Um povo aberrante?*

“The leaders of Italy and Spain, — the third and fourth largest economies in the euro zone — are demanding relief from the high costs of servicing their debt. Yields on Spanish 10-year bonds are now almost at 7 percent — a level considered unsustainable — and interest rates on Italy’s bonds are not much lower. Monti and Rajoy complain that their countries can not cope with such high yields for much longer. They want the euro rescue fund, the European Stability Mechanism (ESM), to buy up their bonds in order to push down the market rates.”

“Merkel, however, feels that her partners have not yet reached their limit.”

Ah, o drama das taxas! Sócrates tentou fazer o que Monti e Rajoy estão agora a tentar, com as armas que tinha, basicamente conversas/discussões/persuasão. Perante taxas de rendibilidade insustentáveis, pressionar no sentido de uma solução vinda da Europa é e era a única saída para quem está acorrentado ao euro. Teria, eventualmente, sido ouvido e ajudado. Mas, por cá, houve quem entendesse ser melhor mandar a casa abaixo e culpar o herói. Grandes génios.

É adequado lembrar que nem Monti nem Rajoy comungam de ideias próximas do socialismo ou da social-democracia. No entanto, sentem os problemas dos seus países e não veem vantagem nenhuma, nenhuma mesmo, em contrair empréstimos com Troikas e quejandos, muito menos nas condições já conhecidas e no contexto atual. Só mesmo esta conjugação portuguesa de leviandade + sede do pote + experimentalismo faz de nós uma exceção. Que demonstra ser uma aberração.

Aliás, em matéria de aberração:
“One reason why Merkel is so inflexible is that the two houses of the German parliament, the Bundestag and Bundesrat, are due to vote on the ESM and the fiscal pact on Friday afternoon. Merkel is unable to make further concessions in Brussels before these measures are approved, otherwise it could jeopardize the two-thirds majority that she needs to get the legislation through parliament. In the view of those who were hoping for significant progress in Brussels, the timing of the summit is therefore very unfortunate.

Other European leaders are also under intense pressure at home. Italian Prime Minister Monti desperately needs demonstrable results, because the Italian election campaign begins after the summer break and Monti’s predecessor, Silvio Berlusconi, is lurking in the background, apparently plotting his political comeback. Dutch Prime Minister Rutte is opposed to transferring any more power to Brussels, because he is threatened by a rise in left-wing and right-wing euroskeptic populism ahead of elections in September. Meanwhile British Prime Minister David Cameron has already made it clear that Britain will not support the European-level bank supervision proposed by Van Rompuy in his master plan.”

Os líderes já referidos da Itália e da Espanha, além de gostarem dos seus países, sentem também a pressão da população e agem condicionados pelas questões internas (li algures que Monti se demitirá). Não são muito diferentes de Merkel nessa matéria. Todo o seu comportamento, seja na Holanda, na Finlândia, na França, na Grécia, e por aí fora, é ditado principalmente pela situação interna. Os holandeses temem a ascensão dos extremistas de extrema-direita e de extrema-esquerda e a impossibilidade de coligações ao centro, outros temem os populistas, outros temem mais a extrema-direita, os alemães temem o Parlamento e a própria coligação, além do Tribunal Constitucional. E nós? Estes anormais que nos governam não têm ninguém a quem temer! Somos de facto uma aberração.

*Possivelmente um PS aberrante e um PCP ainda mais aberrante.

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