Um tiranete inseguro, passe a redundância

Ponham Rui Rio a falar mais do que o habitual e fora dos locais habituais e depressa a aura de político social-democrata competente, potencial primeiro-ministro de qualidade, se desvanecerá. É ver nos últimos dias o conjunto das suas declarações. O jornal i traz hoje a súmula das mais recentes. Já há uns dias, quanto a ser candidato a líder do PSD (uma pergunta legítima, dadas as suas recentes posições críticas), disse que “não está para aí virado” – uma expressão com tendência a aproximar-se, com o tempo, de uma tal “sai-lhes do lombo” – e, se alguma vez deu a impressão de contestar o atual governo, desenganem-se. Ele até os compreende. No entanto, apesar de não lhe apetecer entrar em desafios políticos, admitiu que, se as circunstâncias a isso o obrigarem, ponderará a hipótese. Quais circunstâncias? Dados os abusos que têm sido cometidos pelo atual governo e o estado do país, que mais falta? No PS não há eleições à vista, nem possibilidades de desafiar a liderança nos tempos mais próximos sem correr o risco de cindir o partido. Mas no PSD até há. Daqui a um mês e meio.

Ontem, segundo o i, declarou Rui Rio que esta história de as decisões políticas terem que estar dependentes do Tribunal Constitucional deveria acabar. É para ele, presumo eu, um atraso de vida. Minutos depois estava era a referir-se à profusão de providências cautelares a propósito de decisões políticas. Política e justiça não devem misturar-se, acha ele. Ah, mas reconhece que há interação entre as duas no que às funções do Constitucional diz respeito. Uns passos depois e afinal não, era mesmo ao Tribunal Constitucional que se referia. Isto do escrutínio da legalidade não pode ser. E o tempo que se perde? Se calhar, a Constituição deve mesmo ser revista. Mas esperem lá, a que está também não obsta a consensos. E por aí fora, se e enquanto tiver microfone. Ver alguém com fama de atilado perder o fio à meada não é bonito.

Diz ainda coisas bombásticas e anti-partidos, como esta (e cito o jornal): “Os partidos “não põem cá fora o que a sociedade precisa, mas o que os partidos necessitam para funcionar” (podendo ser verdade, faltam exemplos e nomes de partidos). O risco desta crise de regime, diz mesmo Rio, é o de o país cair numa “ditadura sem rosto”, com o regime a “degradar-se lentamente. Sem nos apercebermos vamos perder a democracia e entrar numa ditadura“. Bom, mas isto é devido ao mau funcionamento dos partidos ou ao esmagamento da política pelos interesses financeiros? Já para não falar dos problemas da Europa e dos desequilíbrios de poder, dimensões normalmente esquecidas.

E enigmáticas, como esta: “E apontou mesmo a duas variáveis que estão sob o foco geral: a dívida e o défice, que garante terem aumentado pela incapacidade dos políticos resistirem.” Quais políticos? E resistirem a quê?

Pela amostra, pois, não é difícil imaginar o que seria a sua ascensão à liderança de “um clube maior” do que a cidade do Porto. Refiro-me ao país. Na falta de certezas institucionais e de uma cultura democrática que implica “fair-play”, assim como de ideias sólidas sobre o que pretende para Portugal, depressa este homem descambaria num tirano, bem capaz de começar pela censura, à primeira crítica, como fez na câmara. De facto, o PSD parece só apresentar disto. Disto ou do género de criaturas que se autopromovem idolatrando a cutura Goldman Sachs, talvez porque dá “pedigree“.

14 thoughts on “Um tiranete inseguro, passe a redundância”

  1. É engraçado ver como aqui no aspirina estão todos a ficar nervosos com Rui Rio. Primeiro foi o Valupi, agora a Penélope… sim senhor… dá gosto ver-vos assim a meter os pés pelas mãos a tentar denegrir RR.

  2. Dá desgosto ver alguém capaz e sério, como o Rui Rio, dar mostras tão evidentes de um enorme défice de cultura democrática e cívica – e até de Cultura em geral. Mesmo eu, que o julgava de uma outra “linhagem” relativamente à escória habitual que se pavoneia pela lidrança do PSD, tenho de concluir que o Rui Rio pode, na prática, vir a revelar-se uma tremenda desilusão. Quando não mesmo uma nova desgraça!

    A sua linguagem é confrangedora. Mesmo acreditando sinceramente nas suas boas intenções, incomoda ver tanto disparate condensado nas suas palavras, tanta incoerência entre as suas afirmações e as suas atitudes.

    Não, ninguém está a ficar nervoso com o Rui Rio, excepto do lado do Passos Coelho, dos Relvas e dos Maduros, claro. E sim, o Rui Rio parecia ser a última esperança de regeneração do apodrecido e da alma corrompida do PSD. E pode até vir a ser ele a escorraçar a canalha que hoje nos desgoverna.

    Fica porém é a amarga sensação de que podemos estar a saír da frigideira para entrar para o lume. Ou vice-versa – o que não nos aquece, nem nos arrefece.

    Seria era muito triste ver Rui Rio a prestar-se a fazer de continuador da “obra” de Passos Coelho.

    Talvez ele ainda vá a tempo. Vamos dar-lhe algum crédito e não perder já toda a esperança (digo eu, que nunca votarei no PSD – como, aliás, nunca votarei neste PS/Novo Ciclo de Seguro…).

    Mas os primeiros passinhos de Rio não dão alimento a esta esperança. Digo eu, que não sou pago para dizer nada, como presumo seja ali o “gozãozinho” Soares Pinto.

  3. José Soares Pinto, é engraçado ver como tu estás a ficar todo nervoso com o Aspirina B. Vai na volta nem sequer sabes o que é um blogue e pensas que estás a meter o bestunto nalgum órgão de comunicação social de referência.

  4. Val, por quem sois? Não vale a pena ofender. Sómente defendo o meu ponto de vista. Como sou do Porto acho piada a este sebastianismo em relação ao Rui Rio. Como nunca votei nele porque o acho um mero contabilista com a cultura de uma anémona, parece-me ridículo o nervosismo do psd e dos socialistas anti-seguro. Quanto aos blogues realmente não percebo grande coisa, mas se te sentes incomodado com comentários que não digam ámen ao que tu pensas, é só dizeres.
    Já o Odisseu tem razão em quase tudo o que escreve, pena o última parágrafo um bocado para o alarve.

  5. Obrigado, José Soares Pinto.

    O Odisseu também sabe pedir desculpas, se acaso a presunção “alarve” é injustificada (no meio de tanta falsidade escondida, não é de espantar o engano…).

    Mas olhe lá bem que o seu primeiro comentário e a respectiva linguagem também não são propriamente um exemplo de boa-educação à antiga (não sei se o será, mas à moda do Porto…).

    Mas não se fala mais nisso…

  6. lembro-me de rui rio no parlamento.era o jota trauliteiro de serviço.politicamente é banal.tem a mania que é mais serio do que os outros colegas e adversarios.depois de ver passos coelho a Pm,a sua agenda politica alterou-se por que viu que portugal é um pais de sol ,mar e merda,como tal, acha-se com perfil de estadista para mandar na malta.é o homem das “contas certas”.derreteu dinheiro com as estruturas para os automoveis (o seu sonho de criança era ser uma especie de fangio)e para haver provas, anulou a venda de um terreno no valor de 50milhoes que era vital para montar o circo do circuito. foi deputado pela ultima vez, por obra e graça de filipe meneses,pois não tinha sido escolhido pelos orgaos respectivos.(meneses disse na tv e não foi desmentido) foi presidente de camara porque nenhuma figura de proa se atreveu a concorrer com fernando gomes que o povo penalizou por ter saido para o governo.não é homem de consensos.entrou na camara pela porta do antiportismo,porque sabia que na invicta a soma de boavisteiros, salgueiristas,sportinguistas (so na minha familia somos 10) e benfiquistas, era superior à dos portistas.rui rio,é uma especie de cavaco, e economista sem curricula.é amigo e socio de agostinho branquinho que todos bem conhecemos. por ultimo, uma prece de um agnostico: Deus nos livre deste gajo!

  7. É preciso ser-se um calão de dimensão jumbo, para não conseguir enxergar que Rio e Passos são farinha do mesmo saco.Só alternam nas nuances de pose e meneios.Quanto ao mais, vejamos:Ambos, são pró alemães,incultos e intelectualmente deficitários.No que respeita a conteúdo ideológico,dois sacos de nada em que o que vem á superfície é:prepotência e pensamento único.
    Olhemos com olhos de ver estes dois exemplos:O primeiro,propõe um pacto com o PS,com os pressupostos por ele já definidos.O segundo,gasta parte da sua insignificante existência, a propor consensos ao PS,cuja condição suprema é a aceitação das suas políticas.

  8. nota: pacheco pereira parece que se dá bem com ele,porque rui rio andou durante tres mandatos a sustentar o “fantas porto” local de trabalho da sua mulher.

  9. Vai por aí uma grande algazarra (mesmo euforia) com a putativa candidatura de Rui Rio à liderança do PSD. Lamento não acompanhar esses “sinais de esperança” que muitos vislumbram. Autoritário, convencido e incapaz de construir consensos, Rio assemelha-se muito a Passos Coelho. Se um dia chegar à liderança do PSD e/ou do país, os portugueses vão perceber que ele e Coelho são feitos com farinha do mesmo saco. Odeiam jornalistas que não os adulem, são egocêntricos e o seu conceito de democracia limita-se a exigir que os outros respeitem as suas opiniões.
    Rui Rio soltou esta semana um caudal de verborreia que inundou a comunicação social. Fez bem. Ficámos a saber, entre outras coisas, que também considera o TC um empecilho e depois, com aquele ar de puta ofendida em festa de ricaços, alertou os seus atentos ouvintes para o facto de corrermos o risco de vir a ter uma ditadura sem rosto. Ao ouvir a advertência de Rio, hesitei entre sorrir ou praguejar. Como era possível as pessoas acenarem com a cabeça, em sinal de concordância, e não perceberem que diante dos seus olhos estava o próprio ditador, disfarçado de pomba da Paz? Como é que a Associação 25 de Abril caiu na esparrela de convidar tal personagem?
    Sim, Rui Rio tem razão… corremos o risco de acordar um dia destes e constatar que elegemos um ditador para PM: ele próprio!
    Seria caso para dizer ” na primeira quem quer cai, na segunda só cai quem quer”, não se desse o caso de o povo português gostar de ditadores. Ao contrário do que alguns pensam, o D. Sebastião com que muitos portugueses sonham é um sucessor de Salazar, não é um democrata. Os tugas gostam da chibata e não há nada a fazer.

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