Um bom novo ano num certo país europeu

Se é enternecedor para quem vê, assim, de fora, esta fascinante orquestra, a pobre realidade que tal engenho despertou não deixa de ser triste. Mesmo muito triste para quem, não estando lá, já viu melhor, muito melhor, noutras partes do mundo – boas condições de estudo, bons instrumentos, boas salas de espetáculos, boas carreiras, bons ordenados.

Segundo o recente livro “Porque falham as nações” (de Daron Acemoglu e James A. Robinson), publicado este ano, a razão por que os países não prosperam prende-se com a sua organização política e económica. Esta tese não é obviamente nova, mas é detalhadamente demonstrada pelos autores, sendo o contexto mundial também particularmente propício a questionamentos destes. O desenvolvimento, o crescimento e a distribuição dos escassos recursos nunca foram tão discutidos.

Pode concluir-se, à luz dessa tese, que no país em causa – o Paraguai – têm existido, nas palavras dos autores, instituições extrativas – ou seja – com a missão de sugar o povinho em proveito de poucos e para perpetuação destes mesmos no poder – em vez de uma organização política e económica inclusiva – ou seja, aberta, democrática, com concorrência e com instituições fortes que defendam a propriedade, as liberdades e o direito (nada a ver com comunismo, como se poderia pensar ao mencionar-se a exploração do Zé povinho)? Se a pergunta exigir um sim ou não, a resposta é claramente sim, pode. Dizem-nos os autores que esta é a principal, se não a única, fonte de desenvolvimento e crescimento sustentado dos países. Podendo haver aqui uma abordagem algo simplista e demasiado generalista do mundo (a leitura do livro ainda prossegue), é pelo menos e para já positivo apontar-se uma causa constatável e aparentemente demonstrável e, por consequência, uma solução para um mal que parece eterno. Basta pensar no continente africano (e sim, o colonialismo é obviamente abordado), mas também nas duas Coreias.

Quanto à economia de casino, às jogatanas financeiras e às organizações monetárias que podem provocar a ruína atual de nações aparentemente prósperas, espero, em sentido literal, um dos próximos capítulos. Voltando à falta de meios que o vídeo nos recorda, para onde caminha Portugal no início de 2014? Se é certo que a possibilidade de emigração para a UE e algum assistencialismo de índole caritativa impedem que milhares de pessoas sejam obrigadas a encontrar o que precisam em lixeiras, não é admissível no mundo civilizado em que nos inserimos que deixem de haver subitamente meios de sobrevivência para muitos porque os tais muito poucos andaram a divertir-se com jogos que decididamente não fazem a prosperidade das nações ou porque se criam uniões monetárias que blindam as defesas de apenas alguns membros, se não de um só. A maioria dos portugueses que ficaram no país está hoje mais pobre.

Porque a música é precisa, passaremos a construir instrumentos musicais com latas velhas por razões que não propriamente a reciclagem e a preservação do ambiente?

Um bom ano para todos!

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