Teorias à medida, os alemães sabem como se faz

O alemão Hans Werner Sinn, professor de Economia e Finanças Públicas na Universidade de Munique, presidente do IFO, Instituto de Estudos Económicos, e conselheiro económico do Governo alemão, escreveu no Project Syndicate que o aumento das dívidas dos países da periferia europeia se deve à não aplicação rigorosa do Pacto Orçamental Europeu. Acusa estes países de se preocuparem demasiado com o crescimento e menos com o cumprimento de um pacto – rígido, doa a quem doer (aos outros, claro). Esta posição, cuja base de defesa do interesse alemão já conhecemos, é total e desgraçadamente assimilada, partilhada e posta em prática pelos atuais governantes portugueses. Apesar de algumas vozes críticas que vão surgindo da área da direita quanto ao erro desta interpretação da clivagem atual norte-sul, ou centro-periferia, Passos e companhia continuam fiéis executantes, agradecidos e contentes com a vergasta. E alegremente continuarão a empobrecer e a desqualificar o país.

O alemão não ficou, porém, sem resposta internacional. Na Forbes, Frances Coppola responde-lhe bem, num artigo intitulado “An Economics lesson for Professor Sinn”.

Eis alguns excertos essenciais:

The economics underlying this statement is woefully inadequate. The fiscal contraction required to reduce debt/gdp as required under strict interpretation of the Maastricht rules might be possible if there were robust growth. But the Eurozone periphery does not have robust growth. It has been in a slump for most of the last six years.” (segue-se um gráfico)

[…]
When growth slows, tax revenues fall and benefits bills rise due to higher unemployment, so the government tends to borrow more. Of course, it can respond by raising taxes and cutting benefits, but as the IMF researchers note, that tends to make tax revenues fall and unemployment rise even more. They warn that further fiscal tightening to counteract rising debt/gdp due to fiscal consolidation can result in a damaging deflationary spiral, and they advise fiscal authorities not to set short-term debt/gdp targets in a fiscal consolidation.
But even if government manages to balance its budget despite economic slowdown, debt/gdp will still rise. This is simple arithmetic. Debt is an existing stock, whereas gdp is a measure of current income (a flow). When countries go into recession, gdp falls – but debt doesn’t. Therefore debt/gdp rises simply because the denominator has fallen. I am frankly astonished that Professor Sinn makes no mention of this in his analysis.”

[…]
“The periphery politicians are going for growth because that is the only way they can make their sovereign debt/gdp sustainable over the medium term – and the only way they can contain the social unrest that unrelenting austerity and recession causes. It is of course possible that their actions won’t bring debt/gdp down: the absence of inflation and Germany’s persistent trade surplus don’t exactly help matters, and there are powerful vested interests resisting useful reforms. But what is certain is that without stronger growth, fiscal contraction is likely to increase sovereign debt/gdp levels still further.
However, I’m not so sure that Professor Sinn is really interested in the future health of Eurozone periphery countries anyway. His main worry appears to be the prospect of future bailouts. He would do well to remember that much of the bailout money so far provided by German taxpayers has gone to their own banks. Who exactly is it who is being bailed out
?”

Não sei se o professor Sinn vai aprender alguma coisa com esta “lição”. Enquanto estiver a defender os interesses do seu país, a sua teoria é boa. Já a figura ridícula e triste que personagens como Passos, Maria Luís, Maçães e companhia estão a fazer à luz da História devia levar-nos a agir. Até internacionalmente há quem veja e defenda melhor os nossos interesses.

3 thoughts on “Teorias à medida, os alemães sabem como se faz”

  1. eles, sabem muito bem o que querem!nem que para isso acontecer tenham milhares de portugueses andar a pedir, a roubar alimentos,para sustentar os filhos,depois de terem ficado sem o emprego,e até a casa.a sorte destes bandalhos é estarmos na ue,pois caso contrario já tinhamos pegado em armas,para o varrermos daqui para fora, por muitos e bons anos!

  2. Se os nossos governantes não fossem vende-pátrias tinham era negociado a entrada no euro com contrapartidas para a indústria portuguesa, assim;

    nós vamos construir 5000 Km de autoestradas. para isso vamos ter que comprar à Alemanha e à França 50 centrais de fabricação de asfalto, 500 máquinas de terraplanagem, 500 camiões de transporte de inertes, etc. exigimos portanto que os sistemas hidráulicos dessas máquinas sejam feitos em Portugal, assim como os pneus.

    O aumento do poder de compra em Portugal fará com que importemos 5000 viaturas ligeiras de gamas média e alta; os bancos dessas viaturas, as cablagens e os pneus tem que ser de fabrico português.

    Assim é que tinha sido justo, e não é muito provável que os países do norte recusassem tais exigências. Se recusassem perdiam os chorudos negócios que fizeram, e parte dos lucros ficavam em portugal, diminuindo as assimetrias que foram sendo geradas. O desemprego também não seria o que é hoje.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.