Setembro avança e a traição, que já foi deslealdade, passa a crime

O que me interessa, neste momento, é afirmar o projecto de mudança para o país, na forma de fazer política, e sobretudo não permitir que o crime compense. É um grande precedente esta situação no PS.” A partir do momento em que o António Costa tomou esta atitude, quando o PS voltar a estar na situação de deixar de ser poder, quem é que estará disposto a agarrar no PS como eu agarrei há três anos? Toda a gente se vai resguardar, porque sabe que em qualquer altura pode haver um oportunista que se lance na liderança do PS.

 

Crime é uma palavra forte. Está visto que a «elegância» de que Seguro se orgulhava no seu modo de fazer oposição ao Governo não se aplica de todo ao combate interno. E é aí que reside e sempre residiu o problema. Elegância para o governo mais subserviente, impreparado e insensível de sempre, ódio e acusações para grande parte dos militantes do seu partido.

 

Se o desespero já o leva a falar de crime, então houve um erro que Seguro jamais se perdoará ter cometido: não ter consagrado nos novos estatutos do partido o crime de contestação da liderança, que merecesse como pena mínima a expulsão e como pena máxima a decapitação na praça pública. Assim, ninguém se atreveria. Este erro ter-lhe-e-á sido fatal. Além de o ter obrigado a plantar um cravo sem perceber de jardinagem.

 

Quanto ao «grande precedente», lembro ao Seguro que um grande e lamentável precedente foi ter deixado de haver congressos intercalares por desejo e insegurança de um líder. Compreende o Tozé? Querer ser eleito líder, exercer uma liderança errática durante quatro anos, com episódios caricatos e declarações anedóticas pelo caminho, descredibilizar o partido e ofender os seus melhores elementos com uma estratégia de desrespeito pelo trabalho feito e pelas respostas dadas aos imponderáveis de uma gigantesca crise financeira internacional, e tudo isso acompanhado de um rol de contradições, hesitações, ausências e indefinições, e chegar depois, rosadinho do sol do campo e sem contestação, tal Kim Jong-un, às eleições legislativas para as perder, eis o que seria um grande, lamentável , vergonhoso e danoso precedente.

Entretanto, foge-se do congresso por medo de perder e convocam-se primárias para tentar vencer pelo insulto e o apelo à compaixão. Eis a grande resposta deste homem de carácter a uma situação delicada.

 

Mas a entrevista ao jornal i tem mais. Mostra, por exemplo, como o entrevistado apresenta sintomas de grande surdez e cegueira:

  1. Problemas de ouvidos

 Ficou mais longe por causa de Costa? Na noite eleitoral a sondagem da TVI já dava conta de um empate técnico nas intenções de voto para legislativas.

“A maioria das sondagens aponta para um resultado nas legislativas para o PS, ou apontava até às eleições de Maio. Depois da crise provocada por António Costa estamos na ordem dos 30%, 31%.”

Repetindo, agora mais alto: logo na noite eleitoral

 

Problemas de vista

“Não sou pessoa de sectarismos, nem de excluir. Mas também não sou pessoa de consensos artificiais.”

 

Diz o homem que confessou ter-se anulado durante três anos para manter o partido unido.

 

Quem tiver «paciência evangélica» para ler a entrevista completa, lá encontrará o António Costa outra vez à janela do município, não se sabe se com o cabelo à lua, os chamados «doutores» de Lisboa versus o bom povo como ele, momentos «Marinho Pinto», a atribuição das responsabilidades às elites lisboetas (e «olhe o Estado a que isto chegou») e o esquecimento de que Passos também não é de Lisboa (já agora, nem Sócrates, nem Cavaco) e que ele próprio já deixou Panamacor há mais de duas décadas (mas aí o jornalista estava distraído com o gravador), a insinuação de que houve promiscuidade entre política e negócios no governo do seu partido, sem nomear um único caso, o esquecimento do caso da Associação Nacional de Farmácias na relação com a sua própria liderança, a mentira sobre o contexto em que Costa se pronunciou sobre a votação dos orçamentos, os erros do governo anterior que diz ter denunciado na altura (época em que, sabe-se agora, todos padecíamos de surdez profunda), mas que jamais identifica, etc., etc. Tudo pobre, tudo já ouvido, tudo inconsistente, tudo ridículo. Tudo, em suma, muito pouco elegante.

6 thoughts on “Setembro avança e a traição, que já foi deslealdade, passa a crime”

  1. O Tozé foi a maior calamidade que aconteceu ao PS desde a sua fundação. Vai ser ANULADO nas primárias, mas não se vai ficar por aqui. No PS não tem futuro nenhum, uma vez que resolveu jogar o tudo por tudo, à custa do partido. Que irá ele fazer? Casar-se com o Marinho Pinto?

  2. “Que irá ele fazer? Casar-se com o Marinho Pinto?”

    o avô gerómino vai de padrinho, a paulette de madrinha e o mini mendes faz de menino das alianças.

  3. Irra , que nunca mais é dia 29! O Tocador de ferrinhos andou a apanhar e guardar as pedras do caminho ( que não fez), não para atirar à oposição mas para agredir o partido . Só de lhe ver a hipocrisia e a mentira estampada na cara, me dá vómitos!

  4. Tenho receio que ganhe. Já estou a imaginar no dia 28 autocarros carregados de notáveis do interior, condenado ao ostracismo, a chegarem e a partirem durante todo o dia em todas as mesas de voto. Este indivíduo é capaz de tudo para se manter no lugar. Vocês não tem este receio? É que depois, será o fim. Depois não haverá nada a fazer senão aguentar o Passos mais 5 anos.

  5. seguro não é serio! diz ele: “quem é que estará disposto a agarrar o ps, com eu agarrei há tres anos”.este ex socialista
    agarrou o ps, depois de socrates se demitir verbalmente no hotel altis, e com medo que ele reconsiderasse ,desce de elevador, e à saida diz aos jornalistas que não estavam ali por acaso que era candidato a secretario geral.as pessoas no aspirina têm desvalorizado as sondagens da catolica nas ultimas eleiçoes. foram tres.na primeira o ps está frente na segunda a vantagem da direita dá empate tecnico,na terceira perante a necessidade de um governo maioritario,o povo virou-se para a direita depois de a esquerda dizer que não fazia governo com socrates. esta demissaõ de socrates,perante o comportamento de seguro em não defender o legado do ps,veio demonstrar que foi um erro ter-se demitido.o povo estava hoje mais esclarecido por que a narrativa da direita não tinha passado!

  6. acho uma atitude patriotica,os clientes do banco da borboleta levantarem o seu dinheiro e mudar de banco.quem quer vender à pressa e mais barato,merece esta resposta. portugueses mostrem a sua indignaçao e mandem o borboleta dar uma volta!

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