Sem emenda: uns farsantes, qualquer que seja a matéria

Quem elogiou Teresa Leal Coelho pela sua aparente retidão e coerência de comportamento na AR a propósito da votação do referendo à coadoção a esta hora já deve ter percebido a probabilidade de um engodo. Esta deputada é das pessoas mais próximas de Passos Coelho, uma espécie de “generala” da tropa de choque para os média, sempre na linha da frente da propaganda. Era estranho que, subitamente, tivesse dele divergido ao ponto de se demitir da vice-presidência da bancada do PSD. E digo divergido, porque a decisão última de avançar para um referendo só podia ter vindo do presidente do partido, como é lógico. Seria porventura credível que a JSD tivesse uma proposta na manga de travagem do processo legislativo sobre a coadoção e Passos Coelho não a conhecesse? Altamente improvável.

Pois bem, soube-se há pouco, pela divulgação da ata da comissão política do PSD de 22 de outubro passado, que o apoio ao referendo e a disciplina de voto foram ali aprovados por unanimidade, estando Teresa L. C. presente. Teresa votou, portanto, a favor da realização de um referendo.

Depois do que vimos na Assembleia na sexta-feira, o que é que isto nos diz? Das duas uma: ou estamos perante mais uma farsa, em que o presidente do partido e primeiro-ministro quis dar a entender que se tratou de uma iniciativa da JSD e, a provar que a ideia nem era sua nem dos membros da direção, incumbe D. Teresa, sua próxima, de representar a cena do distanciamento; ou D. Teresa, por alguma razão que está por esclarecer, arrependeu-se da opinião expressa no dia 22 de outubro na comissão política e rompeu a disciplina de voto ausentando-se no momento da votação.

Será esta última hipótese a explicação para o facto de a assessoria de imprensa ter decidido agora divulgar a ata da reunião? Foi para dar conta das contradições de Teresa ou antes para realçar que a iniciativa partira “mesmo” da JSD? Ou as duas coisas? Haverá uma requintada farsa ou uma dissidência na direção?
Mas perco talvez o meu tempo ao tentar buscar sentido na atuação destas criaturas. O mais certo é nem os próprios saberem o que fizeram.

A decisão foi tomada a 22 de Outubro na Comissão Política Nacional do PSD: aquele órgão deliberou “por unanimidade” “não se opor à proposta” apresentada nesse mesmo dia pelos deputados da JSD, no Parlamento, de realização de um referendo sobre a co-adopção plena por casais do mesmo sexo, e incumbiu a direcção da bancada de “conduzir este processo”.
De acordo com um extracto da acta daquela reunião disponibilizado pela assessoria de imprensa e citado pela Lusa, estiveram presentes nessa reunião, entre outros dirigentes, o presidente do partido, Pedro Passos Coelho, e os vice-presidentes Marco António Costa e Teresa Leal Coelho – que na sexta-feira se demitiu da direcção da bancada social-democrata depois de faltar à votação em que foi aprovada essa proposta de referendo
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Na reunião de 22 de outubro, a Comissão Política Nacional do PSD decidiu também, “por unanimidade”, determinar “a disciplina de voto favorável nas votações do Orçamento do Estado para o ano de 2014″ para os deputados da bancada social-democrata.

6 thoughts on “Sem emenda: uns farsantes, qualquer que seja a matéria”

  1. O nivel de má formação desta gentalha ultrapassa tudo o que é admissivel em seres humanos…
    Se tivessem de mandar matar alguém para prosseguir os seus interesses fa-lo-iam sem hesitar, tais são as falhas de honestidade e caracter desta gente.
    Já existe um suspeito de assassinio naquele maldito partido. E nada nos garante que não hajam mais…

  2. “Se tivessem de mandar matar alguém para prosseguir os seus interesses fa-lo-iam sem hesitar…”

    andas distraído. não ouves macedo, o caolho e não frequentas hospitais.

  3. Farsantes?Exatissimamente!!!
    Isto é gentalha do piorio.Animaizinhos de esgoto.
    Bardamerdas de pescoços enlaçados com entranhas putrefactas!(…)

  4. Dúvidas coerentes e ajustadas a uma realidade que não é a de uma frequentada por anormais,em que o correto num dia passa a incorreto para depois voltar com mais ou menos variantes ao início.Sinceramente,é uma perda de tempo sequer ouvi-los quanto mais comenta-los!

  5. Eu suspeito que eles precisam do referendo em paralelo com as europeias, para tentarem mitigar o desastre eleitoral que lhes poderá cair em cima. A ordem deve ter vindo de cima, pois na Europa também se teme, e muito, as próximas europeias, por razão de o federalismo estar a perder terreno. E todos os votos vão contar, como é evidente.

    Cavaco Silva desejará alinhar com mais esta manobra, pois decerto quererá salvar o PSD da extinção. E nada melhor do que lançar uma cortina de fumo bíblica, para assim gerar uma CORTINA DE FUMO ELEITORAL para as próximas europeias

    Capisci?…

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