Relvas e os chineses: aprender com quem sabe

Não sabemos quanto pagou Miguel Relvas pelo pacote completo da licenciatura. Possivelmente alqueires de milho imaterial, a posteriori. Mas também poderá ter sido a priori, com grande linguajar. Se optarmos pela teoria do sempre pândego professor Marcelo, foram Relvas e a sua fama que atraíram para uma bandeja o diploma que ele até nem queria, com um cartão de boas-festas da universidade… Seja como for, não partilho da opinião dos que dizem ser muito português o desejo de ser doutor. É português, é alemão (temos o caso do ministro Karl-Theodor zu Guttenberg, demitido por plágio, mas conheço quem ganhe a vida a escrever teses), é líbio, argentino e, sobretudo, chinês, nos tempos que correm. E, como o desejo deste governo parece ser achinesar o mercado de trabalho e os salários e não só, Relvas provou ter aprendido antes alguma coisa com eles, embora não tudo, nesta matéria (sem prejuízo do muito que tem para ensinar noutras, como na disciplina de geologia que versa sobre a técnica de detetar os melhores terrenos para furar).

Falta de ambição. Porquê um diploma da Universidade Lusófona? Os chineses fazem melhor! Segundo a revista The Economist, há quem, no Império do Meio, venda diplomas de universidades americanas inventadas, como uma tal «Nation University», os mais caros (30 000 dólares), e, a um preço mais módico, de falsas universidades chinesas, como a Universidade Wuhan de Indústria e Comércio. Na terra das falsificações de relógios Rolex, malas Louis Vuitton ou echarpes Armani, os diplomas só podiam ser uma mercadoria como outra qualquer e logicamente falsificável. Os interessados podem ser jovens estudantes, sujeitos à implacável concorrência de outros 7 milhões deles, mas também homens de negócios ansiosos por enriquecer o currículo e arranjar um posto no governo. As autoridades parece que já deram conta e arranjaram um sistema informatizado de controlo da autenticidade, sem certezas de que resulte.

Isto só é possível na China? Não sei. E não me estou a esquecer que os chineses são largos milhões de primatas como nós que mal se conhecem uns aos outros, quanto mais ao resto do mundo e às instituições académicas dos estados norte-americanos. Mas, os já referidos dotes (leia-se qualificações) do ministro Relvas teriam potencialidade para lhe angariar um diploma de uma qualquer universidade estrangeira muito mais bem sonante do que a Lusófona. Não ousou. Internacionalizar os seus inúmeros contactos talvez lhe tivesse trazido vantagens. Ai dele, que agora é tarde.

2 thoughts on “Relvas e os chineses: aprender com quem sabe”

  1. Eh pá!…
    Onde é que se situa o estabelecimento em questão?
    ‘Tava a pensar numa pós-graduaçãozita…

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