Teatro experimental

Foram precisos três anos e um flagrante desastre técnico/concetual, mas com consequências mais vastas, na Educação para um membro deste governo vir reconhecer o «experimentalismo» da sua política. Reconheceu-o Nuno Crato no seu pelouro, mas muitos outros ministros deveriam reconhecê-lo também e depois desaparecer, como não fez Nuno Crato. O experimentalismo deste ministro, porém, não se limita ao sistema de colocação de professores. O caos que este enorme erro gera é imediato e visível, mas o caos e o retrocesso a mais longo prazo gerado por um sistema educativo exclusivo, elitista e desigualitário não são mensuráveis para já. Só por isso pode o restante experimentalismo de Crato não ser reconhecido pelo próprio. Mas nem por isso deixa de o ser. A aura de matemático é a máscara com que se apresenta.

 

O experimentalismo não é, como disse, exclusivo do ministério da Educação, pelo que as vítimas não se limitam aos professores e aos alunos. Experimentalismo é mesmo a prática dominante entre os principais ministros deste governo, começando pelos das Finanças. Durante dois anos, Gaspar não fez outra coisa senão experimentar modelos que estudara em teoria. As consequências foram tão desastrosas e irreversíveis que o homem, na segunda ocasião, zarpou para longe, de onde agora emite opiniões sobre medidas de combate a crises que não passam forçosamente por «brutais» aumentos de impostos. Na prática, reconhece agora que praticou o «experimentalismo». Deixou, porém, sucessora. Até ser chamada pelo FMI, ou na mira de que tal aconteça, Maria Luís insistirá no modelo experimental. Não conhece outro nem quer conhecer. Este é mais fácil, mais cómodo, mais pacífico para a relação com os germânicos de Bruxelas e, para ela, quiçá mais compensador. Porque o faz? Porque pode. Como o vende? Com uma cara séria.

Na Justiça, experimentam-se reformas e suportes informáticos sem qualquer consideração pelos direitos dos cidadãos. Este experimentalismo não foi ainda reconhecido, apesar de estar à vista. E é leviano e irresponsável, como a própria ministra, apesar do ar duro com que se nos apresenta. A incompetência e a irresponsabilidade também se vendem com um semblante cerrado e um cabelo de um loiro dorido.

Experimentalismo é também o que Passos anda a fazer desde que tomou posse. Experimentou ser primeiro-ministro. A experiência está a sair-nos caríssima. Experimentou ser sério, mas logo após o anúncio da subida da TSU, foi divertir-se para um espetáculo musical. Experimentou também, por exemplo, dar dignidade a Miguel Relvas, mas, não a tendo ele próprio, a outra face da moeda, a tarefa revelou-se impossível. Impossível para Relvas, não para ele, que era o ator principal. Quanto à forma, e à tecnoforma, como continua a vender a sua imaginária dignidade e gravidade, o leitor saberá a resposta. Os figurantes Lomba e Maduro, suas escolhas já a peça começara, vieram reforçar a farsa, com o número burlesco dos «briefings». O ridículo levou um deles a desaparecer pelo buraco do ponto sem que mais ninguém o visse. O problema é que o público, regra geral, não ri, está fechado na sala e vão-lhe sendo cobrados impostos a cada número.

12 thoughts on “Teatro experimental”

  1. Bravo, Penélope. Este desgoverno deveria ter deixado o experimentalismo entregue às artes e às ciências, áreas em que como sabemos produz bons resultados. Em política o experimentalismo sai caro e deixa pessoas em colapso.

  2. bom texto.falta a economia a perder gaz.a cultura,já nem sei quem é o governante,na agricultura a ministra deve estar a fazer um trabalho “tremendo”,pois não vemos os “agricultores comunistas” com os tratores das falidas unidades coletivas de produção na rua.da ministra das finanças, dado o seu perfil psicologico! segundo testemunhos não desmentidos, dava informaçao privilegiada a passos coelho,na qualidade de funcionaria publica a trabalhar para o governo socrates! por isso não falo desta “bufa”. quanto ao ministro que tira aos pobres do “rendimento minimo” para dar aos “ricos” das reformas minimas, (gupo que nunca fez quaisquer descontos ) mas tem na maioria dos casos outros rendimentos.

  3. Observação,hipótese,experimentação e indução.Se essa tropa soubesse coisa tão básica como esta,ainda podia tropeçar em algo útil. Assim, só jorram bacoradas.

  4. Observação,hipótese,experimentação e indução.Se essa tropa soubesse coisa tão básica como esta,ainda podia tropeçar em algo útil. Assim, só jorram bacoradas.

  5. De experimental, no que toca a artes de cenografia, só conheço o Teatro Experimental de Cascais. O matemático Crato faz mal em tentar encenar uma peça de teatro; mais vale quedar-se à “espera de Godot”. Já a Miss Swaps, devo dizer que ficava bem em palco, por ser rutilante e capaz de agradar a Marco António, se acaso fizesse o papel de rainha de Sabá.
    Parabéns Penélope, por esta bela peça jornalística.

  6. noticia de última hora. o caso das praxes do “meco,”vai ser reaberto.pergunto por que não aplicar pena identica à do “responsavel” pelo desaparecimento do miúdo rui pedro? acham normal seis pessoas estarem a fazer o mesmo de livre vontade! ou então depois de uma ou duas mortes,livraram-se dos restantes caloiros, por serem as mais que provaveis testemunhas se houve algum crime.

  7. Ó Ignatz, ói! quem se juntou aos patrícios no Martim Moniz na comercialização de telemóveis, talets e outos meios de telecomunicações, para desenrascar a vidinha foi o Baba.

    Até negoceia um GPS muito bom, que os tios trouxeram da terra deles.

    Foi lá deixado pelo Vasco da Gama.

    Tem outro GPS menos bom, que era do Pedro Álvares Cabral, que dá erros, troca a India pelo Brasil.

    Mas espera vende-lo e que ganhará bom dinheiro com ele.

  8. Nuno cm
    O teu comentário das 19,11 é um “inconseguimento”
    1) pretendes que seja aplicada uma pena ao responsável do caso Rui Pedro, semelhante ao caso das praxes do Meco? Mas o interveniente do caso Meco, nem sequer foi julgado!
    2- Fazes afirmações com muita gravidade no caso do Meco, pois afirmas que depois de duas vítimas, os restantes despacharam os outros quatro.
    3- Os tribunais já condenaram com “pena de prisão” o responsável do caso Rui Pedro, cujo advogado de defesa recorreu para TC. A justiça é lenta, mas numa democracia (mesmo que formal) é necessário respeitar as decisões dos tribunais.
    4- apesar da condenação no caso Rui Pedro, o advogado Sá Fernandes ainda não deitou a toalha ao chão no sentido de tentar provar o possivel homicidio.
    No comentário das 12,03 constata-se que o “gás” faz com que ainda vejas comunistas e alfaias agricolas até na tua própria sombra.
    A esta hora já deves estar em luta.
    Continua a sonhar que como dizia o poeta “o sonho comanda a vida”
    Inté.

  9. O que eu gostava mesmo era de rever, nas TVs, as participações de Crato nos diversos programas em que participou. Perorava contra a ministra, contra o ministério, contra as politicas da educação.

    Nesses programas, e foram muitos, adiantava soluções para os ditos erros. Agora, como ministro, implementou o que achava ideal…..e….deu nisto !!!!!

    Dá que pensar !!!!!!!!!!!!!!

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