar.

  9. Vivienne Westwood ??? eu?? fónix, dou esse ar folk? é que nem pó, detesto moda hippie
    “:O)))

    Claro que as estrelas tinham mais glamour. Mas as estrelas acabaram, agora só há actrizes, por isso é que a passarelle é o último refúgio do que subsiste do star sistem.
    Mas as chinoquitas são mesmo as miúdas que vestem com mais pinta. também têm aquele tipo de corpo magro e um tanto andrógino que ajuda.

    Agora Westwood é que me deu vontade de rir. Eu com ar de fazendeira dos anos 60
    “:O)))

  10. mfm, que ingenuidade a sua pensar que as mulheres gostam de trapos para os homens. ;) Nós estamos carecas de saber o que a rapaziada aprecia. Nada disso, nós gostamos mesmo é de ser/estar mais giras e mais elegantes do que as outras! Mai nada!

    Quanto ao feias/feias ficarão, oh nada mais errado…aliás há aquele ditado conhecido “deitar-se com a princesa de contos de fadas e acordar ao lado da bruxa má” :D

  11. zazie, nem sempre a westwood é assim, como vês pelo link da catarina. e estava a ir mais pelo lado excêntrico.

    mfm, estás completamente enganada. é óbvio que umas calças skinny assentam muito melhor que umas calças justas e que um camisolão chunky favorece mais que um camisolão… camisolão. desculpa lá mas não percebes nada disto, que é muito à frente, quero dizer way ahead. andas um bocado out.
    e eu também luto diariamente pela minha língua preferida, nisso fazes muito bem.

    mana, se reparares, a mfm é A mfm, deve saber essas coisas. a parte entre aspas não tem bem a ver com a roupa, por outro lado… ;)

    fernando, estou-te muito grata pelo contributo masculino aos comentários a este post. foste um valente em meteres-te neste vestiário. é verdade que já cá tinha passado o narciso, mas esse tinha-se enganado na porta.

  12. éh, não imaginava nada a Vivivenne com estas coisas. Eu não falei de mim, do que visto, mas é claro que o estilo folk nunca. Não visto nada de especial- umas coisas Diesel, outras Replay, com mistura de pequenos nadas de estilista. Nem se nota, é mesmo para não se notar, excepto as doc martens que são marca da casa e super-confortáveis.
    E não sou nada “excêntrica”- devia notar-se isso pelo template do blogue que até é mais Calvin Klein “;O)

    Mas gosto muito do Galliano. Se fosse o caso de escolher era mesmo para ele que ia. E o mesmo se aplica aos homens. O sacana do Galliano é o gay mais criativo do mundo. E é cinéfilo. Acho que é devido a essa mistura cinéfila e latino-saxónica que o curto muito.

    Mas fizeste-me pensar no Roland Barthes, que nunca mais voltei a ler. O sistema da moda deixou-me memórias esbatidas mas bem curiosas. Uma delas a diferença entre estilo e moda. Ele era um retórico com muita intuição.

  13. Não estou é de acordo com a Catarina quando ela diz que não ligamos nada aos trapos para os homens. Fónix, se há coisa que sempre gostei de ver é um homem bem-vestido (seja lá qual for o estilo). Bem vestido, bem calçado e modo de andar, são como o “chapéu que faz o homem”.
    Não me digas que não… E gosto tanto que até me esqueço que pode parecer outra coisa e fico a apreciar. Aconteceu-me uma vez na BNF com um rapaz que estava ao balcão. O sacana do franciú tinha uma camisa branca mais bonita, com um corte e uma gola, e um tecido antigo, que fiquei com vontade de lha roubar. Ia sempre entregar os livros ao balcão onde ele estava para olhar para aquela maravilha de “popeline”

    “:O)))

  14. Zazie, nem ligues, eu cada vez escrevo mais com os pés, o que queria dizer era que não nos “metemos giras” para a rapaziada, porque me pareceu que A (afinal é uma “a”) mfm apontava para a ideologia do trapo dedicado ao homem ser inútil, já que lhe bastava água, sabonete e pele nua. Eu, quando um gajo me quer só porque cheiro bem e estou nua, acho pouco…mas adiante que o tema não é esse.

    Eu também gosto deles bem vestidos, mas sinceramente o que gosto mesmo é que não estejam mal vestidos. Mas, sim, eles de vez em quando usam coisas que apetece mesmo roubar (ficavam muitoooooooo melhor em nós, não achas? ;))

    Mana, obrigada pelo esclarecimento, engano meu. Achei que era o típico comentário de gajo. Quanto à minha parte entre aspas, não tem a ver com a roupa (embora eu ache que, na sedução, tudo conta), mas tem a ver com a minha percepção do comentário da mfm.

  15. sim, tens razão quanto ao template do blog. és excêntrica na expressão escrita. de resto, o galliano também está pejado de excentricidades. enfim, provavelmente o mesmo terá que ser dito de qualquer coisa coisa inovadora.
    estás a esquecer-te de montanhas de gays muitíssimo criativos… ;)
    sempre achei o barthes um bocado maçador, mas reconheço o que dizes. e como toda a razão na relação que estabeleces, com o exemplo das modas “retro” ou “vintage” a demarcar essa diferença.

    a catarina não dizia que não ligamos ao vestuário dos homens. era que não nos vestimos com o fito do seu apreço, pois eles não ligam aos trapos que vestimos (o que lhes interessa é o que está por baixo), mas sim para andarmos mais bem vestidas que as outras. claro que não é assim, mas também é claro que a um corpo jeitoso qualquer trapinho assenta bem.

  16. aaaaahhh, v.s levam tudo para o sexo, suas doidonas “:O)))

    Não estava a pensar nos trapos em nós ou neles por causa disso. Às vezes sou mesmo mais é gárgulas

    “:O)))

    Para falar verdade, o andar, sim. O andar é uma marca de água. Agora os trapos nem penso neles por questões de agrado, apenas porque gosto de ver (como diz um amigo meu, sempre cheio de humor negro- “ver ainda vejo”).

    E olha que nunca me lembro de vestir para competir com outras (aliás, nunca competi com ninguém, porque sempre inventei coisas para vestir, por mero gosto de criar). Dizem que era das meninas mais bem-vestidas de Lisboa. Mas tanto usava vestidinhos lindos, feitos em modista e escolhidos a meias por mim e pelo meu pai, como andava de jeans com cinturão de bombeiro e camisa branca do meu avô. É daí que vem o nick.
    “:OP

  17. Mas até aqui na blogosfera já dei comigo, sem querer, a admirar um fato do Paulo Cunha Porto…

    ehehehe
    E isto é para não falar numa gabardina do Paulo Portas com que me passava. Esse sacana, por exemplo, tem um bom gosto que faz favor…

  18. essa agora! não levamos tudo para o sexo, era apenas questão de réplica. :) aliás, como disse a catarina, a tónica estava na sedução.

    também não me visto para competir com as outras, mas porque me apetece vestir isto ou aquilo. por conforto ou por achar que fica giro, indiferentemente, conforme os dias. nunca fui particularmente bem vestida.
    nós também andávamos com umas camisas do meu bisavô, daquelas brancas de popeline, com peitilho. algumas não tinham gola, porque se complementavam com a colocação separada do colarinho (que não usávamos).
    no tempo das modistas e das burdas sempre achei muita piada aos moldes desenhados, com os traçados diferentes/alternativos. tinha graça perceber como o «forro» do corpo era planificado. entender por exemplo o desenho do gancho das calças: quanto mais vazado, maior seria o volume “contornado”.

  19. Susana: se tivesses vivido no tempo do Salazar percebias o que significava “andar bem vestida”. Não havia nada, isto era como a Albânia. Tive as primeiras jeans oferecidas por um americano. Nada disto faz sentido hoje em dia. Mas fazia na altura. Só mais tarde é que apareceu “A Maçã”, na Av,. de Roma, com roupas que a Ana Salazar trazia de Londres, e depois os Profírios, que foram a primeira “Zara” cá da terrinha.

  20. Se ela soubesse o que era uma rapariga não poder andar de calças e ser mesmo proibido levá-las para a escola… Era assim. Por isso é que andar de calções e inventar roupa era mais do que “moda”.

  21. zazie, eu tinha 6 anos quando foi o 25 de abril. na década seguinte ainda era assim. sou do tempo dos sanjo e da era pré-jeans. a minha irmã foi chamada à atenção pelo padre, ainda miúda, por ter ido à missa com um vestido de alças. o meu primeiro blusão de ganga levi’s, que ainda tenho e uso, tive-o aos 14, comprado em nova iorque. bem podes imaginar o sucesso que fazia, naqueles áridos anos 80! :D apareceu a maçã, os porfírios e ainda a casa africana e a migacho em versão mais zara (as outras eram muito caras).
    aos 15 fui viver para londres e toda a gente me encomendava levi’s porque embora já houvesse cá numa loja que não recordo, era só alguns modelos e a preços astronómicos.

    é verdade, quem nasceu nos anos 70 e depois não faz ideia do que isto andou desde então. houve ainda um tempo em que as lois eram os jeans a almejar (e caros!), porque a alternativa eram os old bond jeans, que quando ruçavam ficavam às risquinhas. :)

  22. Que engraçado. Não imaginava que tivesses apanhado isso. E ainda tens o blusão da Levi’s? bem diz o José que a ganga era bem melhor… eheh
    Acredito que tenhas feito sucesso com o blusão, porque me lembro do sucesso que as minhas jeans fizeram e tinha eu uns 11 anitos. Foi um americano que engraçou comigo em Èvora, por entrar na igreja de chapéu e calções, fazendo-me passar por rapaz (era o truque que o pai achava ideal para vizitarmos tudo. O americano devia ser pedófilo (é uma história maluca que só muito mais tarde vim a entender) mas a verdade é que trabalhava em fotografia e prometeu enviar as jeans se os meus pais autorizassem a publicação das fotos da zazie tuga sem metro no Alentejo.

    Tem piada teres recordado a Migacho, já não me lembrava. Lembro-me de uma na Avenida Guerra Junqueiro- a Carochinha. De resto só mesmo mandando fazer ou trazendo de fora. E então os fatos de banho… mas, no meio desse atraso, até se conseguia americanices muito mais antigas que vinham cá parar. Porque no tempo da minha mãe havia roupa bem gira-feita em casa, mas com tecidos excelentes, que hoje em dia já nem existem.

    Agora nos anos 80, achares que eram áridos… ehehe comparados com os 60… “;O))

  23. Mas farto-me de dizer isto e não é para vender nada, é porque é verdade .Ainda assim, fiz o exame da 4ª classe em calções, em pleno salazarismo e numa escola da Câmara. E sempre usei maillot na ginástica. Ganhava as medalhas todas e depois fazia chantagem. E deixavam-me vestir o que queria
    “:O))

  24. Mas a Migacho ainda existe. Estava a pensar noutra, ali ao Chiado, que era da mulher do Taveira e até fechou quando foi da bronca das fotos…

  25. a migacho era na rua ivens, ao chiado, de facto. a marca ainda existe, a loja creio que não. ou não era migacho, essa que estou a lembrar? uma loja pequena, montra à direita da porta, cúbiculos de provas ao fundo do lado esquerdo. mais ou menos por onde é agora a joão esteves de oliveira.
    ainda tenho o tal blusão de ganga e ainda o visto. só não aperta o último botão, porque hoje tenho as ancas mais largas. :)

  26. Era essa, Zazie? A tal da mulher do Taveira?

    A gente sabe o que é ser “bem vestidinha” no tempo da outra senhora. E das modistas e da roupa feita em casa. E de ir a Badajoz e trazer – muito bem escondido – um rimel para a tia. :D

  27. a gardénia não é posterior? e não estarei eu a confundir os porfírios e a migacho, no fim de contas? ai, a memória… podes crer.

  28. O meu ateísmo – já vinha de trás – foi consolidado no dia da missa em alças, lol.

    Mana, os Porfírios eram na Baixa, Rua Augusta, parece-me, a Migacho ali no Chiado, na rua Ivens, se não estou em erro.

  29. ó… a Migacho é coisa nova. Tem loja no Chiado e outra no CC de Alvalade. A Gardénia é antiga, fez apenas um upgrade. A boutique da mulher do Taveira ficava na Rua Ivens, logo à entrada, mas não me lembro do nome E antes dessa havia outra que acho que também era dela, ali na Rua da Conceição.
    Antigos eram os Porfírios. Foi o primeiro pronto-a-vestir pop que por cá apareceu. Até davam uns bonecos da guarda inglesa quando se juntava um determinado valor em compras. Ainda tenho um não sei onde

    “;O)

  30. Mas é impossível confundir os Porfírios com a Migacho porque os Porfírios apareceu no início dos anos 70 e a migacho é filha da democracia. E é apenas uma lojita pequena. Os porfírios é que eram grandes, com vários andares e decoração toda alternativa, até para os nossos dias.

  31. já sei! os porfírios na baixa, claro! havia uma parede com uma abertura em círculo, aquilo era muito espaço 1999, mas cromaticamente pop (enfim, com algum exagero). e havia uma migacho na rua ivens, zazie, anterior a essas que referes. filha da democracia, sim, mas do final dos anos 70. nem sei se não seria essa a da mulher do taveira, porque de facto às tantas fechou e só algum tempo depois apareceram essas tais.
    a gardénia vendia chapéus, mas entretanto no início ou a meio dos anos 80 passou a vender roupa e sapatos avant garde.
    agora estava a lembrar-me de um fenómeno dessa época, as lojas de roupa que nasciam da actividade lateral de contrabando de alguns comissários e hospedeiras da tap. :D e por vezes havia vendas privadas, ia-se a casa de não sei quem que tinha uma amiga cuja prima tinha trazido biquinis do brasil, etc. e alguém se lembra do frenesi que eram os saldos da loja das meias, no rossio?

  32. Exacto. Os porfírios tinham aquele logotipo em forma de alvo a preto e branco. Agora Migacho na rua Ivens não. A Migacho apareceu no CC de Alvalade, depois abriu no Chiado, e depois no CC Colombo. A da rua Ivens era a tal da mulher do Taveira. Comprei lá muita coisa. E havia ainda outra, mais antiga, na Rua da Conceição- essa sim, é que foi uma boutique mais in, já depois do 25 de Abril. Mas em Cascais existiam boas boutiques numa espécie de Centro Comercial (o mais antigo) ainda nos anos 70- na Primavera Marcelista- Era aí que funcionava uma delegação dos gelados Santini e a livraria Galileu, que foi o centro hippie onde se juntava a malta. A mesma do festival de jaz dos Salesianos. E no Estoril, mesmo no túnel que ia dar à praia, também havia uma loja que vendia coisas como hoje- com esta massficação. até já nem se vende.
    Por isso é que acho que v.s estão a confundir. Nos final dos anos 80 até houve muito mais lojas de marca por cá. Tudo isso acabou. Agora tens meia dúzia na Avenida da Liberdade. Mas desapareceram as boutitques de marca como as que havia no Cc da Av. de Roma, no do Monumental e por aí fora. Até este último do “Amo Lisboa” ou como é que se chamava, ali à saída da estação do metro-Chiado, fechou. E era bem giro.

  33. Aliás, até as marcas mudaram para pior. A tendência para a massificação é geral. A Spirit que já teve coisas de muita qualidade e peças praticamente únicas, está transformada numa “Mango”. A que existiu cá, no CC do Monumental, tinha coisas espantosas. O mesmo se passa com a Pepe Jeans- degenerou. E mesmo em Londres há cada vez menos boutiques de estilistas para classe média. Agora tens os extremos- a passerelle e o pronto-a-vestir massificado. Em Paris, no Marais, é que ainda se encontra esse intermediário. Mas em Londres só consegues a diferença pelo preço. Se fores à Diesel na Bond Street, pagas uma pipa mas ainda encontras coisas que valem a pena. Se fores para a da Chinatown, é mais do mesmo.

  34. zazie, vais ver que ainda somos irmãos neste espaço-tempo complexo ou lá que é. Não eu não percebo disso nada que se pareça contigo, gosto de roupas práticas e bem pensadas, e tenho o guarda-roupa feito para uns anos, do 5 estrelas à terra batida. Acho que havia uma Gardenia maluca ali ao pé da Fnac do Chiado onde eu comprei umas botas Diesel, ainda tenho para ali.

    Hoje tou com espirros e ferroadas, nos olhos, ouvidos, e sei lá que mais, e estou ali muito quentinho, a arder mansinho debaixo de um edredon de penas, o que, como podes imaginar, é atrozmente incorrecto para um raposo, mas como estou com febrinha deixa pra lá.

    deixo-te um kpk

  35. py: também gosto de roupas práticas. Para caçar gárgulas nem podia ser de outra forma. Mas o estilo nonchalant é apenas um estilo, como outro qualquer. E vestir bem não depende do estilo. Também gosto muito de edredons de penas. As melhoras.

    Agora ficou tudo passado foi com a Migacho
    ehehe E eu sou pior que o maradona para estropiar nomes. É que não me consigo lembrar da do Taveira nem da outra da Rua da Conceição.

    miauu…. meninas gatinhas. Tinha de ser, a falarem dos anos 80 como quem fala da Albânia dos 60

    “:O)))

  36. z:

    Já ninguém liga a coisas duráveis. Eu ligo e por isso é que sou esquisita nas “popelines” e nas botas. Não há nada que chegue a umas doc martens. É uma questão de matemática- tudo perfeito nas proporções.

  37. OK ,parece que não percebi o sentido do post. E comentei mal , é evidente. Achei que era uma caricatura de moda.
    E não , não ligo grande coisa a moda. Moda para mim é nada mais que contribuir para o mealheiro de alguém , é algo que não me faz falta. Prefiro controlar outras coisas. E também não me dou com homens que não me levem a jantar lá porque eu já estava em caselas de fato de treino vestido e não me apetece mudar de roupa. Espero que gostem da minha companhia por coisas que não tenham rigurosamente nada a ver com o que me apeteceu vestir.Ou com o que tenho para vestir. Tal e qual como quero ser respeitada pelo que faço e sou ,e não pelo que visto.Ou pelo que posso comprar.
    E tanto me faz vestir camisolão , como licra bem apertadinha. Calças descaídas e largas é que não dispenso. E botas. Conforto, calor, frescura, é o que procuro. Na roupa e na vida.
    E essa história de moda só para satisfação pessoal…Sem ser para mostrar a alguém , homem ou mulher..Não cola.

  38. não, zazie, o que eu dizia era que no princípio dos anos 80 ainda não havia massificação das marcas e era difícil comprar jeans e ténis, por exemplo, para além dos que referi. no fim já não sei, porque não vivia cá. mas lá gatinhas somos nós. :)
    a qualidade, sim. tenho coisas há vinte anos e mais, que ainda visto. reciclo muito, acho que nos ficou dos tempos em que um vestido velho dava umas saias que dois anos depois se transformavam em shorts. mas não costuro, infelizmente.

    mfm, nenhuma crítica à forma como comentou o post, isto foi só uma conversa. quanto ao primeiro, era uma caricatura, sim, mas da linguagem ridícula das revistas de moda. li coisas como «todo um novo conceito de lifestyle» e as outras que usei, isto tudo sem itálicos.
    já na moda, estou-me a borrifar para ela; o mesmo já não será dizer que me borrifo para o que visto. no conforto sou igual, exceptuando no fato de treino, que nem sequer tenho.

  39. eu digo que somos irmãos porque gostamaos muito de rir, e ver as coisas, em cima delas, e despassarados ao mesmo tempo, esquecemos o que não gostamos

    mas quanto às popelines ficam todas para ti, detesto isso desde miúdo que erradiquei desde então, coisas duras e frias a meterem-se pelo meu pescoço nem pensar ; só uso muito algodão, e linho no verão,

    quanto a botas eu gosto mesmo é de sandálias, mas já que tem que ser uso agora umas hi-tec bem pensadas; as outras enganei-me, já fui ver, não são diesel são dkyny ou lá que é

    já estou melhor mas está um nojo dum tempo, tudo pegajoso. Esta coisa das ferroadas costuma dar-me antes da Primavera, se calhar vem já aí, será?

    hoje vou a um museu, ando à caça de um canhão que vi em Diu,

  40. Espero que gostem da minha companhia por coisas que não tenham rigurosamente nada a ver com o que me apeteceu vestir

    mfm: v.s não percebeu um corno desta conversa. Eu não andei para aqui a falar de trapos para efeitos afrodisíacos. Falei deles como se pode falar de tudo o que é bonito. Aprecio roupa do mesmo modo que aprecio arquitectura ou o diabo a 7, por eles próprios, independentemente do uso e do efeito.

    É claro que o uso também conta porque é o que mais próximo está de nós- da nossa personalidade. A arte começou pelo corpo- pelas tatuagens, pelas máscaras- só podia ser assim.
    E nunca falei em preços. Bem pelo contrário. O que disse é que agora, com a massificação da globalização e aproveitamento da mão de obra dos famélicos da terra, até as marcas degeneraram. E só restam alternativas com um fosso cada vez maior entre o muito caro e a treta mal-feita, de má qualidade e toda igual em qualquer parte do mundo. Se não disse era nisto que estava a pensar.

    Quanto a companhias é com cada um. O que eu disse, e é pura verdade, é que vestir bem não é apenas coisa de mulheres. Se quer saber, na minha família há-de ser genético- tão criterioso era o meu pai como a minha mãe e a descendência é igual- é apenas uma questão de olhar estético.

    O resto é mesmo pela qualidade intrínseca às coisas. Toda a gente sabe que a maior parte dos fatos de passerelle são apenas “obras de arte” que nem são para vestir- E é aqui- neste espectáculo criativo que entram alguns estilistas, como o Galliano, que eu considero verdadeiros artistas- tal e qual como se fosse um pintor ou um fotógrafo. Ou mais, até.
    E sim, a moda pode ser para satisfação pessoal e não para agradar aos outros.

    Por acaso sempre foi assim comigo. Sempre me marimbei para agradar ou não agradar e nunca mudei a minha aparência por causa do gosto de ninguém. É mesmo para mim, ou apenas pelo gosto das coisas- como a camisa do franciú bibliotecário. Ou apenas por ser uma forma ecológica que torna a paisagem mais bonita à nossa volta.

    De resto, nada destas conversas são pessoais. Se resvalam para aí, à conta de memórias, os que não entram na conversa, deviam manter-se de fora.

    ………………..
    meninas manas: não estou nada careca- nunca topo essas coisas
    ehehe
    ………………
    py: viste por lá o Paulo Varela Gomes em cima de um canhão?

    ehee

  41. Uma vez conheci um tipo de Filosofia que também me veio com essa conversa marxista do anti-moda e anti-marca e não sei que mais. Crismei-o logo- o filósofo-de-roupa-de-feira. Ainda hoje é assim que toda a malta se refere ao meco

    “:O)))

  42. O que é anormal na moda é outra coisa e era por aí que a conversa podia ter ido se pegássemos no Barthes. A ditadura da saison. Tudo tem de mudar nas colecções Primavera/Verão; Outono/Inverno.

    A isso é que não ligo puto. Por isso é que gosto da qualidade e do que é durável. Só ligo pelo espectáculo e pala imaginação de cada estilista e colecção. Mas nunca ando à moda. O tempo longo é que importa e esse é o estilo- o que faz a nossa cara e se entrosa com a nossa personalidade.

    Mas o mundo em geral deu todo em colecções de saison. A própria política e pacotes fracturantes são isso- como costumo dizer- ditaturas de moda de passerelle para se ganhar votos e mudar o que é natural, o que tem raízes e deve fazer parte da longa duração.

  43. zazie, o que é natural, e tem raízes de longa duração, como as árvores, agora é assim: com estas chuvadas dispararam as raízes finas, aquelas branquinhas, nem queiras saber os milhões de km de mucilagem que andam por aí, e ao crescerem produzem citocininas, que são hormonas que estimulam a divisão celular. Amanhã quando vier o Sol, nos restos de folhas e troncos dá-lhes o quente e uma transpiração, e pela tensão criada, lá vêm fluxos de água titubeantes pelos vasos e traqueídos desobstruídos, desde as raízes, carregados de citocininas, que vão até aos gomos e fica tudo a acordar. Depois, ao rebentarem os gomos, produzem-se auxinas que vão por ali abaixo induzindo a extensão celular dos elementos primários vasculares. O despertar dos ents

    e eu aqui com meio torcicolo colateral, um ramo que lhe tenho de dar um jeito

  44. É verdade, z. Por isso é que a ecologia terá sempre de ser totalitária. Porque há danos que não se refazem nem em gerações, quanto mais numa vida. Tudo o que depende da longa duração não pode (não devia poder) estar sujeito à prosápia e ao capricho humano.

    As melhoras do torcicolo. Devias hibernar. Quando estou adoentada hiberno, sonho muito e depois acordo fina.

  45. obrigado pelos teus votos zazie, eu também queria. Hoje tenho que ir ali, mas depois tomo uma aspirina e um lexotão e catrapum!

    gostava de conversar contigo sobre essa da ecologia totalitária, mas fazemos depois que eu hoje não tenho cabeça

    fica bem

  46. Isto é conversa de gajas.

    E como reparei que o marcador contava 69 comentários, vim aqui mandar uma boca sexista para enfatizar a minha atitude desmancha-prazeres.
    E para desejar um bom ano a todos no Aspirina e à Susana em particular.
    Não em particular no sentido de privado, entenda-se.

  47. shark, compreendo que tenhas achado o marcador muito atraente.
    muito obrigada pela parte que me cabe no todos acrescida à do particular. :)

    rvn, é tubarão amistoso.

  48. estive ali a pensar. Parece-me que tu estás triste porque se vai perder uma tradição dominante do Livro, no nosso caso católica, que servia para nortear e ser secretamente negada. Eu espero bem que sim, voltando ao modelo das árvores tu só tens raiz aprumada, profundante, na juventude da árvore, depois fica lá em baixo como cá em cima a copa, fasciculada, com umas tantas raízonas mestras, como os ramos principais. Chama-se a isso perder o controlo apical. Mas o tronco continua lá, cada vez mais grosso.

    Eu por mim bem queria que regressasse a tradição celta com mais força.

    Depois, como sabes, o profundo das tradições não se perde,

    onde tu vês terrapalagem eu vejo uma paisagem a metamorfosear-se, agora acho que a tradição-mestra vai perder dominância, mas isso aumenta a diversidade do sistema, em princípio é uma boa coisa

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